<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971</id><updated>2012-02-17T01:01:24.862-02:00</updated><category term='Saudações'/><category term='Eventos'/><category term='Manifestações'/><category term='Políticas Públicas'/><category term='Vídeos'/><category term='Textos Hilário Dick'/><category term='Textos Carmem Lúcia Teixeira'/><category term='Notícias'/><category term='Indicações'/><title type='text'>Observatório Juvenil do Vale</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>80</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-2794873614855950908</id><published>2012-01-23T07:36:00.000-02:00</published><updated>2012-01-23T07:39:14.576-02:00</updated><title type='text'>SUPERAR BOLSÕES DE DISCÓRDIA SITUAÇÃO DA EVANGELIZAÇÃO DA JUVENTUDE  NO RIO GRANDE DO SUL (FINS DE 2011)</title><content type='html'>O que se vai ler não é só bonito nem só feio. É como a realidade: bonita e feia. Os comentários, sinceros e fundamentados, talvez nem sempre sejam oportunos. O Evangelho ensina, contudo, que a importunidade também pode ser necessária.  Se no anúncio do Evangelho não houver transparência, como Igreja, não se irá longe. A pesquisa que apresentaremos se deve à vontade de implantar o Setor Juventude na Igreja do Rio Grande do Sul. Vão expressos, primeiramente, o reconhecimento a todos/as que permitiram essa pesquisa: Dioceses, Coordenadores de Pastoral, agentes que responderam e, evidente, aos encarregados/as do Setor Juventude da CNBB do Sul 3. Não deixamos de lamentar os/as que não responderam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISTORIANDO O CAMPO&lt;br /&gt;1. Em primeiro lugar, fica evidente que não se tem clareza sobre a história do “Setor Juventude”  da CNBB, em nível local e nacional. Parece que não se tem consciência ou não que ser quer aceitar que o Setor, a nível nacional,  marca presença na Igreja do Brasil há vários anos, desde a extinção da Ação Católica (no final da década de 60), especialmente da Ação Católica Especializada. Na Igreja do Rio Grande do Sul, algo semelhante aconteceu, igualmente. O Padre Quirino Weber S.J.  partilhava, na Assembléia do Sul 3, em junho de 2010, a sua experiência de primeiro assessor deste Setor nos anos de 1970 a 1976. Faltava ele recordar os Congressos bonitos que se realizaram com os jovens católicos articulados, apesar de os tempos serem de forte repressão política. Pode-se dizer que este Setor se tornou Coordenação Regional de Jovens (CRJ, no Sul 3) em setembro de 1981, em Santa Maria.&lt;br /&gt;2. Nem todos, na Igreja, concordavam com estas iniciativas do Setor, em nível regional e nacional. Basta recordar que, em nível nacional, foram aparecendo (na mesma época) muitas outras experiências de evangelização da juventude, sendo as mais fortes o EMAÚS, de Mons. Calazans (SP), e o TLC (Treinamento de Liderança Cristã) que se espalhou, também, em várias dioceses do Sul 3.  No Sul 3 surgiram “movimentos” semelhantes nos anos de 1974. Além do EMAÚS, o CLJ e o EJC. Observa-se que, ao lado da CRJ, estes “movimentos” sempre formaram “Bolsões” de discórdia.   O assunto voltou à baila com intensidade, como algo novo, por ocasião da aprovação do Documento 85, da CNBB – Evangelização da Juventude, Desafios e Perspectivas Pastorais, em 2007 (nº 193 a 202). O desejo que se expressava era um trabalho mais “integrado”, mais “amplo” das diferentes experiências de evangelização da juventude, especialmente pelos “problemas” que eram vistos na forma como as Pastorais de Juventude (de modo especial) caminhavam. Esquecia-se,  no entanto, vários esforços destas Pastorais em procurar “caminhar junto” com outras experiências. Prova concreta são e foram os “Encontros de Congregações e Movimentos” em nível nacional e, também, em nível de Sul 3, promovidos pelo IPJ de Porto Alegre.  A introdução do “Setor” no Documento 85 foi tão significativa que, muitas vezes, era deixado de lado o todo do documento para dar toda a atenção para alguns parágrafos. Pouco se dão conta, igualmente, que não se tratava de algo “novo”, mas de uma “forma” como era trabalhado o Setor. Uma figura histórica (assessor) que viveu isso na carne foi o P. Gisley Azevedo, assessor nacional do Setor Juventude, assassinado em situação não bem explicada, em Brazlândia (DF). &lt;br /&gt;3. Essa mesma busca de uma maior “integração” das experiências de evangelização da juventude também se encarnou nas preocupações da Igreja do Sul 3, começando-se a sonhar com uma evangelização juvenil que se encontrasse mais, que dialogasse mais e que trabalhasse junto, ao menos nalguns momentos.  Até surgiu a idéia de constituir um “Setor” em nível regional, não só nas dioceses. Em maio de 2007 chegou-se a convocar, para isso, uma agente de pastoral que, junto com o sub-Secretário da CNBB, fizesse esse serviço.&lt;br /&gt;De maio a agosto de 2010, este “serviço” pôs-se na rua, com a disposição de “escutar”, carregando no alforje o desejo da implantação do Setor nas dioceses. O “assunto” ficou mais complexo quando o Conselho Superior do Instituto de Pastoral de Juventude (situado em Canoas), resolveu que, em janeiro de 2011, este Instituto seria “redirecionado” por falta de incisividade e de significatividade,  em parceria com o Setor Juventude da CNBB Sul 3 . A “escuta” programada tomou, com isso, um aspecto novo e delicado.&lt;br /&gt;4. Foram realizados e vivenciados, 28 diversos “momentos” neste processo de escuta feito pelos encarregados de pensar a construção do Setor Juventude nas dioceses e no Regional Sul 3. Podem ser destacados:&lt;br /&gt;a) encontros com “pessoas”, isoladas, mais e menos comprometidas com a evangelização da juventude, através de algumas experiências ou, então, pelo papel que exercem no campo da “educação”, em geral;&lt;br /&gt;b) grupos comprometidos em iniciativas significativas no campo da formação de lideranças na perspectiva dos que são conhecidos como “grupos de base”;&lt;br /&gt;c) encontros com responsáveis de 4 movimentos que trabalham com jovens;&lt;br /&gt;d) encontros com lideranças da Pastoral Juvenil das Comunidades e da Pastoral Estudantil. Num destes encontros estavam presentes representantes de quase todas as 18 dioceses do Sul 3;&lt;br /&gt;e) encontros com “Instituições” dedicadas ao trabalho com a juventude de diversas formas e com agentes encarregados da Pastoral do Regional Sul 3, reunidos em Assembléia;&lt;br /&gt;f) um encontro com responsáveis de movimentos juvenis de uma diocese, junto com seu bispo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Por ocasião de uma carta-convite para um encontro, no dia 28 de agosto de 2010, houve, ainda, outras reações. Em geral eram de apoio ao evento.  As “respostas” vinham, especialmente, de bispos, coordenadores diocesanos de pastoral, Provinciais e outros. Os emails, em geral, respondiam de forma positiva ou propositiva, mas um deles dizia que para a organização de uma juventude da Igreja, na vivência cristã, isto não vai ajudar em nada, porque vocês estão misturando tudo, até ONG´s, os restos de PJ´s ao lado de movimentos que trabalham há 36 anos, sem interrupção (...) segundo as diretrizes da CNBB e as conclusões de Aparecida. Para nós não interessa ter boas ONG´s, queremos jovens na Igreja, nas missas, cantando e participando com alegria. Outro email dizia: Com toda sinceridade, não sei o que vocês querem com o Setor Juventude regional. Acho tudo confuso, sem clareza na proposta.&lt;br /&gt;6. Fora estas reações “particulares”, podem distinguir-se vários discursos:&lt;br /&gt;a) O discurso da informação. As pessoas falam o que fazem. Assim faz a PJR, o CLJ (em uma das versões), a Trilha Cidadã, o Setor do Vicariato de Gravataí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) O discurso da preocupação, especialmente por parte dos jovens das Pastorais de Juventude. Dizem que não se sentem amados na igreja; falam dos cortes dos liberados e da questão financeira, tendo que dividir a ajuda financeira com o Setor. Dizem ter medo de perder a identidade. Na coordenação regional da PJ há preocupação com a formação, com uma rede assessores e com a militância. Expressam-se sobre o que o IPJ representava (pesquisa, formação e assessoria) e sobre os bens adquiridos pelo IPJ (biblioteca, banco de dados etc.). Afirmam que o Setor deve ser um serviço atento às bases, não uma estrutura de comando, mas de serviço: um serviço  fiel ao documento 85, isto é, uma articulação no espírito deste documento e que a juventude participe dele. Fala-se da existência de uma estrutura para que os jovens possam se articular. Na formação, referem-se de modo especial ao CAJO e ao Curso de Animadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c) O discurso da afirmação. Volta à baila a importância do Curso de Animadores, o reforço ao acompanhamento, chamado de “a grande demanda”, a manutenção do CAJO. Precisa-se de um serviço de articulação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;d) O discurso dos cuidados. Fica evidente que quem mais está sofrendo com a novidade que se apresenta são as Pastorais de Juventude porque os “movimentos” têm outros recursos. Como se dizia na Assembléia da Igreja do Sul 3, solicita-se um carinho especial com as pastorais da juventude por parte dos bispos e padres (...) intimamente ligadas à Igreja. Não podem ser deixados de lado cursos de formação conforme o IPJ assegurava. Fala-se da importância de ter um grupo de assessoria que possa ser presença nas dioceses; da importância  da articulação de um conselho, de uma coordenação regional de jovens e de uma assembléia estadual. Dizia um jovem representante de diocese que o que preocupa é que os grupos de base das pastorais de juventude, ligada intimamente à vida da igreja e das comunidades, precisam ser olhados com carinho e atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e) O discurso das sugestões. Destacam-se, ainda, várias falas proferidas na Assembléia da Igreja do Sul 3.  Dizia D. Sinésio Bohn que sonhava que este período de transição e mudanças permita melhorar a nossa atuação enquanto Igreja. Faz-se necessária ter uma equipe que pense a sustentação do trabalho; dê suporte para os interdiocesanos, pense um conselho, visualize uma sustentação econômica, disponha de uma equipe de assessoria. Na mesma linha foram discursos de outras dioceses. Não se pode perder o espírito de uma pastoral orgânica, também de juventude. Além da formação, é preciso que o Setor seja um centro de referência para a juventude, que tenha uma equipe de articulação, que haja espaço comum para assessores trocarem suas experiências. Deve ficar claro que modelo de Igreja e que modelo de jovens que se quer construir. Enfim, que cenário de Igreja se quer para nortear esse trabalho com a juventude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;f) O discurso da auto-suficiência. Mesmo que seja um discurso um tanto particularizado, ele marca presença.  Um discurso que, aliás, as pastorais estão acostumadas a ouvir...  Nós temos a solução: joga tudo fora e todos assumam nossa cartilha que contempla as diretrizes da Igreja (...); a teologia da libertação já está superada; não façam como outros que distribuem camisinhas nos encontros e que estão em grupos e não participam de missa etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. Segundo esta sondagem fica claro que se quer uma evangelização de juventude que, em sua variedade, seja capaz de fazer uma caminhada orgânica, de Igreja, com proposta, mas acima das diferenças. Fica claro que se trata menos de um “Setor” e mais de um “Serviço de Articulação e Animação”,  onde todos sejam contemplados e respeitados, assumindo, uma proposta eclesial de evangelização da juventude. Neste momento, o documento 85, da CNBB, Evangelização da Juventude – Desafios e Perspectivas Pastorais, sem ser vítima de uma leitura superficial, é uma necessidade para todos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ESTUDANDO MAIS A REALIDADE&lt;br /&gt;Fica evidente que a “escuta” efetuada foi uma bênção, mas não respondeu ao desafio. Caíu-se na conta de que não se partiu da realidade nem das experiências existentes. Afirmava-se: a Igreja do Sul 3 precisa ter centros de estudo e investigação da “sua” juventude... Isso é válido para todas as experiências: sente-se falta de dados mais científicos não só da realidade juvenil, mas até do próprio trabalho no campo da evangelização das juventudes, não só para ser “mais amplo”, mas que vise, igualmente, a eficiência. Se o primeiro é abrangente demais, o segundo é uma necessidade, isto é, o levantamento científico e realista das experiências existentes, com seus responsáveis, suas estruturas de apoio em nível de adultos e jovens e, também, de sua localização. A “escuta” tem que tomar o aspecto científico, sob o ponto de vista da ciência e da pastoral. Há aspectos fundamentais que não se discutem, que não são explicitados ou que são ignorados.  Isso vale para todas as experiências. Não basta o entusiasmo por uma experiência; exige-se fundamentação, especialmente pedagógica e teológica. Isso se deu até maio de 2010.&lt;br /&gt;8. Fonte de leitura. Em maio de 2011  um grupo convidado pelo Setor Juventude do Sul 3 decidiu realizar, por isso, uma pesquisa sobre a situação da evangelização da juventude no Sul 3. Aprovou-se, para tanto, um projeto apresentado e, depois de algumas contribuições, aprovou-se, igualmente, o questionário a ser aplicado em todas as dioceses e vicariatos, considerando as “foranias” ou as áreas pastorais. &lt;br /&gt; A análise que apresentamos se baseia: 1) em 7 questionários de 4 vicariatos; 2) em 12 questionários de 12 foranias das 4 dioceses do Inter-Norte; 3) em 19 questionários de 19 “foranias” ou áreas pastorais de 3 dioceses do Inter-Leste; 4) em 9 questionários de 9 “foranias” ou áreas pastorais de 2 dioceses do Inter-Sul; 5) em 26 questionários de 26 “foranias ou áreas pastorais de 4 dioceses do Inter-Centro. Um total, portanto, de 73 questionários correspondentes a “foranias” ou “áreas pastorais” de 4 vicariatos e 13 dioceses. Não vieram respostas das dioceses de Pelotas, Novo Hamburgo, Cachoeira do Sul, Santa Maria e Montenegro. Podemos dizer que nos faltariam as respostas de cerca de 22 foranias. A representatividade de 76% das foranias, contudo, é significativa. Um pormenor que pode ser importante é que as respostas recebidas tem nome e endereço, seja de leigos/as seja de padres. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comparando as respostas de leigos/as e padres, o quadro é o seguinte:&lt;br /&gt;Dioc/Vic Leigos/as Padres&lt;br /&gt;Inter-Sul 22,2% 77,7%&lt;br /&gt;Inter-Leste 26,6% 73,3%&lt;br /&gt;Inter-Centro 37,0%  62,9%&lt;br /&gt;Inter-Norte 18,1% 81,8%&lt;br /&gt;Vicariatos 28,5% 71,4%&lt;br /&gt;Média 26,4% 69,8%&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acrescentamos esse quadro porque, segundo outros levantamentos, a percentagem dos/as assessores de evangelização da juventude (não só da Pastoral da Juventude), em todo o Brasil, e também no Sul 3, na grande maioria, é de leigos/as, o que não acontece na percentagem das respostas conseguidas na nossa pesquisa. Segundo um cadastramento nacional de assessores/as de juventude, feito há pouco tempo, abrangendo os 17 Regionais da CNBB, entre os 711 que se cadastraram, 73,4% são leigos. Do Sul 3 cadastraram-se 71 agentes, sendo 70,4% de leigos/as. Além disso, chama a atenção que as respostas ao nosso questionário, da diocese de Cruz Alta, 100% são de leigos/as (de um dos movimentos da diocese) e as de Frederico Westphalen, 100% são de padres. Em todo o caso, ao todo, 27,3% são respostas de leigos/as e 69,8% são de padres. &lt;br /&gt;Algumas dioceses enviaram, além disso, suas agendas diocesanas ou seus “guias” diocesanos e se pode ver, p.ex. a) que a diocese de Bagé tem coordenação da Pastoral da Juventude com seu padre referencial, sendo o serviço de animação vocacional e evangelização da juventude uma das prioridades; b) que a diocese de Vacaria fala do referencial do Setor Juventude; c) que a diocese de Santa Cruz do Sul tem o “Centro da Juventude e dos Adolescentes” com seu assessor e jovem liberado; d) que, em Santo Ângelo, no dia 17 de julho de 2011, o Setor Juventude realizou um encontro com 80 jovens representando 10 experiências de juventude, entre elas a Juventude Marista, a Juventude Verzeriana e a Pastoral da Juventude; e) que na diocese de Passo Fundo, entre as nove Pastorais consta a Pastoral da Juventude, mas além disso, existe o Movimento Onda, o Curso de Liderança Juvenil, o Cursilho Jovem e a Juventude da Renovação Carismática Católica; que a diocese de Montenegro tem o Setor Juventude com um referencial para o Curso de Liderança Juvenil e um referencial para o que eles chamam de “grupos de base”. &lt;br /&gt;Outro quadro da proveniência das respostas é o seguinte:&lt;br /&gt;Dioceses Respostas %&lt;br /&gt;Bagé 4 Inter-Sul = 12,3%&lt;br /&gt;Rio Grande 5 &lt;br /&gt;Osório 2 Inter-Leste = 23,2%&lt;br /&gt;Porto Alegre 10 &lt;br /&gt;Caxias do Sul 5 &lt;br /&gt;Santo Ângelo 7 Inter-Centro = 34,2%&lt;br /&gt;Cruz Alta 5 &lt;br /&gt;Santa Cruz do Sul 11 &lt;br /&gt;Uruguaiana 3 &lt;br /&gt;Erexim 3 Inter-Norte = 17,8%&lt;br /&gt;Fred. Westphalen 6 &lt;br /&gt;Passo Fundo 3 &lt;br /&gt;Vacaria 1 &lt;br /&gt;Gravataí 3 Vicariatos = 10,9%&lt;br /&gt;Canoas 2 &lt;br /&gt;Guaíba 3 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9. Levantamento das experiências de evangelização da Juventude. Como afirmamos, faremos nossa análise dos dados segundo os quatro Inter-Diocesanos (inter-Sul, inter-Leste, inter-Norte e inter-Centro) e os Vicariatos .&lt;br /&gt;9.1 Dados do Inter-Sul:&lt;br /&gt;Diocese 4.1 4.2 4.3 4.4 4.5 4.6 4.7 4.8 4.9 4.10 4.11 4.12 4.13 4.14 Total&lt;br /&gt;Bagé 2 10 16 - - - - - - 3 - - 1 34 66&lt;br /&gt;R.Grande - 4 4 2 11 - - - - 6 - 1 5 - 33&lt;br /&gt;Total 2 14 20 2 11 - - - - 9 - 1 6 34 99&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leitura: Este quadro mostra que a diocese de Bagé tem 02 grupos de CLJ; 10 grupos de Emaús; 16 grupos da PJ (de base); 3 grupos de outra experiência; 01 grupo de estudantes; 34 grupos de outras experiências e 5 Congregações que trabalham com educação. Um total de 66 grupos. No ano 2.000 a diocese tinha 39 grupos de jovens, sendo 94,8% das Pastorais de Juventude; hoje significam 24,2%.Significativo o número de “outros grupos”.&lt;br /&gt;Segundo as respostas, a diocese de Rio Grande tem 33 grupos de jovens. Segundo uma pesquisa realizada no ano 2.000, Rio Grande tinha 72 grupos de jovens, sendo 65,0% das Pastorais de Juventude; hoje significam 12,1%. Significativo, também, o número dos grupos não articulados.&lt;br /&gt;As duas dioceses do inter-Sul contam, pois, com 99 grupos. O que chama a atenção é que 34,3% dos grupos desse Inter-Sul não têm “identificação” e o que os grupos de base (da Pastoral da Juventude) significam 22,2% (24,2% em Bagé e 12,1% em Rio Grande). Outro dado é que, na diocese de Rio Grande, 33,3% dos grupos não têm identificação com alguma organização juvenil.  &lt;br /&gt;9.2 Dados do Inter-Leste&lt;br /&gt;Diocese 4.1 4.2 4.3 4.4 4.5 4.6 4.7 4.8 4.9 4.10 4.11 4.12 4.13 4.14 Total&lt;br /&gt;Caxias - 2 22 8 2 - - - 2 2 1 2 1 - 42&lt;br /&gt;P.Alegre 33 2 25 2 5 2  2 5 2 8   - 86&lt;br /&gt;Osório  3  6 7  1   7 3 8  - 35&lt;br /&gt;Total 33 7 47 16 14 2 1 2 7 11 12 10 1 - 163&lt;br /&gt;Leitura: Considerando que estamos diante de dados vindos de 19 foranias ou áreas pastorais, com 163 grupos, a média por forania é de 8,5 grupos. Trata-se de uma região “metropolitana”, com duas cidades de população significativa: Porto Alegre e Caxias do Sul. Pena que faltem os dados da Diocese de Novo Hamburgo e Montenegro. Talvez o quadro mudasse um pouco. &lt;br /&gt;Resumidamente, há, no Inter-Leste, 33 grupos de CLJ, 07 grupos de Emaús, 43 grupos da Pastoral da Juventude (grupos de base), 16 grupos de RCC, 14 grupos sem articulação, dois grupos de PJE, hum grupo de PJR, dois grupos de Cursilho Jovem, sete grupos do Cenáculo de Maria, 11 outras experiências, 12 outros grupos e hum grupo de colégio. Não é preciso ser grande analista para nos dar conta que estamos diante de um “Inter” que é desafiador. Basta olhar o número de grupos destas dioceses em 2000, e agora. A diocese de Osório tinha, então, 104 grupos de jovens. Hoje, 35. Porto Alegre é um caso à parte. Ela foi desmembrada de modo violento. “Perdeu” a atual diocese de Montenegro, o vicariato de Canoas, o vicariato de Gravataí, o vicariato de Guaíba e o Vicariato de Camaquã. Compreende-se que uma diocese que tinha (em 2000) 377 grupos de jovens, agora conta com 86. Teremos que ver os dados que oferecem os Vicariatos.&lt;br /&gt;9.3 Dados dos Vicariatos&lt;br /&gt;Há vicariatos que tem bispo e outros, não. Demos uma olhada nas respostas:&lt;br /&gt;Vicariato 4.1 4.2 4.3 4.4 4.5 4.6 4.7 4.8 4.9 4.10 4.11 4.12 4.13 4.14 Total&lt;br /&gt;Canoas 11 - 4 1 4 3 - - 1 5 - - 3 - 29&lt;br /&gt;Guaíba 5 - 1 2 1 - - - - 3 - - - - 12&lt;br /&gt;Gravataí 12 - 12 4 2 4 - - 7 7 2 3 - - 79&lt;br /&gt;Total 28  17 7 7 7 - - 8 15 2 3 3 - 120&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse o quadro. É preciso ter presente, para entender os dados, o questionário que foi aplicado (Anexo). Um dado que pode chamar a atenção é o dos grupos sem nome ou sem articulação (= 10). Outro dado:  é a primeira vez que os grupos do CLJ superam os grupos das Pastorais da Juventude (28 a 24). Evidente que faltam os dados da diocese de Montenegro para, talvez, fazermos uma comparação com a situação do ano 2000. Os dados “frios”, contudo, são estes. Parece que o Vicariato mais “vivo” e mais articulado, é o de Gravataí.&lt;br /&gt;9.4 Dados do Inter-Norte&lt;br /&gt;O Inter-Norte tem uma história bonita na perspectiva da evangelização da juventude. Chegou a vez de olhá-lo nos dados que oferece, atualmente.&lt;br /&gt;Diocese 4.1 4.2 4.3 4.4 4.5 4.6 4.7 4.8 4.9 4.10 4.11 4.12 4.13 4.14 Total&lt;br /&gt;Vacaria 14 - 7 - - - 7 8 - - - - - - 36&lt;br /&gt;Frederico W. 15 5 4 2 9 - - - - 1 - - - - 36&lt;br /&gt;Erexim - - 40 1 2 - - 8 - 2 3 1 5 - 62&lt;br /&gt;P.Fundo 5 - 9 - 6 2 - 2 1 - 4 1 3 - 31&lt;br /&gt;Total 34 5 60 4 17 2 7 18 1 1 7 2 8 - 165&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No ano 2000, o Inter-Norte contava com 787 grupos de jovens. A diferença é clamorosa. O que houve? Enganos de números? As Pastorais de Juventude, contudo, ainda são a experiência que tem mais grupos, destacando-se Erexim. O CLJ seria a segunda “força” (60 x 34).  Destacam-se, também, o Cursilho Jovem e os grupos não-articulados, principalmente na diocese de Frederico Westphalen. O que se verifica, pelo resgate das visitas dos encarregados do Setor Juventude do Regional,  é que há boa vontade, e alguma confusão. Na Diocese de Frederico, p.ex. não existe uma Comissão de Juventude, mas existe o “Setor Laicato” onde consta o CLJ, o Emaús e a RCC, mas existe também o Setor Juventude com um acento na Equipe Diocesana de Pastoral dos Adolescentes e uma Equipe Diocesana da Pastoral da Juventude. Em Erexim destacou-se, na conversa, o giro diocesano da Pastoral da Juventude.&lt;br /&gt;Os dados concretos em questão de grupos de jovens são estes. Um “Inter” que há 11 anos contava com 787 grupos, hoje conta com 165.&lt;br /&gt;9.5 Dados do Inter-Centro&lt;br /&gt;Não responderam as dioceses de Cachoeira do Sul e, de alguma forma (como veremos), Santa Maria. Vamos aos dados.&lt;br /&gt;Diocese 4.1 4.2 4.3 4.4 4.5 4.6 4.7 4.8 4.9 4.10 4.11 4.12 4.13 4.14 Total&lt;br /&gt;Uruguaiana - - 5 7 - - - 5 - 6 3 32 - 6 63&lt;br /&gt;S. Cruz do Sul - - 34 9 16 3 3 - - 7 - 11 2 7 92&lt;br /&gt;Cruz Alta 2  20 1 10     37 - 4 - - 74&lt;br /&gt;S. Angelo - 13 18 1 1 8 - 2 - 3 - - 3 20 69&lt;br /&gt;S. Maria - - - - - - - - - - - - - - -&lt;br /&gt;Total 2 13 77 18 27 11 3 7 - 53 3 47 5 13 298&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As respostas do Inter-Centro, como dos outros “Inters”, são sérias, mas chamam a atenção alguns aspectos: a) a aparente “pressa” ou ligeirice nalgumas respostas. Valem como exemplo algumas respostas da diocese de Cruz Alta; b) a impressão que, mais do que ir atrás dos dados da realidade, o que importa é que a implantação do “Setor” é a solução que já está encaminhada.  A diocese de Santo Ângelo, p.ex. anexa a organização do Setor, incluindo os grupos de crismandos e 15 experiências, formando um total de 43 grupos (destacando-se os grupos de Emaús e Pastoral da Juventude) quando, pelo preenchimento dos questionários, os grupos são 69. Os dados da realidade não parecem importantes; c) mais estranha é a resposta da diocese de Santa Maria que, em vez de responder ao questionário enviado pelo Setor Juventude da CNBB do Sul 3, devolve uma folha com a programação da 1ª jornada diocesana da juventude, realizada em 17 de abril de 2011, e a solicitação de que os Coordenadores Diocesanos repassassem uma carta de D. Eduardo Pinheiro e do P. Carlos Sávio Ribeiro, do Setor Juventude da CNBB de Brasília, não fazendo menção nenhuma à solicitação da CNBB regional; d) não há explicação por que a diocese de Cachoeira do Sul não respondeu; e) chama a atenção que na diocese de Uruguaiana haja 32 grupos de jovens, sem nome, mas que se reúnem com certa freqüência e que, na diocese de Santo Ângelo, com 69 grupos, haja 20 outras experiências de grupo. Seria reflexo da “ligeirice” das respostas, não pesando uma informação mais “realista” (científica)? e) Por outro lado, constata-se que a diocese de Santo Ângelo, relacionada com o levantamento de 2.000, registra um “déficit” de 167 grupos; a diocese de Uruguaiana, um “superávit” de 22 grupos; a diocese de Santa Cruz do Sul um “déficit” de 207 grupos e a diocese de Cruz Alta com um “déficit” de 117 grupos.&lt;br /&gt;10. Visão Geral. Na perspectiva de grupos de jovens na Igreja do Rio Grande do Sul, o quadro que se oferece é o seguinte:&lt;br /&gt;Experiência Inter Sul Inter Leste Vicariatos Inter Norte Inter Centro Total&lt;br /&gt;CLJ 2 33 28 34 2 99&lt;br /&gt;Emaús 14 7 - 5 13 39&lt;br /&gt;PJ 20 47 17 60 77 221&lt;br /&gt;RCC 2 16 7 4 18 47&lt;br /&gt;N. Art. 11 14 7 17 27 76&lt;br /&gt;PJE - 2 7 2 11 22&lt;br /&gt;PJR - 1 - 7 3 11&lt;br /&gt;C. Jovem - 2 - 18 7 27&lt;br /&gt;C. Maria - 1 8 1 - 10&lt;br /&gt;Outra 9 11 15 1 53 89&lt;br /&gt;Outra 2 - 12 2 7 3 24&lt;br /&gt;Dispersos 1 10 3 2 47 63&lt;br /&gt;G. Colégios 6 1 3 8 5 23&lt;br /&gt;Outras 3 34 - - - 13 47&lt;br /&gt;Total 99 156 97 166 279 797&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses são os dados “duros”. Considerando as não-respostas, podemos dizer que existem, no Sul 3, em final de setembro de 2011 cerca de 1.100 grupos de jovens. O que importa acentuar, ainda, é que as respostas são sérias, com nome, telefone, email da grande maioria dos informantes. Não estamos brincando com dados. Não se pode deixar de dizer, também, que pode ser percebida certa “truculência”, autoritarismo, falta de transparência, descrédito em partir da realidade e da não-necessidade de buscar novas medidas. Não deixa de ressoar a frase dita por uma autoridade: preciso lhe dizer que para a organização de uma juventude da Igreja, na vivência cristã, isto não vai ajudar em nada, porque vocês estão misturando tudo, até ONG´s, os restos de PJ´s ao lado de movimentos que trabalham há 36 anos, sem interrupção, com centenas de grupos, com grande experiência, segundo as diretrizes da CNBB e as conclusões de Aparecida.Em todo o caso, é uma pena que dioceses como Pelotas, Novo Hamburgo, Santa Maria e Cachoeira do Sul não tenham respondido. Na certa, não por falta de interesse das juventudes. Há agressividades, há rejeições, muito mais vindas de “cima” do que de “baixo”, em vários cantos de nosso Regional, de alguma forma, e por razões diversas, em todos os “Inters”.&lt;br /&gt;OUTROS DADOS&lt;br /&gt;11. Presenças evangelizadoras. Vamos dar uma olhada a duas outras questões do questionário: uma, perguntava sobre as Congregações Religiosas que trabalham com educação na sua diocese ou área (A); a outra perguntava se há, na diocese (área), alguma instituição especificamente dedicada à evangelização da juventude (B). Tratava-se de ver a existência de “estruturas de apoio” para o serviço com a juventude. Perguntas aparentemente “laterais” tomam, no entanto, feições importantes de serem percebidas. Mesmo que o “levantamento” não seja completo, é sintomático.&lt;br /&gt;No Inter-Norte, p. ex. encontramos as Irmãs de São José (Vacaria), os Maristas e as Franciscanas (Erexim), as Irmãs Notre Dame e as Salvatorianas (P.Fundo), as Filhas do Amor Divino e  os Oblatos (Palmeira). Quando as respostas falam de “instituições” especialmente dedicadas à evangelização, o que aparece é a Pastoral da Juventude (?) (Marau e Casca), os Tios que acompanham os movimentos (P.Fundo). Surgem algumas perguntas: &lt;br /&gt;1) pq não se fala dos capuchinhos (especialmente Marau) nem dos franciscanos (Três Passos, com escolas para os jovens da roça em Braga? &lt;br /&gt;2) o conceito “instituição” é tão inclaro misturando-se PJ e tios de movimentos e não se fala de tantos assessores e assessoras, de anos e anos? Mesmo que a pergunta não o fizesse, não valeria a pena ter um olhar histórico. Nenhuma memória, p. ex. de uma obra histórica como a ESCAJUR?&lt;br /&gt;No Inter-Centro trabalham, na educação, as  Filhas do Coração de Jesus (em cinco lugares), os Lassalistas (Cerro Largo), os Maristas  (em quatro lugares), as Salesianas, as Irmãs de S.Catarina, as Ir. Scalabrinianas, as Ir. Div. Providência  (em dois lugares), e as Ir.Franciscanas da Imaculada (L. SantaCruz). As instituições citadas que trabalham especificamente com jovens são o Setor Juventude (Cerro Largo, Santo Ângelo), o Movimento dos 72 Peregrinos e o Secretariado de Emaús (Cruz Alta e Tuparendi,  e a PJ (Candelária). Um pormenor que, talvez, seja importante, é fazer constar que, deste Inter, das 27 respostas 37% são respostas de leigos, 62% são de padres, ao passo que, da diocese de Cruz Alta as respostas são 100% de leigos e da diocese de Santo Ângelo 42% de leigos e 57% de padres, ao passo que no total das respostas ao questionário 27,3% são de leigos e 67% padres. Perguntas que podem ser feitas:  1) O que significaram, ao menos por um tempo, instituições como o Seminário de Arroio do Meio, a Casa Jesus Maria e José em Rio Pardo, o Movimento em Busca da Paz (Santa Cruz), o significado do TAPA, as históricas Escolas de Juventude da diocese de S. Angelo e de, praticamente, todas as dioceses deste Inter? 2) Se se fala do Setor Juventude ou do Secretariado do Emaús, como instituições, porque não se fala da coordenação histórica da PJ com liberados, com coordenação diocesana, assembléias, eventos massivos de jovens, uma pastoral da juventude com sede, etc.?&lt;br /&gt;Indo para o Inter-Leste, as Congregações que são citadas são os Guanelianos (C.Canoa), os Maristas (duas vezes), as Scalabrinianas. As Filhas do S.Coração de Jesus (duas vezes), S.José de Murialdo, as Murialdinas, os Lassalistas, as Pastorinhas, as  Ir.  de S.José, as Irmãs do Coração de Maria. As instituições especificamente dedicadas à juventude são o Setor Juventude (Caxias, Partenon e Passo da Areia), a  Paróquia Estudantil (Rubem Berta) e  os Pobres Servos. &lt;br /&gt;Poder-se-ia perguntar como não aparecem mais Congregações como os Maristas (com a Casa da Juventude, em Vila Nova) e, talvez, os jesuítas que sediaram, por 30 anos, no Bairro Três Figueiras, o Instituto de Pastoral da Juventude (conhecido e utilizado por agentes de todo o Regional – para não dizer mais) e nenhuma referência à Casa da Juventude, dos Padres Josefinos, em Caxias do Sul? Ou se desconhece, ou se quer ignorar ou a memória histórica não faz parte do dia-a-dia dos respondentes. Não estamos diante de uma questão secundária.&lt;br /&gt;No Inter-Sul, as Congregações citadas são as Imãs Scalabrinianas, as Ir. de S. José, os Franciscanos, os Salesianos (duas vezes), os Maristas, as  Irmãs de  S. Catarina , as Irmãs Teresianas, as Irmãs do Horto, e as   Franciscanas de Penitência e Caridade Cristã (Bagé). A única “instituição” que aparece é o Setor Juventude. Vale a mesma pergunta feita anteriormente: se se cita o Setor, por que não as históricas Coordenações Diocesanas de Juventude de todas as duas dioceses, inclusive com liberados escolhidos pelos jovens e assumidos pelas dioceses?&lt;br /&gt;Nos Vicariatos as Congregações citadas são as Ir. S. José, as Franciscanas, Divina Providência (Alvorada),  as Ir. S. José Bernardinas, ICM (Guaíba),  Franciscanas de Penitência e Caridade (Niterói), Rede Santa Paulina, Lassalistas (Sapucaia). Quanto às instituições, dedicadas à evangelização da juventude, poder-se-ia recordar a permanência do IPJ em Niterói (Canoas), as Casas dos Lassalistas, a Casa das Filhas do Coração de Jesus (Esteio) e, por que não, o Seminário Santo Inácio, em Salvador do Sul e o Seminário São José, em Gravataí.&lt;br /&gt;12. Atividades. Havia, no questionário, duas perguntas sobre as atividades desenvolvidas com os jovens. Vejamos, primeiramente, as que perguntavam: a) além das atividades comuns (reuniões, assembléias...) que atividades os grupos desenvolvem; b) há alguma atividade (que não seja a Crisma) na diocese ou na área pastoral que envolva as diferentes experiências ou tipos de grupos de jovens? Quais? &lt;br /&gt;Procurando a maior fidelidade às respostas, vemos que o Inter-Norte fala que refletem e rezam, que participam na catequese e liturgia, nas celebrações litúrgicas, nas romarias, em eventos culturais, nos conselhos comunitários, em campanhas do agasalho, nas missões populares, na Semana Santa nas comunidades, que visitam obras, asilos e hospitais, estão envolvidos em atividades ligadas ao meio ambiente, realizam o giro diocesano, fazem intercâmbio de grupos, teatros, campanhas de conscientização (droga, meio ambiente), e realizam missão jovem nas escolas.&lt;br /&gt;O Inter-Centro fala do Encontro “Despertar”, dos Encontros de reflexão, dos Retiros, da Jornada Diocesana da Juventude do Movimento dos 72 Peregrinos, fala da participação na festa dos padroeiros, na coleta de alimentos, na Missa Jovem, de  retiros e estudo da palavra, Catequese, Liturgia, Encontro do Setor Jovem, Tapetes Corpo de Deus, Visitas a asilos, Partilhas de vida, campeonato de futebol, Pro-jovem sócio-político, Retiros e formações, Formação para a cultura da paz, meio ambiente, Oficinas de reforço escolar, Encontros com estudantes nas escolas, promoções para sustentação do grupo.&lt;br /&gt;O Inter-Leste fala de tardes de integração, Confraternizações, Visita a asilos, panfletagem em shoppings, trabalhos sociais, Cursos de 3 dias, Recolhimentos, Catequese e Crisma, EJC (todas as segundas feiras, reuniões de coordenadores), Oração, formação, lazer, Retiros, Teatro, Ajuda às pessoas carentes, EJA, Vigílias, DNJ, Dias de espiritualidade, Cristoteca.&lt;br /&gt;O inter-Sul fala da Romaria Diocesana da Juventude, do Projeto Semeando – Formação Continuada para a Juventude, Pastoral da Juventude, AJS, Encontrão Paroquial da Juventude, da Legião de Maria que faz visitas, Formação nos Municípios de Mostardas e Tavares, Pré-Missão, Acolhida do  Migrante, também universitários.&lt;br /&gt;Dos Vicariatos vieram poucas respostas, mas as que vieram falam de Assistência Social, Esporte, Retiro p/ crisma, Retiro aberto, Palestra de Batismo, Gincanas, Momento Jovem do Vicariato em vez de DNJ.&lt;br /&gt;Perguntou-se, também, se há alguma atividade (que não seja a Crisma) na diocese ou na área pastoral que envolva as diferentes experiências ou tipos de grupos de jovens? Quais? As respostas, no seu todo, foram: Romaria Vocacional, Momento Jovem do Vicariato, Projeto Semeando – Formação Continuada para a Juventude, PJ e CEBI Jovem, Formação com todos os grupos e DNJ, Encontro Geral com Jovens com oficinas, Retiros de área, Onda, Cenáculo, DNJ, encontros preparados pelo Setor Juventude, Pastoral Vocacional, e Coroinhas, Pastoral da Juventude (S. Ângelo só fala do Setor Jovem), Encontrão Diocesano de Jovens, Giro Diocesano, Gincana para adolescentes.  &lt;br /&gt;Comentários:&lt;br /&gt; 1. Olhar este “mapa” exige muito respeito. Se acreditamos numa “pastoral de processos” é ali, nestas atividades “diárias”, “pequenas”, sem muita repercussão que se dá o crescimento das pessoas e dos grupos. Claro que há eventos mais massivos, mas não são eles que comandam a caminhada. &lt;br /&gt;2. Assim como é atrevimento chamar a atenção para novidades como o “giro jovem”, “missão jovem nas escolas”, “oficinas de reforço escolar”, “cristoteca”, “Projeto Semeando” – Formação Permanente para a Juventude, etc. é um pouco estranho ter que ler que são atividades a Jornada Diocesana da Juventude do Movimento dos 72 Peregrinos (algo privado?), o encontro do Setor Jovem (existe há quanto tempo?), do Momento Jovem do Vicariato (substituindo o DNJ?); é estranho não poder ler nada das Escolas de Juventude, do trabalho das Coordenações Diocesanas de Juventude, do serviço dos liberados que ainda existem etc. &lt;br /&gt;3. Claro que se faz muita coisa, inclusive atendendo as diferentes dimensões da formação integral, mas quem fala da “Semana da Cidadania”, da “Semana do Estudante” – atividades reconhecidas nacionalmente pela CNBB? Será que é preciso provar a presença significativa da juventude nas Romarias da Terra, nas Romarias do Trabalhador, nos Encontros Diocesanos de CEB´s? Por que não se fala disso? Infelizmente parece que os próprios encarregados “pastorais” das dioceses não sabem onde andam os jovens de sua diocese porque também eles não estão presentes em eventos significativos: assembléias, escolas, acampamentos, romarias...&lt;br /&gt;13. Ofertas (de formação e atividades) das áreas ou dioceses. Perguntava-se: Que atividades (mais e menos significativas) a área pastoral ou a diocese oferece aos diferentes tipos de experiências? Citavam-se 5. O quadro que resultou é o seguinte:&lt;br /&gt;Atividades Inter-Norte Inter-Centro Inter-Leste Inter-Sul Vicariatos Total&lt;br /&gt;Retiros 10 12 15 7 7 51 = 69,8%&lt;br /&gt;Formação 10 17 15 8 6 56 = 76,7%&lt;br /&gt;E. Juventude 5 3 11 - 2 21 = 28,7%&lt;br /&gt;DNJ 8 13 11 9 6 48 = 65,7%&lt;br /&gt;E.mais amplos 8 12 11 6 4 41 = 56,1%&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora todos os dados sejam significativos, é necessário comentar o item das Escolas da Juventude. As “Escolas da Juventude” são uma experiência de formação em três ou mais etapas que, historicamente, funcionaram em muitas dioceses do Sul 3, inclusive em quatro dioceses que não responderam ao questionário. Era uma das razões porque nossa análise falava de silêncios “truculentos”. Mesmo que não sejam 21 as foranias que oferecem ou ofereceram “Escolas da Juventude”, 21 delas se valeram delas. Não se falava disso por que? &lt;br /&gt;14. Investir em quê? Perguntava-se:  O que você considera mais importante, por parte da Igreja, na evangelização da juventude na diocese ou área pastoral? (entre as 7 propostas escolha duas). Falava-se de (1) formação, (2) ajuda financeira, (3) preparo de agentes, (4) ajuda aos jovens a se organizarem, (5) deixar como está, (6) liberar adultos e jovens, (7) cada experiência deve ver isso . Eis o resultado:&lt;br /&gt;Assunto I. Centro I. Leste I. Norte I. Sul Vicariatos Total&lt;br /&gt;Formação 8 10 9 5 5 37&lt;br /&gt;Ajuda financ. 3 3   1 6&lt;br /&gt;Preparo ag. 15 10 9 1 3 38&lt;br /&gt;Ajuda jovens 18 8 6 12 4 48&lt;br /&gt;Como está   1   1&lt;br /&gt;Liberar 5 1 2 8 2 22&lt;br /&gt;Com a exp.   1   1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As respostas não deixam de impressionar porque parecem os gritos que se ouve lidando com os grupos de jovens. Ficam evidentes as três importâncias,  mas a que mais deveria chamar a atenção é apoiar e ajudar os próprios jovens a se organizarem. O documento 85 da CNBB afirma que uma boa organização é uma verdadeira escola de educação na fé; além disso, a organização é o único instrumento concreto para a formação de protagonistas, pessoas empoderadas e com autonomia. A organização não pode ser para os/as jovens, mas de jovens, acompanhados e não “controlados” nem monitorados por adultos/as.&lt;br /&gt;15. O Setor. Havia duas perguntas sobre o Setor.  a) Se o “Setor Juventude” estiver organizado na sua diocese, como ele está organizado?  Se “sim”, descreva-o em poucas palavras. b)  Para que o Setor Juventude (na diocese) funcione é importante: que haja um responsável nomeado;  que haja um responsável jovem eleito pelos jovens e reconhecido pela igreja;  que haja um grupo representativo fixo de jovens, junto com um(a) adulto(a); que haja um grupo representativo das experiências, com tempo determinado, indicado pelas experiências.&lt;br /&gt;A. Inter- Norte: A diocese de Erexim diz não ter Setor, e na conversa com o clero e outros responsáveis não deixou entrever algo nesse sentido, mas melhorar a evangelização da juventude. Na diocese de Frederico vive-se o processo de organização. Insistem na organização da Pastoral do Adolescente (igualmente o bispo). Realizaram um encontro para pensar sobre o documento 85 e o Setor. No dia 30 de outubro realizar-se-ia uma Jornada da Juventude. A diocese de Passo Fundo foge da pergunta. A diocese de Vacaria informa que há uma coordenação formada por dois jovens de cada grupo existente, um grupo de assessores e dois representantes da Catequese Crismal. Vicariatos: Guaíba diz que está-se organizando e os outros não se pronunciam.&lt;br /&gt;No Inter-Sul, em  Rio Grande um diz que isso é coisa para o “centro”, mas outro fala que tem reuniões periódicas com os coordenadores de cada movimentyo e Pastoral da Juventude. Importante a Jornada Diocesana da Juventude.Bagé diz, simplesmente, que não há.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Inter-Leste, a começar por Osório, há bastante desintegração.Mas realizaram-se vários encontros discutindo a evangelização e também o Setor, com o bispo presente e apoiando. Porto Alegre concorda com a necessidade do Setor.Caxias se resume em dizer que o Setor existe e que o DNJ é realização do Setor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Inter-Centro, S.Cruz do Sul quase não comentam, mas dizem que está em fase de construção e articulação.O mesmo diz a diocese de Uruguaiana. Aparentemente, mais entusiasmada é Santo Angelo. Reuniões bimensais com 11 experiências.Cruz Alta até fala de coordenação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B. As respostas  para a segunda questão foram as seguintes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 1. que haja um responsável nomeado:  27 = 31,3%; &lt;br /&gt; 2. que haja um responsável jovem eleito pelos jovens e reconhecido pela igreja: 20 = 23,2%;  &lt;br /&gt;3. que haja um grupo representativo fixo de jovens, junto com um(a) adulto(a): 23 = 26,7%;&lt;br /&gt;4. que haja um grupo representativo das experiências, com tempo determinado, indicado pelas experiências:  16 = 18,6%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer leitura dos dados é um atrevimento. Que significaria que haja um responsável nomeado, a resposta mais intensa? Estar-se-ia longe da verdade se se dissesse que se espera uma solução de cima? E por que seria tão importante um responsável nomeado?  A segunda resposta mais forte diz que haja um grupo representativo fixo de jovens, junto com um(a) adulto(a). Resposta democrática, dentro da pedagogia da presença do/a assessor/a? Parece ser uma atitude eclesiástica bastante comum. A terceira resposta, em quantidade, é aparentemente a mais “juvenil”, mas a concentração se dá, novamente, não no coletivo, mas numa pessoa. A quarta resposta, o que poderia dizer ou deixar a entender?  Seria demais se se dissesse que não se confia nas experiências. São, contudo divagações, mas retrata o espírito reinante nas respostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16. Curiosidades. Perguntava-se: Para se ter uma informação  sobre as diversas experiências existentes de evangelização da juventude (não citando  o doc. 85 da CNBB, quais seriam as três obras (livros, subsídio...) das experiências, mais significativas a serem consideradas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) A questão era simples. Poder-se-ia esperar 219 sugestões de livros e subsídios, mesmo que alguns repetidos. O que temos, contudo, são 23 títulos, 9 nove repetidos; b) todos os títulos que sentiram o favor, de fato da evangelização da juventude através das diversas experiências existentes, só a Associação Juvenil Salesiana traz quatro vezes o Itinerário da AJS. Nada de outro movimento. Obras, diretamente da Pastoral da Juventude, aparecem onze; c) Obras oficiais da Igreja Latino-Americana citadas são Medellin, Puebla, Santo Domingo (não se cita Aparecida), Civilização do Amor aparece duas vezes, o Marco Referencial da PJ/RS aparece 05 vezes, aparecem, igualmente, o Marco Referencial da PJE bem como o arco Referencial da PJ (2 vezes); d) Revistas citadas são o Jornal Mundo Jovem ( 3  vezes),a Revista Missão Jovem (2 vezes) e a Revista Rainha (2 vezes); e) autores de livros diretamente sobre evangelização da juventude que são citados são Jorge Boran, Hilário Dick, J.Batista Libânio e Dom Dadeus; f) Obras didáticas que aparecem são Grupos de jovens e vocacionais e Na trilha do grupo de jovens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de que o que aí vai ter seu valor e seu peso, não se pode negar uma pobreza inesperada. O mais dramático, contudo, é que das 73 foranias, 40 não enviaram nenhuma sugestão, isto é, 54,7%. Estamos frente a uma ignorância que assusta. A desculpa poderia ser que os respondentes não trabalham com evangelização da juventude? Outro sintoma que é preciso recordar é o silêncio quase total dos movimentos com relação à bibliografia mínima. Ou só a Bíblia basta ou se guardam os segredos só para os iniciados. Isso facilita o objetivo que um trabalho mais conjunto que o Setor sonha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONCLUSÃO &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Dizíamos, no começo de nosso estudo, que ele seria não só bonito nem só feio, mas que seria como a realidade: bonita e feia. Chegando à conclusão dos dados que nos foram oferecidos, em primeiro lugar, temos que agradecer o que as respostas conseguiram dizer. Pena que nem todas as dioceses responderam; teria dado uma visão mais completa, apesar de a percentagem do recebido é suficiente para dizer que estamos ante dados com os quais não se pode brincar. Confessamos que os maiores “sustos” vieram de onde não esperávamos... Citaríamos a ausência da memória histórica, a pobreza do conhecimento bibliográfico, a falta de estudo sobre juventude, os silêncios de informes, a falta de transparência, a paulada daquilo que chamamos de “curiosidades”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Prosseguimos crendo que, no trabalho com a juventude, é fundamental saber perceber o que está emergindo. Aqui procuramos perceber não tanto o emergir, mas o “ver” como está a evangelização da juventude na Igreja do Sul 3. O questionário enviado às foranias através das dioceses, sob a supervisão dos encarregados do Setor da Juventude do Sul 3 procurou cumprir sua missão com muita dedicação e esforço. Se faltaram respostas, sempre há desculpas, mesmo que elas não sejam proferidas. Assim como há delicadezas, há truculências; assim como há vontade de ajudar, há também o gosto estranho de estragar a festa; assim como há abertura, vontade de caminhar juntos, há evidentes faltas de transparência, autoritarismos, fechamentos – talvez descrença em vez de encantamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Com relação à evangelização da juventude a Igreja do Sul 3, além de outros aspectos, a Igreja não está em paz. As respostas revelaram o que já chamamos de “bolsões de discórdia”. Estes “bolsões” significam agressões, omissões, vontade de esconder dados, falta de transparência, truculências com lideranças (jovens e adultos), autoritarismo. Muito mais questão de adultos do que de jovens.  Muitas vezes um discurso de pura rejeição. Até rejeição de querer saber, realmente, a diferença. Ausência de vontade de diálogo. Falta de estudo. São “bolsões” onde o próprio estudo ou aceitação do “documento 85” não repercute. Não repercute porque, no fundo, reconhece que – para ser como Igreja – deveria caminhar diferente, ter outra pedagogia, ter outras crenças, ter outro olhar para a juventude. Diz-se que se faz o que lá vai afirmado, mas sabem que não é verdade. Parece, até, por vezes, que alguns pastores aprovaram o que não queriam ter aprovado. Não passa na cabeça de adultos (padres e hierarquias) que o Espírito Santo também trabalha na juventude. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Os “bolsões de discórdia” têm dificuldade de se encontrar com os “bolsões críticos”. Os “bolsões críticos” se encarnam numa juventude que procura aprender a vivenciar o poder que mora nelas, o empoderamento, a autonomia e, por isso, critica, não aceita de cabeça baixa, não é submissa, erra no relacionamento, se revolta, abre a boca mas, por outro lado, procura ler, articular-se, sente falta de apoio, sente-se não acolhida etc. Por um lado, são lideranças muito jovens, na maioria ainda na adolescência, mas por outro lado, também, os “bolsões críticos” são formados por adultos, descaradamente rejeitados porque sabem discutir “evangelização da juventude”, “juventude”, “pedagogia”, escrevem, são transparentes, não se deixam “amedrontar”, sabem que estão em outro cenário de Igreja, sabem que um tempo foram hegemonia e nem sempre puderam valer-se disso da melhor forma, mas também percebe que a hegemonia que está vicejando é profundamente autoritária, centralizadora, carregada de economias interessadas. Revolta-se com a manipulação, com o desprezo à Teologia da Libertação, com a criminalização das pastorais sociais, com a valorização dos eventos e não dos processos, com a falta de profecia, com o esquecimento do pobre. As críticas recebidas não são  de “argumento”, são de “autoridade”. Enfim, o ambiente é de um conflito profundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Falar de “Setor da Juventude”, neste contexto, tanto em nível regional como diocesano é muito complicado. Parece que, tanto em nível nacional como em regional, o “Setor” quer ser introduzido a “toque de caixa”, de cima para baixo, sem levar em consideração a realidade, sem respeitar o que há etc. O quadro da realidade dos grupos de jovens que a pesquisa revelou, vai incomodar muito. Nem se chega a perguntar se, neste contexto, o setor é a solução. Ter que admitir que a hegemonia, em grupos, ainda está no “outro lado”, do lado dos quais não se gosta porque ainda acreditam em fé comprometida com a realidade, em fé que se traduz em romarias não só padroeiras, mas de problemas do povo, etc. Dar-se conta que o problema não é o “setor”, como tal, mas a forma como se leva o Setor, não é fácil. Dar-se conta que a maneira como o próprio Setor está sendo experienciado não tem quase nada a ver com a proposta do Documento 85, exige muita humildade. Quem vai reconhecer que o estudo da juventude é realmente uma lacuna no clero, nos adultos, nos movimentos e nas próprias pastorais. Que fundamentos poderá ter, assim, qualquer Setor da Juventude? A pergunta que fica engasgada em todos os dados que vimos refere-se, enfim, ao encanto com a juventude. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falta de encanto relaciona-se, também, à falta de memória: em nosso caso, memória da própria caminhada da Igreja, do Sul 3, já feito com a juventude. Caminhada linda. Por isso a questão que fizemos, na leitura de chamar certa atenção ao que acontecia no ano 2000, ao aparente esquecimento de algo muito concreto que foram e são as, por exemplo, as Escolas de Juventude, o que foi, durante 30 anos, uma obra da Igreja do Sul 3, como foi o Instituto de Pastoral da Juventude, com tudo que significou em formação, assessoria e pesquisa. São exemplos que precisam ser recordados porque não se pode negar que há um “trator” com vontade de enterrar tudo  isso. Não se trata de olhar simplesmente para trás, mas de aprender do passado. O que parece estar ameaçando é a vontade de enterrar uma memória que não se deixa enterrar. Pode-se silenciar, mas não matar. E isso se relaciona com maus tratos à experiência que saiu e sai  das entranhas mais profundas da Igreja comunidade, sem a intermediação de “fundadores”, mas que é simplesmente a vontade doida de ser comunitário, coletivo, participativo, autônomo, organizado (e não comandado), acompanhado (e não controlado), cuidado (e não vigiado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Caminhos de solução que brotam no meio desta pesquisa, encontramos quando se perguntava O que você considera como mais importante, por parte da Igreja, na evangelização da juventude na diocese ou na área pastoral)?  1) investir na formação;  2) investir com mais ajuda financeira;  3) preparar e apoiar agentes que tenham vocação para este serviço;  4) apoiar e ajudar os próprios jovens a se organizarem;  5) deixar como está;  6) liberar (dar condições) para adultos e jovens para o serviço da evangelização da juventude; 7) cada experiência deve resolver isso. As respostas são profundamente significativas. Todos se lembram que a afirmação mais forte, contudo, é apoiar e ajudar os próprios jovens a se organizarem. A Igreja do Sul, no serviço da evangelização da juventude, precisa viver uma grande reconciliação. Os “bolsões de discórdia” precisam ser exterminados. O problema não são os jovens; o problema é o todo, provocado por adultos e “autoridades” sejam elas pastorais, teológicas ou ideológicas. O desafio é a falta de estudo sobre juventude e evangelização; a falta de curiosidade científica sobre juventude; a falta de interesse. A juventude deixou de ser uma “causa”: não há investimento, não há tempo, não há acolhida, parece que se perdeu, na Igreja, em suas diversas expressões, a paciência de ser mãe e educadora. O perigo é querer refugiar-se no investimento na adolescência.&lt;br /&gt;Hilário Dick.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-2794873614855950908?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/2794873614855950908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=2794873614855950908&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/2794873614855950908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/2794873614855950908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2012/01/superar-bolsoes-de-discordia-situacao.html' title='SUPERAR BOLSÕES DE DISCÓRDIA SITUAÇÃO DA EVANGELIZAÇÃO DA JUVENTUDE  NO RIO GRANDE DO SUL (FINS DE 2011)'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-7107221502193070964</id><published>2011-11-20T18:02:00.001-02:00</published><updated>2011-11-20T18:02:56.157-02:00</updated><title type='text'>ONU lança estudo sobre realidade de jovens afrodescendentes da América Latina</title><content type='html'>&lt;p class="ecxMsoNormal" style="line-height: 17px; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.35em; margin-left: 0px; color: rgb(42, 42, 42); font-family: 'Segoe UI', Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px; background-color: rgb(255, 255, 255); text-align: justify; text-indent: 35.45pt; "&gt;Os jovens afrodescendentes da América Latina e do Caribe são um dos grupos populacionais que enfrentam as maiores desvantagens, exclusão e discriminação, segundo o relatório “Juventude afrodescendente na América Latina: realidades diversas e direitos (des)cumpridos”, que o Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa) lançou em Salvador (Bahia) nesta sexta-feira (18), em evento paralelo ao Afro XXI - Encontro Ibero-americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes.&lt;/p&gt;&lt;p class="ecxMsoNormal" style="line-height: 17px; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.35em; margin-left: 0px; color: rgb(42, 42, 42); font-family: 'Segoe UI', Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px; background-color: rgb(255, 255, 255); text-align: justify; text-indent: 35.45pt; "&gt;Estima-se que na América Latina, segundo a informação disponível nos nove países pesquisados, vivam ao redor de 24 milhões de jovens afrodescendentes, de um total de 81 milhões de pessoas de ascendência africana. Com mais de 22 milhões, o Brasil é o país que reúne a maior quantidade de jovens afrodescendentes, tanto em termos relativos como absolutos. Vêm a seguir Colômbia, Equador e Panamá, que, juntos, registram cerca de 1,4 milhão de jovens afrodescendentes. &lt;/p&gt;&lt;p class="ecxMsoNormal" style="line-height: 17px; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.35em; margin-left: 0px; color: rgb(42, 42, 42); font-family: 'Segoe UI', Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px; background-color: rgb(255, 255, 255); text-align: justify; text-indent: 35.45pt; "&gt;“Um dos desafios em matéria de políticas para afrodescendentes – como sublinhado pelo relatório – é a falta de informação estatística desagregada, sistemática e confiável sobre este grupo de população”, disse Marcela Suazo, diretora para a América Latina e o Caribe do Unfpa. “A disponibilidade desses dados permitiria evidenciar as iniquidades enfrentadas por este grupo populacional e, portanto, contribuir para a formulação de políticas afirmativas para os afrodescendentes”.&lt;/p&gt;&lt;p class="ecxMsoNormal" style="line-height: 17px; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.35em; margin-left: 0px; color: rgb(42, 42, 42); font-family: 'Segoe UI', Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px; background-color: rgb(255, 255, 255); text-align: justify; text-indent: 35.45pt; "&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="ecxMsoNormal" style="line-height: 17px; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.35em; margin-left: 0px; color: rgb(42, 42, 42); font-family: 'Segoe UI', Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px; background-color: rgb(255, 255, 255); text-align: justify; text-indent: 35.45pt; "&gt;&lt;b style="font-weight: bold; "&gt;Tripla exclusão –&lt;/b&gt; A desigualdade que caracteriza a América Latina – a região de maior desigualdade do mundo – se reflete também na juventude afrodescendente, que sofre uma tripla exclusão: étnica/racial (por ser afrodescendente), de classe (por ser pobre) e geracional (por ser jovem). Além disso, as mulheres afrodescendentes sofrem processos de exclusão e discriminação de gênero.&lt;/p&gt;&lt;p class="ecxMsoNormal" style="line-height: 17px; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.35em; margin-left: 0px; color: rgb(42, 42, 42); font-family: 'Segoe UI', Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px; background-color: rgb(255, 255, 255); text-align: justify; text-indent: 35.45pt; "&gt;O relatório, fruto de um esforço conjunto do Unfpa e da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal/Celade), é o primeiro a apresentar um panorama regional das dinâmicas populacionais das e dos jovens afrodescendentes, tanto em termos demográficos como de distribuição territorial, além de proporcionar informações sobre sua situação em matéria de acesso aos serviços de saúde sexual e reprodutiva, educação e emprego, áreas-chave para sua inserção social e sua participação plena nos processos de desenvolvimento de seus países.&lt;/p&gt;&lt;p class="ecxMsoNormal" style="line-height: 17px; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.35em; margin-left: 0px; color: rgb(42, 42, 42); font-family: 'Segoe UI', Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px; background-color: rgb(255, 255, 255); text-align: justify; text-indent: 35.45pt; "&gt;O estudo evidencia as brechas significativas existentes nos países entre os jovens afrodescendentes e os demais jovens. Os dados sugerem a existência de diferenças na implementação dos direitos de saúde reprodutiva entre as jovens afrodescendentes, já que a maternidade em idade precoce é tanto ou mais elevada entre elas do que para as demais jovens. Além disso, a maternidade precoce está sistematicamente associada a menores níveis de educação, ainda mais evidentes neste grupo populacional.&lt;/p&gt;&lt;p class="ecxMsoNormal" style="line-height: 17px; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.35em; margin-left: 0px; color: rgb(42, 42, 42); font-family: 'Segoe UI', Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px; background-color: rgb(255, 255, 255); text-align: justify; text-indent: 35.45pt; "&gt;As porcentagens de jovens que não estudam nem trabalham na região são muito altas e, na maioria dos países, os jovens afrodescendentes se encontram entre os mais excluídos destes sistemas. A situação dos afrodescendentes na região tem cobrado maior visibilidade nos últimos anos, graças, por um lado, ao aumento das organizações e articulações afrodescendentes que defendem seus direitos em níveis regional e nacional e, por outro, à criação de instituições governamentais encarregadas dos assuntos concernentes aos povos afrodescendentes em mais de uma dezena de países. Contudo, isso não tem sido suficiente.&lt;/p&gt;&lt;p class="ecxMsoNormal" style="line-height: 17px; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.35em; margin-left: 0px; color: rgb(42, 42, 42); font-family: 'Segoe UI', Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px; background-color: rgb(255, 255, 255); text-align: justify; text-indent: 35.45pt; "&gt;O estudo propõe o investimento e o fortalecimento das políticas afirmativas para a juventude afrodescendente em um marco de direitos, como caminho para superar as iniquidades, a discriminação e a exclusão. O Encontro Ibero-americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes é uma realização do governo brasileiro, através da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir/PR) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Governo do Estado da Bahia, através das secretarias de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), de Cultura (Secult), e das Relações Internacionais e da Agenda Bahia (Serinter), associados a Secretaria-Geral Ibero-Americana (Segib).&lt;/p&gt;&lt;p class="ecxMsoNormal" style="line-height: 17px; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 1.35em; margin-left: 0px; color: rgb(42, 42, 42); font-family: 'Segoe UI', Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px; background-color: rgb(255, 255, 255); text-align: justify; text-indent: 35.45pt; "&gt;A parceria para a realização do Encontro inclui também a Fundação Alexandre de Gusmão (Funag), a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid), e a ONU, através de suas agências: Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa), Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDP).&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-7107221502193070964?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/7107221502193070964/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=7107221502193070964&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/7107221502193070964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/7107221502193070964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2011/11/onu-lanca-estudo-sobre-realidade-de.html' title='ONU lança estudo sobre realidade de jovens afrodescendentes da América Latina'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-4342423686800999502</id><published>2011-11-07T08:17:00.001-02:00</published><updated>2011-11-07T08:22:07.108-02:00</updated><title type='text'>Juventude no Vale do Sinos</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt;Nesta semana foi atingido o número de 7 bilhões de pessoas habitando o Planeta. A &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt;Fundação de Economia e Estatística&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt; – &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt;FEE&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt; refere que são 10.735.315 gaúchos (às 19hs15min do dia 04 Nov 2011). Conhecer melhor o perfil da população do Vale do Sinos nas diferentes faixas etárias constitui-se em importante subsídio para o planejamento, monitoramento e avaliação das políticas públicas, que são, conforme SEN (...) mediação estratégicas para a afirmação de uma política pública.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt;A juventude pode ser caracterizada por diferentes perspectivas. Em relação à faixa etária, o &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt;Estatuto da Criança e do Adolescente&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt; – &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8069.htm"&gt;&lt;span style="font-size:8.5pt;mso-bidi-font-size:11.0pt;font-family:&amp;quot;Tahoma&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;color:blue;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;ECA&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt; identifica como adolescente as pessoas cuja idade vai dos 12 aos 18 anos. &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt;A Organização Mundial da Saúde&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt; – &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt;OMS&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt; reconhece a adolescência entre os 10 e os 19 anos. A partir da referência utilizada pela OMS, que apresenta o reconhecimento da juventude em um período mais ampliado, os adolescentes representam 16,2% do total da população do estado do &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt;Rio Grande do Sul&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt; - &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt;RS&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt; e 16,7% da população da região do &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt;Vale do Rio dos Sinos&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt;, conforme dados do Censo 2010. Acrescentando a população identificada como jovem – 20 a 24 anos – esta representatividade chega a 24,3% do total da população do Estado e 10,6% do Vale.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt;A aproximação com a realidade dos adolescente e jovens oportuniza a identificação de múltiplas transformações físicas, pessoais e de suas sociabilidades.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt;Neste período foram identificados 6.124 &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=127&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=44667"&gt;&lt;span style="font-size:8.5pt;mso-bidi-font-size:11.0pt;font-family:&amp;quot;Tahoma&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;color:blue;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;jovens mulheres&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt; e 5.188 &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=127&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=44925"&gt;&lt;span style="font-size:8.5pt;mso-bidi-font-size:11.0pt;font-family:&amp;quot;Tahoma&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;color:blue;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;jovens homens&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt; chefes de família sem renda no Estado e no Vale 527 mulheres e 409 homens.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt;Em relação ao número de matrículas realizadas em &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=127&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=47950"&gt;&lt;span style="font-size:8.5pt;mso-bidi-font-size:11.0pt;font-family:&amp;quot;Tahoma&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;color:blue;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;escolas do RS&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt;, com dependência administrativa do Estado, sendo 667.770 no Ensino Fundamental e 354.509 no Médio. O percentual de reprovação e abandono de 19,2% e 30,9% respectivamente. No ano de 2010 o Programa Nacional de Primeiro Emprego para Jovens, cujos usuários são jovens que têm 16 a 24 anos, integrou ao mercado formal de trabalho &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=127&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=42804"&gt;&lt;span style="font-size:8.5pt;mso-bidi-font-size:11.0pt;font-family:&amp;quot;Tahoma&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;color:blue;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;20.149 pessoas&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt;Os dados Censitários são uma fonte riquíssima de informação para articularmos com outras informações, como da saúde e da educação entre outras bases de dados, mas não somente para o planejamento das políticas públicas. Mas como importante ferramenta para o controle social.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt;É nesta perspectiva que o &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt;Observatório da Realidade e das Políticas Públicas do Vale do Rio dos Sinos – ObservaSinos&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt; tem publicizado no sítio do &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt;Instituto Humanitas Unisinos – IHU&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt; informações sobre a realidade da região a partir de bases de dados publicas assim como promovido oficinas e seminários para a qualificação sobre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt;A próxima oficina será dia &lt;u&gt;16 de novembro&lt;/u&gt; com a participação do Prof. MS &lt;b&gt;Ademir Barbosa Koucher&lt;/b&gt; – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE/RS. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size:11.0pt;line-height:115%;font-family:&amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; mso-ascii-theme-font:minor-latin;mso-fareast-font-family:Calibri;mso-fareast-theme-font: minor-latin;mso-hansi-theme-font:minor-latin;mso-bidi-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-theme-font:minor-bidi;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language: EN-US;mso-bidi-language:AR-SA"&gt;&lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_eventos&amp;amp;Itemid=19&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=265"&gt;&lt;span style="font-size:8.5pt;mso-bidi-font-size:11.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Tahoma&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;color:blue; mso-fareast-language:PT-BR"&gt;Participe&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 8.5pt; line-height: 115%; font-family: Tahoma, sans-serif; "&gt;!&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-4342423686800999502?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/4342423686800999502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=4342423686800999502&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/4342423686800999502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/4342423686800999502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2011/11/juventude-no-vale-do-sinos.html' title='Juventude no Vale do Sinos'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-2884190304390762401</id><published>2011-09-06T17:39:00.003-03:00</published><updated>2011-09-06T17:48:19.593-03:00</updated><title type='text'>JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE  NO RIO DE JANEIRO (A PARTIR DA JMJ DE MADRID)</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Reflexões piedosas e atrevidas para quem pensa sobre milhões de jovens reunidos por convocação da Igreja de Cristo. Não deixa de ser uma forma de sonhar...&lt;br /&gt;                                                                        Hilário Dick&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1. Não estive em Madri. Muitos, evidentemente, como eu, não podiam, não queriam ou não foram porque não foram convidados. A questão do “convite” é bem mais interessante do que se pensa. Aliás, os que foram (aqui do Brasil), como foram convidados? Sabemos que muita liderança boa, comprometida, merecedora de um gesto de reconhecimento por serviços prestados gratuitamente às igrejas (estou falando de jovens) teve que ver partir outros/as, escolhidos/as não se sabe por quem, e cultivar dentro de si não sei que sentimentos. Até mesmo as juventudes organizadas puderam escolher seus delegados? Poder-se-ia falar o mesmo de “assessores/as” regionais e nacionais de pastorais juvenis organizadas. Tinha gente com vontade de ir, olhar, reanimar-se, ver o certo e o errado, mas não foram convidados/as. Ver jovens reunidos sempre é uma festa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2. Quero fazer minhas reflexões a partir de pequenas coisas da JMJ de Madrid, de 2011. Para falar de algo nem sempre precisamos ter “estado lá”. Trata-se de observar, de perceber o que acontece, o que se escreve e o que emerge em diferentes espaços. Faço imediatamente uma pergunta que me incomoda: para ajudar a “perceber” a realidade juvenil na dimensão religiosa, especialmente católica, quem dos estudiosos/as de juventude, do Brasil, foi convidado? Parece que a “juventudologia”, especialmente para algumas figuras da Igreja, é uma ciência infusa. Não se precisa estudar juventude. O amar não supõe estudo... Falo de “ciência infusa” porque o lugar da juventude na formação seminarística, nas Congregações Religiosas, em alguns Movimentos de Jovens ou que trabalham com jovens, parece ser algo inútil. Basta ser do clero para se entender de juventude; basta ser bispo para falar “ex cátedra” para a juventude. Cada vez é mais urgente o povo de Deus, no seu todo, aprender a falar sobre juventude. Se nas outras jornadas o número de bispos era baixo, desta vez, (provavelmente por Rio de Janeiro ser declarada como sede da próxima jornada), foram cerca de 60 bispos brasileiros. Não foram, provavelmente, aqueles que parecem ter que descobrir que a juventude existe, que a juventude quer ser Igreja e que poderia haver bem mais expressão juvenil nas igrejas.  Esperamos que tenham ido, também, não aqueles que sempre encontram compromissos pastorais para não marcar presença em iniciativas juvenis (especialmente algumas) de sua diocese ou Regional. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;3. Foi com o carisma do Papa João Paulo II que as Jornadas Mundiais e os Encontros Continentais de Jovens tomaram grande impulso. Era pelos anos de 1984 e 1985. Mesmo que estas Jornadas e Encontros não tenham exercido grande influência nos encontros orgânicos da Pastoral Juvenil da América Latina, sempre foram importantes e não podem ser esquecidos. Realizaram-se, até 2010, 27 Jornadas Mundiais da Juventude (14 diocesanas, sem a presença do Papa) e 13 mundiais, com a presença do Papa: 10 de João Paulo II e 3 de Bento XVI). Seis destas Jornadas, com a presença do Papa, deram-se na Europa (Roma (2000), Santiago de Compostela (1989), Czestochowa (1991), Paris, Colônia (2005) e Madrid); dois na América do Norte (Denver, 1993 e Toronto 2002), um na América do Sul (Buenos Aires – 1987), um na Ásia (Manila 1993, com mais de 4 milhões de jovens participantes) e um na Austrália (Sidney). O Encontro Continental de Santiago (Chile) foi em 1998. É o Papa que indica os temas destas Jornadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;4. As Jornadas Mundiais de Juventude são uma iniciativa da Igreja Católica, com sede em Roma. Uma iniciativa do Papa; não é uma atitude ecumênica. Evidente que jovens de outras religiões também estão e estiveram lá, mas a iniciativa é católica. A preocupação é com a evangelização cristã da juventude. A impressão que se tem é que se trata de uma apresentação majestosa, bombástica, suntuosa, massiva, da Igreja para a juventude. Não fica claro se é uma apresentação, uma busca da juventude para a Igreja. A impressão que se tem é que lá vai a juventude escolhida para mostrar ao mundo que os jovens são, ainda, da Igreja. Claro que é muito forte dizer que, pelo que se vê, a juventude é a massa de manobra da Igreja para conquistar jovens para ela. Claro que não é só isso. Os protagonistas, em todo o caso, não são os jovens porque os protagonistas são os atores principais. Quem está no palco são os adultos, especialmente o mundo clerical, com uniforme e tudo mais. São eles que falam. Os jovens são a platéia e, quando falam, é de forma muito controlada. Não estão na “direção”. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;5. O discurso a comandar tudo, evidentemente, é Jesus Cristo. Contudo, na prática, quem toma conta do cenário é o Papa, o bispo de Roma, talvez com o carisma de João Paulo II, talvez com o peso teológico de Bento 16. Estaríamos muito errados se se falasse de “papismo”? Ou este papismo (inconsciente ou buscado) é construção dos Meios de Comunicação? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;6. Impressiona a suntuosidade dos lugares centrais destes Encontros. O palco, pode-se dizer, é transformado em altar. Parecem as construções que os Meios de Comunicação constroem para os grandes artistas... Lá em cima os cardeais, bispos, mais abaixo o clero, mais longe as religiosas e, bem mais ao fundo, sempre animada, a juventude. Da palavra, o que sobra para os jovens são as migalhas, isto é, os cachorrinhos do Evangelho que estão aí para ouvir e não falar ou falar o que pode ser dito. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Haveria algum paradigma que comanda as JMJ? Os paradigmas de olhar e estudar a juventude podem ser resumidos em quatro: um segmento da sociedade que precisa de preparação; um segmento que, na sociedade, por razões as mais diversas, é um problema; um segmento que pode ser encarada como solução dos problemas da sociedade; um segmento cuja característica fundamental é a sua construção: a construção da autonomia, a descoberta do poder, o empoderamento. Por que a juventude, como protagonista, só apareceu nos tempos da Ação Católica, na década de 1930? Ao mesmo tempo em que em vários lugares do mundo as juventudes eram manipuladas por “ismos” que nem é preciso nomear. Não fica claro, nas JMJ, se se acredita que os jovens possam assumir mais responsabilidades (não meros cumprimentos de ordens) dentro do ser eclesial. Não fica claro, também, se se acredita na característica da juventude que é a construção da autonomia. Seria o outro paradigma... É este que se viu em Madrid? Por vários sintomas, o que se pode ver e concluir é que o paradigma que a Igreja deveria assumir - paradigma usado por Jesus Cristo nos Evangelhos - não está claro. Uma das razões é que se gosta, ainda, em muitas igrejas, mais de ovelhas submissas do que de cabritos monteses. Ou a JMJ de Madrid disse algo diferente? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;7. As grandes avenidas do centro de Madrid, tomadas pelos “peregrinos”, isto é, pelos “jornadeiros” pareciam uma gigantesca discoteca light, com música e dança, alegria, animação, festa, mas sem álcool e – esperemos – sem “crack”... Os 27 telões retransmitiam imagens bonitas e esvoaçantes do Pontífice, acompanhadas pelo slogan da “festa da fé” e algo mais. “Molhem-se, cubram-se todos de água”, recomendavam outros alto-falantes. Havia operários com mangueiras que regavam os participantes e, espontaneamente, molhavam aqueles que assim o desejassem e os outros também. Realmente, era uma festa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;8. O Papa mostrou, no avião, sua preocupação com o desemprego juvenil (que chega a 45% na Espanha). Se falou isso do avião, falou-o em outro momento importante? Redes Cristianas, contrárias à pompa da visita, criticou o fato de que a hierarquia eclesiástica não abrisse consultas aos jovens para saber o que eles, realmente, querem na Espanha e no mundo. O que preocupa a juventude do Papa? Dez peregrinos espanhóis enumeraram, na quinta-feira, durante a espera, aqueles que consideravam os três principais problemas de sua idade. Os que mais se repetiam: a falta de valores e o relativismo. Apenas dois citaram o desemprego. E então? O perfil do peregrino era um jovem de 22 anos, universitário e com trabalho. Apenas 6%, dos que estavam lá, estavam desempregados. Esta “seleção” parece natural? Se os jovens do mundo representam mais de um hum bilhão de jovens, o que significam 2 milhões. Mas, é verdade, qual a instituição, no mundo, que é capaz de provocar um evento assim? Os dois milhões reunidos em Madrid poderiam ser os grupos de jovens, reunindo-se semanalmente, no Brasil... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;9. Parece um fato que as palavras de João Paulo II aos jovens do mundo: No tengáis miedo. Abrid las puertas de par en par a Cristo, chegaram ao coração de milhões de jovens dos cinco continentes, vislumbrando no Papa um guia, um mestre, um amigo que os compreendia. O que significa, no entanto, abrir abrir as portas de par em par para Jesus Cristo? Aprendi com Jesus de Nazaré que ele pregava o “Reino” e o Reino, para os jovens da América Latina, é a Civilização do Amor. No pensamento de João Paulo II estes Encontros e Jornadas seriam para reunir-se com eles, falar-lhes e conhecer seus problemas, inquietudes e esperanças. Este, ao menos, o discurso que se ouve e que não deixa de ser um discurso ao mesmo tempo verdadeiro e enganoso. Verdadeiro porque os encontros aconteceram; enganoso porque a pedagogia dos eventos massivos não permitiu isso (e não se sabe se quiseram isso, de fato). Como seria bonito poder ver-se os desafios juvenis apresentados por eles e não por olhares clericais, por vezes moralizantes? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que se vê é que as preocupações das JMJ se encontram em outros espaços... Que maravilha o Papa apresentar, nas JMJ, os grandes desafios que os jovens devem enfrentar e que vão muito além de uma visão umbilical e sacristíaca! Confiar a eles, os/as jovens, o futuro da humanidade, isto é, de eles serem, de fato, com a ajuda da Igreja, os construtores da civilização do amor, as sentinelas do amanhã, como os dois Papas gostam de dizer. É que João Paulo II era um encantado pela juventude, mas sabia muito bem que provocar demais poderia ter resultados inesperados talvez para a própria Igreja. Não se pode negar que João Paulo II (mais que Bento XVI) estava convencido de que a juventude tem o poder de revolucionar o mundo, de mudá-lo para faze-lo mais justo e humano, o que – para a sociedade dos adultos – seria um atrevimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;10. Para não nos basearmos em coisas “vistas”, e analisarmos rapidamente o que foi a JMJ de Madrid, olhemos a homilia que Bento 16 fez no dia 21 de agosto de 2011 na Base /aérea de Quatro Ventos (Madrid). O que ele disse? Podemos destacar nove pontos:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1. “Meu coração enche-se de alegria” pensando no afeto com que Jesus olha para a juventude e deseja acompanhá-la no caminho. Desejamos corresponder a esta manifestação de predileção, atraídos pela figura de Cristo que queremos. Ele é a resposta a muitas de nossas inquietações pessoais e queremos  conhecê-lo melhor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Papa está alegre. Fala de Jesus Cristo. Ele (Jesus) é a resposta de nossas inquietações, mas logo fica claro que as inquietações são pessoais. Parece falar para o jovem, e não para a juventude. Parece que os milhões não existem ou não são importantes para serem desafiados. Seria a atitude de Jesus com Pedro, ao qual se dirigiu pessoalmente, como o Papa insiste logo depois? Os jovens não só querem “conhecer” Jesus; eles querem vive-Lo e ser, como Ele, blasfemos e subversivos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2. O Evangelho que se leu Mt 16, 13-20. Há duas formas diferentes de conhecer Cristo: pela exterioridade caracterizada. Considera-se Cristo como um personagem religioso junto aos que já são conhecidos. Depois, dirigindo-se pessoalmente aos discípulos, Jesus pergunta-lhes: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». A fé vai mais longe que os simples dados empíricos ou históricos, e é capaz de apreender o mistério da pessoa de Cristo na sua profundidade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais adiante o Papa diria:  A resposta da juventude deve ser: Jesus, eu sei que Tu és o Filho de Deus que deste a tua vida por mim. Quero seguir-Te fielmente e deixar-me guiar pela tua palavra. Tu conheces-me e amas-me. Eu confio em Ti e coloco nas tuas mãos a minha vida inteira. Quero que sejas a força que me sustente, a alegria que nunca me abandone. Veja-se a força bonita e apelativa da “interioridade”. Veja-se a força da atitude pessoal. Além disso, contudo, o jovem não poderia ser desafiado, para outras realidades, na sua vivência de fé, para que participasse de organizações e de iniciativas dentro e fora da Igreja? Certamente, mas o que parece assustar é a formação para a autonomia, o empoderamento, o protagonismo. No fundo, não se acredita na força da juventude; olha-se o jovem na sua individualidade e se teme o jovem que pensa e sabe teologia. Quer-se um jovem que não deixe de ser obediente, isto é, submisso e controlável. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A JMJ se deu numa época onde várias realidades poderiam servir de fonte de inspiração: a juventude do Oriente Médio, do Chile, da própria Espanha com mais de 46% de jovens desempregados, de todos os continentes. Jesus Cristo não desafiaria para estas diversas realidades? O que seriam para Ele, Jesus de Nazaré, as “águas mais profundas”? Não. É a dimensão individual que parece interessar, não a juventude com suas diversas problemáticas e diversos desafios a serem enfrentados. Teria sentido recordar, aqui, a ausência do “Reino de Deus” e da “Civilização do Amor”?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;3. A fé, não é fruto do esforço do homem, da sua razão, mas é um dom de Deus: Tem a sua origem na iniciativa de Deus, que nos desvenda a sua intimidade e nos convida a participar da sua própria vida divina. A fé não se limita a proporcionar alguma informação sobre a identidade de Cristo, mas supõe uma relação pessoal com Ele, a adesão de toda a pessoa, com a sua inteligência, vontade e sentimentos, à manifestação que Deus faz de Si mesmo. Fé e seguimento de Cristo estão intimamente relacionados, e isso precisa ser amadurecido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Importante o Papa recordar estes aspectos da fé. Além de ser um dom e uma conquista, a fé sem obras é morta. Não há seguimento de Jesus que não se traduza em prática. E se o Papa relacionasse fé e justiça? Fé e realidade social? Fé e situação do mundo? A juventude é o tempo do grande encontro dela com a exterioridade. Nesta “exterioridade” não se apresentam desafios?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;4. A resposta da juventude deve ser: Jesus, eu sei que Tu és o Filho de Deus que deste a tua vida por mim. Quero seguir-Te fielmente e deixar-me guiar pela tua palavra. Tu conheces-me e amas-me. Eu confio em Ti e coloco nas tuas mãos a minha vida inteira. Quero que sejas a força que me sustente, a alegria que nunca me abandone.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Veja-se o discurso... Terá mais sentido a leitura que fazemos desse “personalismo” do Papa se nos dermos conta que ele, o Papa, não parece estar muito preocupado com o Reino que Jesus pregava... Afinal, Bento 16 prega a Igreja ou o Reino? Se falasse do Reino, provavelmente teria que ter falado das realidades juvenis dos diversos continentes e que vão além de uma fé individual. O que se vê, por isso, é que a realidade social ou as realidades sociais da juventude são esquecidas. Compreendemos, assim, porque a palavra Reino não aparece na homilia vista (a mais importante) nem nas outras homilias ou falas. O Reino é uma realidade que não só não é usada pelo Papa quando fala aos jovens; no discurso inaugural que fez em Aparecida, na Conferência Episcopal Latino-Americana (2007), sucedeu o mesmo. Tratar-se-ia de um simples esquecimento ou de uma postura ideológica? É que falando do Reino para os bispos ou para os jovens, haveria conseqüências que parecem ser deixadas de lado porque a realidade mais concreta, de repente, deveria ser enfrentada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;5. Jesus diz a Pedro que ele é a Pedra da Igreja. Jesus constrói a Igreja sobre a rocha da fé de Pedro, que confessa a divindade de Cristo. Ela não é uma simples instituição humana, como outra qualquer, mas está intimamente unida a Deus. Não se pode separar Cristo da Igreja, tal como não se pode separar a cabeça do corpo (cf. 1 Cor 12, 12). &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Evidente a forma de falar do papado, do Papa como “Pedra da Igreja”. Claro que a Igreja caminha com Cristo e é necessário estar na comunhão da Igreja. “Amai a Igreja”, dirá ele mais adiante. É falta de respeito muito grande perguntar se o pregado seguimento de Cristo é em vista da Igreja ou em vista da construção do Reino? O importante é ver a juventude toda, de joelhos, adorando Cristo presente na Eucaristia ou arregaçando as mangas, com a cruz na mão, enfrentando as questões que impedem a felicidade dos/as jovens e da sociedade?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;6. Fortalecei, queridos jovens, esta fé que nos tem sido transmitida desde os apóstolos, a colocar Cristo, Filho de Deus, no centro da vossa vida. É preciso seguir Jesus na fé é caminhar com Ele na comunhão da Igreja. Quem cede à tentação de seguir «por conta sua» ou de viver a fé segundo a mentalidade individualista, corre o risco de nunca encontrar Jesus Cristo, ou de acabar seguindo uma imagem falsa d’Ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O assunto é a fé. A fé transmitida que é preciso viver, caminhando em comunhão com a Igreja. Mas o Papa diz mais:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;7. Ter fé é apoiar-se na fé dos teus irmãos, e fazer com que a tua fé sirva também de apoio para a fé de outros. Queridos amigos, amai a Igreja, que vos gerou na fé, que vos ajudou a conhecer melhor Cristo, que vos fez descobrir a beleza do Seu amor. Significa feliz inserção nas paróquias, comunidades e movimentos, participar da Eucaristia, confessar-se e cultivar a oração e a meditação da Palavra de Deus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Novamente o discurso do amor à Igreja porque ela vos gerou para a fé, mas uma Igreja que ainda tem medo de ir “além dela”. Poderia acrescentar que a fé para a qual ela gerou é para o mundo, o Reino, ou é para ele poder mostrar-se que os jovens estão com ela? Pode-se dizer que, infelizmente, a Igreja (nas JMJ) ainda visa demais a si mesma. Procura-se a vaidade própria e não a felicidade das juventudes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;8. Disso nascerá o impulso a dar testemunho da fé nos mais diversos ambientes, incluindo nos lugares onde prevalece a rejeição ou a indiferença. É impossível encontrar Cristo, e não O dar a conhecer aos outros. Não guardeis Cristo para vós mesmos. Comunicai aos outros a alegria da vossa fé. O mundo necessita do testemunho da vossa fé. A vossa presença aqui é uma prova maravilhosa da fecundidade do mandato de Cristo à Igreja: «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura» (Mc 16, 15). Sede discípulos e missionários de Cristo noutras terras e países onde há multidões de jovens que aspiram a coisas maiores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bonito o aspecto missionário evocado para a juventude e o que o Papa diz é muito bonito. Ser jovem é ser missionário, sair de si. Além de estimular as variedades de “saídas”, os voluntariados, às doações que já são reais, será que ele diria, também, que era necessário ir além da sacristia, enfrentando as realidades da juventude no seu dia-a-dia, construindo o Reino em toda a realidade? Se a JMJ é algo dos cristãos, por que não estimular o diálogo e o encontro com outras realidades como as da Índia, da China, do Afganistão, os países mais populosos em juventude? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;9. Rezo por vós, encomendo-vos à Virgem Maria,  e peço-vos que rezeis pelo Papa, para que, como Sucessor de Pedro, possa continuar confirmando na fé os seus irmãos. Que todos na Igreja, cresçamos em santidade de vida e demos testemunho eficaz de que Jesus Cristo é verdadeiramente o Filho de Deus, o Salvador de todos os homens, fonte viva da esperança. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O convite para as intenções das orações dos jovens vão para onde? Para a Virgem e para o Papa e todos nós. Nenhuma oração para a transformação do mundo, do melhor atendimento aos anseios da juventude, às fomes que existem na juventude etc. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Claro que o discurso é do Papa e poderia te-lo feito em outras palavras. Mas o discurso não deixa de sintomático: intra-eclesial, pessoal, sem a perspectiva do Reino... Por que a juventude não poderia ser convocada a não só pertencer à Igreja, mas serem construtores dela? Construtores dela e do Reino do qual a Igreja é sacramento? Por que não apelar para que a juventude do mundo se una, se organize, discuta seus problemas e apresente soluções juvenis, aproveitando o momento das Jornadas?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;11. Não entendo de mega-eventos, mas nos anos que precedem a JMJ precisam ser pensadas algumas coisas. Não falo, por exemplo, das finanças, para as quais, evidentemente, deverá ter gente competente e que saiba considerar o público ao qual a JMJ se dedica. Há questões de fundo: a questão central é na forma como se olha o próprio mundo juvenil e isso implica pedagogias e teologias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a) apesar de ser uma iniciativa da Igreja de Roma, colaborar para que o jovem seja sujeito do evento. Num eventos de milhões, é evidente que sempre haverá movimentações. Movimentações para que, no entanto? O que havia para ver, ouvir, talvez participar? Shows de jovens, apresentações, encenações, algo de jovens, não de eclesiásticos. Complicado? Arriscado? Melhor arriscar do que manipular. A manipulação é descarada demais. A Igreja pode aparecer através da juventude, e não deixar que o clericalismo comande.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;b) fazer uma preparação tal nos países e continentes que se discutam, realmente, a situação das juventudes em suas realidades mais diversas e que estas realidades tenham chance de serem visibilizadas. Quantas realidades bonitas e desafiadoras poderiam aparecer... No caso de Madrid, onde estava a realidade juvenil espanhola? Onde a realidade juvenil chilena? Onde a realidade da juventude do Oriente Médio? A preparação de espaços adequados claro que seria possível. Um mesmo espaço poderia servir de apresentação de diversas realidades em tempos diferentes. Há tanto jovem fazendo experiências missionárias... Por que isso não poderia ser socializado, debatido? Por que não ser uma forma de o jovem ser protagonista, também, nestas iniciativas?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;c) precisa ser um momento de festa e de retiro. Os dois aspectos são importantes porque onde há juventude há festa. Mas isso não poderia ser vivenciado em momentos especiais? Com iniciativas especiais? Com atitudes especiais? Assim como é possível uma Eucaristia “campal”, porque não um retiro campal? Os espaços “menores” não poderiam servir para isso? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;d) que fiquem claro os critérios de escolha dos delegados. Parece algo muito particular, mas a escolha dos “delegados” deveria ser feita com critérios transparentes. Que a Jornada seja, de alguma forma, “representativa” em termos de preocupações, realidades, organizações juvenis. Que os “espaços” já falassem por si: aqui é a realidade juvenil; aqui são os grandes desafios dos jovens; aqui são as experiências de organização; aqui quer-se discutir a força da juventude no mundo; etc. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e) que estejam envolvidas, também, pessoas que pensam realidade juvenil e evangelização juvenil. O estudo da juventude também é uma preocupação dos jovens, com sua história, cultura, apresentações científicas. Isso pode ser feito por jovens e por pessoas que estudam juventude. Por que não poderiam servir “teses”, apresentações, até encenações... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São, enfim, idéias que podem ser sempre melhores... Importante que se fale disso. Uma Igreja se torna mais adulta quando houver mais obediência e menos submissão. Que tal você continuar esta reflexão iniciante? É que a JMJ do Rio de Janeiro deve ser sonhada como um avanço em vista da juventude e em vista daquilo que acreditamos como Igreja. Caso contrário, não será uma graça para ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-2884190304390762401?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/2884190304390762401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=2884190304390762401&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/2884190304390762401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/2884190304390762401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2011/09/jornada-mundial-da-juventude-no-rio-de.html' title='JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE  NO RIO DE JANEIRO (A PARTIR DA JMJ DE MADRID)'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-5278463409374308548</id><published>2011-07-11T19:46:00.000-03:00</published><updated>2011-07-11T19:49:04.339-03:00</updated><title type='text'>Circ.475- Novedades sobre Juventud Rural en América Latina</title><content type='html'>Tema del mes: Julio 2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"La Condición Juvenil Indígena: Elementos iniciales para su construcción conceptual"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por: René Unda – Germán Muñoz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda la información en: www.relajur.org&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foro Electrónico: Biblioteca Virtual sobre Políticas Públicas de Juventud en América Latina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La Biblioteca Virtual fue creada por Iniciativas para la Identidad y la Inclusión, y contiene una gran cantidad de materiales sobre los países de la región que pueden constituirse en documentos útiles para la investigación y formulación de programas de juventud. El Foro Electrónico al que les invitamos, tiene por objeto validar los contenidos y estructura de la Biblioteca Virtual; se realizará los días del 11 al 15 de julio, en el aula virtual de Iniciativas para la Identidad y la Inclusión.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uruguay: Está abierta la convocatoria para Encuentro Arte y Juventud&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hasta el 5 de agosto, está abierta la convocatoria de propuestas artísticas para el Encuentro de Arte y Juventud, que tendrá lugar en Paso de los Toros, en el departamento de Tacuarembó (Uruguay), del 30 de setiembre al 2 de octubre. En la cuarta edición, el Instituto Nacional de la Juventud, del Ministerio de Educación y Cultura, espera reunir a 1500 jóvenes, entre 14 y 29 años, artistas de todo el país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II Encuentro de Jóvenes Indígenas y Medio Ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por segunda ocasión los jóvenes indígenas de Michoacán y del país están llamados a participar en un encuentro los días 12 y 13 de julio, donde tendrán la oportunidad de aportar y debatir sus ideas y visión sobre el medio ambiente. Este evento que tiene como base el conocimiento profundo de este grupo de la sociedad del entorno ecológico, el uso y aprovechamiento de los recursos, así como la percepción sagrada de la naturaleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convocatoria para la 6ta Jornada UNL y 2ª Latinoamericana de Jóvenes Emprendedores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El jueves 10 de noviembre el Campus de la FAVE, en Esperanza, se realizará la 6ta Jornada UNL y 2ª latinoamericana de Jóvenes Emprendedores. La convocatoria para la presentación de trabajos se encuentra abierta hasta el 31 de agosto. El objetivo principal es la concreción de un encuentro de Jóvenes Emprendedores de Latinoamérica, que realicen presentación de sus ideas/proyectos y planes de negocios tendientes a propiciar a la cultura emprendedora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cumbre Internacional de Jóvenes Líderes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La Cumbre Internacional de Jóvenes Líderes es un programa de la Fundación Internacional de Jóvenes Líderes (www.joveneslideres.org) en conjunto con el diariodelideres.com. Es este uno de los eventos pluriculturales juveniles más importantes del momento, que reúne a unos 1500 jóvenes líderes de diversos países del mundo con el objeto de participar, relacionarse, aprender y debatir acerca del futuro de las naciones.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Argentina: Red Comunidades Rurales, Encuesta sobre Educación y Desarrollo Comunitario&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Red Comunidades Rurales pone nuevamente en marcha este valioso relevamiento de información a fin de obtener, procesar y compartir datos y testimonios que resultan clave para visualizar la situación educativa en el ámbito rural a lo largo y a lo ancho del país. En esta oportunidad el relevamiento no solo estará dirigido a Directivos y Docentes de Establecimientos Educativos, sino también a muchas familias rurales y referentes comunitarios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chile: 1800 horas por la educación&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde el lunes 13 de junio a las 13.30 horas, un grupo de estudiantes de Teatro de la Universidad de Chile iniciaron una nueva forma de protesta, correr alrededor de la casa de gobierno. Desde entonces, han organizado un sistema de relevo para lograr que haya siempre una persona corriendo con una bandera que lleva la consigna "Educación Gratuita Ahora". La meta es cumplir 1800 horas, correspondientes a la cantidad de dólares necesarios para financiar la educación en Chile.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conferencia Boliviana de Juventudes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El Fondo de las Naciones Unidas y el Consorcio Boliviano de Juventudes, convocan a la Conferencia Boliviana de Juventudes "Nuestro Año, Nuestras voces, Nuestra Ley", a realizarse en la ciudad de Sucre en el mes de agosto. Este evento tiene como objetivo ser un espacio de socialización de estrategias y mecanismos de abogacía desde la mirada juvenil que procuran el avance en políticas públicas nacionales, departamentales, municipales y otras en un marco de diversidad cultural y genérica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rep. Dominicana: Informe señala acción \'clientelista\' y \'limitada\' del Ministerio de la Juventud&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;República Dominicana es uno de los pocos países de América Latina que tiene un Ministerio de la Juventud (MJ). En un informe, difundido esta semana, la Red Nacional de Acción Juvenil evalúa las acciones ejecutadas por el órgano en poco más de una década de actuación. El estudio señala que las políticas públicas no atienden las determinaciones de la Ley General de Juventud, aprobada en el 2000, y que no avanzan en las cuestiones esenciales de los jóvenes dominicanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Organizaciones del campo realizan I Encuentro Internacional Juvenil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comenzó este sábado (2) el I Encuentro Internacional Juvenil, en el departamento del Cauca, en Colombia. El evento, hasta el 18 de julio, reunirá a 11 países de América Latina y el Caribe, representando a 59 organizaciones sociales. Además, cerca de 50 organizaciones internacionales y cientos de colombianos van a debatir e intercambiar experiencias sobre procesos de resistencia, participación de la juventud y políticas de explotación de la Tierra, entre otros temas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curso de la OIT a distancia: "Hacer frente al problema del empleo juvenil"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El Centro Internacional de Formación de la OIT (ITC-ILO) ofrece un programa de formación a distancia que propone poner los problemas del empleo juvenil al centro de las políticas de desarrollo, con el fi n de aumentar y hacer más efectivas las intervenciones de política destinadas a la generación de más y mejores oportunidades de Trabajo Decente para la población joven. Las inscripciones están abiertas hasta el 22 de agosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;México: Sociedad civil propone la construcción de una Agenda Social y Política para los jóvenes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Construir, desde la sociedad civil, una Agenda Social y Política para los jóvenes mexicanos, con acciones y metas para los años 2011 al 2021. Ésta es la propuesta del proyecto conocido como México AJUV11-21. La plataforma será presentada en agosto, en el marco del Seminario Internacional "Cambio generacional y Vinculación social", entre los días 10 y 14, en el Centro Cultural Tlatelolco-UNAM de la Ciudad de México.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chile: Paro de estudiantes reúne cientos de miles en marcha por la educación&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cientos de miles de estudiantes se hicieron presentes en la marcha por la educación pública en Chile, el 30 de junio. Según los estudiantes, fue la mayor manifestación de los últimos años. Para Camila Vallejo, presidente de la Federación de Estudiantes de la Universidad de Chile (Fech), "la convocatoria es una muestra de adhesión que concita las demandas de la educación en otros sectores de la ciudadanía".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OEA propone enfrentar desigualdad y violencia para desarrollar América Latina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En América Latina y el Caribe, los que tienen menos de 29 años, representa el 57% de la población. Para el secretario general de la OEA, esto puede ser una ventaja para el desarrollo económico y social que se plantea en la región. Sin embargo, sólo se "hace efectiva si somos capaces de proporcionar a esa juventud (…) oportunidades de expresar sus capacidades", afirmó en ocasión de la Conferencia sobre el Desarrollo Juvenil y la Prevención del Crimen, realizada el 28de junio en Washington.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Infancias y juventudes en América Latina: democracia, derechos humanos y ciudadanía"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales, el Centro de Altos Estudios Universitarios de la OEI y la Universidad de Manizales y CINDE (Colombia), con el apoyo de la Agencia Española de Cooperación Internacional para el Desarrollo, convocan a estudiantes avanzados de la Red CLACSO de Posgrados en Ciencias Sociales, a presentar sus postulaciones para participar en la Primera Escuela Internacional de Posgrado de la Red INJU en Cartagena, Colombia, del 29 de agosto al 2 de septiembre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasil: Estados se organizan para las etapas preparatorias de la Conferencia de la Juventud&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Con plazo hasta este jueves (30), gobiernos estaduales, municipales y organizaciones de juventud de todo Brasil se movilizan para convocar para las etapas preparatorias de la 2ª Conferencia Nacional de Juventud, a realizarse en Brasilia, capital federal, entre los días 9 y 12 de diciembre. Estando ya la mayoría de los decretos de convocatoria publicados, todos los estados realizarán la elección de delegados y definición de propuestas para la etapa Nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Argentina: Los jóvenes de FAA pidieron por el Plan Arraigo, para permanecer en los pueblos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concluyó este martes 28 frente al Congreso de la Nación la Marcha por el Arraigo de la Juventud de Federación Agraria, que se inició el 25 de junio en Alcorta. Más de quinientos jóvenes de Federación Agraria Argentina llegaron a la Ciudad de Buenos Aires, y se movilizaron por el centro porteño hasta el Parlamento, donde realizaron un acto que fue encabezado presidente de FAA, Eduardo Buzzi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colombia: Escuela de Verano Ecosistema de Emprendimiento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El Parque del Emprendimiento de Medellín (Parque E) y el Young Americas Business Trust (YABT), lanzan la "Escuela de Verano, Ecosistema de Emprendimiento" a realizarse del 1 al 5 de agosto de 2011 en Medellín, Colombia. Los Interesados deben completar el formulario de preinscripción, hasta el 4 de julio de 2011. Los seleccionados para recibir las becas serán notificados el 6 de julio en la página web de los organizadores y mediante correo electrónico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BID promueve estrategias de desarrollo de la primera infancia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El Presidente del BID y Primera Dama de Colombia convocan a un panel sobre los desafíos del desarrollo de la primera infancia en América Latina y el Caribe, a celebrarse en la sede del BID en Washington, DC, el 29 de junio. El evento incluirá la presentación de la nueva estrategia integral a la primera infancia de Colombia, conocida como "De Cero a Siempre," y una discusión sobre su propósito, desafíos, prioridades y necesidades de apoyo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curso Latinoamericano a Distancia: Ámbitos y Planificación en Animación Sociocultural&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El curso Latinoamericano a Distancia sobre Ámbitos y Planificación en Animación Sociocultural, a realizarse entre el 26 de julio y el 7 de septiembre, procura ofrecer los conocimientos y las metodologías básicas de estas disciplinas, centrado especialmente en la praxis. Se busca que los participantes queden con elementos suficientes para comprender y actuar en y desde la Animación Sociocultural en el marco de una pedagogía específica y aplicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda la información en: www.relajur.org&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-5278463409374308548?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/5278463409374308548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=5278463409374308548&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/5278463409374308548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/5278463409374308548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2011/07/circ475-novedades-sobre-juventud-rural.html' title='Circ.475- Novedades sobre Juventud Rural en América Latina'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-2688361342915620318</id><published>2011-06-12T22:59:00.002-03:00</published><updated>2011-06-12T23:01:01.478-03:00</updated><title type='text'>Estrutura para um projeto de pesquisa</title><content type='html'>Estrutura para um projeto de pesquisa&lt;br /&gt;1. Título da pesquisa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não precisa ser predefinido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Assunto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o objeto da pesquisa; aquilo que será pesquisado, examinado, estudado, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Objetivos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve responder a pergunta: O que se pretende alcançar com a pesquisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Justificativa da escolha do assunto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve responder a pergunta: O que levou à escolha de tal assunto? Além de indicar sua relevância frente a outros temas possíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Formulação do problema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questão(ões) ou dúvida(s) a ser(em) esclarecida(s).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Hipóteses&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentativa provisória de explicação (a ser confirmada ou refutada pela pesquisa) do problema levantado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. Quadro teórico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“o universo de princípios, categorias e conceitos,... dentro do qual o trabalho... se fundamenta e se desenvolve”. (SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 18ª ed. São Paulo: Corteza Autores Associados, 1992. p.125).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. Delineamento da pesquisa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ensaiar planos e procedimentos gerais; indicar procedimentos metodológicos e técnicos a serem adotados para atingir os objetivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9. Recursos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bibliográficos, materiais, humanos, financeiros e os demais necessários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10. Cronograma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indicar (cronologicamente) os diversos passos da pesquisa até a entrega do trabalho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-2688361342915620318?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/2688361342915620318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=2688361342915620318&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/2688361342915620318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/2688361342915620318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2011/06/estrutura-para-um-projeto-de-pesquisa-1.html' title='Estrutura para um projeto de pesquisa'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-8281057852213587099</id><published>2011-05-28T08:02:00.001-03:00</published><updated>2011-05-28T08:04:28.781-03:00</updated><title type='text'>Quatro frases que fazem o nariz do Pinóquio cresce</title><content type='html'>1- Somos todos culpados pela ruína do planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A saúde do mundo está feito um caco. "Somos todos responsáveis", clamam as vozes do alarme universal, e a generalização absolve: se somos todos responsáveis, ninguém é. Como coelhos, reproduzem-se os novos tecnocratas do meio ambiente. É a maior taxa de natalidade do mundo: os experts geram experts e mais experts que se ocupam de envolver o tema com o papel celofane da ambiguidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles fabricam a brumosa linguagem das exortações ao "sacrifício de todos" nas declarações dos governos e nos solenes acordos internacionais que ninguém cumpre. Estas cataratas de palavras - inundação que ameaça se converter em uma catástrofe ecológica comparável ao buraco na camada de ozônio - não se desencadeiam gratuitamente. A linguagem oficial asfixia a realidade para outorgar impunidade à sociedade de consumo, que é imposta como modelo em nome do desenvolvimento, e às grandes empresas que tiram proveito dele. Mas, as estatísticas confessam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dados ocultos sob o palavreado revelam que 20% da humanidade comete 80% das agressões contra a natureza, crime que os assassinos chamam de suicídio, e é a humanidade inteira que paga as consequências da degradação da terra, da intoxicação do ar, do envenenamento da água, do enlouquecimento do clima e da dilapidação dos recursos naturais não-renováveis. A senhora Harlem Bruntland, que encabeça o governo da Noruega, comprovou recentemente que, se os 7 bilhões de habitantes do planeta consumissem o mesmo que os países desenvolvidos do Ocidente, "faltariam 10 planetas como o nosso para satisfazerem todas as suas necessidades". Uma experiência impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, os governantes dos países do Sul que prometem o ingresso no Primeiro Mundo, mágico passaporte que nos fará, a todos, ricos e felizes, não deveriam ser só processados por calote. Não estão só pegando em nosso pé, não: esses governantes estão, além disso, cometendo o delito de apologia do crime. Porque este sistema de vida que se oferece como paraíso, fundado na exploração do próximo e na aniquilação da natureza, é o que está fazendo adoecer nosso corpo, está envenenando nossa alma e está deixando-nos sem mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2- É verde aquilo que se pinta de verde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, os gigantes da indústria química fazem sua publicidade na cor verde, e o Banco Mundial lava sua imagem, repetindo a palavra ecologia em cada página de seus informes e tingindo de verde seus empréstimos. "Nas condições de nossos empréstimos há normas ambientais estritas", esclarece o presidente da suprema instituição bancária do mundo. Somos todos ecologistas, até que alguma medida concreta limite a liberdade de contaminação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se aprovou, no Parlamento do Uruguai, uma tímida lei de defesa do meio-ambiente, as empresas que lançam veneno no ar e poluem as águas sacaram, subitamente, da recém-comprada máscara verde e gritaram sua verdade em termos que poderiam ser resumidos assim: "os defensores da natureza são advogados da pobreza, dedicados a sabotarem o desenvolvimento econômico e a espantarem o investimento estrangeiro."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Banco Mundial, ao contrário, é o principal promotor da riqueza, do desenvolvimento e do investimento estrangeiro. Talvez, por reunir tantas virtudes, o Banco manipulará, junto à ONU, o recém-criado Fundo para o Meio-Ambiente Mundial. Este imposto à má consciência vai dispor de pouco dinheiro, 100 vezes menos do que haviam pedido os ecologistas, para financiar projetos que não destruam a natureza. Intenção inatacável, conclusão inevitável: se esses projetos requerem um fundo especial, o Banco Mundial está admitindo, de fato, que todos os seus demais projetos fazem um fraco favor ao meio-ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Banco se chama Mundial, da mesma forma que o Fundo Monetário se chama Internacional, mas estes irmãos gêmeos vivem, cobram e decidem em Washington. Quem paga, manda, e a numerosa tecnocracia jamais cospe no prato em que come. Sendo, como é, o principal credor do chamado Terceiro Mundo, o Banco Mundial governa nossos escravizados países que, a título de serviço da dívida, pagam a seus credores externos 250 mil dólares por minuto, e lhes impõe sua política econômica, em função do dinheiro que concede ou promete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A divinização do mercado, que compra cada vez menos e paga cada vez pior, permite abarrotar de mágicas bugigangas as grandes cidades do sul do mundo, drogadas pela religião do consumo, enquanto os campos se esgotam, poluem-se as águas que os alimentam, e uma crosta seca cobre os desertos que antes foram bosques.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3- Entre o capital e o trabalho, a ecologia é neutra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poder-se-á dizer qualquer coisa de Al Capone, mas ele era um cavalheiro: o bondoso Al sempre enviava flores aos velórios de suas vítimas... As empresas gigantes da indústria química, petroleira e automobilística pagaram boa parte dos gastos da Eco-92: a conferência internacional que se ocupou, no Rio de Janeiro, da agonia do planeta. E essa conferência, chamada de Reunião de Cúpula da Terra, não condenou as transnacionais que produzem contaminação e vivem dela, e nem sequer pronunciou uma palavra contra a ilimitada liberdade de comércio que torna possível a venda de veneno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No grande baile de máscaras do fim do milênio, até a indústria química se veste de verde. A angústia ecológica perturba o sono dos maiores laboratórios do mundo que, para ajudarem a natureza, estão inventando novos cultivos biotecnológicos. Mas, esses desvelos científicos não se propõem encontrar plantas mais resistentes às pragas sem ajuda química, mas sim buscam novas plantas capazes de resistir aos praguicidas e herbicidas que esses mesmos laboratórios produzem. Das 10 maiores empresas do mundo produtoras de sementes, seis fabricam pesticidas (Sandoz-Ciba-Geigy, Dekalb, Pfizer, Upjohn, Shell, ICI). A indústria química não tem tendências masoquistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A recuperação do planeta ou daquilo que nos sobre dele implica na denúncia da impunidade do dinheiro e da liberdade humana. A ecologia neutra, que mais se parece com a jardinagem, torna-se cúmplice da injustiça de um mundo, onde a comida sadia, a água limpa, o ar puro e o silêncio não são direitos de todos, mas sim privilégios dos poucos que podem pagar por eles. Chico Mendes, trabalhador da borracha, tombou assassinado em fins de 1988, na Amazônia brasileira, por acreditar no que acreditava: que a militância ecológica não pode divorciar-se da luta social. Chico acreditava que a floresta amazônica não será salva enquanto não se fizer uma reforma agrária no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco anos depois do crime, os bispos brasileiros denunciaram que mais de 100 trabalhadores rurais morrem assassinados, a cada ano, na luta pela terra, e calcularam que quatro milhões de camponeses sem trabalho vão às cidades deixando as plantações do interior. Adaptando as cifras de cada país, a declaração dos bispos retrata toda a América Latina. As grandes cidades latino-americanas, inchadas até arrebentarem pela incessante invasão de exilados do campo, são uma catástrofe ecológica: uma catástrofe que não se pode entender nem alterar dentro dos limites da ecologia, surda ante o clamor social e cega ante o compromisso político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4- A natureza está fora de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seus 10 mandamentos, Deus esqueceu-se de mencionar a natureza. Entre as ordens que nos enviou do Monte Sinai, o Senhor poderia ter acrescentado, por exemplo: "Honrarás a natureza, da qual tu és parte." Mas, isso não lhe ocorreu. Há cinco séculos, quando a América foi aprisionada pelo mercado mundial, a civilização invasora confundiu ecologia com idolatria. A comunhão com a natureza era pecado. E merecia castigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo as crônicas da Conquista, os índios nômades que usavam cascas para se vestirem jamais esfolavam o tronco inteiro, para não aniquilarem a árvore, e os índios sedentários plantavam cultivos diversos e com períodos de descanso, para não cansarem a terra. A civilização, que vinha impor os devastadores monocultivos de exportação, não podia entender as culturas integradas à natureza, e as confundiu com a vocação demoníaca ou com a ignorância. Para a civilização que diz ser ocidental e cristã, a natureza era uma besta feroz que tinha que ser domada e castigada para que funcionasse como uma máquina, posta a nosso serviço desde sempre e para sempre. A natureza, que era eterna, nos devia escravidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito recentemente, inteiramo-nos de que a natureza se cansa, como nós, seus filhos, e sabemos que, tal como nós, pode morrer assassinada. Já não se fala de submeter a natureza. Agora, até os seus verdugos dizem que é necessário protegê-la. Mas, num ou noutro caso, natureza submetida e natureza protegida, ela está fora de nós. A civilização, que confunde os relógios com o tempo, o crescimento com o desenvolvimento, e o grandalhão com a grandeza, também confunde a natureza com a paisagem, enquanto o mundo, labirinto sem centro, dedica-se a romper seu próprio céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Eduardo Galeano é escritor e jornalista uruguaio&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-8281057852213587099?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/8281057852213587099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=8281057852213587099&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/8281057852213587099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/8281057852213587099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2011/05/quatro-frases-que-fazem-o-nariz-do.html' title='Quatro frases que fazem o nariz do Pinóquio cresce'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-6495093179699324474</id><published>2011-05-15T19:25:00.000-03:00</published><updated>2011-05-15T19:26:18.753-03:00</updated><title type='text'>MANIFESTAÇÃO E ACOLHIDA Reflexões de aniversário</title><content type='html'>Podemos dizer que o dia do nascimento é o dia da nossa “manifestação”, embora nos tivéssemos “manifestado” já antes, no ventre materno, nem sabendo mais como... Sem sermos vistos, éramos visíveis, através da mãe. Éramos olhados. Claro que, hoje, já nos olham antes, crescendo na total dependência, e até tiram fotos nossas, preparando-nos para nos manifestar. Já sabem se somos isto ou aquilo e ficam esperando o dia em que nos “manifestaremos”. &lt;br /&gt;“Nascer”, manifestando-se, é sair, pela energia da natureza, da dependência agradável do carinho de quem nos ama. “Nascer” é uma aventura para a qual ninguém nos pediu permissão.  Ninguém pode dizer que nasceu porque quis. É duro, desconfortável, ameaçador “nascer”.  Além de chorarmos, as pessoas se alegram quando nascemos e choramos. “Nascer” é um presente que somos obrigados a aceitar... Um dom que nos é dado – dizem – com jeito amoroso e divino.  Se não for assim, quanto fundamento a ser reconstruído! Sempre nos horrorizamos com o desespero de Jó dizendo morra o dia em que nasci e a noite em que se disse: um menino foi concebido (Jó, 3.1).&lt;br /&gt;Em todo o caso, desde o começo, esperam de nós uma resposta e nem sempre as respostas são agradáveis. Nascemos renunciando... Sempre, desde o começo, estamos diante de uma proposta de amor. A vida, enfim, se resume numa resposta a uma proposta. “Deus soprou-lhe nas narinas... e ele/a tornou-se um ser vivente” (Gn 2,7), porque ser vivente era bom. A árvore da vida “estava no meio do jardim” (Gn 2,9), não na periferia.  A vida está não está em cima nem em baixo; ela está no centro porque no centro está Deus. “Eu lhe propus a vida ou a morte. Escolha, portanto, a vida” (Dt 30, 19). Como é bonito ver, descobrir, degustar que a liberdade não se compreende fora da geografia do dom. Depois da ressurreição sabemos que a vida é mais do que um sopro. O sopro de Deus foi um convite para a eviternidade. Como diz o sofrido e o esperançoso Jó, o sopro de Deus que me criou, me deu vida (Jó 33,4). É preciso descobrir, pois, que na sabedoria dessa aceitação, é que se encontra a vida.&lt;br /&gt;Contudo, não podemos ficar na “vida da gente”. A vida é um horizonte porque, como diz o Evangelho, “quem procura conservar a própria vida,  vai perde-la. E quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la” (Mateus 10, 39). Não sei se estou conseguindo viver isso, mas é uma verdade que me comanda há muito tempo. Ser vida, nascer, é nascer para a alegria e o gozo dos outros. O Evangelho também diz que “quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la” (Mateus 16,25). Lucas fala de preservar. Lemos, por isso, igualmente, Jesus “veio para servir e para dar a sua vida como resgate” (Marcos, 10, 45). Fico perguntando-me, por isso, o que é ter um projeto de vida, o que é uma causa? Uma vida que não seja doada não é vida.&lt;br /&gt;Neste dia de minha “manifestação” gostaria de dizer que estou gostando de viver. Agradeço a Deus e a todos que me estão dando essa chance. Fico pensando na família que foi nosso primeiro ninho, mas que é preciso abandonar, por vezes amando de longe, espiando pelos mais variados sentimentos. Fico pensando nos educadores/as que, com seu jeito de pelicanos/as, sempre procuraram dar-se da melhor forma para que a vida nos sorrisse. Fico pensando nas “instituições” onde vivi, trabalhei, sonhei, pelejei e ri. A gente recebe e deixa parte de nós em muitos espaços. Gostaria de “agradecer”, por isso, a acolhida que tive. Embora a vontade nossa seja de acolher, somos mais acolhidos que acolhedores. Por isso teremos certamente a eternidade para nunca acabar de agradecer. É que a “manifestação” não existe sem “acolhida”. A todos e todas, o meu simples, solene, sincero, alegre, animado, vibrante, humilde, gostoso, humano agradecimento à VIDA que borbulha, borbota, acachoa e marulha nos 74 anos que inicio acompanhado dos cuidados de vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P. Hilário Dick S.J&lt;br /&gt;12 de maio de 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-6495093179699324474?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/6495093179699324474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=6495093179699324474&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/6495093179699324474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/6495093179699324474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2011/05/manifestacao-e-acolhida-reflexoes-de.html' title='MANIFESTAÇÃO E ACOLHIDA Reflexões de aniversário'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-7733729959851324736</id><published>2011-04-18T07:55:00.000-03:00</published><updated>2011-04-18T07:56:58.606-03:00</updated><title type='text'>Nomeados representantes do Conjuve na Comissão Organizadora Nacional da II Conferência Nacional de Juventude</title><content type='html'>Os 15 representantes da sociedade civil para a Comissão Organizadora da Conferência Nacional de Juventude já estão definidos. A lista foi definida na reunião extraordinária do Conjuve dos dias 14 e 15 de abril. Os convocados terão a responsabilidade de contribuir com o desenvolvimento e avaliação da Conferência junto com os representantes governamentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O principal critério para a definição dos nomes foi a divisão equitativa entre os segmentos que compõem o Conselho. As Entidades de apoio tiveram 4 vagas, os Movimentos Juvenis, 7 vagas e as entidades partidárias 3 vagas, completando com a vaga para a presidência do Conselho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os movimentos juvenis ainda criaram outro critério para a definição das vagas, a subdivisão por temáticas, garantindo a participação do movimento de mulheres, movimento negro, fóruns e redes, movimento estudantil, movimento religioso, juventude rural e movimento de trabalhadores urbanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lista dos representantes é:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gabriel Medina – Presidente do Conjuve / Fonajuves&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kathia Dudyk – Instituto Paulo Freire&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Danielle Basto – Escola de Gente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gabriel Alves – CPC/UMES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nilton Lopes – CIPÓ – Comunicação Interativa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hélio Barbosa – Rede de Jovens do Nordeste&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Vidal – UGT&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Elenice Anastácio – Contag&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marc Emmanuel Mendes – Juventude do PMDB&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joubert Fonseca – JSB&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Murilo Amatneeks – JPT&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Alexandre Piero – Pastoral da Juventude (PJ)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Danilo Moraes – CONEN&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcela Cardoso – UNE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paula Costa - UBM&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- &lt;br /&gt;ALEX - Alexandre Piero&lt;br /&gt;PJ - Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE)&lt;br /&gt;Comissão Organizadora da Conferência Nacional de Juventude 2011&lt;br /&gt;(11) 3013-2337&lt;br /&gt;(11) 8783-7337&lt;br /&gt;www.ale.pro.br&lt;br /&gt;www.twitter.com/alexandrepj&lt;br /&gt;www.facebook.com/alexandrepj&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-7733729959851324736?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/7733729959851324736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=7733729959851324736&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/7733729959851324736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/7733729959851324736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2011/04/nomeados-representantes-do-conjuve-na.html' title='Nomeados representantes do Conjuve na Comissão Organizadora Nacional da II Conferência Nacional de Juventude'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-4449540048641949109</id><published>2011-04-12T18:25:00.000-03:00</published><updated>2011-04-12T18:26:27.828-03:00</updated><title type='text'>Chacina na escola de um tempo pós-liberal</title><content type='html'>Por quê? Por quê? Após uma tragédia como a da escola de Realengo, esta é a questão. Por que as coisas ocorreram como ocorreram? Por que o ex-aluno se tornou o atirador que provocou a chacina?  Algumas dessas perguntas são importantes como perguntas retóricas. Fazem parte do processo de luto que já se inicia. Outras perguntas desse mesmo tipo não fazem parte do luto, são feitas por pessoas não próximas do evento, que querem entender e criar condições para que situações assim não ocorram. Ambas são importantes.  Mas, o luto é o luto; e as perguntas para prevenir, são as que pedem resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pior resposta é aquela que aponta para a “loucura” do atirador. Louco é louco. Quando dizemos que alguém foi possuído pela insanidade e atirou em outros, criando uma chacina, não dizemos absolutamente nada. Ou melhor, dizemos exatamente o que queremos ouvir: estamos diante do inevitável, pois ninguém pode saber quando alguém que, se parecendo depressivo ou solitário, irá sair disso para a “loucura propriamente dita”. Falando assim, tiramos dos ombros nossos e de toda a sociedade qualquer peso.&lt;br /&gt;Outra resposta ruim é aquela que encontra na escola a culpa de tudo. A escola, que na verdade é vítima, é responsabilizada pelo crime. Os professores e diretores são, então, responsabilizados pelo fato de que um aluno, num ano indeterminado, sofreu bullying, e então voltou um dia para a vingança. Essa resposta é pior que a da “loucura”, pois ela também gera a inércia que se põe na vala do que precisamos para nos safarmos de qualquer responsabilidade, nós que não somos os professores daquela escola. Afinal, quem é que vai conseguir saber, não sendo professor lá, quando é que alguém que passou por bullying irá voltar? Aliás, em um determinado nível, a própria escola pode também não querer nem mesmo pensar no assunto, pois pode argumentar algo assim: como que é possível identificar quem sofreu bullying? Quem sofre o bullying é o silencioso, e a escola está preocupada com o “barulhento”, o “indisciplinado”, o que provoca o bullying. Não se muda essa cultura tão fácil. E, afinal de contas, ninguém quer marcar quem sofreu bullying, tudo é feito para que isso não vire um trauma, que seja esquecido. Ou esquecido seriamente ou simplesmente esquecido através da “vista grossa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas uma resposta melhor é que viria da investigação de outros elementos que criam o autor de chacinas em escolas ou coisas do tipo. Um traço comum dessas pessoas é a solidão. Os atiradores são pessoas silenciosas, com uma vida esvaziada e, enfim, com algo que todos podem notar: são sozinhas. Mas são sozinhas de uma maneira especial. Não que não tenham parentes ou amigos. Não! A questão é que elas não dividem, não contam, não conversam, não trocam. Elas não possuem necessidade de atirar em alguém, elas têm é necessidade de se comunicar. Tanto é que todos esses crimes são cometidos por pessoas que deixam cartas para serem lidas depois da chacina ou, ainda, deixam mensagens na Internet ou em outros meios em que avisam o que vão fazer, inclusive expondo motivos. Não importa se os motivos são inteligíveis ou não. Ou se são verdadeiros ou não. Ou se são trágicos ou não. A questão não é essa. Pois tudo isso é secundário. O ponto central é que a solidão e a falta de poder se comunicar, trocar informações e, enfim, ser ouvido, é o que está na base das motivações que geram o atirador que cria chacinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso é que esses tipos aparecem mais em sociedades de massa. Os Estados Unidos e a Europa, onde todos estão com todos e, no entanto, muitos, estando com todos, estão sozinhos, são lugares onde é fácil que existam pessoas propensas às chacinas. O Brasil já é uma sociedade de massas e, por isso mesmo, também tem visto as chacinas ocorrerem. O caso da escola de Realengo não é um fato isolado. Mas, pelo número de mortes, foi para a TV, se igualando aos casos desse tipo no exterior. Todavia, quem acompanha a vida de perto sabe que a sociedade brasileira está vivendo tal coisa já há algum tempo. À medida que os jovens brasileiros puderem adquirir armas com a facilidade com que os jovens americanos as adquirem, essas chacinas serão mais espetacularmente parecidas com as dos países mais desenvolvidos. A base motivacional será, no entanto, a mesma: solidão da sociedade onde todos estão com todos o tempo todo. A solidão do excesso de não solidão. Ninguém pode mais ficar entre seus livros, na sua biblioteca, consigo mesmo – como o filósofo Montaigne dizia que ele adorava ficar. Essa solidão verdadeira, saudável, não existe mais. Na nossa sociedade a solidão é provocada pelo excesso de contato que, enfim, cria a sensação de que deveríamos ser populares, vencedores, estrelas de TV e, no entanto, não temos ainda o contato de troca como gostaríamos de ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa sociedade liberal e moderna, mas não ainda uma sociedade de massas, o que se pede aos indivíduos é que tenham as suas relações com um grupo de amigos, familiares ou de namoros. Mas numa sociedade liberal e moderna de massas, o que se exige dos indivíduos é que eles tenham um número de relações tão grande quanto o das celebridades dessas sociedades. Todos são estrelas. Devem ser estrelas. Precisam ser reconhecidos como estrelas. Precisam ser ouvidos e ganharem em trocas comunicacionais. Caso isso não ocorra, então, a saída é a destruição dessa sociedade. Se a sociedade é grande demais, eu, que sou o frustrado dessa sociedade, preciso ao menos destruir o meio mais próximo que a representa ou a representou na minha vida – a escola é um bom lugar para tal. Nesse caso, a destruição é o momento de não-anonimado. É o momento do fim da solidão. O momento da troca. A troca da dor. O contato e a vitória aparecem nessa troca. A troca da violência é, antes que vingança, um ato de solicitação da conversa. Quero ser ouvido, visto. Quero ser um indivíduo que tem um grande Facebook, que possa ser amado. Sou alguém que não é um lixo, um solitário. Ao menos na hora da minha morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando entendermos filosoficamente esse recado, talvez não possamos fazer muito pelas escolas a não ser colocar guaritas. Mas estaremos entendendo muito do que faz aparecer o autor de chacinas como a da escola de Realengo e, também, chacinas e comportamentos de banditismo em regiões pobres, ligados ou não ao tráfico de drogas. Há no banditismo em geral esse elemento de espetacularismo de quem precisa sair do anonimato. Quando entendermos isso filosoficamente, vamos entender muito do que temos construído como sociedade liberal moderna de massas ou, se quisermos, como uma sociedade pós-liberal ou pós-moderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;© 2011 Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo, escritor e professor da UFRRJ&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-4449540048641949109?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/4449540048641949109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=4449540048641949109&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/4449540048641949109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/4449540048641949109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2011/04/chacina-na-escola-de-um-tempo-pos.html' title='Chacina na escola de um tempo pós-liberal'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-6621491113187855287</id><published>2011-02-24T20:53:00.001-03:00</published><updated>2011-02-24T20:54:56.025-03:00</updated><title type='text'>Estudo do Ministério da Justiça considera juventude período de 15 a 24 anos. Entre 1998 e 2008, 1,8% dos óbitos de adultos foi causada por homicídios.</title><content type='html'>Segundo estudo divulgado nesta quinta-feira (24) pelo Ministério da Justiça, o homicídio é a principal causa de morte de jovens entre 15 a 24 anos no Brasil. Elaborado pelo Instituto Sangari, o estudo “Mapa da Violência 2011 – Os Jovens do Brasil” mostra que entre 1998 e 2008 o homicídio foi a causa da morte de 39,7% dos jovens no Brasil. Na população adulta, 1,8% dos óbitos foi causado por homicídios.&lt;br /&gt;“Os índices nos deixam muito além do que gostaríamos que estivesse ocorrendo”, disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. O sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, que coordenou o estudo, afirmou que a situação no Brasil é “epidêmica”. “A taxa de homicídios entre jovens está três vezes acima da média internacional. Ainda é muito elevada se levarmos em conta o contexto externo”, explicou.&lt;br /&gt;O estudo tem como fonte os dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. No mapa, foram adotadas as definições da Organização Pan-Americana de Saúde ((OPS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), nas quais o período da juventude vai dos 15 aos 24 anos.&lt;br /&gt;Taxa de mortalidade&lt;br /&gt;Segundo o estudo, a taxa de mortalidade da população brasileira caiu de 633 em 100 mil habitantes, em 1980, para 568, em 2004. Apesar disso, a taxa de mortalidade juvenil manteve-se praticamente inalterada ao longo do período, registrando um pequeno aumento. Passou de 128, em 1980, para 133 a cada 100 mil jovens, em 2008.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;De acordo com o estudo, as epidemias e doenças infecciosas , principais causas de morte de jovens há cinco décadas, foram gradativamente substituídas por “causas externas”, tais como acidentes de trânsito e homicídios.&lt;br /&gt;O Mapa da Violência também analisou as mortes de jovens causadas por acidentes de trânsito e suicídios. De acordo com o estudo, entre 1998 e 2008, a taxa de mortes no trânsito entre a população jovem foi de 32,4%. Entre a população adulta, a taxa foi de 26,5%.&lt;br /&gt;No período de 1998 a 2008, a taxa de suicídio entre os jovens aumentou 22,6%, passando de 1.454 sucídios, em 1998, para 1.783 , em 2008.&lt;br /&gt;Medidas&lt;br /&gt;O ministro da Justiça afirmou nesta quinta que o governo vai retomar as políticas de desarmamento da população. "Uma questão grave é questão do desarmamento. O Minstério da Justiça vai retomar as políticas de desarmamento. Espero contar com o apoio da sociedade, pois esse é um desafio importante".&lt;br /&gt;Cardozo afirmou que também tomará medidas para diminuir o número de mortes de jovens no trânsito. Segundo ele, parte dos acidentes está relacionada ao consumo de álcool e drogas, e por isso, as políticas serão voltadas para esta questão.&lt;br /&gt;O ministro reafirmou a disposição do governo de trabalhar pela integração das forças de segurança pública. "Não existe política de segurança sem integração. Enquanto cada um joga na sua área, não teremos resultados".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-6621491113187855287?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/6621491113187855287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=6621491113187855287&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/6621491113187855287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/6621491113187855287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2011/02/estudo-do-ministerio-da-justica.html' title='Estudo do Ministério da Justiça considera juventude período de 15 a 24 anos. Entre 1998 e 2008, 1,8% dos óbitos de adultos foi causada por homicídios.'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-2484809410699330480</id><published>2010-11-19T17:07:00.000-02:00</published><updated>2010-11-19T17:08:02.764-02:00</updated><title type='text'>A retomada das revoluções estudantis</title><content type='html'>O ano de 1968 começou em Berkeley e em Paris, o 1977 na Itália e na Alemanha, talvez algum dia diremos que um novo movimento floresceu no outono de 2010 às margens do rio Tâmisa. “Tenho certeza, é o início de alguma coisa importante”, diz o aluno com os livros debaixo do braço, ignorando que repete o slogan de seus pais, a frase que, das barricadas do maio francês, há mais de quarenta anos atrás, incendiou o mundo. “Sim, a manifestação de ontem em Londres é apenas o início”, insiste Carl, 23 anos, matriculado em sociologia, de fronte ao portão da Escola de Economia de Londres, a mais prestigiosa universidade de ciência política do planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reportagem é de Enrico Franceschini, publicada no jornal La Repubblica, 12-11-2010. A tradução é de Anete Amorim Pezzini.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Continuaremos a lutar, não somente para impedir o aumento das taxas universitárias, mas para opormo-nos a uma política que, na Grã-Bretanha e em todo o Ocidente, está fazendo os mais indefesos pagarem as culpas dos mais fortes, os mais pobres pagarem os excessos dos banqueiros que provocaram a recessão global”. Em volta dele, os seus companheiros assentem, cada um tem algo a dizer: sobre os confrontos com a polícia, os vidros quebrados, o outono quente e o inverno de descontentamento. “Já sucedeu que as revoluções sociais partiram dos estudantes”, concordam. Talvez sonhem. Mas têm a idade certa para sonhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chuva e rajadas de vento: bastaria o tempo para apagar o fogo que quarta-feira à noite brilhava em volta da Millbank Tower, o arranha-céu em que está a sede do Partido Conservador, ocupado e tomado de assalto pela maior manifestação estudantil ocorrida na capital em duas décadas. O primeiro ministro, David Cameron, condena “o intolerável” acontecimento; o prefeito Boris Johnson, também ele do Tory, atribui a responsabilidade a “uma minoria de desordeiros”. Mas basta subir um pouco o Tâmisa, deixando para trás as barricadas da polícia e o parlamento de Westminster, para ouvir opiniões bastante diversas entre os “desordeiros” de volta do ataque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fundada há mais de um século pela Sociedade Fabian, a Escola de Economia de Londres (LSE) não é o foco do movimento estudantil, pelo menos não é o único: mas é a universidade onde a paixão política é mais forte. A despeito do nome, não se estuda somente economia, mas, sobretudo, as ciências políticas e sociais. Passaram tantos pelos seus bancos: de John Kennedy a Romano Prodi, até Ed Miliband, novo líder do Partido Trabalhista britânico. Os seus reitores incluem o filósofo Ralph Dahrendorf e o sociólogo Anthony Giddens. Há uma incrível relação docentes-estudantes de 1 para 9: mais de mil professores, tutores e pesquisadores por nove mil alunos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a universidade da Terra em que é mais difícil de entrar: 15 pedidos de inscrição para cada vaga. E a mais étnica: diz-se que há estudantes de tantas nacionalidades quanto são os países membros da ONU. Ei-las aqui: uma banquinha de alunos israelenses faz propaganda para a paz no Oriente Médio, uma dos movimentos pela democratização de Pequim, outra de islâmicos para ajuda ao Paquistão inundado. Há até um minicortejo de jovens que agitam cartazes com os escritos “Libertem as taxas”, isto é, liberem as taxas universitárias: “Nós queremos que venham aumentadas, não diminuídas”, dizem, “somos pelo mercado livre, até no campo acadêmico”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pai inglês e mãe alemã, o aluno que me serve de guia torce o nariz. “Protestamos também por isso, para impedir que a nossa universidade torne-se uma outra coisa”, explica Carl. “Uma vez os que desejavam ganhar dinheiro iam para Oxford, os que acreditavam nas causas sociais vinham para cá. Não mais. No ano passado, mil alunos da LSE candidataram-se a uma vaga de trabalho na Goldmans Sachs. Pelo menos metade dos inscritos desejava tornarem-se banqueiros. Se as taxas universitárias triplicam, para eles não é um problema”. O primeiro a tripicá-la foi o trabalhista Blair, elevando as taxas de inscrição de mil para três mil libras esterlinas por ano. Agora, a reforma apresentada pelo governo conservador de Cameron propõe fazê-las ir até nove mil libras esterlinas (10.600 euros) por ano. Significa de 40 a 50 mil euros por uma láurea: o preço mais alto da Europa por uma educação universitária. Esse dinheiro pode ser obtido por empréstimo e ser restituído gradualmente com base em quão alta é a renda que se ganha depois da formatura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pacto aceitável, segundo os Tories: uma universidade de elite — e as universidades britânicas são as melhores de todas, depois das dos Estados Unidos da América — custa caro, mas garante grandes ganhos aos seus egressos. “Raciocínio que apresenta dois problemas”, objetam Carl e seus companheiros. “Se não quero um trabalho que me dê ganhos abundantes, se prefiro um que me dá satisfação, mas não me torna rico, como restituo todo aquele dinheiro? E, em segundo lugar, um sistema desse tipo introduz a lógica de mercado na instrução superior, induz implicitamente à escolha de um curso de estudo para profissões altamente bem pagas. Mesmo em um lugar como a Escola de Economia de Londres, a reforma de Cameron aumentará o número dos aspirantes à Goldman Sachs, e reduzirá aqueles, como eu, atraídos pelo comprometimento social”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento relatar o seu dia típico, mas se resume em duas linhas: "Eu venho à faculdade às dez da manhã e saio à meia-noite, com exceção das pausas para comer aqui por perto." Bem, os manifestantes de 68 e 77 não tinham exatamente a mesma vida. "Eu não sou um CDF", Carl sorri da piada. "Nós fazemos quase tudo assim. Não faz sentido inscrever-se na LSE, se você quer perder tempo. Para mim, ir para a aula ou estudar na biblioteca é um prazer." Como prolongar o prazer, porém, se falta o apoio financeiro? A Grã-Bretanha, como grande parte do Oeste, saiu da recessão com uma dívida terrível. Todos os especialistas concordam que não há outra escolha senão cortar os gastos públicos: muito ou pouco, agora ou mais tarde, de qualquer modo terá de cortá-los. Quem paga, então, para ter uma elite? "Cameron não se limita a aumentar as taxas universitárias, está também zerando o financiamento público à educação. Seu verdadeiro projeto é privatizar as universidades, como na América. Isso é o que queremos para a Europa de amanhã? Nós, do movimento estudantil, pensamos que os serviços de utilidade pública, em particular a educação e a saúde, devem ser fornecidos pelo Estado. E nós pensamos que é injusto fazer os mais vulneráveis pagarem esta crise, quando foi causada pelos erros e excessos das categorias mais fortes, como os banqueiros. Que eles paguem mais impostos, não os alunos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haveria muitas outras perguntas, mas agora Carl e seus amigos querem ir estudar na biblioteca, ao contrário de seus pais de ’68 e ‘77, um dia após uma manifestação como a de ontem teriam passado fechados em uma assembleia geral para discutir . "Eu também estava lá no evento e diante do palácio dos Tories”, diz o estudante. "Eu não joguei pedras nem quebrei janelas; em princípio, sou contra a violência, mas temos marchado tantas outras vezes e obtido somente modestos parágrafos nos jornais, mas, desta vez, graças à desordem que explodiu, todas as TV e jornais falam de nós, inclusive a sua". Ok, mas e agora? "Agora aguardamos os sindicatos, os funcionários públicos, os trabalhadores. Voltaremos a nos manifestar, também junto com eles, também incluindo as suas batalhas. O mundo não precisa ser necessariamente como agrada aos banqueiros. Esse foi o começo, e continuaremos a lutar." Isso é apenas uma estreia, continuaremos o combate: onde já ouvimos essa história?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=38507&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-2484809410699330480?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/2484809410699330480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=2484809410699330480&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/2484809410699330480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/2484809410699330480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2010/11/retomada-das-revolucoes-estudantis.html' title='A retomada das revoluções estudantis'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-1974553233492687716</id><published>2010-08-27T09:00:00.001-03:00</published><updated>2010-08-27T09:01:44.168-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos Hilário Dick'/><title type='text'>Por que persiste a Igreja-poder?</title><content type='html'>Vou abordar um tema incômodo, mas incontornável: como pode a instituição-Igreja, como a descrevi num artigo anterior, com características autoritárias, absolutistas e excludentes se perpetuar na história? A ideologia dominante responde: “só porque é divina”. Na verdade, este exercício de poder não tem nada de divino. Era o que Jesus exatamente não queria. Ele queria a hierodulia (sagrado serviço) e não a hierarquia (sagrado poder). Mas esta se impôs através dos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Instituições autoritárias possuem uma mesma lógica de autoreprodução. Não é diferente com a Igreja-instituição. Em primeiro lugar, ela se julga a única verdadeira e tira o título de “igreja” a todas as demais. Em seguida cria-se um rigoroso enquadramento: um pensamento único, uma única dogmática, um único catecismo, um único direito canônico, uma única forma de liturgia. Não se tolera a crítica nem a criatividade, vistas como negação ou denunciadas como criadoras de uma Igreja paralela ou de um outro magistério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, se usa a violência simbólica do controle, da repressão e da punição, não raro à custa dos direitos humanos. Facilmente o questionador é marginalizado, nega-se-lhe o direito de pregar, de escrever e de atuar na comunidade. O então Card. Joseph Ratzinger, Presidente da Congregação para a Doutrina da Fé, em seu mandato, puniu mais de cem teólogos. Nesta mesma lógica, pecados e crimes dos sacerdotes pedófilos ou outros delitos, como os financeiros, são mantidos ocultos para não prejudicar o bom nome da Igreja, sem o menor sentido de justiça para com as vítimas inocentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em terceiro lugar, mitificam-se e quase idolatram-se as autoridades eclesiásticas principalmente o Papa que é o “doce Cristo na Terra”. Penso eu lá com meus botões: que doce Cristo representava o Papa Sérgio (904), assassino de seus dois predecessores ou o Papa João XII (955), eleito com a idade de 20 anos, adúltero e morto pelo marido traído ou, pior, o Papa Bento IX (1033), eleito com 15 anos de idade, um dos mais criminosos e indignos da história do papado, chegando a vender a dignidade papal por 1000 liras de prata?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em quarto lugar, canonizam-se figuras cujas virtudes se enquadram no sistema, como a obediência cega, a contínua exaltação das autoridades e o “sentir com a Igreja (hierarquia)”, bem no estilo fascista segundo o qual “o chefe (o ducce, o Führer) sempre tem razão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em quinto lugar, há pessoas e cristãos com natureza autoritária, que acima de tudo apreciam a ordem, a lei e o princípio de autoridade em detrimento da lógica complexa da vida que tem surpresas e exige tolerância e adaptações. Estes secundam esse tipo de Igreja bem como regimes políticos autoritários e ditatoriais. Aliás, há uma estreita afinidade entre os regimes ditatoriais e a Igreja-poder como se viu com os ditadores Franco, Salazar, Mussolini, Pinochet e outros. Padres conservadores são facilmente feitos bispos e bispos fidelíssimos a Roma são promovidos, fomentando a subserviência. Esse bloco histórico-social-religioso se cristalizou e garantiu a continuidade a este tipo de Igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sexto lugar, a Igreja-poder sabe do valor dos ritos e símbolos pois reforçam identidades conservadoras, pouco zelando por seus conteúdos, contanto que sejam mantidos inalteráveis e estritamente observados.&lt;br /&gt;Em razão desta rigidez dogmática e canônica, a Igreja-instituição não é vivida como lar espiritual. Muitos emigram. Dizem sim ao cristianismo e não à Igreja-poder com a qual não se identificam. Dão-se conta das distorções feitas à herança de Jesus que pregou a liberdade e exaltou o amor incondicional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não obstante estas patologias, possuímos figuras como o Papa João XXIII, Dom Helder Câmara, Dom Pedro Casaldáliga, Dom Luiz Flávio Cappio e outros que não reproduzem o estilo autoritário, nem apresentam-se como autoridades eclesiásticas mas como pastores no meio do Povo de Deus. Apesar destas contradições, há um mérito que importa reconhecer: esse tipo autoritário de Igreja nunca deixou de nos legar os evangelhos, mesmo negando-os na prática, e assim permitindo-nos o acesso à mensagem revolucionária do Nazareno. Ela prega a libertação mas geralmente são outros que libertam.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Leonardo Boff é teólogo e escritor.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-1974553233492687716?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/1974553233492687716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=1974553233492687716&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/1974553233492687716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/1974553233492687716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2010/08/por-que-persiste-igreja-poder.html' title='Por que persiste a Igreja-poder?'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-6189738450972392861</id><published>2010-08-27T08:54:00.003-03:00</published><updated>2010-08-27T08:59:41.986-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos Hilário Dick'/><title type='text'>‘A Igreja precisa de uma reforma urgente’,afirma jesuíta egípcio em carta dirigida a Bento XVI</title><content type='html'>O jesuíta egípcio mais destacado nos âmbitos eclesial e intelectual, Henri Boulad, lança um SOS para a Igreja de hoje em uma carta dirigida a Bento XVI. A carta foi transmitida através da Nunciatura no Cairo. O texto circula em meios eclesiais de todo o mundo. Henri Boulad é autor de Deus e o mistério do tempo (Loyola, 2006) e O homem diante da liberdade (Loyola, 1994), entre outros. A carta está publicada no sítio Religión Digital, 31-01-2010. &lt;br /&gt;Santo Padre:&lt;br /&gt;Atrevo-me a dirigir-me diretamente a Você, pois meu coração sangra ao ver o abismo em que a nossa Igreja está se precipitando. Saberá desculpar a minha franqueza filial, inspirada simultaneamente pela “liberdade dos filhos de Deus” a que São Paulo nos convida e pelo amor apaixonado à Igreja. Agradecer-lhe-ei também que saiba desculpar o tom alarmista desta carta, pois creio que “são menos cinco” e que a situação não pode esperar mais.&lt;br /&gt;Apresentação&lt;br /&gt;Permite-me, em primeiro lugar, apresentar-me. Sou jesuíta egípcio-libanês do rito melquita e logo farei 78 anos. Há três anos sou reitor do Colégio dos jesuítas no Cairo, após ter desempenhado os seguintes cargos: superior dos jesuítas em Alexandria, superior regional dos jesuítas do Egito, professor de Teologia no Cairo, diretor da Cáritas-Egito e vice-presidente da Cáritas Internacional para o Oriente Médio e a África do Norte.&lt;br /&gt;Conheço muito bem a hierarquia católica do Egito por ter participado durante muitos anos de suas reuniões como Presidente dos Superiores Religiosos de Institutos no Egito. Tenho relações muito próximas com cada um deles, alguns dos quais são ex-alunos meus. Por outro lado, conheço pessoalmente o Papa Chenouda III, que via com frequência. Quanto à hierarquia católica da Europa, tive a ocasião de me encontrar pessoalmente muitas vezes com alguns de seus membros, como o cardeal Koening, o cardeal Schönborn, o cardeal Martini, o cardeal Daneels, o arcebispo Kothgasser, os bispos diocesanos Kapellari e Küng, os demais bispos austríacos e outros bispos de outros países europeus. Estes encontros se produzem por ocasião das minhas viagens anuais para dar conferências pela Europa: Áustria, Alemanha, Suíça, Hungria, França, Bélgica... Nestas ocasiões me dirijo a auditórios muito diversos e à mídia (jornais, rádios, televisões...). Faço o mesmo no Egito e no Oriente Próximo.&lt;br /&gt;Visitei cerca de 50 países nos quatro continentes e publiquei cerca de 30 livros em aproximadamente 15 línguas, sobretudo em francês, árabe, húngaro e alemão. Dos 13 livros nesta língua, talvez Você tenha lido Gottessöhne, Gottestöchter (Filhos, filhas de Deus), que o seu amigo o Pe. Erich Fink, da Baviera, lhe fez chegar em suas mãos.&lt;br /&gt;Não digo isto para me vangloriar, mas para lhe dizer simplesmente que as minhas intenções se fundam em um conhecimento real da Igreja universal e de sua situação atual, em 2009.&lt;br /&gt;Constatações&lt;br /&gt;Volto ao motivo desta carta e tentarei ser o mais breve, claro e objetivo possível. Em primeiro lugar, algumas constatações (a lista não é exclusiva):&lt;br /&gt;1. A prática religiosa está em constante declive. Um número cada vez mais reduzido de pessoas da terceira idade, que desaparecerão logo, são as que frequentam as igrejas da Europa e do Canadá. Não resta outro remédio senão fechar estas igrejas ou transformá-las em museus, mesquitas, clubes ou bibliotecas municipais, como já se está fazendo. O que me surpreende é que muitas delas estão sendo completamente reformadas e modernizadas mediante grandes gastos com a ideia de atrair os fiéis. Mas não será suficiente para frear o êxodo.&lt;br /&gt;2. Seminários e noviciados se esvaziam no mesmo ritmo, e as vocações caem vertiginosamente. O futuro é sombrio e há quem se pergunte quem irá substituir os sacerdotes. Cada vez mais paróquias europeias estão a cargo de sacerdotes da Ásia ou da África.&lt;br /&gt;3. Muitos sacerdotes abandonam o sacerdócio e os poucos que ainda o exercem – cuja idade média ultrapassa muitas vezes a da aposentadoria – têm que se encarregar de muitas paróquias, de modo expeditivo e administrativo. Muitos deles, tanto na Europa como no Terceiro Mundo, vivem em concubinato à vista de seus fiéis, que normalmente os aceitam, e de seu bispo, que não pode aceitá-lo, mas que tem em conta a escassez de sacerdotes.&lt;br /&gt;4. A linguagem da Igreja é obsoleta, anacrônica, chata, repetitiva, moralizante, totalmente desadaptada à nossa época. Não se trata em absoluto de acomodar-se nem de fazer demagogia, pois a mensagem do Evangelho deve ser apresentada em toda a sua crueza e exigência. Seria preciso antes promover essa “nova evangelização”, a que nos convidava João Paulo II. Mas esta, ao contrário do que muitos pensam, não consiste em absoluto em repetir a antiga, que já não diz mais nada, mas em inovar, inventar uma nova linguagem que expresse a fé de modo apropriado e que tenha significado para o homem de hoje.&lt;br /&gt;5. Isto não poderá ser feito senão mediante uma renovação em profundidade da teologia e da catequese, que deveriam ser repensadas e reformuladas totalmente. Um sacerdote e religioso alemão que encontrei recentemente me dizia que a palavra “mística” não é mencionada uma única vez no Novo Catecismo. Não podia acreditar nisso. Temos de constatar que a nossa fé é muito cerebral, abstrata, dogmática e se dirige muito pouco ao coração e ao corpo.&lt;br /&gt;6. Em consequência, um grande número de cristãos se volta para as religiões da Ásia, as seitas, a nova era, as igrejas evangélicas, o ocultismo, etc. Não é de estranhar. Vão buscar em outros lugares o alimento que não encontram em casa, têm a impressão de que lhes damos pedras como se fossem pão. A fé cristã, que em outro tempo outorgava sentido à vida das pessoas, é para elas hoje um enigma, restos de um passado que acabou.&lt;br /&gt;7. No plano moral e ético, os ditames do Magistério, repetidos à saciedade, sobre o matrimônio, a contracepção, o aborto, a eutanásia, a homossexualidade, o matrimônio dos sacerdotes, as segundas uniões, etc., já não dizem mais nada a ninguém e produzem apenas desleixo e indiferença. Todos estes problemas morais e pastorais merecem algo mais que declarações categóricas. Necessitam de um tratamento pastoral, sociológico, psicológico e humano... em uma linha mais evangélica.&lt;br /&gt;8. A Igreja católica, que foi a grande educadora da Europa durante séculos, parece esquecer que a Europa chegou à sua maturidade. A nossa Europa adulta não quer ser tratada como menor de idade. O estilo paternalista de uma Igreja “Mater et Magistra” está definitivamente defasada e já não serve mais. Os cristãos aprenderam a pensar por si mesmos e não estão dispostos a engolir qualquer coisa.&lt;br /&gt;9. Os países mais católicos de antes – a França, “primogênita da Igreja”, ou o Canadá francês ultra-católico – deram uma guinada de 180º e caíram no ateísmo, no anticlericalismo, no agnosticismo, na indiferença. No caso de outros países europeus, o processo está em marcha. Pode-se constatar que quanto mais dominado e protegido pela Igreja esteve um povo no passado, mais forte é a reação contra ela.&lt;br /&gt;10. O diálogo com as outras igrejas e religiões está em preocupante retrocesso hoje. Os grandes progressos realizados há meio século estão sob suspeita neste momento.&lt;br /&gt;Reação&lt;br /&gt;Diante desta constatação quase demolidora, a reação da igreja é dupla:&lt;br /&gt;– Tende a minimizar a gravidade da situação e a consolar-se constatando certo dinamismo em sua facção mais tradicional e nos países do Terceiro Mundo.&lt;br /&gt;– Apela para a confiança no Senhor, que a sustentou durante 20 séculos e será capaz de ajudá-la a superar esta nova crise, como o fez nas precedentes. Por acaso, não tem promessas de vida eterna?&lt;br /&gt;Sugestões&lt;br /&gt;A isto respondo:&lt;br /&gt;1. Não é apoiando-se no passado nem recolhendo suas migalhas que se resolverão os problemas de hoje e de amanhã.&lt;br /&gt;2. A aparente vitalidade das Igrejas do Terceiro Mundo é equívoca. Segundo parece, estas novas Igrejas, mais cedo ou mais tarde, atravessarão as mesmas crises que a velha cristandade europeia conheceu.&lt;br /&gt;3. A Modernidade é irreversível, e é por ter esquecido isso que a Igreja já se encontra hoje em semelhante crise. O Vaticano II tentou recuperar quatro séculos de atraso, mas tem-se a impressão de que a Igreja está fechando lentamente as portas que se abriram então, e é tentada a voltar para Trento e o Vaticano I, mais que voltar-se para o Vaticano III. Recordemos a declaração de João Paulo II tantas vezes repetida: “Não há alternativa para o Vaticano II”.&lt;br /&gt;4. Até quando continuaremos jogando a política do avestruz e a esconder a cabeça na areia? Até quando evitaremos olhar as coisas de frente? Até quando seguiremos dando as costas, encrespando-nos contra toda crítica, em vez de ver ali uma oportunidade de renovação? Até quando continuaremos postergando ad calendas graecas uma reforma que se impõe e que foi abandonada durante muito tempo?&lt;br /&gt;5. Somente olhando decididamente para frente e não para trás a Igreja cumprirá sua missão de ser “luz do mundo, sal da terra e fermento na massa”. Entretanto, o que infelizmente constatamos hoje é que a Igreja está no final da fila da nossa época, depois de ter sido a locomotiva durante séculos.&lt;br /&gt;6. Repito o que dizia no começo desta carta: “São menos cinco” – fünf vor zwölf! A História não espera, sobretudo em nossa época, em que o ritmo se embala e se acelera.&lt;br /&gt;7. Qualquer operação comercial que constata um déficit ou disfunção se reconsidera imediatamente, reúne especialistas, procura recuperar-se, mobiliza todas as suas energias para superar a crise.&lt;br /&gt;8. Por que a Igreja não faz algo semelhante? Por que não mobiliza todas as suas forças vivas para um aggiornamento radical? Por quê?  Por preguiça, desleixo, orgulho, falta de imaginação, de criativadade, omissão culpável, na esperança de que o Senhor as resolverá e que a Igreja conheceu outras crises no passado?  Cristo, no Evangelho, nos alerta: “Os filhos das trevas são mais espertos que os filhos da luz...”.&lt;br /&gt;Tripla reforma&lt;br /&gt;Então, o que fazer? A Igreja tem hoje uma necessidade imperiosa e urgente de uma tripla reforma:&lt;br /&gt;1. Uma reforma teológica e catequética para repensar a fé e reformulá-la de modo coerente para os nossos contemporâneos. Uma fé que já não significa nada, que não dá sentido à existência, não é mais que um adorno, uma superestrutura inútil que cai por si mesma. É o caso atual.&lt;br /&gt;2. Uma reforma pastoral para repensar de cabo a rabo as estruturas herdadas do passado.&lt;br /&gt;3. Uma reforma espiritual para revitalizar a mística e repensar os sacramentos com vistas a dar-lhes uma dimensão existencial e articulá-los com a vida.&lt;br /&gt;Teria muito a dizer sobre isto. A Igreja de hoje é muito formal, muito formalista. Tem-se a impressão de que a instituição asfixia o carisma e que o que em última instância conta é uma estabilidade puramente exterior, uma honestidade superficial, certa fachada. Não corremos o risco de que um dia Jesus nos trate de “sepulcros caiados”?&lt;br /&gt;Conclusão&lt;br /&gt;Para terminar, sugiro a convocação de um Sínodo geral a nível da Igreja universal, do qual participarão todos os cristãos – católicos e outros – para examinar com toda franqueza e clareza os pontos assinalados anteriormente e os que forem propostos. Este Sínodo, que duraria três anos, terminaria com uma Assembleia Geral – evitemos o termo “concílio” – que sintetizasse os resultados desta pesquisa e tirasse daí as conclusões.&lt;br /&gt;Termino, Santo Padre, pedindo-lhe perdão pela minha franqueza e audácia e solicito a vossa paternal bênção. Permita-me também dizer-lhe que vivo estes dias em sua companhia, graças ao seu extraordinário livro Jesus de Nazaré, que é objeto da minha leitura espiritual e de meditação cotidiana.&lt;br /&gt;Seu afetíssimo no Senhor,&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pe. Henri Boulad, SJ&lt;br /&gt;henrioulad@yahoo.com&lt;br /&gt;31 de janeiro de 2010&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-6189738450972392861?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/6189738450972392861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=6189738450972392861&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/6189738450972392861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/6189738450972392861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2010/08/igreja-precisa-de-uma-reforma-urgente.html' title='‘A Igreja precisa de uma reforma urgente’,afirma jesuíta egípcio em carta dirigida a Bento XVI'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-3250698445610331377</id><published>2010-08-27T08:46:00.002-03:00</published><updated>2010-08-27T08:52:30.899-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos Hilário Dick'/><title type='text'>A ARTE DE ACOMPANHAR</title><content type='html'>Introdução&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Padres Apostólicos falam do “acompanhamento” como sendo a arte das artes. Uma realidade muito delicada já que se trata de ajudar os irmãos a crescer na docilidade ao Espírito. É a arte de conhecer as moções do Espírito que não tem nem regras nem tempos para agir. É, basicamente, anárquico: “O vento sopra onde quer. Você ouve o barulho, mas não sabe de onde ele vem, nem para onde vai. Acontece a mesma coisa com quem nasceu do Espírito” (Jo3,8),&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprender a acompanhar é aprender a reconhecer como a graça de Deus opera em cada homem e em cada mulher, e o faz de maneira própria, adequada à sua história, à sua personalidade e a seus desejos mais profundos. Acompanhar não significa somente reconhecer as sugestões e moções do Espírito. Também devemos aprender a reconhecer o mau espírito. O espírito do maligno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Evangelho mostra-nos, na parábola do trigo e do joio, como ambos vão crescendo juntos. Portanto esta mistura de luz e treva, de trigo e de joio, é que faz da vida espiritual uma constante luta. Uma luta espiritual. A arte de acompanhar - o que há alguns anos se chamava de “direção espiritual” - é parte importante da tradição da Igreja e tem raízes profundas na Sagrada Escritura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de grande proveito tomar a Escritura e lê-la na perspectiva de como o Deus de Israel é um Deus que sabe acompanhar. É a primeira escola onde podemos aprender esta difícil arte que Deus sabe fazer com delicadeza. Vemos isso na sua relação com Abraão, com Moisés, com Davi e com Jeremias. São muitos os textos que podemos citar e nos quais Deus se apresenta metido dentro da história, acompanhando o andar do homem e do povo. Lemos em 2 Samuel: “Eu tirei você do pastoreio, onde você cuidava das ovelhas, para fazê-lo chefe do meu povo Israel. Estive com você em toda parte por onde você andava...” (2Sam 7,8-9). Em Jeremias pode-se ler: “Não diga ´sou jovem´ porque você irá para aqueles a quem eu o mandar. O que eu mando você o dirá. Não os tema porque estou com você para librá-lo” (Jer 1,7-19).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Novo Testamento Jesus é o mestre. O Filho de Deus se apresenta como um homem acompanhado e acompanhante. É um homem acompanhado por seu Pai. Tudo que faz, tudo que diz, é sob o olhar do Pai que o apoia com seu amor eterno. É o acompanhante do grupo que chama de “discípulos”, em seu lento processo de conversão e nos passos que vão dando para mudar de estilo de vida, de maneira de pensar e sentir e de mudar os critérios de análise da realidade que lhes tocou viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, esta prática passa para a Igreja e ela a assume como uma forma de evangelizar o homem e fazer que este se faça alegria e esperança para outros, se faça alegria para Deus. O santo povo de Deus tem direito a ter acompanhantes para seguir os caminhos do Evangelho. Desgraçadamente, nos últimos anos viveu-se uma certa crise na prática da direção espiritual. Atualmente, contudo, esta crise está sendo superada com vantagem. São muitos os interessados em aprender a acompanhar, como também os que buscam ser acompanhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São muitas as experiências vitais que tem alguns elementos próprios do acompanhamento: o ser pai e mãe, o ser mestre de noviços ou formador, o trabalhar em terapia ou como professor. Todos ao serviços, ministérios, para criar beleza, vida livre, desenvolvimento e verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I. QUE É O ACOMPANHAMENTO? - VISÃO NEGATIVA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil responder já que não há somente um modo de fazê-lo. Há pessoas que o fazem de forma muito diversas seja por sua formação, seja pela ênfase que cada um dá ,como também são distintas as pessoas acompanhadas. Não é o mesmo acompanhar um jovem, um adulto ou uma pessoa com experiência. Por isso é melhor pôr-nos de acordo em alguns termos, em alguns objetivos e em certos caminhos. O resto é arte e, portanto, precisam-se de artesãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisar-se-ia de um mestre sábio e com grande experiência que pudesse esclarecer tantas dúvidas que moram em nosso coração, mas os verdadeiros mestres são os que sabem ficar calados ante a complexo a tarefa e convidam a fazer caminhos próprios, além de qualquer receita que facilitaria nossas buscas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que é o acompanhamento? É mais fácil explicitar primeiramente os caminhos errados para, depois, propor algumas afirmações a respeito do que é acompanhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.1 Não é uma terapia psicológica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os acompanhantes não são terapeutas, nem é honroso pretender sê-lo. Não se trata de favorecer processos de introspeção e explicitação de dificuldades psicológicas dos acompanhados, a fim de serem sanados. O santo povo de Deus merece acompanhantes, mais que psicólogos. O acompanhante é uma testemunha da passagem de Deus pela vida de um homem ou de uma mulher; é alguém que descobre o mistério da vida que habita na profundeza do acompanhado e o faz com os olhos de Deus para amá-lo com o coração de Deus acompanhando-o em sua busca incessante de viver. O acompanhamento e ajuda psicológica não se contradizem nem se excluem, mas são distintos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.2 Não é um encontro de amigos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São muito distintas uma conversa entre amigos e uma conversa de acompanhamento. O acompanhamento pode fazer-se entre amigos, mas requer que cada um assuma um lugar diferente. Um é o acompanhado e o outro o acompanhante. São papéis diferentes, não significando que um seja superior ao outro. Além disso, o acompanhamento e a amizade têm tem uma evolução distinta. Sendo o primeiro temporal, toma uma etapa do desenvolvimento espiritual. Por outro lado, a amizade pode estender-se por toda a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.3 Não é carregar a sorte do acompanhado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso ter cuidado com nossos paternalismo ou maternalismos. Estariam indicando que não estamos tratando o acompanhado como um irmão ou um adulto, como uma pessoa com força e liberdade. As conseqüências desta atitude são perigosas. Produzem dependências e infantilismos que levarão à grave crise da direção espiritual. Quando reconhecemos em nós o sentir-nos responsáveis da vida e da sorte do acompanhado, precisamos parar e questionar-nos sobre o que estamos fazendo, sobre qual de nossa parte está entrando na relação e a perturba, tirando-lhe a liberdade, a gratuidade e a beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.4 Não é pregar nem querer que outros repitam minha experiência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ajudou a mim não vai, necessariamente, ajudar o outro que tem história, sensibilidade e desejos distintos. Não podemos, por isso, invocar constantemente a nossa experiência. Somente quando ela pode ajudar em algumas situações específicas.  Não ajuda falar em abstrato nem cair nas generalizações. Também não temos o direito de julgar moralmente os nossos acompanhados. Isto é o que faziam os fariseus e o Evangelho nos mostra como foram rejeitados por Jesus em suas práticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.5 Não é agradar o acompanhado sem ajudá-lo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes o acompanhante, por insegurança pessoal, busca ser simpático e agradar. Isso leva-o a estar centrado em si mesmo. Nossa responsabilidade é ser amável e acolhedor. Contudo, não podemos deixar de dizer o que vemos por temer que o outro se moleste e vá embora. Nalgumas situações temos que ser bons cirurgiões e questionar atitudes e comportamentos que pertencem ao que se chama de “área cega”, aspectos de nossa vida que não vemos, mas os outros conhecem.  Se o acompanhado deixa de vir, não é, necessariamente, um fracasso. Pode ser um momento importante na vida desse homem ou dessa mulher. É possível que seja a ocasião de rebelar-se ou, então, de tomar consciência das dificuldades que carrega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.6 Não é ter resposta para tudo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Freqüentemente temos uma concepção autoritária onde exigimos controlar e saber tudo, o que nos tira a simplicidade e o frescor da vida. São tantas as coisas humanas e divinas que ignoramos e que precisamos aprender de outros!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II. QUE É ACOMPANHAMENTO? - VISÃO POSITIVA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.1  Uma primeira aproximação nos é permitida por três textos do Novo Testamento que nos ajudam a compreender melhor em que consiste o acompanhamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a)  Os discípulos de Emaús (Lc 24,13-35). O acompanhamento é o encontro entre caminhantes que vão partilhando histórias da vida, esperanças e frustrações. A gana de superar. Em meio ao desencanto cruza um caminhante que pergunta: o que estão conversando? No acompanhamento as perguntas são fundamentais: como estás? para onde vais? Também é fundamental a capacidade de receber, escutar e, posteriormente, esclarecer e ajudar a reler a realidade com olhos novos, para terminar celebrando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; b) O bom Pastor (Jo 10,1-16). O evangelista apresenta Jesus Cristo como acompanhante e mostra as características que o constituem mestre e discernidor de espíritos. Conhece as ovelhas, sabe o que são e onde vivem bem como aquilo que as motiva. Alimenta-as e dá-lhes de beber para que tenham vida. Sabe qual é o alimento que convém e onde está a fonte da qual brota a vida. Sara as feridas e sai para encontrar as que se perdem. O acompanhamento é uma experiência profundamente humana de aproximação, de conhecimento, de intercâmbio, de ternura na qual o acompanhado coloca sua história, seus sonhos e suas buscas nas mãos do acompanhante. O acompanhante não é um consultor. É necessário que dê sua vida pelas ovelhas. Acompanha e toma as dimensões mais profundas de nosso amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; c) “Meus filhos, sofro novamente como dores de parto. Até que Cristo esteja formado em vocês. Gostaria de estar junto de vocês neste momento, e de mudar o tom de minha voz, porque não sei mais que atitude tomar com vocês” (Gal 4,19-20).  Paulo não havia podido ajudar os gálatas a configurar-se com Cristo. Esta é a nossa tarefa: explicitar Cristo na história, na vida, nos sonhos de um homem ou de uma mulher, de modo que esta experiência de fé seja uma fonte de vida que impregne todo o agir do acompanhado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2.2  O acompanhamento é uma experiência religiosa de encontro onde o acompanhado expõe o que está      passando no hoje de sua vida para que, junto com o acompanhante, possa reconhecer quem é, o que quer e onde se encontra no caminho que o leva à adultez em Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Estes encontros caracterizam-se por serem periódicos e sistemáticos, já que não se pode discernir a vida e a obra do Espírito numa só vez. Requer-se tempo e percorrer distintas áreas da vida. O acompanhado tem que descobrir seu ser mais profundo e sua evolução, de modo que o acompanhante possa entrever sua realidade espiritual e seu mistério: como é que Deus está agindo nela ou nela? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No acompanhamento, o que importa é a pessoa, mais do que os problemas que ela apresenta: quem é a pessoa que tem dificuldades? Como vive ela os problemas? Que forças tem ela? Como é sua história espiritual? O acompanhamento sempre terá uma valorização do interpessoal como o lugar privilegiado de encontro e de descobrimento da realidade misteriosa do acompanhado. Vivemos na cultura da eficiência na resolução dos problemas e no oferecimento de luzes para que o outro vá adiante como possa. O “experto” centra-se nos problemas; o acompanhante na pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.3  O acompanhamento é um lugar de graça, de verdade e de solidariedade fraternal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O acompanhamento é um lugar da graça pelo intercâmbio de vida. Assim como o amor de Deus, passa mediado pelo carinho, pela compreensão, pela experiência e leitura nova que o acompanhado faz de sua vida. O acompanhamento nos liberta da solidão e do fechamento, fazendo-nos crescer em transparência. Chegamos a ser pessoas cheias de luz e de claridade, sinais delicados do amor de Deus e de sua graça salvadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ao expor a vida aos olhos do acompanhante também crescemos em verdade e isso nos permite ver com seus olhos novos nossa própria vida. Ao partilhar com o outro, vejo com olhos novos o que vivo, o que sou, o que quero e saio da confusão e/ou do vago, que são caminhos que nos sugere o maligno. Somos peregrinos do começo ao fim, caminhantes, e quando fazemos o caminho sós, podemos cair facilmente nas mãos de assaltantes. No acompanhamento pomos a vida nas mãos do outro e vamos fazendo caminho juntos. Assim o outro pode refletir, comentar, discernir a obra de Deus e denunciar, indicar o mau espírito, o joio. Esta é um modo fraternal e solidário de percorrer o caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III. ALGUMAS CONSEQÜENCIAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.1  O acompanhamento sempre será um cuidado de uma pessoa única que tem existência própria diante de               Deus e na Igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o reflexo do amor personalizado de Deus a seu filho ou a sua filha. Esse amor passa pelo amor e pela compreensão do acompanhante; pela relação fraternal que pode estabelecer. Esta relação é completamente diferente em cada um. Isso exige uma flexibilidade e uma liberdade muito grande no acompanhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.2  Precisamos ser acompanhados. É um direito de todo cristão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém se salva sozinho. Dependemos uns dos outros. Não basta a inteligência para percorrer os caminhos do Evangelho. As trevas devem ser iluminadas desde fora, Ninguém é tão hábil que possa dar-se conta, por si mesmo, que está cego. Todos temos pontos cegos em nossa vida e, se não buscamos ajuda, estamos arriscando-nos a não chegar à maturidade em Cristo. Santa Teresa de Ávila presta conta de sua tarefa como acompanhante: “Eu não faço outra coisa do que evitar tudo o que possa obstruir, altear ou mudar o caminho pelo qual Deus leva as irmãs”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.3  O acompanhamento responde às necessidades de verdade e de honradez que moram no coração de cada pessoa.&lt;br /&gt;Todos queremos ser honrados e viver na verdade, embora às vezes tenhamos temores em tomar contacto com a nossa profundidade e encontrar-nos com Deus. Atarefa do acompanhante é ajudar a essa pessoa a enfrentar-se. Por isso a prepara, a anima, a corrige e a ajuda a celebrar na medida em que vive com mais verdade e sabedoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.4  O acompanhamento é uma arte, um carisma, um processo pedagógico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma arte que requer todas as nossas habilidades e experiências para intervir e para esperar, para reconhecer a obra de Deus. Requer tempo e esforço. Por isso podemos ajudar a poucos. É um carisma, um regalo de Deus para sua Igreja. É um serviço prestado ao santo povo de Deus. Ninguém pode fazer bravatas em matéria de acompanhamento. É um caminho pedagógico, um processo gradual que requer do acompanhante uma grande capacidade de escutar, acolher e deixar-se tocar pelo que o acompanhado é, não somente pelo que diz. Uma capacidade de olhar em profundidade, para reconhecer uma história santa, um caminho de salvação; uma capacidade de convidar a seguir a Cristo sem desfalecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.5  Para acompanhar deve-se ter algumas convicções que nos permitem fazê-lo com maior fluidez e solidez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a)  Toda pessoa é boa no profundo de seu ser. O núcleo de nosso ser é uma parte redimida e ressuscitada. O acompanhamento é buscar e tomar contato com esta área boa, salva e, a partir daí, refletir o bonito e o vital que vamos adivinhando.&lt;br /&gt;b)  Toda pessoa está em processo. Vai fazendo seu caminho e Deus vai trabalhando nele. Ninguém pode julgar, por si e por outros, que sua vida não tem solução. Os ritmos deste processo são diferentes e podem exigir, tanto do acompanhante como do acompanhado, paciência e perseverança.&lt;br /&gt;c)  Eu, como acompanhante, posso ter recursos, posso facilitar o caminho da perfeição cristã se ponho à disposição a força, a experiência, a bondade e os conhecimentos para serem uma ajuda significativa para a vida espiritual do acompanhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.6  Todo processo de acompanhamento é temporal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos fazer caminho por um tempo, numa etapa da vida espiritual. Para a seguinte é possível necessitar de outra pessoa. É a experiência que tem Santa Teresa de Ávila e, também, Teresa dos Andes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.7  Cada acompanhante tem que revisar com honradez e discernir se é este o ministério para o qual Deus o chamou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existem os diretores espirituais ideais. Por isso temos que perguntar-nos como integramos habilidades e dificuldades, necessidades da comunidade na qual participamos e a vontade da Igreja para convidar-nos a acompanhar a alguns de seus filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV. O ACOMPANHANTE, TESTEMUNHA DO AMOR DE DEUS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acompanhante, mais do que um especialista em introspeção, é um especialista no agir de Deus. É quem sabe, por experiência própria e por experiência com outros, como a força do Espírito penetra e purifica as profundezas de nosso ser, fazendo-nos mais livres, mais disponíveis às moções de Deus. São Bento, um homem que soube da ciência de Deus e do coração dos homens, em sua Regra LVII, recomenda que aos postulantes se lhes assinale “um ancião apto para ganhar as almas, que velará por eles com a máxima atenção”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acompanhante deve ter sabedoria de ancião para saber dizer e reconhecer do que é capaz o coração do homem; tem que ser apto para servir e fazer-se próximo, para ganhar a alma do acompanhado e poder velas e cuidar dele com a máxima delicadeza. Na atualidade, a tarefa do acompanhante se associa mais a um trabalho de psicólogo, empobrecendo a realidade e a tarefa do acompanhante como um homem ou uma mulher testemunha do amor de Deus. Há muitas formas de acompanhar e isso depende tanto de quem acompanha como dos acompanhados. Não há uma maneira boa e outras más. Assim como não é o mesmo acompanhar a jovens ou adultos, religiosos ou casados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.1 Algumas tarefas específicas do acompanhante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acompanhante é chamado a ser um mestre, com toda a beleza e toda a complexidade que isso acarreta. Cada um de nós tem características de mestre, porém custa-nos dar-nos conta disso. Julgamo-nos duramente e estes juízos nos levam à dúvida e à insegurança a respeito de nós mesmos. As tarefas de um mestre são:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a)  Ser testemunha do desenvolvimento do acompanhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda pessoa precisa de alguém que seja capaz de olhá-lo em seu ser e de espelhar o que vê. O acompanhante busca e contempla no acompanhado como surge o homem e a mulher nova e adquire a maturidade em Cristo. É uma testemunha das consolações e desolações, de como a graça age de maneira única nesta pessoa, recriando-a .O acompanhante é um contemplativo da história vital de um irmão em seu encontro com Deus. É indispensável aprender a olhar longamente e isso nos custa. Somos homens e mulheres de juízo rápido: “isto é bom”, “aquilo é mau”. Custa dar-nos tempo e proximidade para discernir. Preferimos aplicar a inteligência para aconselhar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b)  Convidar à vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fundamental que o acompanhado se sinta convidado a viver, a conhecer-se de verdade, a querer com liberdade. Ele tem que descobrir a trama de sua vida, as motivações profundas que o levam a ser desta forma, suas habilidades e dificuldades, tanto na ordem intelectual como na ordem afetiva, no religioso etc. Convidar a continuar o caminho apesar dos cansaços e quedas, animar e robustecer os caminhos novos empreendidos. Como mora em nós esta capacidade de animar? Quando a exercemos? Com quem? Se na vida quotidiana não a praticamos, tampouco o faremos no acompanhamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c)  Saber discernir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discernir é reconhecer, distinguir, elucidar a maneira de como o Espírito de Deus age no acompanhado. É reconhecer nele o que há de verdadeiro, bom, bonito, e descobrir como o dinamismo de Deus age no coração do homem. Somente assim poderemos convidá-lo a ser fiel ao Espírito. Discernir o espírito de Deus e o espírito do maligno, vendo como se está dando a luta e o combate espiritual em nossos acompanhados, é fundamental. Às vezes acreditamos que são somente estorvos históricos ou psicológicos is que perturbam o crescimento e o amadurecimento de alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada pessoa tem um caminho único, uma vocação completamente original. No acompanhamento deve sair à luz esta vocação, este estilo próprio de viver e de seguir a Jesus Cristo. Há tantas vocações como pessoas. Portanto, o discernimento é indispensável. O acompanhado faz o caminho, sendo fiel à orientação profunda de sua vida, ao dinamismo que Deus lhe dá. A tarefa do acompanhante é respeitar as decisões e escolhas que o acompanhado faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;d)  Poder ensinar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a capacidade de ajudar o acompanhado a que se introduza no mistério de Deus e possa saborear e reconhecer as insinuações do Espírito. O acompanhante requer um certo corpo de conhecimentos de como Deus trabalha a história, o presente e o futuro de uma pessoa. Amiúde temos que sugerir meios adequados para abordar alguns momentos espirituais do acompanhado e para isso são necessários conhecimentos e esperiência pessoal. Que caminhos percorrer na purificação da alma? Convém a disciplina e a penitência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e)  Prescrever&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há momentos no processo do acompanhamento em que se faz necessário ordenar, mandar e decidir. O acompanhante tem que contribuir para a formação da consciência do acompanhado e, em certas ocasiões, é importante afirmar que isso ou aquilo não pode ser feito ou é necessário vivê-lo de forma diferente (condutas econômicas, sexuais etc.). A prescrição é muito importante em três situações: 1) com pessoas em estados depressivos; 2) nas áreas infantilizadas do acompanhado; 3) quando há desvios importantes ou ignorâncias intelectuais, morais ou religiosas. Nestas situações é indispensável prescrever. Para isso deve-se ter personalidade e autoridade: “vais fazer isso ou aquilo duas vezespor semana...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas cinco tarefas do acompanhamento se alternam e se sucedem umas às outras. É conveniente avaliar como o acompanhante as desempenha, quando elas são feitas e a conveniência delas ao momento do acompanhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.2 Características do acompanhante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para desempenhar estas cinco tarefas é necessário que o acompanhante desenvolva três características espirituais que condicionam a forma de acompanhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a)  Espírito de gratuidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ser acompanhante deve-se aprender a ser gratuito, deixar espaço para Deus Pai, para Jesus Cristo e para o Espírito para que seu amor trabalhe no acompanhado. O acompanhante não pode ser a pessoa central, nem tampouco pode sê-lo seu ritmo nem seu pensamento. Quando não sabe retirar-se, transforma-se num obstáculo mais que numa ajuda, num quebra-luz que perturba o encontro de Deus e o acompanhado. É indispensável ir além de toda possessividade. A gratuidade é aprender a não ter nada nem a ninguém. Saber fazer-se dispensável e superar toda dependência e imposição. “Só atrai quem deixa de ser o centro. Só ilumina quem chega a sr pura transparência. A vida divina se transmite quando eu diminuo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b)  Espírito fraternal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acompanhante é um companheiro de caminho do acompanhado, nem melhor nem superior. Somente distinto. É necessário saber, crer e viver que somente Deus é Pai e que nós somos todos irmãos. Nossa ajuda é uma função passageira para que o acompanhado chegue a ser mais livre, mais de Deus e dos homens, com a liberdade dos filhos de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c)  Espírito de serviço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Igreja toda capacidade nos é dada para fazer dela um serviço de amor. “Aquele que a verdade fez livre, a caridad o faz escravo”, disse Santo Agostinho. Precisamos evangelizar nossas habilidades para não considerar-nos superiores mas como bens a partilhar, uma dívida que temos que saldar com nossos irmãos. São os dons os que nos fazem pequenos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acompanhamento é um serviço delicado. É o serviço da com-paixão, de viver com o acompanhado os altos e os baixos de sua vida; é o serviço da paciência, enquanto o acompanhado adquire sensibilidade e gosto pela obra de Deus e toma consciência desta realidade nova e delicada de como Deus age; é o serviço da ternura de Deus para com os homens, de forma que o acompanhado se sinta querido e cuidado com força e delicadeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.3 Alguns requisitos para o acompanhante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a)  Ser uma pessoa verdadeira e coerente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso cuidar que não haja uma grande distância entre o que se pensa, o que se diz, se sente e se crê. Esta coerência é que dá peso ao acompanhante e confiabilidade. É preciso ter consciência das condições próprias e dos limites, sem que isso tire a liberdade para convidar o acompanhado a ir mais além no caminho espiritual. Não se exige ser perfeito para ser um acompanhante, mas ser um peregrino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b)  Conhecer, assumir e exercer suas habilidades&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito importante ter consciência e gozar das habilidades que Deus nos deu e que podemos cultivar e exercer. Há algumas habilidades indispensáveis para o processo de acompanhamento. 1) Capacidade de escuta. Não somente com o ouvido mas com o coração. Isto é permitir que aquilo que o acompanhado diga e seja, entre no meu interior e toque meu próprio mistério. Não é somente receber, pôr-se passivamente diante do outro, mas acolher ativamente o que diz e o que não sabe dizer ou não se atreve a dizer. É estar atento, constantemente, a todo seu corpo e sus gestos que vão dizendo o que é o que vive, seus desejos s temores. Por isso acompanhar cansa emocionalmente. 2) Capacidade de entrar no mundo do outro e, assim, desentranhar sua riqueza. Entra-se e se segue o outro no seu processo interior. É o que se chama de “empatia”. Para isso é importante aprender a perguntar com perguntas que abrem o campo, aprender a refletir o que vemos e entendemos, aprender e partilhar alguns comentários que brotam de nossa profundeza. 3) Capacidade para conter e acolher o conteúdo emocional que o acompanhado traz: aflições, anseios, raivas, desencantos, entusiasmos. Às vezes é necessário pôr limites à descarga emocional para que se possa compreender de maneira nova vivências intensas. 4) Capacidade para crer nas próprias intenções. É crer que o Espírito Santo trabalha, também, o coração do acompanhante e suscita nele intuições e formas de ler o que o acompanhado está vivendo que, ao partilhá-las, o constituem recurso e testemunha da obra de Deus. Às vezes são perguntas, comentários, imagens ou vem à memória textos bíblicos que iluminam a realidade e que tem sua origem em nossa profundidade. 5) Capacidade de ser paciente e saber esperar. “Os meus tempos não são os tempos do outro”. Requer-se respeitar a liberdade do outro para que percorra os caminhos no ritmo que pode e quer fazê-lo. É necessário aprender a guardar silêncio e a estar confuso. Isso custa muito já que quereríamos dirigir e controlar os distintos momentos de nossa própria vida e da vida dos demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c)  Aprender a ser livre de si mesmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve-se decidir ir além de minhas preocupações, de meus temos, de meus apuros. Eles me tiram força e presença. Se conto com 45 minutos para um acompanhado, é necessário que esteja completamnte para eles.Não posso estar pensando no que vou fazer logo depois ou refletir sobre o que vivi anteriormente. Uma das liberdades importantes que devemos ter é o da nossa curiosidade. Ela faz centrar-nos em nós mesmos, já que as intervenções que fazemos estão a serviço de nosso interesse próprio. Buscamos comparar com o que somos ou temos vivido, queremos saber como o outro viveu ou se defrontou com algumas dificuldades que nós também tivemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;d)  Cuidar para ter uma visão global&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acompanhado traz um problema, uma pergunta, uma experiência espiritual. Uma tentação do acompanhante é permanecer neste ponto, sem formar uma idéia mais completa de tudo que a pessoa está vivendo simultaneamente, de maneira a poder contextualizar a pergunta, o problema, etc. Não podemos ficar em aspectos parciais da vivência de uma pessoa. Temos obrigação e direito de situar-nos. Às vezes, por timidez, o acompanhado vai colocando detalhes, deixando de lado o que realmente o preocupa, e no final não sobra tempo para o importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V. O ACOMPANHADO, UM FILHO, UM CAMINHANTE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acompanhado é um irmão nosso que busca ser ajudado por nós para viver mais e melhor sua vocação cristã. Busca seguir a Cristo mais estritamente e para isso tem que aprender a percorrer o caminho das Bem-Aventuranças, a viver o preceito da caridade e chegar à Paixão, expressão mais forte de um amor gratuito. Trata-se de acompanhá-lo em seus desejos de ser verdadeiro e livre diante de Deus, para estar disponível às moções do Espírito e pronto para o serviço do Reino. Para assegurar o processo, é necessário estabelecer algumas condições ao partir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a)  É necessário explicitar a motivação que o faz pedir ajuda. Ao longo do acompanhamento é necessário ir perguntando: que buscas?, de forma que vá formulando seu desejo mais profundo. Amiúde busca-se ser acompanhado em dificuldades momentâneas ou em problemas afetivos, mas, lentamente, é necessário dar passos para que este homem ou esta mulher aprenda a pôr-se diante de Deus, vulnerável, nu, plenamente humano, para assim poder ser seduzido pelo amor de Deus. Enquanto o acompanhado se  mantém na defensiva, controlando sua vida, poderá conversar, meditar, trabalhar os mistérios da vida de Cristo, mas sem ter sido tocado profundamente por Ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b)  É necessário pôr-se na situação do acompanhado. Permitir que o outro seja testemunha de minha vida para que eu possa pssar do entrevisto e do desejado para o vivido e o real. Pedir ser acompanhado é permitir que o acompanhante conheça minhas alegrias e meus entraves para viver, minhas buscas, meus temores e resistências ao amor de Deus. A muitos, este entrar na intimidade, os assusta. Custa-lhes que o conheçam em sua beleza, em sua delicadez, em sua experiência de Deus já que se fazem vulneráveis à visão e ao reconhecimento do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c)  As confusões do acompanhado resultam, amiudadamente, do medo de entrar em si, de não saber ir mais fundo e encontrar a raiz de seus atos, de seus medos e dores. O acompanhado vem para que o acompanhante o ajude a “entrar em si”, como o filho pródigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;d)  Requer-se que o acompanhado prepare sua reunião com o acompanhante. Rezar por ele e pelo acompanhante para poder fazer uma experiência religiosa verdadeira; escolher aquilo em que necessita ser acompanhado e - se pode - preparar algumas notas por escrito. Isso exige rigor e tempo (O que consegui nesta área? O que me preocupa atualmente? O que quero viver? Que obstáculos encontro?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e)  É fundamental que o acompanhado se disponha a partilhar o próprio com verdade e a acolher o que o acompanhante propõe. Isso se reconhece não somente nas palavras mas na linguagem não-verbal: olhos, ombros, rosto; na fluidez do relato, na força emocional usada ou retida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;f)  Algumas áreas que, ao longo do processo de acompanhamento, não podem faltar: vida de oração, vida comunitária, vida apostólica, vida sacramental, estudos, família, afetividade e sexualidade, projeto pessoal, absoluto de Deus, manejo do dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;g)  É necessário que o acompanhado possa chegar, ao longo do processo de acompanhamento:  a decifrar sua história o sentido dela como uma história de salvação; a aceitar viver com seu corpo, suas possibilidades e limites (realidade familiar, eclesial, trabalhista e social); a reconhecer as motivações de seus atos, distintas das que ele cria; a estar disponível para servir a Igreja onde o Espírito sugerir e a Igreja necessitar. Quando se aceita a verdade de si mesmo e o amor inesgotável de Deus, começa-se a ser livre com os outros e livre para Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;h)  O acompanhado tem que assumir três vocações fundamentais: a vocação à vida, a vocação à fé e a vocação à transcendência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;i)  Ajuda o desenvolvimento espiritual do acompanhado o fato de ele avaliar tanto as reuniões como o caminho percorrido ao longo do tempo. Que luzes recebi? Que ações quero e posso realizar? Estou em paz com o encontro? Pde ajudar, também, o texto de Gálatas 5,22-23. Como se desenvolveu em mim a caridade, a alegria, a fé, a mansidão, a temperança?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VI. ALGUMAS NOTAS COMPLEMENTARES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a)  Duração das sessões. É recomendável que as sessões não demorem mais de uma hora. O verdadeiro sempre é curto e intenso. As sessões mais longas são cansativas e tendem a transformar-se num encontro social.&lt;br /&gt;b)  Periodicidade das sessões. Não há normas, mas a multiplicação de encontros pode chegar a produzir dependência. Um tempo adequado é cada três semanas ou uma vez por mês.&lt;br /&gt;c)  É necessário estar atento, no processo de acompanhamento, às relações de dependência mútua, ao voluntarismo espiritual que consiste em pôr o esforço pessoal em primeiro lugar, ao sobrenaturalismo que consiste em pensar que tudo é graça e espontaneidade, à vaguidade e à teoria, ficando-se em generalidades, à simplificação e à busca de receitas, ao perfeccionismo que é uma forma de insegurança que enrijece, aos escrúpulos e culpabilidades enfermas que são formas de obsessão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acompanhamento é a arte das artes, escola de liberdade para os que buscam com ansiedade o Senhor e querem servir aos homens como merecem ser servidos. Santo Agostinho empresta-nos suas palavras para explicar, finalmente, o resultado de um processo pedagógico de acompanhamento: “Tarde te amei, formosura tão antiga e tão nova, tarde te amei. Tu estavas dentro de mim e eu fora, e - assim por fora - te buscava. Disforme como era,  lançava-me sobre as coisas formosas que tu criaste. Tu estavas comigo e eu não estava contigo. Chamaste-me e gritaste até quebrar minha surdez, brilhaste e resplandeceste e curaste minha cegueira, exalaste teu perfume, aspirei-o e agora te desejo, gostei de ti e agora sinto fome e sede de ti, me tocaste e desejei ansiosamente a paz que procede de ti”.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;Pe. Alvaro González&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-3250698445610331377?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/3250698445610331377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=3250698445610331377&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/3250698445610331377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/3250698445610331377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2010/08/arte-de-acompanhar.html' title='A ARTE DE ACOMPANHAR'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-3554135601452555247</id><published>2010-08-27T08:42:00.003-03:00</published><updated>2010-08-27T08:45:24.513-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos Hilário Dick'/><title type='text'>CARACTERÍSTICAS IMPORTANTES DA PEDAGOGIA DE JESUS PARA UMA EVANGELIZAÇÃO DA JUVENTUDE</title><content type='html'>1. A Evangelização da Juventude, assim como Jesus, assume a defesa do protagonismo juvenil, assumindo a personalização como elemento-chave para a afirmação do jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jovem ser protagonista significa dizer que estamos frente a um jovem (ou desejamos estar frente a um jovem) que luta para ser sujeito de sua identidade e de sua organização, como pessoa e como grupo. Na vivência do protagonismo, o jovem é respeitado na descoberta de si mesmo tomando contato, primeiramente, com o mais próximo de si: ele mesmo. O jovem é alguém que busca sua identidade. É claro que para afirmar essa “identidade” vai negar submissões. Podemos até dizer que pode ser teológico negar leis, autoridades e dominações. Qualquer relação que leva à dependência ou defende a dependência, é uma relação infantil. Descobrir a identidade não é só descobrir a si mesmo; é, também, descobrir o outro, naquilo que é e deveria ser. Estamos frente a uma Teologia da saída de um mundo de dependência para um mundo de identidade. De um mundo fechado sobre si para abrir-se às relações, sem perder sua identidade. Assim como o Êxodo, a juventude é uma epopéia da busca e da conquista. O jovem que não sai de si (do Egito) e não busca mover-se nas relações, é alguém que está marcado a não encontrar-se no protagonismo para o qual foi feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os exemplos na vida de Jesus podem ser encontrados em Marcos 5,21-43 que nos conta como o chefe da sinagoga vai pedindo a Jesus que venha curar sua “filhinha” doente; em Marcos 9, 14-29 onde se encontra a história do menino epiléptico ou em Lucas (7, 11-17), narrando-nos a história do filho único da viúva. Nestes momentos, como em outros, o que Jesus vai repetindo sempre é “Menino, menina, levanta-te”... Seja tu mesmo/a.  Saia deste mundo dependente. Seja tu mesmo/a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseqüências desta característica: a) a busca de uma boa organização; b) a importância de trabalharmos bem a personalização, isto é, ajudar o jovem a que se ame e que tenha uma forte auto-estima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. A Evangelização da Juventude, assim como Jesus foi e é amigo, assume a socialização como parte de sua pedagogia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A Evangelização da Juventude – melhor, a comunidade juvenil, é e deveria ser o lugar da felicidade do jovem. Os que tiveram esta experiência na vivência eclesial não se esquecem, jamais, que foi no grupo que tiveram um encontro divino com a felicidade. Jesus, na sua permanência na história, também trabalhou com uma pequena comunidade. Os discípulos, os apóstolos... Jesus assume em sua pedagogia, a defesa da socialização. O jovem é alguém que aprende a ser amigo como jovem e não como criança. Intui em sua intimidade que todos, no mundo, deveriam ser amigos e que a inimizade não tem lógica no mundo que vai aprendendo a viver.. A amizade é uma descoberta radical, nascida do cotidiano. O jovem tem medo da solidão. E como sofre por sentir-se traído! Quando queremos dizer uma coisa muito boa de alguém dizemos que “ele é nosso amigo”.... A amizade é a vivência mais terna de sairmos de nós mesmos e deixar que o outro penetre em nossos poros. Vive-se a amizade não para tirar proveito. A amizade coloca-se na geografia do gratuito. A amizade é anterior, inclusive, ao sexo. A vivência de uma amizade é algo prazeroso, que não tem palavras. Damo-nos conta que Deus faz que a descoberta do outro seja agradável, apaixonante e gratuita. Aí surge a poesia, o romantismo, a vontade de “ficar”, as ganas de olhar nos olhos do outro/a e namorar. O jovem, à semelhança de Deus, é um enamorado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Por isso Jesus ama as pessoas como elas são. Ama a todos e todas. Inclusive os ricos com os quais não deixa de ser sincero e duro. Em todas e todos é capaz de ver que podem ser mais e melhores. Até para Judas, que o traiu, ele diz: “Amigo, a que vieste?” (Mateus, 26,50).  Jesus, mais adiante, vai dizer em tom de despedida: “Já  não os chamo de servos, mas de amigos...” (João 15,15). Que coisa linda ver Jesus chorando a morte de seu amigo Lázaro. E todos diziam: “Vejam como ele o amava...”(João, 11,36)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Conseqüências desta característica: a) a socialização e o clima de amizade no grupo e na comunidade; b) a importância do grupo; c) a descoberta dos outros no que são; d) o papel fundamental da revisão de vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Para Jesus e, por isso, para a Evangelização da Juventude, e para  jovem, a vida é uma festa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O jovem encarna a juventude da Igreja no mundo. Para o jovem a vida é uma festa. Tudo é festa. A festa é encontro, é prazer, é sentido. A festa é memória. Onde há juventude há alegria e celebração. Por isso a Pastoral da Juventude é a pastoral da alegria. Os jovens são os celebrantes do mundo... Por vocação e por biologia... Onde Jesus fez seu primeiro milagre? Nas bodas de Caná da Galiléia, por intervenção de sua mãe. Na festa de um casamento, fazendo que a celebração não fosse somente de água, sem sentido, mas de vinho, carregada de alegria. Por que Jesus era tão romântico e tão poeta frente à natureza? Porque para Ele a criação e a sociedade humana foram criadas para serem festa. Uma festa supõe três elementos:  a valorização de determinados acontecimentos, a expressão significativa e a inter-comunhão solidária. Não há festa se o evento é uma manifestação do vazio, quando o evento quer ser a afirmação de poder, e quando a festa não é gratuita, com aspectos de “circo” de apresentação ou instrumento com outros interesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida para o jovem é festa porque vive a explosão sexual e afetiva. Esta é um “kairós”, um momento decisivo como graça de Deus. Descobrir a vida, a beleza de uma paisagem é uma alegria enorme. Descobrir-se jovem, sexuado, capaz de ser vida não poderia deixar de ser uma festa. Jesus foi acusado de participar nas ceias e nos banquetes de amigos, foi acusado porque era amigo de Marta, Maria e Lázaro. Jesus celebrou sua despedida numa ceia. Temos um coração eucarístico porque sabemos que a melhor festa é a que é gratuita e plena. A ceia do Senhor... A festa da Vida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseqüências desta característica: a) uma Evangelização da Juventude criativa e alegre; b) uma Evangelização da Juventude eucarística e celebrativa; c) uma Evangelização da Juventude capaz de celebrar todas as realidades, também o estudo, também o trabalho, também a idade que vivemos, também a natureza na qual trabalhamos, tudo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Jesus agiu e viveu a causa do Reino com um pequeno grupo e, por isso, para a Evangelização da Juventude o grupo é a proposta central da proposta evangelizadora.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não podemos negar que Jesus foi essencialmente comunitário. Jesus acreditou no coletivo. O Reino que pregou é uma comunidade. Não realizou sua missão isoladamente. Desde o início de sua vida pública enviou os discípulos para diversas cidades e aldeias. Foi aos discípulos que Ele explicava as parábolas. Foi com poucos que Ele subiu o Tabor. Jesus é e foi comunitário. Aprendemos dEle que o grupo é uma necessidade biológica, psicológica e teológica. O jovem, como qualquer pessoa, tem uma necessidade violenta do grupo, de viver em grupo. Somos felizes no grupo. A noite é a grande acolhedora do espírito grupal do jovem. Qualquer cidade tem lugares onde os jovens se encontram. Dizemos nós que é para namorar, para fumar maconha... Porém, esta é a parte mesquinha de uma realidade que devemos aprender a ver e a aprofundar. O jovem quer uma Igreja que seja comunidade, que planeje sua ação, que faça assembléias e congressos... A pastoral se torna e deve tornar-se construtora de comunidades. “Ide pelo mundo.... Construam todas as comunidades possíveis.... Sejam organizados e políticos”. Deus não nos quer desorganizados. Deus não quer ver-nos como uma “massa”. Deus quer ver-nos como povo. Ao jovem agrada-lhe viajar, conhecer outros mundos; agrada-lhe escrever e receber cartas de regiões distantes. O jovem sonha conhecer o mundo que lhe pertence. Não lhe agradam as fronteiras, nem a religião. Ele é essencialmente ecumênico, perdoando facilmente. Não olha se é bonito ou fio. Não existem barreiras. O jovem é comunitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Conseqüências desta característica: a) O grupo. O grupo tem objetivos e planejamento; b) superar o espontaneísmo; c) a Evangelização da Juventude tem sentido se tem grupos que se encontram; d) é fundamental que os grupos estejam inseridos em suas realidades, envolvendo-se nos organismos intermediários da sociedade civil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5. A Evangelização da Juventude e o jovem sonham com a fidelidade porque, assim como Jesus, assim como Deus, é fiel.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A fidelidade que somos convidados a viver, neste momento, no Brasil e na América Latina, é a fidelidade à proposta pedagógica e teológica que descobrimos e sistematizamos. É muito mais que uma obediência a uma lei. Trata-se de uma proposta de felicidade, assumida de verdade em nossas vidas de pessoas, de grupos e de pastoral. Trata-se de uma fidelidade a uma causa. Assim como Jesus não se cansava de dizer que seu alimento era fazer a vontade do Pai não devemos cansar-nos de dizer, como Pastoral da Juventude, que queremos ser fiéis, que queremos viver a aliança  que Deus fez com o jovem e que isso supõe compromisso e coerência.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E por que a fidelidade é importante? O outro não é um joguete nem um objeto que se usa e se tira fora. A fidelidade é sagrada. O jovem intui que o grupo, a família, a nação e a paz não são possíveis se não houver fidelidade. A corrupção nos enoja porque é uma infidelidade. O jovem pode, até discordar de aspectos secundários porém dobrar-se-á ante a sinceridade transparente de uma pessoa. O que Deus e Jesus e a Pastoral da Juventude abominam é a hipocrisia. Os discursos mais violentos de Jesus são contra a falsidade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Conseqüências desta característica: a) a proposta não é uma mercadoria; ela é uma causa. A Evangelização da Juventude perde a confiança e o respeito na medida em que desconhece sua proposta; b) a Evangelização da Juventude existe para ajudar o jovem a construir seu projeto de vida. A grande pergunta que todo jovem se faz é: “Que queres, Senhor, que eu faça? Onde está o país de minha felicidade?” c) É preciso que o grupo seja exigente. O grupo não é uma brincadeira; é o ninho da felicidade juvenil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Assim como para Jesus, toca à Evangelização da Juventude descobrir e desvelar a missão, inclusive a missão de ser profeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus, filho de Deus, Verbo encarnado, teve que descobrir sua identidade e sua forma de exercer a missão que lhe tocava. Por isso, ao iniciar sua vida pública, passa um tempo no deserto; por isso, para que fosse sempre coerente ao projetor libertador de felicidade da humanidade, nos grandes momentos de decisão e de dúvida se retirava para o monte para rezar... Nós rezamos para descobrir por onde anda a nossa felicidade... Nós rezamos porque queremos descobrir o caminho. O jovem necessita ser orante porque para ele tudo é novidade. Como ser filho? O que é uma autoridade? O que é namorar? O que é ser corpo? Por isso é preciso rezar. Como é a sociedade na qual vivemos? Por isso é preciso ler jornais, fazer análises de conjuntura. O que é ser cidadão? Jesus passou 30 anos observando a sociedade e passava noites inteiras em oração... O cidadão, o construtor de comunidades, o celebrante do mundo, o profeta da causa dos excluídos não nasce por acaso. O jovem é um “joão ninguém” que deve aprender a afirmar-se às custas de seus próprios descobrimentos. Um bom assessor, assim como um bom pai, é aquele que sabe ajudar nesse processo de autonomia progressiva. Diríamos, até, que o Deus da juventude é o Espírito Santo. Ele, além de ser paixão, dinamismo e afeto, faz ver, desvela e manifesta. Assim como estamos entrando na “era do Espírito” vamos entrando, também, na “era da juventude”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseqüências desta característica: a) Urge uma Evangelização da Juventude criativa e mística, uma Evangelização que seja capaz de ler os sinais dos tempos e de inspirar-se, sempre mais, na Fonte da Vida, que é Deus, que é o Evangelho; b) Urgem momentos em que façamos com muita seriedade análises de conjuntura; c) Urge uma Evangelização da Juventude sempre mais próxima da Bíblia e da oração. Caso contrário, não seremos os profetas que o mundo precisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. Assim como Jesus ensina e vive a doação, assim a Evangelização da Juventude do momento atual tem ânsias por uma organização capaz de generosa e gratuita doação.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Jesus de Nazaré foi claro: “Se o grão de trigo não morre, não produz frutos”... “Se pões a mão nalgum compromisso e olhas para trás para ver ao que renunciaste, não és digno do Reino...” “Se não fores capaz de deixar a mãe, tuas pequenas coisas por amor à causa esquece-te e volta à infelicidade que escolheste...” Na noite da Ceia Jesus lavou os pés dos discípulos dizendo-lhes em palavras e atitudes que o que dá vida ao mundo é o espírito de serviço. Jesus não guarda nada para si. “Tomai e comei! Isto é meu corpo... Eu dou minha vida pelo mundo e a dou porque assim o quero”. Amou até o fim.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Assim é o jovem. Em cada corpo juvenil tem morada especial a Eucaristia, a generosidade, o idealismo. Uma Evangelização da Juventude sem Eucaristia não consegue sonhar nem a curto nem a longo prazo. Uma Evangelização da Juventude sem Eucaristia perde seu espírito solidário e seria melhor que não existisse. Aprendemos isso de Jesus. O Caminho é Ele. A Civilização do Amor se alimenta da Eucaristia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-3554135601452555247?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/3554135601452555247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=3554135601452555247&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/3554135601452555247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/3554135601452555247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2010/08/caracteristicas-importantes-da.html' title='CARACTERÍSTICAS IMPORTANTES DA PEDAGOGIA DE JESUS PARA UMA EVANGELIZAÇÃO DA JUVENTUDE'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-136299467720603257</id><published>2010-08-26T09:32:00.002-03:00</published><updated>2010-08-27T08:53:08.114-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos Hilário Dick'/><title type='text'>Ciclo de debate sobre Juventudes e Políticas Públicas</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Q7PHqoPDJrg/THZf1D0CWhI/AAAAAAAAACI/rgJq2fu-Ih4/s1600/ciclo_de_debates%5B1%5D.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Q7PHqoPDJrg/THZf1D0CWhI/AAAAAAAAACI/rgJq2fu-Ih4/s200/ciclo_de_debates%5B1%5D.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509696559295650322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos anos a temática da Juventude tem produzido estudos, debates e produções. Sempre temos uma opinião sobre o assunto. Como afirma Groppo (2000) “juventude tornar-se, ao mesmo tempo, uma representação sociocultural e uma situação social”. Faz-se pertinente considerar a sua existência na realidade e no cotidiano, com seus diversos grupos sociais e sua pluralidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os estudos, as problematizações e a busca de respostas para as questões juvenis, no mundo contemporâneo, contribui na formulação de políticas públicas para juventude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós da Trilha Cidadã queremos convidar você a juntar-se com a gente e construir debate sobre: Juventudes e Políticas Públicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardamos cada um e cada uma com um bom chimarrão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atenciosamente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fabiane Asquidamini&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-136299467720603257?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/136299467720603257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=136299467720603257&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/136299467720603257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/136299467720603257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2010/08/ciclo-de-debate-sobre-juventudes-e.html' title='Ciclo de debate sobre Juventudes e Políticas Públicas'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Q7PHqoPDJrg/THZf1D0CWhI/AAAAAAAAACI/rgJq2fu-Ih4/s72-c/ciclo_de_debates%5B1%5D.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-5311701180028865925</id><published>2010-08-18T08:49:00.001-03:00</published><updated>2010-08-27T08:53:08.114-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos Hilário Dick'/><title type='text'>QUEM ÉS, JESUS DE NAZARÉ?</title><content type='html'>&lt;strong&gt;1. Resumo de sua vida&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi no tempo de Tibério, imperador romano do 1º século de nossa era. Num lar insignificante do Império (Palestina) fez irrupção, na vida pública, um artesão sem importância. Durante toda a sua vida tinha sido um trabalhador e continuou com este mesmo aspecto nos poucos dias que ainda viveu. Semeou uma grande inquietude religiosa em todo o âmbito social do país, com palavras e com uma vida cheia de amor. “Quem é este homem?” perguntavam-se uns aos outros (Mc 4,41). As autoridades religiosas do país, no entanto, unidas à força dos ocupantes romanos, levaram-no à morte. A morte, no entanto, não foi o fim de sua história. Os discípulos começaram a falar dele e empenhavam-se em dizer que ele estava vivo. Mais do que isso: diziam que estava no meio deles. Que ele era o centro da vida de todos os homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais estranho, contudo, não foi que começassem a falar. O mais estranho foi que davam a sua vida pelo que pregavam. Melhor, por aquele que pregavam. Refletiam, sem suas vidas, da melhor forma possível, a vida do homem que seguiam. Isso ia ajuntando muita gente, não só judia, mas de todas as partes do Império. Geralmente eram pessoas simples nas quais se davam transformações que não deixavam de chamar a atenção. A vida daqueles homens e mulheres era uma continuação da vida do seu Mestre. Afirmavam que não se tratava somente de uma imitação, mas que Ele vivia e se reproduzia neles. Daí em diante o mundo não pôde mais prescindir daquele homem. Ou se era a favor ou contra... É um personagem com o qual se deve contar. Os cristãos diziam que a passagem daquele homem foi o momento decisivo na história da humanidade e que o segue sendo hoje porque Ele está vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum homem, nenhum fundador de religião teve semelhante pretensão. Nós, os que nos dizemos seguidores seus, devemos voltar constantemente para Ele. Recordemos, pois, alguns dados fundamentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. Contexto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a)  Jesus nasceu num povo teocrático, que se formou e vive da esperança do Messias, o Salvador. Socialmente é um povo de agricultores, pastores e artesãos. É um povo fortemente nacionalista. Conserva seu caráter judeu, mesmo em meio aos sofrimentos da diáspora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b)  No momento em que Jesus aparece, o país constitui uma espécie de colônia romana. A ocupação é, em geral, inimiga. Contentam-se em cobrar o tributo, respeitando a identidade religiosa dos israelitas. O povo, contudo, não aceita estas condições e odeia os ocupantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c)  Desde sempre, no povo de Israel, o religioso e o político estão unidos. Naquele momento (no tempo de Jesus) o país estava cheio de uma multidão de seitas, partidos e grupos de caráter político-religioso. Os saduceus constituíam o grupo aristocrático e rico do país (inclusive os sacerdotes). Os proprietários rurais estavam aí. Ocupavam os altos postos da administração judaica. Os fariseus eram os estritos cumpridores da lei, mas viviam uma moral formalista e legalista. Evitavam a todo custo as impurezas legais. Por sua fidelidade externa consideravam-se superiores e desprezavam os demais. Fixavam-se em seus méritos pessoais para obter a salvação. Os escribas eram os entendidos na lei. A maioria dos fariseus eram escribas ou doutores que se dedicavam à aplicação da lei nas sinagogas. Uns e outros eram ferozmente nacionalistas. Com relação aos ocupantes, no entanto, tomavam uma postura de gente educada. Eram conservadores. Era lógico, por isso, que, neste panorama, as esperanças messiânicas se centralizassem no político e no religioso. O Messias castigará os outros povos, pondo-os sob o poder de Israel. Como inimigos, terão destruídos seus ídolos .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;d)  Todo o contexto ambiental do Evangelho se apresenta cheio de uma vida típica do Oriente. Jesus aparece no meio deste mundo concreto e todos estranham a sua pessoa, as suas palavras e as suas ações. A vida de Jesus apresenta-se neste contexto, de uma intensidade especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3. Os dados fundamentais da atuação de Jesus e de sua personalidade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3.1  Porte exterior e estilo de vida&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus se apresenta como um “qualquer” de seus conterrâneos (Fl 2,7). Foi muito mais identificado com os de sua idade e região do que João Batista. Deve-se, por isso, pensar no seu porte simples e atraente considerando a exclamação de uma mulher no meio da multidão (Lc 11,27). Ao julgar pelos dados do Evangelho, devia ser robusto. As pessoas o procuravam tanto que não o deixavam comer (Mc 6,31). As discussões com os fariseus eram compridas (Jo 8,1s). Tinha a capacidade de estar em qualquer lugar, de dia ou de noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após um período completamente oculto, sua vida se parece à vida do profeta, missionário itinerante, que vai de cidade em cidade. Anda errante pelos lugares de seu país, às vezes sem ter nem onde dormir, como Ele mesmo dirá (Mt 8,20). Tem, sim, amigos que o acolhem em sua casa. Acode a eles de vez em quando. Tem, também, pessoas que o atendem materialmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus é um homem do povo, embora seja profeta e mais do que profeta. Já desde sua origem nasce numa pobreza extrema. Jesus nasce inserido num mundo pobre e nele se educa. Nunca desertará de tal condição. Operário, em seus anos de Nazaré, mantém-se, por toda a vida, num contexto sociológico popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior parte das vezes caminha rodeado de grande número de pessoas, quase todas pobres, enfermas, pecadoras, gente esquiva e desprezada pela sociedade. Jesus sente-se à vontade na companhia delas. Não foge do trato com eles. É um homem do povo, de todos e para todos (Lc 12,1). Não é, pois, um personagem lendário. É amigo da natureza. Suas comparações são quadros vivos, tomados da realidade (Mt 6,25s). Sua aparição em público produz o impacto de uma inesperada irrupção. Os próprios parentes se envergonham dele e afirmam que perdeu o juízo (Mc 3,21). O povo, contudo, segue-O com entusiasmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3.2  Condição de Mestre e Profeta&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estilo de vida de Cristo assemelha-se ao “Mestre”. Os “mestres” explicavam as Escrituras, os livros sagrados do povo de Israel. Ele também se serve, algumas vezes, das Escrituras como ponto de partida de suas explicações. Fala, porém, desde dentro, isto é, a partir do interior de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um “profeta”. Os profetas anunciam o Reino de Deus por parte de Javé. Interpretam (encontram o sentido profundo) os fatos da história. Jesus é como eles, porém mais do que eles. Não precisava garantir sua missão dizendo “assim fala Javé”. Fala como quem tem autoridade e se coloca acima do próprio Moisés, de Abraão e, até, por cima da lei como tal. “Ouvistes o que foi dito aos antepassados: não matarás e aquele que matar será réu ante o tribunal. Pois bem: EU vos digo...” (Mt 5,21).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua forma de falar é um dos aspectos que mais chama a atenção desde o primeiro momento. Ao chegar em  Cafarnaum, entrou na sinagoga e se pôs a ensinar e ficaram admirados de sua doutrina porque ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas (Mt 7, 28-29). Merece destacar-se o realismo de sua linguagem, próprias de um homem do povo. Fala do padeiro que remexe a massa; da mulher que não pára de varrer até encontrar a moeda perdida. Sua forma de falar é simples e pitoresca. Entende-o o mais rude camponês que o escuta. “Ninguém acende uma luz para po-la debaixo da mesa. Pois bem, vós sois a luz do mundo (Mt 5,13-16). “Não se pode pôr um vinho novo em odres velhos” (Mc 2,22).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É hábil, na sua simplicidade, para resolver as dificuldades. Basta recordar a pergunta sobre o tributo a César (Lc 20,20-26). Além de toda a sutileza, Ele foi claro, direto e simples. Soube falar sem enfeites e suas terríveis diatribes e recomendou a clareza, a simplicidade e a sinceridade. O que mais chama a atenção, em sua linguagem, é a energia e a penetração. Geralmente usa sentenças breves. Resume, numa pequena frase, o ensinamento da parábola. Muitas vezes estas sentenças são de conteúdo evidente e, até, desconcertante. São sentenças profundas e exigentes. “Não vim trazer a paz mas a espada” (Mt 10,34). “Não vim chamar os justos, mas os pecadores” (Mt 9,13). É um linguajar ardente e poderoso. Não podemos, contudo, deixar de destacar a sua ternura, a sua poesia e a profundidade de seus discursos mais compridos. Basta evocar o Sermão da Montanha (Mt 5,1-7,27) ou a parábola do filho pródigo (Lc 15,11-32). Não é de estranhar que os guardas, encarregados de prendê-lo, voltem com as mãos vazias e se desculpem dizendo: “Nunca um homem falou como este”(Jo 7,46).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4. O mundo interior de Jesus&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4.1  Liberdade absoluta&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus é um homem livre diante de todos e sobre todos. É livre frente às pessoas e livre frente às instituições e costumes de seu tempo. É livre diante de si mesmo. É o primeiro aspecto que chama a atenção quando se lança um olhar atento à sua vida e ao seu modo de agir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A autoridade que sai de sua pessoa, sua decisão no cumprimento de sua tarefa, sua firmeza, sua atitude crítica frente a todo tipo de injustiça e de mal, tudo isso nos revela um interior soberanamente livre, dono de si. Seu linguajar cheio de autoridade saberá ir além das tradições e das preocupações dos chefes religiosos do povo. Essa liberdade manifesta-se, igualmente, perante sua mãe e seus parentes: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?” (Mt 12, 48).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus é um homem livre ante as riquezas. Não as despreza, porém toma cuidado. Sabe que podem ser um risco, impedindo o Reino de Deus que está no mais pessoal do homem. Exigirá de seus discípulos a superação de toda preocupação pelo dinheiro. Quer pobreza, de fato (Mt 5,3; Mt 6,19-21; Lc 12,22-34; Mt 6,24s; Lc 9,59).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus é um homem livre ante a autoridade. Acata a autoridade, em princípio, porém sem os típicos servilismos daquele tempo e de todos os tempos. Ante os governantes conserva a consciência própria de sua dignidade. Ante Herodes, que tinha curiosidade em conhecê-lo, Jesus mantém uma atitude digna, inclusive de despeito. Em outra ocasião Jesus havia chamado a Herodes de raposa (Lc 13,32). Frente às autoridades religiosas Jesus mostra-se igualmente livre e as enfrenta na sua hipocrisia na interpretação da lei e na imposição de cargas pesadas ao povo (Mt 23, 1s).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus é um homem livre ante a lei religiosa e civil de seu povo. Cumpre-a, porém, superando-a e pondo, por cima dela, o amor. É livre ante o jejum (Mc 2,18s); é livre ante o templo, centro da vida religiosa e política do povo; é livre ante a tradição de lavar as mãos para comer (uma lei quase sagrada...)(Mc 7,3; M 15,20).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma liberdade interior que o levará a passar por cima de sua própria vida. Não teme perdê-la. Supera o temor da morte e vai livremente ao encontro dela. Aceita a morte livremente quando descobre que tal é o seu caminho. João põe em sua boa estas palavras: “Ninguém me tira a vida; eu a dou voluntariamente” (Jo 10,18).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4.2  Consciência de sua missão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se algo parece claro em Jesus, é a consciência clara e consciente de que tem uma missão a realizar e sua decisão de levá-la até o fim. Sua postura crítica frente às autoridades, sua liberdade diante da lei, seu desprezo do dinheiro - tudo isso não é mais do que conseqüência da decisão com que vive sua missão. Frente a esta missão nada conta: nem o comer nem o dormir nem a moradia nem o desvio dos parentes que o tomam por louco. Uma das passagens mais duras do Evangelho é a reprimenda que deu a Pedro, querendo dissuadi-lo de subir a Jerusalém. “Afasta-te, Satanás! És para mim a tentação, o mal e a pedra de escândalo” (Mt 16,21-23).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio para anunciar e pôr em marcha o Reino de Deus. O tempo se cumpriu e o Reino de Deus está próximo. O Reino de Deus realiza-se pela justiça, através de perseguições. Quem for perseguido por causa do Reino é feliz e deve alegrar-se. O Reino de Deus é o prêmio dos pequenos. Devemos buscá-lo acima de tudo. É fruto da doação e do serviço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus toma consciência, progressivamente, que está chamado a ser o último, o servidor, o escravo. Interpreta toda a sua vida sob esta perspectiva. Vê sua morte como o coroamento de sua vida de serviço. É um serviço vivido no sofrimento das massas populares que são conduzidas por guias cegos, como Ele dizia (Mt 15,14), e oprimidas por prescrições impossíveis. Sente como feito a Ele todo bem e todo o mal feito aos fracos. “A mim o fizestes” (Mt 25,40). Não se trata de um sentimento vazio. Remedeia os males que pode; descobre ao homem suas misérias e trata de educá-lo. É um homem que liberta e cria um impulso novo de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4.3  Amor apaixonado à pessoa humana&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o motivo de seu trabalho, de sua liberdade e da consciência decidida de sua missão. Jesus é um homem próximo ao homem. Destacamo-lo como o fundo de seu ser e como a raiz de sua ação. A sua missão dirige-se aos homens e às mulheres; não é uma abstração. É uma chamada de serviço a todos e a cada um. É uma missão para os demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de tudo, é um homem pronto ao perdão. “Amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos perseguem” (Mt 5,44). “Já que Deus faz nascer o sol sobre bons e maus, também vós deveis amar a todos” (Mt 5,45). No entanto, acima destes ensinamentos Ele mesmo será o perdão vivo de quantos se aproximarem dele. Na cruz perdoará e desculpará os que O matam: “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, também, um coração carregado de compreensão e compaixão. Os evangelistas o dizem repetidamente: “Tinha compaixão do povo” (Mt 9,36) porque “eram como ovelhas sem pastor” (Mc 6,34). Seu amor faz-se próximo de todos, mas especialmente dos pequenos, dos pobres, dos fracos, dos oprimidos e dos marginalizados. Esta aproximação choca violentamente com as “pessoas de bem”. É contínuo motivo de escândalo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ama porque espera, e não só por altruísmo ou beneficência. De cada pessoa, do mais pobre, do mais miserável ou do mais explorador (Lc 19,2-10), Jesus espera uma mudança radical. Espera o imprevisível e o impossível. A cada pessoa que encontra o diz, de forma ou outra: “Tu podes dar muito mais de ti mesmo; tens de dá-lo...” Porque Jesus espera, também se torna violentamente crítico com os que estão instalados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus espera de Zaqueu e do jovem rico (Mt 19,16-26). Espera uma mudança radical da prostituta que se aproximou dele na casa de Simão, o fariseu, que pensava mal dele e dela (Lc 7,36-50). Jesus espera dos seus discípulos, lentos para entendê-lo e tardos para crerem. Espera da samaritana e da adúltera e do próprio Judas (Jo 18,4s). Em resumo, ama apaixonadamente a pessoa humana. Quando Jesus ama põe em jogo todo o seu ser, enérgico, inteiro e sem vacilações. Em cada passo e em cada situação. O amor leva-o às máximas delicadezas e aos maiores enfrentamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4.4  Fé no Pai&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não chegarmos até aqui não temos feito nem visto nada; não penetramos no fundo do ser de Jesus, por mais que tenhamos visto. Jesus é um homem que tem família. Ante seus contemporâneos aparece como “filho de José”, o carpinteiro (Lc 4,22) ou, então, como o filho de Maria. Ele, porém, fala de outro Pai e de outra Mãe. Continuamente nos está falando dEle. Quando pronuncia este nome fá-lo de maneira completamente particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É seu “Pai” ou, simplesmente, “o Pai” ou “o meu Pai”. “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”, dirá no momento supremo (Lc 23,46). Os escritores do Novo Testamento conservaram-nos na língua original o termo que Jesus empregava: “Abba”, termo equivalente ao que a criança usa para chamar seu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde pequeno os evangelistas no-Lo apresentam com esta obsessão: “Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?” (Lc 2,49). Esta obsessão seguí-lo-á por toda a vida. É uma atitude radical que faz pôr a vontade do Pai acima de tudo, literalmente. “Pai, se é possível, afaste de mim este cálice. Porém, que não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mt 26,39). É na vontade do Pai que mora a realização. Somos mais livres quanto mais colocarmos Deus em nossa vida. Somos nós mesmos quando formos o que Deus sonhou conosco. Se Deus não fosse Pai, isso seria tremendamente questionável; mas já que Deus é Pai abandonar-se nas mãos dEle torna-se a liberdade mais bonita que podemos imaginar. É o que Jesus fez. Ele foi tanto do Pai que deu a sua vida pelo mundo. Ele foi tanto do Pai que não poupou nada para si: “Tomem e comam! Isso é meu corpo dado por vocês.” “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelo outro”. A fé no Pai orientou toda a vida de Jesus e se quisermos pensar em seguimento, não há outro caminho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-5311701180028865925?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/5311701180028865925/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=5311701180028865925&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/5311701180028865925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/5311701180028865925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2010/08/quem-es-jesus-de-nazare.html' title='QUEM ÉS, JESUS DE NAZARÉ?'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-7612646968282154737</id><published>2010-08-02T19:40:00.000-03:00</published><updated>2010-08-27T08:53:08.115-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos Hilário Dick'/><title type='text'>POR ONDE NAVEGA A JUVENTUDE?</title><content type='html'>A diocese de Montenegro é a diocese mais nova do Rio Grande do Sul. Moram nela, formada por 32 municípios, cerca de 350 mil pessoas. Destas, cerca de 57 mil são jovens de 15 a 29 anos. Considerando as diferentes influências sociais, culturais, econômicas, por onde navegariam, religiosamente, estes 57 mil jovens? Essa é a pergunta que vai ser respondida por uma pesquisa que o Observatório Juvenil do Vale, da UNISINOS, está realizando na diocese de Montenegro, até o final de 2010. Aplicar-se-ão 550 questionários, distribuídos segundo a população juvenil dos municípios. Há aplicadores dos questionários nas cinco áreas pastorais: Montenegro, Salvador do Sul, Estrela, São Sebastião do Caí e Bom Princípio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saber por onde navega, religiosamente, a juventude desta diocese é interesse de todos: educadores, padres, pastores, pais e mães e os próprios jovens. Interessa a todos porque sonhamos, na região, com uma juventude sempre mais feliz e saberemos construir, juntos, esta felicidade, sabendo por onde andam as preocupações e os sonhos dos jovens porque a vivência do sagrado, mesmo para os que não são de religião, interessa a todos.&lt;br /&gt;Os pesquisadores que estão assumindo o levantamento e a leitura dos dados são o Prof. Hilário Dick, da UNISINOS, e o estudante de Ciências Sociais -  José Silon Ferreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PARA QUE PESQUISAR JUVENTUDE?&lt;br /&gt;Para fazermos um bom trabalho junto e com a juventude, nada mais importante que conhecer a realidade desta juventude. Isso vale para todos os espaços onde, de alguma forma, os jovens são objeto de atenção e carinho, como é a escola, as igrejas, as comunidades e os movimentos sociais de todos os tipos, de modo especial os que estão envolvidos com movimentos juvenis, de igrejas ou não. Uma sociedade que gosta de si mesma caracteriza-se pelo encanto e pelo cuidado que tem com a juventude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso é bem-vinda, certamente, uma pesquisa que o Observatório Juvenil do Vale, da UNISINOS, está realizando nos 32 municípios que formam a diocese de Montenegro, envolvendo cidades de maior porte como Montenegro, Estrela, Portão, Teutônia, Taquari e Triunfo, como todos os outros municípios, não menos importantes, mas com menos habitantes. Trata-se, desta vez, de perceber por onde anda, religiosamente, o segmento juvenil (15 a 29 anos) desta região, em suas diferentes realidades, igualmente culturais. Serão entrevistados/as cerca de 550 jovens, distribuídos em todas as municipalidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realização da pesquisa conta com o apoio decidido dos responsáveis pela diocese de Montenegro bem como com a alegre colaboração de diversas lideranças juvenis provindas de diversos municípios da região. Os encarregados do levantamento e da leitura dos dados, está sob a responsabilidade do Prof. Hilário Dick, reconhecido pesquisador da realidade juvenil, e do universitário de Ciências Sociais, da UNISINOS, José Silon Ferreira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-7612646968282154737?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/7612646968282154737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=7612646968282154737&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/7612646968282154737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/7612646968282154737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2010/08/por-onde-navega-juventude.html' title='POR ONDE NAVEGA A JUVENTUDE?'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-8146536373631944046</id><published>2010-06-19T23:12:00.000-03:00</published><updated>2010-08-27T08:53:08.116-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos Hilário Dick'/><title type='text'>Pesquisa revela que 90% dos jovens sofrem ou praticam violência nos relacionamentos</title><content type='html'>A violência entre casais no Brasil está mais precoce, menos unidirecional e assume também, nos dias atuais, um caráter mais virtual. Pesquisa recente, realizada pela Fundação Oswaldo Cruz em 10 capitais de todas as regiões do país, revelou que nove em cada 10 jovens na faixa etária entre 15 e 19 anos sofrem ou praticam variadas formas de violência – dentre as quais a exposição de fotos íntimas na internet como forma de humilhação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A notícia é da Revista Fórum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dados coletados com 3,2 mil adolescentes expõem um elemento que se choca com o senso comum de que os homens são, geralmente, os agressores. Agressões verbais, como provocações, cenas de ciúmes e tom hostil, e investidas sexuais – como forçar o beijo ou tocar sexualmente o parceiro sem que este queira – fazem parte do arsenal de violência utilizado por ambos os sexos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pesquisadora do Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli (Claves/Fiocruz) Kathie Njaine, que coordenou a pesquisa “Violência entre namorados adolescentes: um estudo em dez capitais brasileiras”, destaca que o panorama deve ser refletido a partir de múltiplas causas. “A violência pode vir da família, da comunidade em que o jovem vive e da escola”, afirma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o estudo, as garotas são, ao mesmo tempo, as maiores agressoras e vítimas de violência verbal. Por outro lado, em termos de violência sexual, os rapazes encabeçam as estatísticas como os maiores agressores. Enquanto 49% dos homens relatam praticar esse tipo de agressão, 32,8% das moças admitem o mesmo comportamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na categoria das agressões físicas, que inclui tapa, puxão de cabelo, empurrão, soco e chute, os relatos revelam que os homens são mais vítimas do que as mulheres – 28,5% delas informam que agridem fisicamente o parceiro, enquanto 16,8% dos homens relataram o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A violência manifestada em tom de ameaça – como provocar medo; ameaçar machucar; ou destruir algo de valor – já vitimou 24,2% de jovens, ao passo que 29,2% admitiram ter perpetrado este tipo de agressão. De acordo com os números, 33,3% das meninas assumem que ameaçam mais seus parceiros, e 22,6% destes confessam cometer o mesmo tipo de violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das razões apontadas para a eclosão da violência entre os jovens casais é o machismo. A coordenadora da pesquisa afirma que nenhuma pessoa nasce machista, mas pode aprender e assumir esse papel dentro de um contexto cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ressaltando que o estudo teve como finalidade fazer um diagnóstico, e não buscar as causas, Kathie Njaine argumenta que a agressão cometida pelas meninas pode ser compreendida como uma maneira de reproduzir um modelo de comportamento que está no gênero masculino. “Em muitos momentos da pesquisa, havia meninas que falavam se ele pode fazer, eu também posso”, exemplifica, acrescentando que as agressões, neste caso, tornam-se uma moeda de revide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A socióloga Bárbara Soares, pesquisadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC/UCAM) e ex-subsecretária de Segurança da Mulher do governo do Estado Rio de Janeiro, elogia o viés da pesquisa de jogar luz sobre a violência praticada por mulheres e por descartar o modelo esquemático que vilaniza apenas os homens e vitimiza as mulheres. Em geral, ela afirma, as pesquisas têm o hábito de ouvir muito pouco as pessoas que vivem e praticam violência. “Os técnicos e ideólogos definem o que é a violência e, a partir daí, imprimem esse discurso no outro que não é ouvido. A violência não é uma abstração na vida de quem sofre ou pratica. Ela é situada, significada, tem um sentido. Eu acho que é aí que você pode desconstruí-la”, diz a especialista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com a pesquisadora do CESeC, é comum o pressuposto de que somente as mulheres apanham, mesmo que, pelas pesquisas nacionais e internacionais, elas sejam vítimas das violências mais graves. “Não quero dizer que não exista um componente de dominação. Ele existe, mas não é uma dominação do homem contra a mulher, é uma sociedade de dominação machista em que os homens também são dominados por essa lógica”, argumenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Violência virtual&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A eclosão precoce de violência entre os casais adolescentes revela que, desde cedo, as agressões ocupam papel importante no ambiente das relações afetivas. Nos dias atuais, é ponto pacífico que o aprimoramento das técnicas e dos meios de circulação das informações contribua decisivamente para a emergência de novos tipos de violência. A internet, nestas circunstâncias, adquire relevância e torna-se uma arma virtual nas relações entre os jovens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fatos e comportamentos que aconteceriam no mundo real, no dia-a-dia, acompanham essa tendência e são transportados para a rede virtual. Exposição de fotos e vídeos íntimos e publicação de hostilidades em sites e redes de relacionamento – como o orkut – são alguns dos métodos que compõem o quadro de violência existente na internet. Em conseqüência, os jovens tornam-se vulneráveis socialmente, uma vez que, por exemplo, sua relação com amigos ou a procura por empregos podem ser afetadas.&lt;br /&gt;Kathie Njaine enfatiza que o relacionamento via tecnologia de informação é uma constante na vida dos jovens, o que potencializa o risco de agressões. “Na medida em que você publica uma notícia na internet, isso tem uma capacidade de se disseminar amplamente. O impacto de uma humilhação ou de uma fofoca é muito grande. O grau de exposição de uma situação é alto, não só em palavras como em imagens também”, afirma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Bárbara Soares, isso exige novas respostas em termos de prevenção. “Todos os problemas vão se transformando na medida em que os meios de comunicação de relações interpessoais se transformam. Atualmente, muitos problemas se transferiram para a dimensão do espetáculo, da visibilidade, da exposição pública do crime mais banal até as relações íntimas. Então, acho que é preciso repensar em primeiro lugar a própria noção do que seja violência, atualizando o repertório que faz parte do nosso catálogo, e começar a refletir formas específicas de prevenir mais este tipo de violência”, explica a socióloga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com ela, a exposição de imagens íntimas afeta mais as mulheres, porque envolve uma cultura de privacidade, pudor e do uso da pessoa como um objeto do prazer. Para os homens, em contraposição, predomina a valorização de sua potência sexual, vista como um troféu a ser exibido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O telefone celular e a internet são tecnologias que estão mudando a nossa sociabilidade, nossos comportamentos e pensamentos. Há uma noção de que você só existe se, de alguma forma, for visível. No entanto, há risco de que essa visibilidade seja mais um elemento de violência”, acrescenta Bárbara, reforçando que as campanhas de prevenção precisam ter um olhar mais amplo, menos maniqueísta e menos esquemático e que considerem a violência e suas múltiplas causas e linguagens.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-8146536373631944046?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/8146536373631944046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=8146536373631944046&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/8146536373631944046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/8146536373631944046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2010/06/pesquisa-revela-que-90-dos-jovens.html' title='Pesquisa revela que 90% dos jovens sofrem ou praticam violência nos relacionamentos'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-1043578367712091595</id><published>2010-06-06T19:59:00.000-03:00</published><updated>2010-08-27T08:53:08.116-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos Hilário Dick'/><title type='text'>ESTATELAMENTO DO IPJ/RS e os/as religiosos/as com isso?</title><content type='html'>Um apelo à CRB do Rio Grande do Sul e do Brasil&lt;br /&gt;fazendo memória do P. Gisley Azevedo - estigmatino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaríamos tanto de falar de tudo que os/as religiosos/as já fizeram e fazem pela juventude, no Brasil e na América Latina, mas agora precisamos falar outras coisas porque não é hora de ficar calado. Escrevemos depois de saber do 7º padre morto, no ano de 2010, por causa da juventude e, dentre eles, o P. Gisley Azevedo , o único religioso entre os sete e que foi assassinado com três tiros na cabeça, em Brazlândia. Nossa indignação e nossa reflexão se orientam, de modo especial, para os que fazem parte da Vida Religiosa e vamos ater-nos a quatro aspectos. Sabemos que não são palavras fáceis nem agradáveis. Mesmo que a resposta seja o silêncio, leia quem quiser ler e discuta quem quiser discutir e melhorar a situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. ESCÂNDALO OU COVARDIA DOS RELIGIOSOS?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os 30 anos do IPJ, com sede, primeiramente, em Porto Alegre e, depois, no bairro Niterói, em Canoas/RS, vão ser festejados com um triste fechar de portas, pelas mesmas Congregações que, um dia, se alegraram com o seu nascimento. Muito triste porque os 30 anos, de tantos serviços à juventude, parecem ter-se tornado uma memória que precisa ser esquecida. Cria-se um filho para matá-lo depois. Assim como aconteceu com a Ação Católica e quase está acontecendo com a Pastoral da Juventude.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dúvida é se isso (o fechamento do IPJ/RS) é um escândalo ou se é uma covardia. Desde seu início, em 18 de janeiro de 1980, o IPJ foi um serviço dos religiosos do Sul 3 à Igreja do Rio Grande do Sul para a evangelização da juventude. Comandavam-no três objetivos: formação, assessoria e pesquisa. Quantos cursos, seminários e retiros; quantas viagens pelas dioceses; quantas publicações, servindo de alimento para adultos e jovens; quanta alegria e quanta descoberta! Até no campo da pesquisa e da produção, como se trabalhou... Era um serviço de uma inter-congregacionalidade visitado e admirado por vários/as Superiores/as Gerais, pondo-se a serviço da evangelização da juventude. Mesmo com algumas dificuldades, funcionou durante 30 anos. O que aconteceu? Se o IPJ perdeu sua atualidade, saber-se-ia dizer alguma razão ou é, tristemente, a mudança de um cenário de Igreja? Falta de recursos financeiros? Falta de recursos humanos?  Se a resposta for financeira, é um escândalo porque todos sabem que isso não é verdade e todos sabem que trabalhar com jovens nunca deu lucro; se a resposta for falta de recursos humanos é uma covardia descarada porque todos sabem que existem agentes (leigos e religiosos), preparados, com vontade doida de dedicar-se a este serviço, com uma remuneração digna. Se a motivação é ideológica ou de cenário de Igreja, a covardia e o escândalo se tornam mais sérios porque isso não se confessa. Isso se faz, mesmo que na surdina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se lermos o documento 85 da CNBB – Evangelização da Juventude – Desafios e Perspectivas Pastorais, vamos descobrir que, fora aquilo que se refere ao “Setor”, lá se encontra formalizado o que o IPJ/RS, em comunhão com a Igreja e a Pastoral da Juventude da América Latina, sempre defendia. Além dos variados serviços prestados, não foi com a ajuda do IPJ que também se iniciou, no Brasil, o primeiro dos Cursos de Pós-Graduação em Juventude, fazendo que a juventude se tornasse um assunto encarado com mais cientificidade? Mais ainda: um dos objetivos do IPJ não era exatamente o estudo e a pesquisa da realidade juvenil? Há, contudo, religiosos/as que afirmam que um IPJ não precisa de pesquisa... Motivo de escândalo e de covardia é uma Conferência de Religiosos, ou uma parte dela, confessar que não está em condições de manter viva uma obra com os objetivos do IPJ/RS. O que parece ter acontecido é que terminou nela, numa parte da Vida Religiosa, o encanto pela juventude... Não falamos da juventude que está sob as asas das Congregações, principalmente em seus colégios; falamos dos milhares de grupos de jovens espalhados pelas paróquias e dioceses que não podem contar com o apoio das famílias de religiosos/as que dizem ter, como carisma, o trabalho com a juventude. Não ter olhos para esta realidade é escândalo e covardia. E é por aí que o IPJ prestava seu serviço nem sempre acolhido por autoridades, mas sempre agradecido pelos jovens, isto é, pelas juventudes vivendo sob as asas das paróquias, dioceses e regionais, muitas vezes necessitadas de apoios humanos e financeiros. Eram os religiosos/as servindo uma Igreja que ia além das “nossas obras”. Daí o escândalo e a covardia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. CAMPANHA CONTRA O EXTERMÍNIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os 30 anos do IPJ, com sede, primeiramente, em Porto Alegre e, depois, no bairro Niterói, em Canoas, vão ser festejados com um triste fechar de portas, pelas mesmas Congregações que, um dia, se alegraram com o seu nascimento. Muito triste porque os 30 anos, de tantos serviços à juventude, parecem ter-se tornado uma memória que precisa ser esquecida .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é lastimável dar-nos conta que, enquanto se fecham as portas deste IPJ, a juventude da Igreja e, também, a juventude fora da Igreja está empenhada numa Campanha inusitada: a Campanha contra a violência e o extermínio de jovens, procurando fazer ouvir o grito  A Juventude quer viver”. Em vez de procurar o encanto pela juventude e ser fiel ao carisma de trabalho com a juventude, religiosos/as decidem o extermínio de uma obra onde o coração, há 30 anos, era a juventude. Não se está fechando uma paróquia; não se está fechando um colégio; está-se fechando uma obra cuja alegria era colaborar teológica e pedagogicamente na construção do empoderamento juvenil para jovens que vinham de colégios públicos, de periferias e interiores pobres, de paróquias e dioceses necessitadas, alegrando-se e servindo-se de uma instituição mantida por religiosos/as que amavam a juventude sem esperar lucros a não ser os lucros que significam os valores de personalidades ajudadas em sua descoberta do sentido da vida. Vão dizer que a comparação com o “extermínio” é apelativa, mas perguntem ao coração da juventude que precisava disso se ela vão dizer o mesmo. Perguntem por quanto tempo tudo aquilo que significava “IPJ”, em 2006, além de não saber para onde ir, ficou na poeira dos corredores por vários meses porque era urgente que o Curso de “Design” tivesse uma moradia em Porto Alegre... Sabemos que a juventude de “nossos” colégios não precisava dessa obra; mas trata-se de uma minoria, nem sempre a mais pobre, que tem ginásio coberto, computador, colégios limpos, piscina etc. para atrair alunos, mas não sabemos se é isso que eles (os adolescentes e jovens) querem no mais profundo deles. Por isso, a desconfiança do atendimento que se dá a eles... Quantos educadores de “nossas” instituições estudam juventude? É que já sabemos tudo e basta viver o dia a dia. Por que estudos mais especializados?Não adianta de nada... Sabemos que não é esse o discurso de todos, mas ele é real. Por isso insistimos no “extermínio”. Acabar com o IPJ é uma forma de exterminar a juventude, tirando dela mais um espaço de vida, partilha e acompanhamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. A PREOCUPAÇÃO TRISTE PELO ESPÓLIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando no estatelamento do IPJ a preocupação é a biblioteca, o banco de dados, a memória histórica e tantas outras coisas que o IPJ foi adquirindo nos 30 anos. A imagem que nos vem à cabeça está em João 19,23-24: Quando crucificaram Jesus, os soldados repartiram as roupas dele em quatro partes. Uma parte para cada soldado. Deixaram de lado a túnica. Era uma túnica sem costura, feita de uma peça única, de cima até embaixo. Então eles combinaram: “Não vamos repartir a túnica. Vamos tirar a sorte, para ver com quem fica”. Em nosso caso, parece que a túnica ficou com a CNBB, embora alguns “soldados” tenham demonstrado interesse por alguns objetos... Isso não significa que seja algo ruim, mas nos preocupa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um aspecto que faz entristecer é que o responsável pelo imóvel alugado, vendo a situação de dificuldades financeiras, não foi nem ouvido quando dizia e pedia que o IPJ ficasse ali, mesmo só pagando, como aluguel, um preço simbólico de uma coisa de nada. Não! A sorte do extermínio já estava lançada, seguida até de uma ameaça: Por favor, não fiquem pensando em lançar ao mundo a memória dos 30 anos... Atitudes desse tipo parece que expressam vergonha de tudo que se fez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. LONGE DA JUVENTUDE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São gestos como este do “estatelamento” que confirmam os levantamentos que existem, no momento, sobre a distância dos religiosos/as da juventude. Há alguns anos atrás, quando se viam sacerdotes, religiosos e religiosas participando das movimentações de jovens em Assembléias, em Encontros Regionais com mais de 45 mil jovens e outros eventos juvenis da Igreja, quando você entrava nos seminários e perguntava aos seminaristas e vocacionadas/os onde aprenderam a ter vontade de ser religioso/a ou padre a resposta era: no meu grupo de jovens. A juventude dos grupos de hoje que diga o que eles enxergam... Que se escutem, também, tantos jovens religiosos/as que gostariam de ser tratados/as como jovens e trabalhar com juventude, mas são levados a trabalhar numa Pastoral Vocacional que, muitas vezes, não tem nada a ver com juventude... Pode ser, até, um discurso exagerado, mas que é uma realidade é; só não aceita quem enterra a cabeça na areia para não ver. Até poderíamos atrever-nos a perguntar pelos sonhos com a juventude e pela evangelização da juventude que tiveram os responsáveis pelo IPJ nos últimos anos. Sabemos que generalizar essa afirmação é perigoso, mas sabemos que se lá estivesse um grupo preocupado, de fato, com a boa notícia para a juventude, ter-se-iam encontrado soluções para as dificuldades que não faltam em qualquer parte. Uma preocupação que surge no horizonte é que as diferentes comunidades religiosas parece que se esqueceram que são da Igreja e se estão fechando na formação de juventudes segundo os diversos carismas, sem muita preocupação com um trabalho orgânico com aquilo que são as Pastorais de Juventude. Não negamos que isso seja um direito e, até, uma obrigação. O que condena essa atitude para a frustração é deixar de lado a preocupação e a convicção que tudo isso tem sentido numa decidida inserção orgânica na vida eclesial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONCLUSÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se quisermos sobreviver como religiosos/as e sermos, dentro e fora da Igreja, uma manifestação da profecia embutida em nosso carismas, não há outra saída do que o re-encanto pela juventude. Temos o dever de amar a juventude. Mais, até, do que encantar-nos, precisamos deixar-nos seduzir pela realidade teológica escondida na juventude como semente oculta do Verbo. É uma forma de escaparmos de uma esterilidade que perdeu a alegria da novidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaríamos de não ficarmos somente neste discurso de indignação. Gostaríamos que estas linhas gerassem algo dentro de nós, nos inquietasse e nos incomodasse a fazer algo diferente, mas em prol de toda a juventude. Gostaríamos muito que nos consultassem sobre o novo serviço que – pelo que parece - pensa ser construído. As necessidades são muitas, mas não nos esqueçamos da juventude que&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-1043578367712091595?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/1043578367712091595/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=1043578367712091595&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/1043578367712091595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/1043578367712091595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2010/06/estatelamento-do-ipjrs-e-osas.html' title='ESTATELAMENTO DO IPJ/RS e os/as religiosos/as com isso?'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-5753021116926453890</id><published>2010-05-20T21:05:00.002-03:00</published><updated>2010-05-20T21:16:58.925-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Indicações'/><title type='text'>Olá pessoas QUERIDAS</title><content type='html'>Estamos construindo caminhos possiveis para a pastoral e para o trabalho PASTORAL no meio universitário. Temos muitos desafios, mas somos brasileiros e não desistimos nunca!!! GOSTARIA DE CONTAR COM A COLABORAÇÃO DE TODOS NA DIFUSÃO DO BLOG E DA PESQUISA DE "JUVENTUDES" QUE EM BREVE ESTARÁ DISPONIVEL PARA SER RESPONDIDA NO BLOG.              http://pastoraluniversidade.blogspot.com&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;QUEREMOS IDENTIFICAR O PERFIL DESTA TÃO FALADA JUVENTUDE...QUANTO MAIS CONSEGUIRMOS RESPONDENTES MAIS FIEL SERÁ NOSSA "FOTOGRAFIA" DESTE ROSTO JUVENIL. A PESQUISA ESTA SENDO PENSADA PARA A APLICAÇÃO COM OS JOVENS ACIMA DE 14 ANOS, ENSINO MÉDIO E UNIVERSITÁRIOS...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;CONTAMOS COM A COLABORAÇÃO DE TODOS!!!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O desafio inelutável da Pastoral no meio universitário é reconhecer os diferentes sujeitos da ação pastoral e inculturar o Evangelho para que fale do lugar das pessoas, acompanhando-as e, por vezes, fazendo a mudança das estruturas para responder às dores daqueles sujeitos históricos que entram na comunidade educativa. Certamente isso requer nova e profunda espiritualidade. “É necessária uma pastoral que acompanhe a vida e o caminhar de todos os membros da comunidade universitária.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pastoral sacramental é muito reducionista para ser uma pastoral da universidade. Cumpre ativar o realismo, desencadeando conexões com os novos areópagos contemporâneos: mundo das comunicações, mundo digital, desenvolvimento dos povos, ecologia, cultura e experimentação científica e, mais que tudo, formação de pensadores e líderes cristãos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ir. Adriano Brollo&lt;br /&gt;Coordenador Nacional da PdU&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-5753021116926453890?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/5753021116926453890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=5753021116926453890&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/5753021116926453890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/5753021116926453890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2010/05/ola-pessoas-queridas.html' title='Olá pessoas QUERIDAS'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-2815362896948413458</id><published>2010-03-12T00:07:00.001-03:00</published><updated>2010-03-12T00:11:15.495-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos Hilário Dick'/><title type='text'>PROTAGONISMO JUVENIL</title><content type='html'>Uma questão central&lt;br /&gt;Hilário Dick&lt;br /&gt;Lendo a história no viés juvenil e no viés da construção do protagonismo juvenil através do tempo, vamos encontrar coisas fantásticas no mundo hebreu (José do Egito), no mundo grego (Antígone), no mundo romano (Ministério da Juventude), nos primeiros séculos do cristianismo (jovens dando a vida pela “castidade”), no mundo da Idade Média (Francisco de Assis e Joana d´Arc), nos séculos XVI e XVII (pícaros), na revolução industrial (com a necessidade de inventarem a moratória social), nos tempos dos totalitarismos (nazismo, fascismo e tempo da psicologia dos adolescentes nos Estados Unidos), na revolução de maio de 1968 e na revolução européia de 2005. Entra em jogo, contudo, o paradigma que assumirmos para a leitura da realidade dos jovens, tanto como pais ou mães, como professores, agentes sociais, professores de universidade, atividades políticas etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos princípios norteadores de quem deseja construir-se e de quem trabalha com jovens e que vai caracterizar nossa relação com o mundo juvenil é a postura que tivermos frente ao que entendemos e vivenciamos como protagonismo vivido como processo. Ser professor/a, ser educador/a é essencialmente um processo de relacionamento. Quando falamos de “protagonismo” falamos de um processo pedagógico no qual acreditamos (ou não), que incentivamos (ou não) e que pomos em prática (ou não), isto é um processo que decide nosso modo de ser. Este princípio vale para jovens e adultos e precisa ser vivido pelas duas “gerações”. É a raiz mais profunda do que se deveria entender quando falamos de “conflito de gerações”. Este “protagonismo”, isto é, este “processo pedagógico” pode ser mal interpretado, pode ser rejeitado ou pode ser posto em prática. No mundo educacional e eclesial é uma das realidades de fundo que decide a educação e a formação que se deseja cultivar. Quando falamos de “protagonismo juvenil” estamos falando de um processo pedagógico a ser vivido pela juventude e junto com a juventude; se falamos de “protagonismo dos leigos” estamos falando de um processo pedagógico-teológico a ser vivido pelas pessoas que se assumem como “leigos” etc. e de uma igreja que precisa posicionar-se ante “fiéis” que buscam a sua maturidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se falamos de “protagonismo” ou, então, “protagonismo juvenil”, queremos referir-nos a dois aspectos importantes para o jovem: tanto a construção de sua identidade como a  sua (a do jovem) inserção na sociedade como sujeito da história. Estudar ou, então, fomentar, por isso, o protagonismo significa, primeiramente, tratar da identidade em seus diferentes níveis (pessoal, grupal, institucional); significa falar, em segundo lugar, em inserção na história (fazendo do protagonista alguém que sabe intervir na marcha da história); significa falar em engajamento concreto, isto é, da identidade que vai inserir-se nalgum espaço definido para intervir nele. Estamos falando, fundamentalmente, de exercício de poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém vai-se tornando protagonista quando vai construindo sua identidade, isto é, as diferentes dimensões que resultam no que podemos chamar de “personalidade integral”, construindo-se e fazendo construir a dimensão personalizante, a dimensão socializante, a dimensão teológico-teologal, a dimensão vocacional, a dimensão política e a dimensão de agente social tecnicamente preparado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma entidade ou instituição vai-se tornando protagonista quando favorece a criação de personalidades cultivadas em todas as suas dimensões, como sujeito de sua caminhada e não se aceitando como mero objeto das decisões dos outros. Entra em questão, nesse caso, o exercício de poder porque tudo na vida se realiza na dimensão das relações. O poder é a vivência concreta de como encaramos as relações das pessoas e das instituições. Não podemos viver sem essas relações. Um adulto não pode viver sem relacionar-se com o jovem; o jovem não pode viver sem relacionar-se com o adulto. Uma relação sadia é a do respeito sadio do protagonismo de cada qual. Assim como o filho, o pai vive sua vocação de protagonista: protagonismo de filho e protagonismo de pai... O mesmo podemos dizer do relacionamento professor e aluno. Não se trata só de “ensinar”; trata-se de “aprender” junto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando falamos de protagonismo juvenil, portanto, estamos falando do exercício de um processo pedagógico que leva o jovem a assumir a sua identidade e a inserir-se na história social como sujeito e não mero cumpridor de ordens de outros. É o segundo elemento importante com relação ao “protagonismo”. Precisamos ter presente, no entanto, que não somos sujeitos da história de forma genérica; somos sujeitos em lutas concretas e em espaços onde somos “autoridade”, isto é sujeitos de transformação, professor e aluno, fiel e clero, pai e filho/a, cidadão coletivo ou individualista. Ninguém pode ser sujeito de transformação em espaços indefinidos. Por isso, para o protagonismo não tornar sendo mera teoria, a importância,por exemplo, da “inserção nos organismos intermediários da sociedade civil” (organismos de organização do mundo estudantil, do mundo operário, do mundo universitário, do mundo rural, do mundo eclesial ou comunitário). Falamos, então, na inserção no movimento estudantil (com suas traduções), no movimento operário (com suas traduções), no movimento universitário (com suas traduções), no movimento rural (com suas traduções), no movimento sindical e no movimento eclesial (com suas traduções).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É na inserção dentro desses diferentes espaços onde se esconde a riqueza da “protagonismo” vivido como processo pedagógico porque o “protagonismo” só deixa de ser idéia quando houver compromisso com alguma organização. Fora dessa inserção não tem sentido debater “protagonismo” ou “empoderamento juvenil”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A transformação da sociedade e a construção da personalidade não acontecem de outra forma. Afirmar o “protagonismo” juvenil significa carregar no bojo de nossa proposta a necessidade do compromisso com realidades concretas. Realidades que possibilitem a vivência do “protagonismo” como um processo educativo de afirmação das personalidades movendo-se em espaços diferenciados. Estamos afirmando, com isso, que toda a educação de jovens, se quiser colaborar na construção de personalidades que queiram ser sujeitos da história deve ter um compromisso muito definido com um espaço social que possibilite a vivência do processo pedagógico que batizamos de “protagonismo juvenil”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-2815362896948413458?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/2815362896948413458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=2815362896948413458&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/2815362896948413458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/2815362896948413458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2010/03/protagonismo-juvenil.html' title='PROTAGONISMO JUVENIL'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-5812368865590217814</id><published>2010-03-11T23:59:00.001-03:00</published><updated>2010-03-12T00:06:39.754-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos Hilário Dick'/><title type='text'>O lugar dos Jovens na história brasileira</title><content type='html'>Augusto Caccia-Bava&lt;br /&gt;Dora Isabel Paiva da Costa &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Introdução&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O Brasil é um país cuja história foi escrita de fora, ao longo de séculos. Por quatrocentos anos foi interpretado aos olhos da Europa;  no século XX, por meio de parâmetros teóricos europeus e outros originários dos Estados Unidos da América. Só nos momentos de rebeldia é possível notar-se a presença de uma intelectualidade jovem que buscava narrar a vida dos povos que constituíram a sociedade brasileira de um ponto de vista, não oficial, não convencional. Nesta ótica de contestação, o País pode ser conhecido como um território fértil de riquezas indescritíveis, de pontecialidades libertadoras que levaram os jovens à decisão de projetar um futuro libertário para as etnias negras, para as classes libertadoras, para as artes, para a vida estudantil, para as práticas religiosas, para a democracia.&lt;br /&gt; É com base nas referencias históricas regionais que os jovens puderam ser identificados como protagonistas de distintos movimentos, permitindo que fossem reconhecidos como grupos singulares, no interior da sociedade brasileira. O estudo das experiências dos jovens abolicionistas brasileiros permite-nos identificar as primeiras manifestações do protagonismo que avançaram duas décadas do século XX, até se objetivarem em três grandes movimentos de expressão da consciência política jovem, na década de 1920. O primeiro, conhecido como o Movimento da Semana de Arte Moderna, uma experiência  estética, das mais significativas. O segundo, como Movimento Tenentista. O terceiro, conhecido como movimento político-partidário do qual resultou a formação do Partido Comunista.&lt;br /&gt; Os jovens se apresentaram à sociedade brasileira como grupos solidários a movimentos classistas, como protagonistas de projetos unificadores da nacionalidade até o final dos anos 60. Em distintos momentos da história, os grupos e movimentos juvenis tornaram-se referência de práticas de resistência. Resistiram ao escravismos, ao poder oligárquico, à aristocracia militar, ao processo de expropriação de trabalhadores, às agressões à humanidade presentes entre os deserdados, ao elitismo das políticas educacionais e à perda de princípios ético-politicos da ordem democrática constitucional. &lt;br /&gt; No processo de resistência, os jovens puseram em movimento seu imaginário e construíram uma linguagem que representou a sua identidade. Essas referências permitem-nos afirmar a possibilidade de uma reflexão otimista e prospectiva da historia da juventude brasileira, no século XX, uma vez que os jovens se revelaram, a toda a sociedade brasileira, como grupo ou movimento, capaz de protagonizar processos de formação cultural e política, alternativos para as novas gerações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Jovens abolicionistas abrem as portas do século XX&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A sociedade brasileira passou por intensos debates políticos durante a segunda metade do século dezenove. O núcleo liberal dos grupos políticos propunha colocar a sociedade nos novos patamares da modernização política e institucional, seguindo os passos de alguns movimentos políticos da Europa Ocidental.  Destacam-se, nisso, os jovens abolicionistas que protagonizaram as ações mais extremistas. &lt;br /&gt; A população escrava constituía a grande maioria da força de trabalho usada nas plantações açucareiras e cafeeiras que destinavam seu produto as mercado europeu, constituindo a principal fonte de renda do Estado Imperial e das classes que o apoiavam. Grupos e facções das camadas dominantes, cujos interesses eram por vezes conflitantes, levaram alguns pensadores a entender que o protagonismo abolicionista foi um assunto eminente de brancos (IANNI,1978). Outros pensadores argumentaram que esse assunto seria algo independente e autônomo de negros rebeldes, que teria contribuído com o desmoronamento da instituição escravista (MOURA,1981).&lt;br /&gt; O debate aglutinou dois pólos de ação política: a juventude de linha moderada, chamada emancipacionista, e a juventude de linha mais radical, chamada abolicionista, denunciavam a propriedade escrava como roubo e só aceitava a abolição total e imediata. Essas duas linhas de atuação foram conduzidas por inúmeros jovens brilhantes que se destacaram no movimento: Joaquim Nabuco, Luís Gama, José do Patrocínio, André Rebouças, Antonio Bento de Souza e Castro, Hipólito José da Costa, José Bonifácio, padre Feijó e tantos outros. Destacou-se, também, por sua atuação radical com táticas extremistas muitas vezes denunciadas nos jornais conservadores da época, uma organização clandestina de agitadores denominada caifazes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Jovens intelectuais no alvorecer do século XX&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Os jovens brasileiros que desencadearam movimentos culturais e políticos no século XX necessitaram de duas décadas para se apresentarem à sociedade. Um dos  que mais se destacou na produção de uma política cultural brasileira foi Astrogildo Pereira, que se tornou referência nacional e internacional pelo papel que desempenhou  na formação do Partido Comunista Brasileiro. Dois outros jovens que produziram outro movimento cultural fantástico foram: Mário de Andrade e Oswald de Andrade, protagonistas da Semana de Arte Moderna. Um terceiro jovem intelectual que protagonizou um movimento político e doutrinário, próximo ao fascismo europeu, foi Plínio Salgado. Sob sua liderança o país assistiu à emergência  do movimento juvenil dos Camisas Verdes, que surgiu nos anos de 1930, e que esteve em cena até o final da segunda Guerra Mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Os Jovens da Semana de Arte Moderna de 1922&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Paralelamente ao processo de lutas anarcossindicalistas que evoluiria para a formação do Partido Comunista do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, através da militância de Astrojildo Pereira, erguia-se um movimento de jovens literatos, artistas plásticos e músicos em defesa da contemporaneidade estética, do qual emergiria um significativo grupo de intelectuais, jovens e adultos, no estado de São Paulo.&lt;br /&gt; È assim que uma jovem mulher, de nome Anita Malfati, despontou nas artes plásticas brasileiras, no ano de 1917. Com 23 anos, nascida em São Paulo, realiza sua primeira exposição. Muitos foram os jovens presentes na Semana de Arte Moderna, segundo Mário de Andrade que, com 29 anos, esteve presente e apresenta os que estavam lá. São eles: Guilherme de Almeida, “aristocrata maravilhoso, admirador de Oscar Wilde”; Menotti Del Picchia, “poeta como os que mais sejam”, participando da Semana nos seus 30 anos de idade; Oswaldo de Andrade, “quebra-louça”; Luis Aranha, que “leu e relê todos os clássicos da língua”. “Varou no original os grandes poetas ingleses”, como dizia Mário de Andrade. Sergio Milliet, “outro aristocrata, educado na Suíça”. Anita Mafalti, “Pintora. Estudou na Alemanha e nos Estados Unidos”. Victor Brecheret, “em Roma, filiou-se a Mestrovic (escultor croata, fundador da academia de Zagreb, viveu entre 1883 e 1962) para aperfeiçoar-se escolheu Paris”; DI Cavalcanti, “arlequim menino de roupa multicolor”; Vila Lobos, que vem do Rio (Rio de Janeiro, então capital do Brasil), seguiu Debussy.&lt;br /&gt; Para os jovens intelectuais, artistas rebeldes da Semana de Arte Moderna de 22, havia ainda que se conceituar arte e movimentos, para construírem marcos históricos das transformações futuras, que ocorreram ao longo da produção literária e pictórica de suas obras de juventude e maturidade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4. Os jovens do movimento tenentista de 1922 e seu programa&lt;br /&gt;    revolucionário &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; No interior do exército brasileiro surgiria um movimento de jovens oficiais que propugnavam por uma forma de ação política contrária aos padrões republicanos e oligárquicos dominantes até a década de trinta, do século passado. Assim caracteriza o historiador e general Nelson Werneck Sodré este movimento: “ a essência do movimento constituiu no seu papel ligado ao processo de ascensão da burguesia brasileira, em luta contra o absoluto domínio exercido pela classe latifundiária... grupos cada vez mais numerosos de jovens oficiais empreenderam sucessivas tentativas para quebrar, com a rebelião militar, a situação dominante”. E esse movimento político ganha corpo até o ano de 1929, quando se une a outras forças para a derrubada do governo federal oligárquico.&lt;br /&gt; Um jovem escritor que esbarra no movimento da Semana de Arte Moderna, refletia sobre o movimento tenentista. Tratava-se de Plínio Salgado, futuro dirigente de movimento jovem de caráter nacionalista, antiamericanista, na década de 1930. &lt;br /&gt; Quando historiadores apresentam os protagonistas do Movimento Tenentista de 1922, iniciam por um de seus integrantes que se destacou na política brasileira por mais de meio século. Seu nome é Luis Carlos Prestes, jovem militar de 24 anos de idade, no ano de 1922. Outro jovem era o Dinarco Reis, hoje conhecido como o Tenente Vermelho. Um terceiro jovem tenente foi Siqueira Campos, cujo perfil intelectual era invejado. Entre outros tenentes se destacaram: Miguel Costa ,Juarez Távora, Hercolino Cascardo e  Trifino Correa, natural do Rio Grande do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. A reação juvenil dos anos 1920 a 1950&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Os movimentos de rebeldia juvenil da década de vinte do século XX, deixaram seus marcos na cultura, na estética e na política brasileira. Alguns deles formaram o movimento integralista, cujo maior líder foi Plínio Salgado. Os principais militantes que deram corpo ao movimento integralista brasileiro foram Plínio Salgado, Gustavo Barroso e Miguel Reale. Plínio Salgado sistematizou a teoria do Estado Integral, e criou os uniformes, símbolos, costumes, hábitos e rituais dos participantes do movimento integralista, e criou a Ação Integralista Brasileira em 7 de outubro de 1932, com o lançamento do Manifesto de Outubro de 1932. &lt;br /&gt; O líder integralista seria mais tarde candidato à presidência da República em 1955 e, não eleito, foi deputado federal, por São Paulo, em 1964,1969,1970 e 1974. Morreu em 1975. Para sintetizar, o jovem integralista defendia a existência de um Estado forte, como o caráter que deveria assumir o Estado Integral, proposto pelo movimento integralista. O movimento da juventude integralista não parou, como ocorreu com o movimento de jovens da Semana de arte Moderna e o movimento juvenil comunista, liderado por Astrojildo Pereira e posteriormente por Luìs Carlos Prestes. Atualizado em página na internet, afirma ainda estar voltado a “convencer o jovem com uma forte propaganda que a nossa cultura tem valor sendo importante defender o Brasil. (Defender o que realmente somos, por exemplo: Não podemos defender o nazismo, por que não somos alemães arianos)”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Os jovens, a União Nacional dos Estudantes - UNE e as campanhas&lt;br /&gt;    nacionais, desde 1937&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; No dia 11 de agosto de 1937, na Casa do Estudante do Brasil no Rio de Janeiro, o então Conselho Nacional de Estudantes conseguiu consolidar o que já havia sido tentado diversas vezes sem sucesso: a unificação dos estudantes na criação de uma entidade máxima e legítima. Desde então, a UNE começou a se organizar em congressos anuais e a buscar articulação com outras forças progressistas da sociedade.&lt;br /&gt; Com o fim da ditadura getulista, a UNE assume bandeiras diretamente relacionadas com as questões nacionais, como a campanha pela criação da empresa estatal de exploração do Petróleo. a Petrobras. Com essa iniciativa, entre outras, tornou-se a primeira organização juvenil brasileira que imprimiu dimensão nacional aos seus movimentos de resistência e luta. A entidade era marcadamente nacionalista até os anos 60, quando, sobre impacto da revolução cubana,  assume bandeiras antiamericanistas. O Jovem Aldo Arantes fora presidente da UNE entre agosto de 1961 e julho de 1962. O ex-lider estudantil destacou momentos significativos da década de 196, da crise da uiniversidades brasileira, da necessidade de transformação estrutural da própria sociedade.&lt;br /&gt; A partir do golpe de 1964, tem início o regime militar e a história da UNE se confunde ainda de forma mais dramática com a do Brasil. A ditadura perseguiu, prendeu, torturou e executou centenas de brasileiros, muitos deles estudantes. A sede da UNE, na praia do Flamengo, foi invadida, saqueada e queimada no dia 1º de Abril. O regime militar retirou a representatividade da UNE por meio da Lei Suplicy de Lacerda e a entidade passou a atuar na ilegalidade. As universidades eram vigiadas, os intelectuais e artistas reprimidos, o Brasil escurecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. A Juventude Universitária Católica  sua militância na AP&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt; A Igreja Católica esteve presente na vida política brasileira. Podemos dizer, quase com exclusividade, até a década de sessenta do século XX. Após uma guinada à esquerda, em decorrência da atuação do Papa João XXIII, no ano de 1958, a juventude católica viveu um processo de absorção dos dogmas do Vaticano, que fundamentariam reflexões em torno das questões sociais, dos pobres, dos miseráveis, dos excluídos. Assim, seus integrantes passam a debater as questões relativas ao processo político brasileiro, associadas a fenômenos internacionais com a Revolução Cubana, vitoriosa em 1959. E, como todo o movimento popular e de massas no Brasil, a JUC se estrutura regionalmente em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e no estado da Bahia.  Os jovens de esquerda que mais viriam a se destacar foram: Hebert José de Souza – Betinho_, Vinicius Caldeira Brand, Henrique Novais e Wilmar Faria. Os narradores desse tempo consideraram que, “em 1960, a JUC já era a força mais atuante do movimento universitário baiano”. &lt;br /&gt; A AP surgiu dos quadros da Juventude Universitária Católica (JUC) em 1963. Após o golpe de 64, parte de seus membros defenderam a aproximação com o PC do B, Partido Comunista do Brasil, num processo de fusão que só se completaria em 1973 (CAMPOS FILHO, 1997). A aproximação entre as duas organizações era muito forte, com base na atuação do movimento estudantil, consolidando-se com a adoção de uma linha revolucionária semelhante: a defesa das concepções maoístas e, sobretudo, dos princípios leninistas acerca da revolução e da forma de organização partidária.&lt;br /&gt; "O programa básico da AP afirmava a existência de uma nova época histórica, a época em que o imperialismo caminha para a ruína completa e o socialismo avança para a vitória em escala mundial. O maoísmo, ou o pensamento de Mao Tsé-Tung, afirmava, é a terceira etapa do marxismo, o marxismo-leninismo de nossa época, o marxismo levado a uma etapa completamente nova."6&lt;br /&gt; Com o AI-5, instaurado em 13 de dezembro de 1968, alguns dirigentes da AP passaram a defender idéias mais radicais e o caminho da luta armada (que originalmente era pensada apenas no campo) tornava-se cada vez mais próximo.  A partir de 1971 passam a defender a união de todas as correntes marxistas-leninistas (1999, MIRANDA). Como a fusão com o PC do B não era consenso dentro da Ação Popular, o grupo dissidente passou a denominar-se AP-ML  Ação Popular Marxista Leninista.7 (fonte: http://destaquein.sacrahome.net/node/54 acesso em 04 de janeiro ás 23:07h ).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. A reconstrução do protagonismo juvenil &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;  A década de 1980 caracterizou-se como a afirmação da personalidade pastoral, transformando o que era Pastoral de Juventude em Pastoral da Juventude.&lt;br /&gt; A Pastoral da Juventude é herdeira de uma história que vem sendo construída em nosso país desde 1930 com a chamada Ação Católica. Por volta de 1930, o Papa Pio XI, preocupado com a missão da Igreja diante dos desafios e das grandes mudanças na realidade mundial (processo de urbanização e industrialização), estimulou a chamada Ação Católica que era o espaço de participação dos leigos católicos no apostolado hierárquico da Igreja, para o difusão e a atuação dos princípios católicos na vida pessoal, familiar e social.&lt;br /&gt; O IV Encontro Nacional da Pastoral da Juventude realizou-se em Brasília, em novembro de 1983, caracterizando-se como um marcou histórico, pois lá “ começava, na própria pratica do Encontro, o protagonismos dos Jovens” (DICK,1999,P.48). Três prioridades foram votadas em assembléia: fortalecimento por classe social da Pastoral da Juventude; a ênfase na formação integral e a metodologia; e o empenho nas atividades de articulação, organização e coordenação. Elegeu-se também a primeira Comissão Nacional da Pastoral da Juventude.&lt;br /&gt; No V encontro, realizado em Goiânia, em dezembro de 1984, um documento intitulado “Aspecto da Pastoral da Juventude no Brasil” destacava-se o tema da militância fora e dento da igreja. No VI encontro Nacional, de 1985, o tema foi o processo de iniciação e a militância na Pastoral da Juventude a criação de Caderno de Estudos. No Ano Internacional da Juventude (1985), criou-se o Dia Nacional da Juventude (DNJ). Desde então, o DNJ é celebrado todos os anos, reunindo milhares de jovens em todo o país.Estes eventos mostraram indícios de que a consciência social e política da juventude organizada estava aflorando e solidificando cada vez mais no interior da Igreja.&lt;br /&gt; Em 1989, a coordenação nacional da Pastoral da Juventude do Brasil, decidiu criar uma Secretaria Nacional, com um (a) jovem eleito em Assembléia. Organiza, também, o jornal "Juventude" destinado aos grupos de jovens. A grande força da Pastoral da Juventude se dá no Brasil em 1992, marcada pelo tema da Campanha da Fraternidade com o tema: Fraternidade e Juventude, e com o Lema: Juventude Caminho Aberto. Momento critico que ameaçava a autonomia das pastorais juvenis.&lt;br /&gt; No ano de 1993, é realizada a 10° assembléia Nacional da PJ, e foram aprovados cinco importantes moções de apoio aos movimentos populares do Brasil. Primeiro: Solidariedades aos professores da rede estadual de ensinos em greve havia 80 dias; segundo representava adesão à campanha nacional de ação e cidadania contra fome e a miséria, pela vida; a terceira diirigida ao presidente da Republica, pela ética nas policias civis e militar; a quarta em apoio à demarcação das terras dos povos indígenas do Brasil; e a ultima, ao presidente da CNBB, em razão das expulsões de coordenadores e de jovens. &lt;br /&gt; Outro aspecto que merece destaque é a atuação dos setores progressistas da Igreja em momentos de refluxo dos movimentos sociais. Tais setores foram capazes de realizar uma releitura da sua teologia e doutrina e buscaram articular fé com política. Desse modo, ao se falar em protagonismo juvenil católico, é necessário também em falar do protagonismo dos setores mais avançados da Igreja. &lt;br /&gt; Aqui um destaque para o jovem católico chamado José Serra, com 21 anos de idade. Assumiria a Presidência da UNE em julho de 1963 e lá permanecerá até junho de 1964, tornado-se o primeiro líder estudantil a viver os preâmbulos da ditadura militar. Na época do XXVI congresso da UNE, no inicio da década de 1970, o Brasil possuía perto de quinhentas faculdades. Os jovens, por vezes, se apaixonam de tal forma no interior de movimento que constituem uma subjetividade própria, como a da visualização, sem muitas mediações históricas, das possibilidades de a UNE organizar movimentos internacionais. Outros líderes estudantis tiveram vida mais sofrida durante a ditadura. Podemos destacar Altino Dantas, que presidiu a UNE de 1965 a julho de 1966; José Luis Guedes, eleito em Julho de 1966 até julho de 1967, com 23 anos de idade. Entre eles, os que foram perseguidos e presos pela ditadura, se destacam: Luís Raul Machado, com 21 anos de idade; Dora Rodrigues de Carvalho, com 22 anos de idade, se torna a primeira mulher vice-presidente da UNE; José Genuíno Neto, estudante de filosofia da Faculdade do Ceará, ainda adolescente, partiria da roça para integrar à Juventude Agrária Católica (JAC), abraçando, depois, a Juventude Estudantil Católica  (JEC) até que, em 1967 ingressa no Partido Comunista do Brasil, o PC do B. &lt;br /&gt; Um dos presos, vítima de tortura, foi Jean Marc Von de Weid, nascido no Rio de Janeiro, e que, com 23 anos de idade, se tornaria presidente da UNE. Preso em setembro de 1969, foi banido do Brasil em 15 de janeiro de 1971, mas retorna ao Brasil no processo de anistia aos envolvidos em atividades políticas, em 1979, vinculando-se, no inicio dos anos de 1980, ao Instituto dos Economistas do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt; José Dirceu, outro líder do movimento estudantil, foi presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, aos 20 anos de idade, uma das organizações mais atuantes do país. Ensaiou uma síntese do significado político da UNE, nesse período, trazendo uma primeira visão impressionista da juventude brasileira.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;9. Os jovens movimentos negros dos jovens negros&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; O estudo dos movimentos negros juvenis é um dos trabalhos mais árduos, a partir de um ponto de vista metódico. Os grupos de jovens negros que poderíamos ter como referências encontram-se em toda a parte. As suas manifestações são vigorosas, enraizadas, porém locais. As manifestações dos jovens negros estão no ar, sob a forma de música, de dança, de poesia, de programas radiofônicos. Pelas suas manifestações dispersas, eles são referência imediata dos adolescentes e até das crianças que vivem à margem da cultura dominante, nas favelas, nas esquinas, nos bairros periféricos das cidades, nas escolas publicas dessas periferias, nas esquinas, nas praças, nos pontos de ônibus. E são referência, ainda maiores, quando se aglutinam em galerias  de comércio manifestando-se através do hip-hop, da grafitagem e do rap..&lt;br /&gt; Os jovens negros vinculados aos movimentos culturais por eles estruturados, sabem que as favelas, os morros das periferias das  grandes capitais brasileiras, as praças, as esquinas, próximas as escolas, poderiam ser lugares de convivência pacifica, porque nesses espaços eles sabem que dançando, cantando, declamando poemas eles mantêm sua identidade negra e sua integridade frágil. &lt;br /&gt; No final da década de 1980, o movimento hip-hop apresentou-se politicamente organizado formando “o Sindicato Negro”, que “teve inicio quando os integrantes do movimento resolveram se organizar politicamente”, com vistas a “discutir e apontar alternativas para a condição social do negro historicamente marginalizado pela sociedade”. Posteriormente, uma organização não-governamental de mulheres negras criou, em 1991, um projeto denominado Rapper Geledé, descentralizando as manifestações dos jovens adeptos do movimento. &lt;br /&gt; Grafiteiros, rappers, jovens do hip-hop, os jovens negros que mais se organizam, o fazem a partir de projetos que lhes permitam expressar artística e culturalmente  seus sentimentos, não sendo tão certo encontrá-los no movimento estudantil, nos grupos de jovens religiosos, atuando nas bases dos partidos políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10. Os carapintadas&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Aproximamo-nos, assim da última década do século XX, para encontrar movimentos juvenis que indicam a permanência de conteúdos políticos e culturais tanto do passado como do presente. Através da incorporação de aspectos da cultura e da política contemporânea, eles caracterizam as atuais práticas de contestação ou de campanha de massa, com presença da mídia.&lt;br /&gt; Com relação ao nome dado aos jovens estudantes foi um movimento estudantil brasileiro realizado no decorrer do ano de 1992 tendo como objetivo principal o impedimento do Presidente do Brasil e sua retirada do posto. O movimento baseou-se nas denúncias de corrupção que pesaram contra o presidente e, ainda, em suas medidas econômicas, e contou com milhares de jovens em todo o país. O nome "carapintadas" referiu-se à principal forma de expressão, símbolo do movimento: as cores verde e amarelo pintadas no rosto.&lt;br /&gt; Como os demais movimentos juvenis brasileiros os carapintadas também foram antecedidos por uma mobilização de forças políticas institucionalizadas, que lutavam pela defesa republicana.  O congresso brasileiro formara uma Comissão Parlamentar de Inquérito, CPI, para apurar os conteúdos das denúncias do irmão do então presidente da Republica, Pedro Collor, que apontara o tesoureiro de campanha daquele presidente como agente formador de quadrilha, na constituição de fundos ilícitos para a sua campanha eleitoral. Paralelamente, no dia 11 de agosto de 1992, oficialmente Dia do Estudante, as entidades nacionais estudantis realizaram uma passeata na capital do estado de São Paulo, reivindicando o impeachment do presidente Fernando Color de Mello.&lt;br /&gt;Os carapintadas podem ser considerados, assim, como os integrantes do último movimento ético político juvenil de massa, brasileiro, do século XX. Eles trouxeram a possibilidade de afirmação cultural da juventude estudantil através de expressões lúdicas, folclóricas, populares e carnavalescas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusão&lt;br /&gt; A sociedade brasileira, cuja estrutura oligárquica de poder não permite aos grupos de origem popular e subalterna emergirem como interlocutores íntegros perante toda  a sociedade, não possibilitou que se revelasse a força dos movimentos juvenis, na comunidade dos processos dos quais participaram. Neste contexto, de meados da década de 1960 em diante, até meados de 1980, os jovens integram movimentos voltados a restabelecer um ordem constitucional, que desaparecera do Pais por 21 anos de ditadura militar.  O estudo das relações dos partidos políticos democráticos, suas organizações juvenis e os movimentos estudantis, dos jovens do MST e dos jovens que integraram o Fórum Social Mundial permitirá maio compreensão dos projetos políticos presentes, uma vez que as lideranças juvenis estudantis da década de sessenta encontram-se, no final do século XX, preparadas pras novas disputas, dentre elas até a Presidência da Republica, por parte de ex-dirigentes da UNE.&lt;br /&gt; Nesta síntese sobre o lugar do jovem na historia brasileira podemos dizer que identificamos em vários momentos da história e das conjunturas políticas o protagonismo do jovem, manifestando-se nas conquistas políticas, através de suas organizações, de dimensão social. A mais significativa foi a UNE. Os jovens integrantes de todos os movimentos culturais e políticos democráticos incorporaram como princípio fundamental de suas práticas, a definição de democracia cultural, que Astrojildo Pereira expusera, pela primeira vez em 1944. Ela deve realizar-se através da liquidação do analfabetismo, da implantação da instrução gratuita, até o nível superior universitária em todo o País.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;  Síntese de Silon José Ferreira.&lt;br /&gt;  Veja CACCIA-BAVA,Augusto, PAMPÒLS,Carles  Feixa, GONZÁLES CANGAS, Yanko (org.) Jovens na América Latina. São Paulo: Escrituras Editora, 2004.P. 63-114.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-5812368865590217814?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/5812368865590217814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=5812368865590217814&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/5812368865590217814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/5812368865590217814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2010/03/o-lugar-dos-jovens-na-historia.html' title='O lugar dos Jovens na história brasileira'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-349697585053383300</id><published>2010-03-11T23:57:00.001-03:00</published><updated>2010-03-11T23:58:56.659-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos Hilário Dick'/><title type='text'>Moratória vital...</title><content type='html'>Ela nos acompanha em quase tudo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hilário Dick&lt;br /&gt; Mario Margulis, um dos coordenadores de “La juventud es más que una palabra” começa a introdução do livro dizendo que “a temática vinculada com a juventude tem sido sempre complexa e inquietante”. Embora possa ser mais do que verdadeiro, não deixa de irritar por que, afinal, qual a razão dessa dita complexidade? O jovem é surpreendente e, por isso, é complexo? Não deixa de ser verdade que a juventude é vanguarda, portadora de transformações (conhecidas ou imperceptíveis) nos códigos da cultura (sensibilidade, sistema perceptivo, visão das coisas, atitudes frente ao mundo, sentidos estéticos, concepção de tempo, valores, velocidades e ritmos) e incorpora com naturalidade as mudanças cada vez mais rápidas. Isso é inquietude ou complexidade? Qual é o problema em distinguir “adolescente” (12 a 17 anos UNICEF) e “jovens” (l5 a 30 anos)? São os jovens, em geral, os encarregados para tornar evidente a novidade da vida para gerações anteriores. Isso incomoda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; É no plano da “cultura” (mais do que da política e da economia) que se evidenciam as novas modalidades que a juventude vai assumindo perante a sociedade. Diz Margulis, com razão , que “vivemos num mundo em que caducam as antigas garantias no plano do trabalho e na reprodução da vida, que se apoiavam nos saberes, experiência, qualificação e direitos sociais” e aparecem questões que põe tudo em xeque. É isso que complexifica? Os jovens não acreditam mais nas formas em que a “política”, tradicionalmente, propunha oportunidades de participação e transformação. O fato de ser um “desafio”, será que isso toca na conceitualização mais decidida de juventude?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Contudo, somos levados a perguntar-nos mais do que uma vez: afinal, quem é esse jovem ou essa “juventude”? Uma construção histórica e social e não mera condição de idade? Significa algo, enfim, dizer que pode haver vários modos de “experimentar” a juventude? Olhar a “juventude” numa perspectiva cronológica ou biológica, é uma maneira. Contudo, ela, a juventude, não depende só da idade, da classe ou de uma geração. Pode ser é vista, até, como um “sinal” (signo) condicionando uma quantidade de atividades produtivas, ligadas com o corpo e a imagem, comercializando a “juvenilização”. A juventude é mais do que uma palavra... Ela vai-se tornando, igualmente um produto que se vende. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Encarar a juventude na perspectiva cultural, antropológica ou sociológica poderia ser “outra” saída. Fica claro, contudo, que ela é mais do que isso. E se tentássemos ver a juventude como um segmento que se manifesta na história? Não encontraríamos por aí elementos capazes de iluminar o conceito “juventude”? Parece que estamos frente a uma novidade inexplorada. Além do mais, os bispos do Brasil, num belo documento sobre “evangelização da juventude”  falam dela como de uma “realidade teológica”. Por detrás disso não poderiam esconder-se revelações que nos façam compreender o que seria, por exemplo, “cultura juvenil”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Reafirmamos, apesar de tudo, que a idade – com todas as restrições e todos os cuidados que isso exige – aparece, em todas as sociedades, como um dos eixos ordenadores da atividade social. Poder-se-ia dizer que a idade é um “parâmetro” concreto e que precisamos de parâmetros para estudar os fenômenos sociais, também a realidade juvenil. A categoria “juventude” é significativa, seu uso conduz a um marco de sentidos, mas o conceito “juventude” parece localizar-nos – de repente - num marco que – quando menos esperamos – se torna ambíguo, amplo e impreciso com todos e todas querendo ser “jovens”. As coisas pioram quando esta “juventude” se torna, além de tudo, um produto, um valor simbólico associado a características apreciadas, especialmente no campo da estética. A “juventude” tornou-se, de repente, “um modo de ser”...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A situação torna-se, novamente, nebulosa, quando se acrescenta que a “juventude” depende de uma “moratória”, isto é, de um espaço de possibilidades aberto a certos setores sociais e limitado a determinados períodos históricos. Postergam-se exigências (trabalho, estudo, família...) e a sociedade permite que essa “categoria” goze de “certo” período durante o qual ela (a sociedade) lhe brinda uma especial “tolerância”. Essa tolerância é tal que a juventude corre o risco de ser somente um sinal. Uma “estética da vida cotidiana”...  Desmaterializa-se o conceito “juventude”. Corre-se o risco de esquecer que a juventude, além de possuir uma dimensão simbólica, também tem que ser analisada desde outras dimensões (aspectos fáticos, materiais, históricos e políticos...) nas quais se desenvolve toda produção social. A juventude-sinal transforma-se em mercadoria (se compra e se vende) e intervém no mercado do desejo como veículo de distinção e de legitimidade. Esta moratória, contudo, seria de uma minoria, não entrando em seu recinto os setores populares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A juventude é, sim, uma condição constituída pela cultura, mas tem uma base material vinculada com a idade. A condição etária não alude somente a fenômenos de origem biológica (saúde, energia...). Também se refere a fenômenos culturais, antropológicos, sociológicos, históricos etc. Da “idade”, como categoria estatística ou vinculada com a biologia, passamos à idade processada pela história e pela cultura: o tema das gerações. Pode-se dizer que cada “geração” tem ou pode ser considerada como uma “cultura”. Ser de uma “geração” diferente significa ser diferente nas memórias e nas experiências. Percebe-se, de modo diferenciado, por exemplo, a morte, a velhice e a doença. Além de tudo, o papel social e familiar do jovem é ratificado cotidianamente pelo olhar dos outros. Surge, por isso, uma realidade que não pode ser esquecida e que é conhecida como moratória “vital”, complementar à moratória “social”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Pode-se pensar  a juventude – segundo essa nova leitura - como um período da vida em que se está de posse de um excedente temporal, de um crédito, de um “plus” como se tratasse de algo que está de “reserva”, algo que se tem a mais e do qual se pode dispor; um “algo” que nos menos jovens é mais reduzido, se vai gastando e vai terminando irreversivelmente, apesar de todos os esforços para evitá-lo. Essa “moratória vital” é crescente, na pessoa, até a idade dos 30 anos; depois ela, irreversivelmente, vai decrescendo. Dir-se-ia que a juventude tem um espectro de opções que vai, aos poucos, diminuindo... Este “plus”, típico do jovem, é que se chama de “moratória vital”. Em conseqüência, a definição de juventude incorpora também esta faceta “dura”, vinculada com o aspecto energético do corpo, com sua cronologia. Mas é algo mais do que pura biologia. Se tomarmos o corpo como suscetível de ser tratado como uma função-signo, a juventude, seria a dimensão funcional e a cronologia o suporte concreto sobre o qual se articulariam os sinais e sua expressão social. A juventude, contudo, como função, estaria exposta a um desgaste diferencial na materialidade como tal do corpo segundo o gênero e o setor social, deixando de ser mera cronologia para entrar a jogar no plano da durabilidade, linear e mais complexa. A matéria da juventude é sua cronologia enquanto moratória vital, objetiva, pré-social e, até, pré-biológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Graças a este critério (ou a este conceito) pode-se distinguir – sem confundir – os jovens dos não-jovens (pela moratória vital) e os social e culturalmente juvenis dos não juvenis (pela moratória social). Tomando a noção de moratória vital como uma característica da juventude, pode-se falar de algo que não muda por classe social ou por cor etc., mas que depende do conjunto de suas forças disponíveis, de sua capacidade produtiva, de suas possibilidades de deslocamento e de sua resistência ao esforço. A juventude, enfim, como “plus” de energia e como moratória “vital”, e não só “social”, como um crédito temporal, é algo que depende da idade. Resultante disso é, também, o que se pode chamar de “memória social incorporada”, diferente em quem tem 20 ou 54 anos. Não é possível deshistorizar nem as estruturas sociais nem pessoais. Ela se vai constituindo no plano da temporalidade. A marca histórica da “época” é determinante, mesmo com suas expressões diferenciadas. A “geração” é uma estrutura transversal, de memória histórica e acumulada; ela não é só questão de “data de nascimento”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Além disso, a juventude depende, igualmente, do “gênero” e do corpo processado pela sociedade e pela cultura. O “relógio biológico” da mulher, por exemplo, é diferente do “relógio biológico” homem. Ela (a mulher) tem um tempo vinculado com a sedução e a beleza, a maternidade, o sexo, os filhos e a energia, o desejo, a vocação e a paciência para te-los, criá-los e cuidar deles. Afirmamos com isso que a juventude não é somente um “sinal” nem somente “função” nem se reduz aos atributos “juvenis” de uma classe. As modalidades sociais do “ser jovem” dependem da idade, da geração, do crédito vital, da classe social, do marco institucional e do gênero. A juventude é uma condição que se articula, social e culturalmente, em função da idade (como crédito energético e “moratória vital”) ou como distância, frente à morte enquanto memória social incorporada, experiência de vida diferencial e como “moratória social” e período de retardamento, com o gênero, segundo as urgências temporais que pesam sobre o homem ou sobre a mulher e com a localização da família (marco institucional com o qual todas as outras variações se articulam). Tudo isso faz recuperar certa “materialidade” e “historicidade” no uso sociológico da categoria juventude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O que é fundamental, nessa visão, é que se encontram, neste debate, duas “realidades” que atravessam toda a história da juventude, como tal, e da juventude dentro da realidade social como um todo. Por um lado, a consciência que foi aflorando, no caminhar da história do segmento juvenil, do que seja “moratória social”, principalmente com a Revolução Industrial do século XVIII. Esta “moratória social” é uma expressão dos “adultos” visando a educação dos jovens. Mesmo que tome aspectos jurídicos, normativos e, até, policialescos, é uma atitude pedagógica frente à realidade juvenil. A moratória social foi criada “para” o mundo juvenil, fruto do esforço dos “adultos” para transmitirem aos “jovens” os valores da “tradição”, com um discurso que diz que o mundo não está começando agora e que ele deve ter esta ou aquela dimensão. A “moratória social” é, ao mesmo tempo, um “dom” que se dá ao mundo juvenil, mas um “dom” condicionado. Ela é uma expressão da sociedade para a juventude. A “moratória vital”, por outro lado, é uma realidade que nasce de dentro de todo jovem, “independente” de condicionamentos externos (classe, gênero, cor...). A moratória vital é da “natureza” do jovem. Um dom que lhe foi dado por ninguém “de fora” e se mostra na maneira efervescente, explosiva, indefinida, “incontrolável”, mas “algo” a ser “construído”, “direcionado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Estas duas “realidades” não são de ontem nem de hoje. Elas existiram e conflitaram, de formas “infinitas”, em toda a história humana, em todas as culturas (mundo judaico, grego, romano, idade média, idade moderna etc.). Uma das provas é a antigüidade que há no conceito do que é ser criança, púbere, adolescente e adulto. Diríamos que é um conflito visceral que acompanha a humanidade: jovem x adulto do qual não há como escapar. Poderíamos exemplificar isso com os paradigmas que funcionaram e funcionam no “trabalho” junto à juventude. Tomemos dois casos “extremos”: por um lado, tudo que aconteceu no mundo totalitarista do tempo de Hitler, Mussolini e outros e, por outro lado, tudo que sucedeu no que todos conhecemos como “maio de 1968”. A convivência da “moratória social” e da “moratória vital” nunca foi pacífica. O conflito pode estar mais ou menos “mascarado” ou “sob aparente controle”, mas ele existiu e existe, também hoje. Uma forma onde isso aparece é na forma com que se encara, no “trabalho com a juventude” a questão do empoderamento (emancipação) ou do protagonismo juvenil. Não é uma “questão pequena”. Está-se frente a uma questão pedagógica que repercute em todo trabalho com a juventude nas igrejas, nas instâncias governamentais, nos partidos, associações, movimentos juvenis etc. Está em jogo, realmente, o que se quer da juventude e com a juventude. Ir ao encontro, de fato, com a “moratória vital” favorecendo e incentivando o caminho da autonomia ou, tomar uma posição de “controle”, fazendo os jovens sonharem, somente ou em grande parte, com os sonhos dos adultos, dificultando o surgimento da novidade que toda sociedade precisa, embora seja uma “espera” revestida de temor ao imprevisível é uma dualidade que é preciso enfrentar. O “novo” assusta em todos os campos; a emergência da novidade nunca foi nem nunca será tranqüila. Esta é a razão da necessidade de amadurecermos mais a dialética entre “moratória vital” e “moratória social.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-349697585053383300?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/349697585053383300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=349697585053383300&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/349697585053383300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/349697585053383300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2010/03/moratoria-vital.html' title='Moratória vital...'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-782953514538837826</id><published>2010-03-11T23:54:00.001-03:00</published><updated>2010-03-11T23:57:05.562-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos Hilário Dick'/><title type='text'>JUVENTUDE, HISTÓRIA E AMÉRICA LATINA</title><content type='html'>Hilário Dick&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas coisas de juventude nunca vamos saber... No mundo e na América Latina. Não é exagerado dizer que a juventude, na história, é um assunto pouco explorado porque é um assunto que está, ainda, debaixo do tapete. As razões podem ser as mais variadas, com mais e menos preconceito, com mais e menos argumentação científica. Funcionam paradigmas; funcionam modos de olhar o segmento que chamamos “juventude”, diferente de “infância” e de “adolescência”; funcionam culturas; funcionam adultocentrismos históricos As razões de nossos esquecimentos ou de nossos escondimentos até são misteriosos. Por isso, apesar de tudo, dizer que, na história, a juventude é um grito silenciado, mas real, torna-se dia por dia uma convicção mais sedimentada. Ontem como hoje, não só na história “oficial”, a juventude  - que tanto precisa dizer que está aí - é obrigada a viver na invisibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se nos atrevermos a perguntar pelo que foram os jovens, na América Latina, certamente teríamos uma resposta semelhante à pergunta pelo motivo porque foram esquecidas, por exemplo, as mulheres na mesma América Latina. Por que essas perguntas teriam, ou não, sentido? Para quem trabalha com jovens, esta pergunta tem, ou não, razão de ser? O que pode significar para um jovem ou, então, para um pedagogo, um questionamento com esse teor? Se a consciência histórica é importante para a construção de uma personalidade, o que significa olhar a juventude acontecendo na história? O fato de a história ser adultocêntrica não deixaria de lado um aspecto que faz falta para ela ser mais objetiva? As decisões que influem na caminhada de um povo, de uma nação, de uma região, não teria nada a ver com a ausência das manifestações juvenis naquela época, naquele local, naquela cultura, naquela política, naquela economia? O que faz que algo seja “importante”, fonte de leitura e compreensão? Se acreditamos que, na construção da personalidade, o fenômeno do empoderamento juvenil é importante, o que teria isso a ver com uma leitura da juventude acontecendo na história? Por outro lado, isso seria somente uma preocupação pedagógica para agentes que trabalham com o segmento juvenil, no campo da educação? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um tempo em que se ouvia, com freqüência, a frase de Che Guevara afirmando que um povo sem memória é um povo sem coluna vertebral. Além de isso ser verdade, é um fato que a Bíblia dos cristãos, por exemplo, é formada por livros onde a memória é fundamental. Todos reconhecem que ter consciência da caminhada feita faz parte da personalidade de alguém e sabemos que a consciência crítica descrita por Paulo Freire e outros pensadores tem muito a ver com a história, seja pessoal, seja social. Refletir sobre o vivido é parte integrante de qualquer pessoa e não só para chorar sobre o leite derramado. Como se relacionam o passado, o presente e o futuro? Para um jovem que vai assumindo ou é convidado a abraçar a vida que lhe pertence e que lhe toca construir, que sentido teria uma consciência histórica? A história de uma outra geração não teria nada a nos “ensinar” na geração que vivemos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, são muitas as perguntas e não é por mera veleidade que nos atrevemos a iniciar um estudo sobre a juventude acontecendo na história de alguns países da América Latina. Após termos navegado por séculos , atrevemo-nos a navegar por geografias. Tudo tem seu limite, mas tudo pode ter seu sentido. As histórias se encontrariam? Haveria um “todo” que poderia valer para todos ou ficaríamos em pequenas mônades, tendo cada uma delas suas caminhadas, ficando em sua particularidade? O universo que pretendemos abranger, nesta primeira experiência, são nove países: Uruguai, Paraguai, Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Brasil, México e Guatemala. A escolha foi, de certa forma, aleatória, orientando-nos culturas que provocam especial curiosidade, como é o caso dos guaranis, dos incas, dos charruas, dos aimaras e dos astecas, “civilizações” que, na perspectiva juvenil, sempre despertam perguntas. A distância temporal e as próprias “culturas” das quais falamos, oferecem barreiras e somente um estudo bem mais detalhado poderia trazer respostas mais satisfatórias. Contudo, é preciso começar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Civilidade e barbárie&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começaremos com algumas observações que poderiam servir de conclusão, mas ajudam a situar as reflexões que seguem. Luis Alexandre Cerveira, através da análise de um aspecto bem específico no relacionamento com o mundo indígena, especialmente no Sul da América do Sul , aponta para uma dimensão que é preciso ter em conta estudando a juventude em países como Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile, por um lado, e Peru, Bolívia, Guatemala e México, de outro. O que fica evidente é que uns estão mais próximos daquilo que chamamos de cidade, isto é, da “civilidade”, e que os outros se movimentam, claramente, no campo, nas enormes planícies que abrangem Uruguai, Argentina, Paraguai e o Sul do Brasil, considerados como espaços daquilo que se apelida de “rudeza” e barbárie. Falando, por exemplo, de “paixão”, Cerveira diz que “a vivência das paixões, no campo, traz em si uma característica que a singulariza. O ambiente rural parece ter sido o espaço por excelência do viver sem amarras, de um viver espontâneo e sem grandes contenções, facilitado por uma ocupação humana esparsa e pelas longas distâncias dos centros urbanos” (189). Que repercussões teria isso junto à juventude nos dois espaços e no tratamento que a juventude receberia por parte dos adultos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que fica evidente que há duas situações que mereceriam ser aprofundadas, também na perspectiva histórica: os jovens mais próximos ou mais afastados da realidade “urbana”, “citadina” ou, então, mais próximos do “campo” ou, como diz Cerveira, da “barbárie”. Diz este autor, por isso, que “o antagonismo entre barbárie/campo e civilização/cidade não mais saiu da pauta daqueles que se propuseram a pensar a formação do estado, da sociedade e, por conseqüência, do agir destes grupos humanos” (189). Faz menção, logo em seguida, à clássica relação feita por Hobbes em sua obra “Leviatã”, em que o estado de “natureza” é uma situação de barbárie, na qual os homens estão sob o controle de suas paixões, sem nenhum limitador externo. Logo, “sua proposta de implantação de um Estado passa pela supressão das paixões através da mão forte do Leviatã” (189). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensamento semelhante é defendido pelo argentino Domingo Sarmiento em Facundo: civilização e barbárie (1939) e retomado por José Carlos Barran em Historia de la sensibilidad en el Uruguay” (1991). Para este “la historia de la sensibilidad en ese Uruguay del siglo XIX es la de la lenta desaparición del pathos e la también lenta aparición del freno de las ´pasiones interiores´” (191). O relacionamento do mundo espanhol com o mundo aborígine,  encarnando orgulhosamente uma visão “civilizatória”, não deixaria de ter suas conseqüências. Também os jesuítas das reduções não escaparam disso e, por isso, o discurso deles da “reforma dos costumes”... Estava em jogo, portanto, uma questão radical de choque de civilizações e que não deixava de repercutir, de forma muito especial, no mundo juvenil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se podemos dizer que o/a jovem é o ser humano onde a paixão tem suas primeiras manifestações, a situação se torna mais complexa, ainda, quando temos que concordar com Cerveira dizendo que “a sensibilidade bárbara tem como característica a predominância de um comportamento pautado por excessos, um comportamento que, no geral,  não se dobra às ordenanças clericais, estatais ou judiciais” (193). São enormes as conseqüências dessa situação, diferenciadas, se pensamos, por um lado, em mundos como o dos charruas e dos guaranis e, por outro, no mundo dos aimaras, dos incas, dos maias e dos astecas. Isso porque devemos considerar que “o excesso e o descontrole são características fundamentais da paixão, e que é possível afirmar que a sensibilidade bárbara predominante no campo é uma sensibilidade em que a paixão é a protagonista” (193). Teria isso algo a ver, por exemplo, com a forma com que os charruas e os mapuches lutaram contra o invasor espanhol? Por um lado temos o envolvimento do mundo dos “civilizados” e, por outro, o mundo dos “brutos”, como falavam os jesuítas, dando ao termo um significado muito especial. “A idéia que fica é que estas populações estariam em um estado de ´barbárie´, de selvageria, já que ´se retiran ellos a lugares apartados y a la espesa selva, como  si fuesen fieras” (194).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo da invasão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a primeira reflexão no início desse estudo sobre a realidade juvenil nos nove países que vamos encontrar. A segunda relaciona-se com o tempo da “invasão” espanhola. Tudo parece ter acontecido ao mesmo tempo... em extensões imensas. No Uruguai os espanhóis chegaram em 1516 com feroz resistência dos índios charruas; no Chile Pedro de Valdívia chegava em 1541, defrontando-se com os mapuches; no México, quando Cortés invadia aquelas terras, a capital dos astecas se chamava Tenochtitlan que rondava pelos 300 mil habitantes; no Paraguai Domingos Martinez de Irala se encontrava com os guaranis pelos anos de 1536;  no Peru, Pizarro encontrou-se com os incas em 1531; na Bolívia chegava, em 1535, Diego de Almagro e 29 anos depois a cidade de Potosi já tinha 120 mil habitantes; e na Argentina (no mesmo ano que Uruguai), Juan Dias de Sólis, com oposição de culturas variadas, oficializava a conquista do território em 1516. Era o mundo espanhol destacando-se em seus avanços por um continente onde os aborígines nunca foram respeitados. Como diria Darcy Ribeiro, tentava-se formar nações através de um povo europeu transplantado, onde os aborígines não puderam ter sua voz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio intrigante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira reflexão também se refere a épocas. É intrigante, por exemplo, o silêncio – no viés juvenil – dos séculos 17 e 18, o tempo em que as colônias se separavam dos seus poderes de dominação. Contudo, a localização da afirmação dos países aqui considerados através da independência, é impressionante. A Argentina celebra sua independência em 1816; o Chile faz o mesmo em 1818; a Bolívia em 1825; o Peru em 1821; o Paraguai em 1811; o México em 1821; o Brasil em 1822 e o Uruguai em 1828. Estávamos, portanto, no século 19. Movimentações que são conhecidas, antes do início do século 19, são a Inconfidência Mineira, no Brasil; a maior rebelião indígena das história das Américas liderada por Tupac Amaru entre 1780 e 1781, no Peru; de alguma forma a revolta dos guaranis resultando na morte de Sepé Tiaraju na região do Paraguai, nas décadas de 1760; as brigas dos autonomistas na Argentina; as sublevações de Chuquisaca em Sucre (Bolívia) e nada de especial no Chile. Quem teria preparado, no entanto, os gritos de independência que explodiriam no século 19? A juventude teria algo a dizer nesta história?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manifestações da gritaria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro dado refere-se à outra coincidência: a inquietude política e cultural do começo do século 20, na mesma época em que, na Europa, floresceriam as realidades do fascismo (Itália), do nazismo (Alemanha) e do falangismo (Espanha). No Uruguai aparece a figura de Enrique Rodo que, aos 28 anos, lança uma obra intitulada Ariel e que repercutiria muito além das fronteiras, como foi o caso do Chile. No Chile aparece, igualmente, a figura do poeta Vicente Huidobro, com grande influência na Federação dos Estudantes do Chile que, em 1918, fundam a Universidade Popular Lastarria. Por outro lado, impressiona a presença do nazismo entre a juventude chilena que, além de se tornarem conhecidos pelo massacre do Seguro Obrero, mais tarde fundariam o que seria, o Partido Democrata Cristão. Na Argentina, uma obra influente é El hombre medíocre, de José Ingenieros (1917), apelidado pelos universitários como Maestro de la Juventud de América Latina. Um fato que marca a América Latina é a revolta dos universitários de Córdoba, em 1918. No Uruguai, quem toma o comando da caminhada é o battlismo, isto é, de José Battle y Ordoñez, fazendo reformas substanciais na política e na vida social, sendo presidente de 1903 a 1915. No México, na mesma época, acontece o que é conhecido como Revolução Mexicana, aparecendo as figuras de Emiliano Zapata, de Pancho Villa e, um pouco depois, uma guerra civil de caráter religioso conhecida como Guerra Cristera; no Brasil, além da Semana de Arte Moderna, temos manifestações do movimento tenentista de 1922 e a reação juvenil integralista com a figura de Plínio Salgado; no Peru aparecem figuras influentes como Victor Haya de la Torre, fundador do aprismo, em 1923, assim como José Carlos Mariátegui, fundador do Partido Comunista Peruano que, aos 25 anos, se tornara tão conhecido que teve que ser exilado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que Silêncios Juvenis Latino-Americanos não deixa de ser um atrevimento. Trata-se de desbastar um campo complicado. Mesmo não tendo condições de adonar-nos de documentos históricos, até essenciais, temos consciência que é um primeiro passo. A pretensão é lançar pistas, talvez primárias, mas pistas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-782953514538837826?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/782953514538837826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=782953514538837826&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/782953514538837826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/782953514538837826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2010/03/juventude-historia-e-america-latina.html' title='JUVENTUDE, HISTÓRIA E AMÉRICA LATINA'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-3149647267447264408</id><published>2010-03-11T23:51:00.002-03:00</published><updated>2010-03-11T23:54:35.736-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos Hilário Dick'/><title type='text'>ARTICULAÇÕES JUVENIS, CATÓLICAS, DA AMÉRICA LATINA</title><content type='html'>INTRODUÇÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar da religiosidade juvenil articulada e institucionalizada na América Latina apresenta limites, especialmente pela extensão e pela variedade. Há realidades, contudo, que merecem e precisam sair para fora dos muros das igrejas. O objetivo é socializar “articulações juvenis”, católicas, no continente latino-americano. Embora as pesquisas mostrem que a participação dos jovens, nestas “articulações”, de diferentes igrejas, é a mais representativa em nível de “participação”, são poucos os estudos que aprofundam o assunto. Usamos a palavra “articulação” querendo expressar diversas formas sistemáticas de relacionamento das instituições na geografia da “organização”.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Uma das características destas “articulações juvenis religiosas” é que tratam de uma vivência que sai da pertença “formal” para se tornar algo do cotidiano da vida do jovem, resultando nalguma “organização”. Não se quer falar, somente, da presença ou realização de “assembléias” ou de eventos que decidem ou preparam outros eventos maiores: trata-se de falar de um “modo de ser” que marca o fazer diário de milhares de jovens com reuniões semanais e participação de atividades que atingem milhares de grupos de jovens dispostos a intervirem na sociedade através de momentos específicos de “formação” e formas de “organização”, amadurecendo um “estilo de vida” abraçado espontaneamente e de conseqüências concretas no todo da vida do jovem participante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São muitas estas “articulações de jovens” na perspectiva religiosa, dentro das igrejas. Restringir-nos-emos a algumas destas, consideradas mais significativas, dentro da Igreja Católica. Um dos critérios de escolha das articulações é sua “extensão”, isto é, o espaço geográfico que elas abarcam. Não vamos ater-nos em “articulações” que se limitam a um município, a uma “paróquia”, a uma “diocese” ou, até, a um espaço maior, como pode ser um Estado, embora sejam muitas. Além disso, com vontade de ser um olhar latino-americano, vai ficar evidente que não deixa de ser um olhar nascido em realidade brasileira.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Outro critério relaciona-se com o caráter da organização, isto é, sua “pedagogia” ou sua “filosofia” de conceber a intervenção no campo juvenil. Priorizamos as “articulações” onde o jovem (e não o adulto nem o carisma nem agentes “adultos”) é o protagonista, cabendo-lhe “direção” ou “coordenação”. Trata-se de articulações que são “de” e não “para” jovens. A opção é por experiências em que o jovem seja o protagonista ou auxiliado para assumir este protagonismo. É a razão que nos leva, em nossa visão, a considerarmos “estruturas” que apóiem, respeitem e promovam o protagonismo juvenil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro critério é a “significação” destas articulações. O fato de uma “Pastoral da Juventude” poder contar com cerca de 120 mil grupos que se reúnem, semanalmente, em diferentes países é considerado “significativo” . Outro “fato significativo” é podermos encontrar esta “articulação” em nível continental e intercontinental, espalhada pela maioria dos países da América Latina com seus grupos, seus estudos, sua formação, sua produção “científica” e suas “estruturas” espalhadas em locais estratégicos .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro destas delimitações, visualizamos, primeiramente, as “articulações” que se denominam “Movimentos” ou “Pastorais”. Pelo termo “Movimento” entende-se o que o “Código de Direito Canônico” da Igreja Católica define como “Associações de Fiéis”  nos cânones 298 a 329. Quando se fala em “Pastorais” tomamos como objeto as “Pastorais de Juventude” ou “Pastorais Juvenis”. Falamos no plural porque pode haver “Pastorais de Juventude” em níveis geográficos e hierárquicos diferentes, articulando-se como tais. O termo “Pastoral” significa a ação organizada da Igreja em geral e das Igrejas Particulares (dioceses), de forma participada, em espírito de “comunhão e participação”, tendo como ponto de referência o pastor (bispo da diocese) ou um conjunto de bispos agindo em “colegialidade” definida na Constituição Apostólica “Lumen Gentium”, do Concílio Vaticano II nº 51 a 56.  A “Pastoral da Juventude” ou, então, as “Pastorais da Juventude” são a ação organizada (vivência comunitária da fé inserida na realidade social, e não só vivência dos sacramentos) dos jovens sendo igreja, tanto em caráter particular (diocese) como em caráter mais amplo, envolvendo diversas dioceses da mesma jurisdição (Estado, país e diferentes países) ativando uma articulação com objetivos, propostas, planejamentos e estruturas de apoio comuns. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vislumbramos, com isso, experiências que congregam uma caminhada conjunta seja como “Movimento Juvenil” seja como “Pastoral de Juventude”. Como “Movimentos Juvenis”, na América Latina, entendem-se, aqui, as articulações que têm seu nascedouro na Ação Católica Especializada, a partir da década de 1950. São movimentos de jovens coordenados por jovens – o que os diferencia de outros que não serão objeto desta apresentação. Destaca-se o Secretariado Latino-Americano do Movimento Internacional de Estudantes Católicos (MIEC) e da Juventude Estudantil Católica Internacional (JECI) com sede em Quito, no Equador . Por outro lado, por seguirem o carisma de Congregações, sem terem os jovens como “protagonistas” em suas articulações, não se considerarão experiências de diversas Congregações (Maristas, Lassalistas, Salesianos e Salesianas e muitas outras denominações). Não é um juízo de valor; é delimitação do campo a pesquisar. Pode-se dizer até, que o “Secretariado” a ser apresentado toma a dimensão de “sacramento” de experiências semelhantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assumimos como “Pastorais de Juventude” as articulações das ações evangelizadoras destas “Pastorais” em nível latino-americano, destacando experiências consideradas significativas, em nível de organização, de modelos, de história ou de caminhada em suas estruturas de acompanhamento, de organização, de formação e espiritualidade. Estaremos, novamente, frente à necessidade de outra limitação porque, embora procuremos acentuar a caminhada do conjunto, há países que se destacam, por diferentes razões: maturidade da caminhada, significação numérica, gravação da memória, serviços de apoio, produção teórica. É uma caminhada semelhante em diferentes estágios, variada e igual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as experiências a serem apresentadas selecionamos três: 1) o Secretariado Latino-Americano do Movimento Internacional de Estudantes Católicos e da Juventude Estudantil Católica Internacional (MIEC-JECI) com sua história, seus objetivos, publicações, momentos de formação; 2) a articulação das “Pastorais de Juventude” encabeçadas pela Seção Juventude da Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM), especialmente através dos Encontros de Responsáveis das Pastorais de Juventude das diferentes Conferências Episcopais Nacionais (latino-americanas) com suas publicações, encontros, diretrizes, espaços de formação e articulação e Congressos; 3) a Rede Latino-Americana de Centros e Institutos de Juventude que acompanha essas “Pastorais” como “rede”, considerando seus objetivos, atividades, publicações, espaços de formação, ajuda mútua e aprofundamento, encontrando-se num marco teórico comum. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. O Secretariado Latino-Americano do Movimento Internacional de Estudantes Católicos (MIEC) e da Juventude Estudantil Católica Internacional (JECI)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um “movimento” provindo de movimentos distintos que consagram tradições, também distintas, embora com momentos, especialmente na América Latina, de incorporação mútua de elementos de identidade que ajudam sua consolidação e crescimento. Merece ser conhecido por sua extensão e por suas atividades através da articulação sistemática de grupos na maioria dos países da América Latina, por sua estrutura de acompanhamento e pela formação que suscitou e suscita através de publicações, banco de dados da realidade juvenil e eclesial, encontros e cursos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Movimento Internacional de Estudantes Católicos (MIEC) era conhecido com o nome de “Pax Romana”, fundado em 1921, antes de mobilizações como a juventude hitlerista (Alemanha), a juventude fascista (Itália) e a Juventude falangista (Espanha). Ao longo de sua história foi adotando diversas denominações. No início constituiu-se como “Oficina de Coordenação”; logo depois como “Confederação Católica de Estudantes de todo mundo”. Pretende agrupar e representar as formas de organizações católicas no mundo universitário, servindo como instrumento de coordenação e animação. Reúne uma grande diversidade de experiências: Centros de Reflexão Cristã, Paróquias Universitárias, Federações Nacionais, Grupos de Ação Católica etc. Seu principal objetivo é “agrupar os estudantes católicos para permitir-lhes participar, como estudantes, nos debates sociais e culturais da sociedade em que vivem”. Somente após 25 anos assumiram-se como “movimento”, segundo as normas do “Direito Canônico” da Igreja Católica, com sede em Friburgo, em 1946. O Secretariado Latino-Americano  (SLA) é, neste momento, um dos secretariados continentais do movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Juventude Estudantil Católica Internacional (JECI) tem sua origem na Ação Católica Especializada, impulsionada por influência de Joseph Cardijn (Bélgica), incentivando o cultivo da presença juvenil da Igreja, no mundo, em diversos espaços (o mundo operário, universitário, camponês e estudantil). Buenaventura Pellegri, ex-assessor latino-americano e internacional, diz que a JECI nascia como uma experiência pastoral no meio estudantil, secundário e/ou universitário, com objetivos claros, assumindo uma visão teológica, pedagógica e eclesial definida, o uso sistemático do método Ver-Julgar-Agir, com um slogan que resumia suas perspectivas: “todo o cristianismo em toda a vida”. Na América Latina a JECI teve desenvolvimento decidido nos anos posteriores à II Guerra Mundial, destacando-se o Peru, a Argentina, o Chile, a Bolívia, o Haiti, o Brasil e o México.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro encontro internacional da JECI se realizou em 1946, oficializando sua identidade com o meio estudantil. A JEC, embora internacional, encarnava-se em cada país, com formas específicas de organizar-se, produção de subsídios pedagógicos, semanas de estudo e assembléias em comunhão com o todo. No Brasil, em 1960, havia seis mil grupos da JEC localizados, espalhados e articulados pelas diferentes regiões do país através de uma equipe escolhida de estudantes, com sede no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o MIEC era uma experiência que articulava vários tipos de experiências de “Pastoral Universitária”, encontrando-se com experiências de Juventude Universitária Católica e outras, de forma semelhante, a JEC articulava grupos de estudantes do “ensino secundário”, com suas diversas terminologias continentais. A JEC é um “movimento” com uma pedagogia que se traduz num instrumento pedagógico conhecido como “Revisão de Vida”. É conhecida a afirmação de Mons. Proaño, bispo de Riobamba (Equador), dizendo que “nunca deixei de usá-la (a Revisão de Vida) em todos os campos da vida. É uma das coisas mais importantes que aprendi na minha vida. Tenho-a diante de mim. Penetrou em mim como a medula de meus ossos”  . É uma maneira de “construir Igreja” a partir do protagonismo dos estudantes, encarnando o compromisso de fé no mundo através da transformação da educação, vinculando fé e vida. Mesmo que o episcopado brasileiro, em 1968, declarasse extinta a JEC, ela prosseguia ativa através do Secretariado Latino-Americano. No Brasil, ela havia-se desenvolvido, principalmente, a partir de 1954, inserindo-se progressivamente no movimento estudantil e na problemática “social”, o que a levou a ser questionada por uma parte da hierarquia eclesiástica . Ao mesmo tempo em que era expressão de temor, manifestava um cenário de Igreja para o qual não era pacífica a relação íntima entre fé e realidade social, fé e política etc. É um movimento que educa como um todo, educa como organização, educa pelo método e por uma mística adaptada à vida estudantil, onde a palavra-chave é “engajamento”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No continente latino-americano os dois movimentos funcionavam “articulados”, mas independentes um do outro. No início do século XXI ela (a JEC) prossegue atuante no Chile, na Bolívia, na República Dominicana, no Peru (traduzida pela JEC, como tal, e pela UNEC – União Nacional de Estudantes Católicos) e no Haiti (sem considerar os países de outros continentes). Por muitos anos o SLA do MIEC-JECI podia contar com seis a sete estudantes (em geral universitários) representando diferentes experiências nacionais, formando a equipe do Secretariado. .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora houvesse uma caminhada em conjunto, as relações do MIEC e da JECI não foram e não são “pacíficas” em todos os aspectos. No princípio, era uma simples “aproximação”, havendo momentos em que as tensões relacionadas com o espaço a partir do qual realizavam seu compromisso específico, eram fortes. Tanto o MIEC como a JECI tiveram, até o final da década de 60, um secretariado latino-americano próprio, funcionando independentemente, em diferentes lugares: o MIEC tinha sua sede em Medellín (Colômbia) e a JECI no Rio de Janeiro (Brasil). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de que existissem dois movimentos com interesses comuns, procurando evangelizar o mundo estudantil na América Latina, eram vistos pela Igreja do continente como um fator que poderia ser enriquecido como espaço de colaboração. Foi por isso que o CELAM  promoveu uma aproximação, numa perspectiva de comunhão entre o MIEC e a JECI – o que foi aceito pelas duas experiências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa primeira instância partilharam uma sede comum dos dois secretariados, em Montevidéu (Uruguai), a partir de 1967. Em julho desse mesmo ano, realizou-se, no México, o III Seminário Latino-americano de Pastoral Universitária, organizado conjuntamente pelos dois movimentos resultando um avanço no processo de unificação dos movimentos. Logo depois o trabalho no Centro de Documentação, as publicações e as reflexões comuns fizeram que se fosse dando uma aproximação maior entre eles, até chegar à conformação de um só Secretariado Latino-Americano no Comitê de Cali (Colômbia), em 1970. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A expressão institucional máxima das duas experiências são os “comitês”. Os Comitês Latino-Americanos provinham da estrutura da JEC e foram tendo importância como reunião dos dirigentes nacionais dos distintos movimentos de “PAX ROMANA MIEC-JECI”. Dada a transparência do evento, a reunião de Cali (1970), pode ser considerada como a primeira reunião conjunta, com caráter de Comitê Latino-Americano do MIEC e da JECI, decidindo que o Secretariado comum funcionasse em Montevidéu.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em 1972, no entanto, vítima da repressão da ditadura militar que governava o país, o Secretariado teve que sair de Montevidéu, transferindo-se para Lima (Peru), onde ficou durante 20 anos. A difícil realidade peruana, no final da década de 80 e inícios de 90, marcada pela violência política (especialmente pela atuação do grupo guerrilheiro “Sendero Luminoso” e pela situação crítica da economia) fizeram que o compromisso peregrino e missionário do SLA buscasse novo lugar de acolhida. Por isso, desde janeiro de 1993, Quito (Equador) é a nova sede do SLA. São dados que comprovam que o movimento ia além de seus muros, mesclando-se na realidade social e política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida, tanto da JEC como do MIEC, manifesta-se nos grupos com sua vida particular, e de movimento como tal. O lugar por excelência de atuação são os colégios e as Universidades, defendendo a necessidade da inserção dos grupos e seus participantes nos organismos intermediários da sociedade civil. O que caracteriza o movimento, de modo especial, é sua pedagogia de inserção, incentivando uma fé comprometida com a realidade social, especialmente estudantil, com todas as conseqüências que daí poderiam provir. Para tal, um “instrumento” pedagógico importante foram assessoras e assessoras teológica e sociologicamente preparadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. As Pastorais de Juventude na América Latina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um diagnóstico de uma Pastoral Juvenil articulada em todos os países da América Latina é uma tarefa difícil. Cada país carrega e abraça a sua realidade que exige respeito e consideração. Por isso, é necessário falar de “Pastorais de Juventude”. É um “todo” que caminha “unido” por diferentes trilhas. Suas diretrizes e sua proposta encontram-se expressas em “Civilização do Amor – Tarefa e Esperança”  retomada, de alguma forma, pelo episcopado brasileiro em “Evangelização da Juventude: Desafios e Perspectivas Pastorais” (2007)  .&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 2.1 Uma visão histórica na perspectiva “estudantil”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil imaginar, contudo, esta articulação das Pastorais se não olharmos para alguns dados históricos. Queremos referir-nos, de modo especial, à JEC dos anos 60, dentro do conjunto da Ação Católica Especializada. O final da década de 60 e a década de 70 foram anos de muita efervescência em toda a América Latina, especialmente no campo da evangelização juvenil católica. Países que merecem destaque são Uruguai, Argentina, Paraguai, Brasil, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, El Salvador, Haiti e México. A revolução socialista parecia estar em todas as esquinas e em muitos corações de jovens. Além dos fatos tipicamente juvenis, é hora de rememorar, por exemplo, o significado que teria também para os estudantes o movimento dos Cristãos para o Socialismo e o movimento dos Sacerdotes para o Terceiro Mundo. Olhando para três grandes “Regiões” da América Latina, podemos apontar fatos e pessoas, expressões de uma realidade mais ampla. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Cone Sul&lt;br /&gt;Na ARGENTINA a JEC e a JUC deslancharam, especialmente, depois de 1954. Um evento efervescente, envolvendo tanto a JEC como a JUC, se deu em 1968, através do “Cordobazo”. Não deixava de recordar o “Bogotazo” de Bogotá, em 1948 . Em 1974 era assassinado, no dia 11 de maio de 1974, frente à sua paróquia, o P. Carlos Mujica, assessor da Juventude Estudantil Católica (JEC) de Buenos Aires. Ele conhecera Gustavo Ramus, Fernando Abal Medina e Mario E. Firmenich, fundadores da organização "Montoneros", com participação significativa de militantes da JEC. Em quatro de julho de 1976 eram massacrados, também em Buenos Aires, cinco sacerdotes palotinos. Uma das acusações que aparecia nos muros é que estragavam as mentes dos jovens. &lt;br /&gt;Do BRASIL, em meio a expressivas manifestações culturais e políticas, extraímos o que significaram as mobilizações por ocasião do assassinato de Edson Luis Nascimento (1969), uma morte que a JEC do Brasil assumiu como uma espécie de “exemplo”, e de Alexandre Vanucchi. O mais dramático foi que, no meio desta efervescência de muitos rostos, quando muitos estudantes tiveram que recorrer ao exílio, para não serem presos, a Ação Católica Especializada era desautorizada (morta) pela hierarquia, apesar da resistência de D. Helder Câmara, de D. Cândido Padim e outros bispos próximos à Ação Católica Especializada. O encaminhamento de outra proposta pedagógica de ação evangelizadora junto à juventude veio ligeiro porque, ainda em 1969, em São Paulo, começaria a experiência dos encontros de EMAÚS através de Mons. Calazans, batendo de frente contra a pedagogia assumida pela JEC. Outra experiência bem sucedida – também sob o influxo da pedagogia do impacto dos Cursilhos de Cristandade - foram os encontros de jovens através do TLC (Treinamento de Liderança Cristã). O método que começou a vigorar era o da pedagogia do impacto, onde o central era o mundo dos afetos e o incentivo a uma prática eclesial voltada prioritariamente para a prática sacramental. Os mais visados, por estes tipos de encontros, eram os universitários e os grupos paroquiais (não mais da Ação Católica Especializada) . A memória da Ação Católica Especializada seria retomada através da articulação da Pastoral Juvenil, em 1984.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No CHILE a JEC estava viva e a presença de D.Manuel Larrain (1900-1966) e do Padre Alberto Hurtado - sacerdotes católicos expressivos em nível nacional – servia de incentivo a esta mobilização juvenil. D. Larrain foi um dos fundadores do Conselho Episcopal Latino-Americano, encarnando nítida visão libertadora.  Entre os muitos desaparecidos do golpe militar de Pinochet fala-se, de modo especial, de Patrício Leon, pertencente à equipe do Secretariado Latino-Americano da JEC internacional. Assim como os estudantes tomavam a catedral de Santiago, reclamando contra os gastos da viagem do Papa para um Congresso Eucarístico em Bogotá, em sinal de protesto também invadiam a Universidade Católica.  Foi em 1971 que surge, em Santiago, o Instituto Superior de Pastoral Juvenil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No PARAGUAI os anos mais violentos foram 1969 e 1970. Era escancarado o conflito entre Igreja e Estado. Comprometido com a JEC, o P. Uberfil Monzón (uruguaio) em visita aos grupos da JEC, foi seqüestrado e torturado. Destacou-se, como fonte de resistência, a paróquia Cristo Rei, dos jesuítas, em Assunção, localizada ao lado de um colégio importante da cidade, apoiando a mobilização dos estudantes. Além de estudantes, vários religiosos (jesuítas) foram expulsos do país ou aprisionados.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O URUGUAI não ficou fora destas “agitações” da JEC de 1960. Não ficaria sem conseqüência o fato de o SLA da JECI estar em Montevidéu. Além disso, os anos de 1968 a 1972 foram de intensa politização dentro do movimento da JEC, não ficando longe da articulação do Movimento Nacional de Libertação conhecido como “Tupamaros”. Acompanhavam os grupos da JEC assessores preparados e comprometidos com a Teologia da Libertação. O Secretariado Latino-Americano do MIEC-JECI foi, por isso, um dos espaços onde a repressão encontrou motivos de intervenção. É suficiente recordar que 30 a 40% dos militantes da JEC tiveram que deixar o país. Anos depois, por uma estratégia frente à conjuntura política do país, foi através da JEC que se articulou a Pastoral Juvenil uruguaia. Uma das razões referia-se ao fato de as paróquias serem, ainda, os lugares menos visados pela repressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Região Bolivariana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na BOLIVIA, o fato de Che Guevara ter sido assassinado aí em 1967, não passava ignorado pelos estudantes católicos. Mesmo que não fosse uma realidade única, por um tempo a JEC foi identificada com o Movimento de Esquerda Revolucionário. Entre os vários assistentes, destacou-se, a partir de 1962, o P. Francisco Dubert. Na guerrilha de Teoponte (1970) era morto o estudante da JEC Nestor Paz Zamora. Os centros de manifestações estudantis que mais se destacaram nas expressões de descontentamento localizaram-se em Sucre, Cochabamba, Oruro e Potosi. É em Potosi que encontramos, ainda hoje, um dos centros mais significativos da JEC da Bolívia.&lt;br /&gt;Na COLOMBIA exerceu, nos anos 60, um papel importante a Central Católica de Juventudes . O que mexeu mais com os estudantes da JEC e da JUC, iniciando a viver um contexto de guerrilha e de socialismo, foi o exemplo do Padre Camilo Torres abandonando o ministério sacerdotal e a cadeira de Sociologia na Universidade para inscrever-se na guerrilha.  Ele era capelão da Universidade Nacional e, juntamente com outros participantes, fundou a Faculdade de Sociologia. Deixando o ministério sacerdotal Camilo intensificou a sua participação política, criando a "Frente Unida do Povo" espalhando suas reivindicações através de mensagens aos cristãos, aos militares e aos camponeses. Em 15 de fevereiro de 1966 morria em combate. Até hoje não se sabe onde o exército colombiano enterrou seu corpo. É em Bogotá que surge, nesta época, o Instituto de Pastoral Latinoamericano de Juventud (IPLAJ), substituído, anos depois, em seus objetivos, pela “Casa da Juventude”  que formou agentes junto aos jovens de toda a América Latina. &lt;br /&gt;No EQUADOR, como fruto de uma politização dos grupos de estudantes católicos, se dá – como sinal de descontentamento pela postura política assumida pelo núncio do Vaticano - o apedrejamento da nunciatura apostólica. A politização excessiva – segundo a versão dos que acompanham este movimento no Equador - foi uma das causas do enfraquecimento dos grupos da JEC. A militância se dava especialmente nos bairros e nos sindicatos, deixando de lado o movimento estudantil. Apesar disso, Quito tornar-se-ia, a partir de 1978, sede do SLA da JECI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERU, pela presença do P. Gustavo Gutierrez – o primeiro sistematizador da Teologia da Libertação e assessor da UNEC - e outros assessores, como Luis Fernando Crespo, foi sempre um país onde a UNEC (o que correspondia à JUC) e a JEC sempre foram significativos celeiros de políticos e intelectuais destacados em medidas tidas como revolucionárias. Foi para lá que se transferiu (de Montevidéu, 1967), o SLA da JECI. No tempo do movimento político “Sendero Luminoso” (1972), por motivos de segurança, o movimento julgou melhor transferir seu Secretariado para Quito. É um dos países onde, na atualidade, os grupos da JEC têm mais vitalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; América Central&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na COSTA RICA, em proporções menores que em outros países, não faltaram os conflitos na década de 60. Participantes da JEC e da JUC colaboraram no seqüestro de um rico da cidade de San José e não muito mais. Vale destacar que, com bastante apoio da hierarquia, o P. José Maria Pujadas começaria aí, assim como em outros lugares, especialmente da América Central, os “Encuentros de Promoción Juvenil”, com influência dos padres salesianos adotando, também, a metodologia do Cursilho de Cristandade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EL SALVADOR foi, nos anos de 1970, o pulmão dos grupos da JEC de toda a América Central através de lideranças fortes apoiadas pelo Secretariado Latino-Americano do MIEC-JECI. Em 1975 houve matanças de estudantes em várias cidades. Uma das lideranças mais reconhecidas era Juan Deplanke que, em 1977, foi expulso do país. Entre as muitas mortes, fala-se da estudante Ana Maria Castillo, mas havia muitas outras. A guerrilha de vários anos impossibilitou uma articulação mais significativa de grupos da JEC porque a situação política não permitia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na GUATEMALA é impossível saber o número de mortos por causa da libertação. Basta dizer que, em dois anos (1979 a 1981), foram mortos 12 sacerdotes e milhares de outros cidadãos, homens, mulheres e jovens. Davam-se verdadeiros massacres, especialmente na região de El Quiche onde as “comunidades eclesiais de base” eram incentivadas por evangelizadores assumindo a mística da opção pelos pobres. Isso mexia com os jovens desejosos de viver a fé cristã e assumiram esta bandeira. Entre os jovens assassinados recordam-se os nomes de Dora Azmitia, Ligia Martinez, Rosário Godoy de Cuevas, mas eles/as eram muito mais. Vivia-se um cristianismo de catacumba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em HONDURAS a repressão era tanta que se sabe pouco do que sucedia por causa do controle norte-americano. O maior aeroporto do país era, por muitos anos, dos militares dos Estados Unidos. Em 1972 a Frente Estudiantil Social Cristiana que procurava solidificar-se, morria assustada vendo o massacre de Olancho (grande extensão no centro do país), matando religiosos e religiosas comprometidas/os com a realidade do povo campesino do país. Uma cidade que se destacava, na mobilização estudantil, era Choluteca, graças à assistência de vários sacerdotes, especialmente do Padre Ivan Bouffard. &lt;br /&gt;Indo para o MÉXICO, um destaque especial merece o que sucedeu com a juventude na Praça das Três Culturas, em Tatlelolco. Os estudantes mexicanos pretendiam explorar a atenção do mundo, focada na Cidade do México por ocasião dos Jogos Olímpicos de 1968. Para reprimir esta mobilização não bastou a ocupação do campus da Universidade Nacional Autónoma do México. As manifestações aumentaram até que, no dia 2 de Outubro de 1968, 15 mil estudantes de várias universidades e de vários colégios invadiram as ruas da Cidade, ostentando cravos vermelhos como sinal de protesto contra a ocupação militar da UNAM. Ao cair da noite, cerca de 5 mil estudantes e trabalhadores, muitos deles acompanhados das mulheres e filhos, haviam-se reunido na Plaza de las Tres Culturas em Tlatelolco para uma manifestação pacífica. O massacre teve início ao pôr-do-sol quando forças do exército e da polícia cercaram a praça e começaram a abrir fogo contra a multidão. Em outubro de 2003 vieram à luz informações sobre o papel do governo dos Estados Unidos neste massacre. Em junho de 2006 o presidente de então, Echeverría, foi acusado de genocídio, colocado sob prisão domiciliária, mas em julho do mesmo ano foi inocentado porque o juíz decidiu que ele não poderia ser julgado devido ao estatuto mexicano de limitações. O México, na Pastoral da Juventude, sempre se destacou por suas lideranças e trabalhos junto à juventude mais pobre através de um trabalho específico que denominaram de “Pastoral de Situações Críticas”. Foi a partir do México, também, que apareceram grandes articuladores/as da evangelização juvenil na América Latina. Entre outros cita-se Tere Lanzagorta, Paco Merino e Teresa Sanchez Calderón.&lt;br /&gt;Na NICARÁGUA a articulação existente dos estudantes era dificultada, nos 60 e 70, pela repressão política e eclesial e, na década de 80, pelo serviço militar obrigatório. Em 1972, após muitas discussões, a JEC se unira à Frente da Juventude Sandinista. Os anos de guerrilha (antes de 1979) contaram com a morte de muitos jovens, também da Igreja. A luta dos cenários de Igreja, depois da vitória, impediu ou dificultou a formação de grupos. Sintoma desse conflito de cenários foi a maneira como Roma tratou cristãos e sacerdotes comprometidos com o governo revolucionário e a dificuldade em se articular com a Pastoral da Juventude latino-americana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.2 Acentos gerais da Pastoral Juvenil Latino-Americana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerando o conjunto das Pastorais de Juventude na América Latina, lendo e ouvindo o que se diz nos encontros anuais, há realidades que se tornam evidentes. Destacamos seis aspectos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. A Pastoral Juvenil Latino-Americana começou a articular-se, a partir de 1983, em todos os países da América Latina. Em todos eles começaram a existir e a organizar-se em grupos, coordenações, assembléias, instâncias de formação, não importando o tamanho do país. Nos Encontros Latino-Americanos de Responsáveis Nacionais dessa Pastoral, é raro que falte algum país que não saiba falar de sua experiência . Estes “Encontros” começaram em 1983 e se realizam tendo, sempre, algum tema específico considerado importante para a Pastoral no momento, escolhido pelas lideranças: “processo de educação na fé”, “militância”, “espiritualidade”, “cultura”, “assessoria” etc. Além destes encontros “gerais” a Pastoral Juvenil encontrou uma forma de articular-se, conforme espaços menores, dividindo o “continente” em quatro grandes “regiões”: a região do cone sul, a região bolivariana, a região caribenha e a região Centro-Americana, incluindo o México. Cada região tem seu coordenador e seus delegados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.  É uma Pastoral que realiza inúmeros cursos em diferentes níveis e extensões. Há um Curso em nível latino-americano, de três meses, para assessores, animado pela Sessão Juventude do CELAM, em Bogotá; Cursos oferecidos por instituições como o Instituto Superior de Pastoral Juvenil (Chile) ; Cursos para Assessores oferecidos pelo Instituto de Pastoral de Juventude (Porto Alegre), em três etapas, de 8 semanas, e outros. A grande novidade, suscitada pela Rede de Centros e Institutos de Juventude do Brasil, é o Curso de Pós-Graduação em Juventude, começado em 1999 e, atualmente, funcionando em Goiânia . Além disso, em Florianópolis, no Instituto Teológico de Santa Catarina, iniciou, em 2007, um Curso de Pós-Graduação para agentes que trabalham com jovens, dirigido mais especificamente para o cultivo de um trabalho na dimensão da fé. Pode-se dizer que a formação é o campo onde mais se investe e o campo que sempre pede mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. É uma Pastoral que tem como base milhares de grupos de jovens espalhados por todos os cantos. No Brasil estes grupos eram (2007) mais de 54 mil, articulados de diferentes formas, inseridos numa organização que se enraíza nas pequenas comunidades até a articulação das dioceses e espaços regionais mais amplos. Sem grupos que se reúnem sistematicamente, a Pastoral Juvenil não existe. Mesmo que o investimento “oficial” na articulação não seja significativo e mesmo que faltem apoios em várias partes ou apareçam atitudes eclesiásticas que procuram desarticular essa “movimentação”, essa Pastoral prossegue caminhando na perspectiva de uma legítima “autonomia pastoral”. No Brasil, a partir de 1986, celebra-se anualmente, no final de outubro, o “Dia Nacional da Juventude” onde os grupos convidam a juventude, em geral, para encontros massivos preparados com larga antecedência, tendo um tema e um lema relacionados com a realidade social . São encontros de um dia, chegando a reunir, em muitos lugares, em clima festivo e de celebração, milhares de jovens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. É uma Pastoral que tem um referencial teórico comum, servindo de orientação, inspiração e animação. “Civilização do Amor – Tarefa e Esperança” é uma das mais completas descrições de como deve ser uma evangelização juvenil, com seus diversos “marcos”, com dois deles dificilmente encontrados em outras instituições: referimo-nos ao marco histórico e ao marco celebrativo . Um, retomando a memória histórica dessa Pastoral, e o outro, descrevendo a “espiritualidade” na qual se acredita e que se deseja implementar. É uma Pastoral que tem como princípio pedagógico a “formação na ação”. Procura-se partir da prática ou da experiência, ajudando a juventude a crescer numa prática refletida. Os escritos dessa Pastoral nascem do chão da experiência. É uma Pastoral que tem lideranças juvenis escolhidas, sacerdotes e bispos responsáveis em nível de regiões e países que, com suas características, se encontram, planejam e animam a caminhada dos grupos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. É uma Pastoral que, pelo fato de assumir o protagonismo juvenil como princípio orientador, experimenta dificuldades de relacionamento, tanto com hierarquias como com tipos de movimentos juvenis onde este “protagonismo” não é nem assumido nem respeitado e onde a vivência equilibrada de fé e vida, de fé e política não é compreendida. As mobilizações se dão em cenários diferentes de Igreja, com leituras diferentes da realidade, com pedagogias diferentes e com espiritualidades diferentes, mas – apesar disso – realizando uma caminhada em comum. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Além disso, é uma Pastoral que, nos últimos anos, se enriqueceu com significativas “estruturas de apoio” . Referimo-nos aos Centros e Institutos de Pastoral de Juventude espalhados por mais de 10 países – todos a serviço da Pastoral Juvenil - e que, de dois em dois anos, se encontram para atualizarem a missão que lhes cabe na evangelização dos jovens e nos estudos do fenômeno juvenil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 2.3 Apanhado histórico &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) Não tendo havido movimentação juvenil significativa na Igreja Católica antes de 1950, na década de 60 chamam a atenção dois fatos importantes: a fase da ascensão católica, dentro e fora do Movimento Estudantil, e os Golpes Militares (especialmente no Cone Sul da América Latina). A fase da “ascensão católica” deveu-se ao surgimento, na Igreja Católica, principalmente da Ação Católica Especializada, fruto da reflexão e da prática do Cardeal Cardijn, bem como de movimentos como “cristãos para o socialismo” e “sacerdotes para o Terceiro Mundo”. Por influência de Cardijn surgiram, em muitos países, a Juventude Operária Católica (JOC), a Juventude Agrária Católica (JAC) , a Juventude Estudantil Católica (JEC) e a Juventude Universitária Católica (JUC). Isso se deu a partir de 1947, a começar com os jovens operários e, depois, com os estudantes universitários e secundaristas. Um dos filósofos que mais influenciou a juventude dessas diferentes articulações foi Jacques Maritain. A experiência mais estudada e pesquisada é a JUC .  Foi com os universitários da JUC que se deu, na UNE do Brasil, a colaboração dos católicos no Movimento Estudantil, através da aliança de Aldo Arantes com os “comunistas”. A JUC (assim como as outras “especificidades”) tinha uma organização nacional, marcando presença no campo, na fábrica, nos colégios e em muitas Universidades, principalmente não confessionais. Todas estas “especificidades” têm sua história particular. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) Algumas heranças que ficaram da experiência da Ação Católica Especializada, declarada extinta (no Brasil) em 1967, e reprimida por Golpes Militares, são a utilização sistemática do método Ver-Julgar-Agir, a busca de uma prática a partir da realidade concreta  (considerando questões sociais e políticas), a formação na ação, a convicção da necessidade de se lutar pela transformação das estruturas sociais, o uso - pelos grupos - de espaços de revisão de vida e de prática, a compreensão da vivência  da fé engajada no social, a utilização e a opção pedagógica pelos pequenos grupos e o despertar para o protagonismo juvenil. Foi essa carga pedagógica e filosófica que fez os universitários serem presença atuante não só junto à UNE (Brasil), mas junto à Igreja e à sociedade, inclusive na sistematização da Teologia da Libertação. Foi a partir desses estudantes que surgiu o movimento “Ação Popular” que tomaria, como partido, uma perspectiva marxista-leninista. Entre as muitas personalidades que trabalharam e/ou se formaram nesta organização ressalta-se o papel que exerceu – com seu carisma e sua coragem – D. Helder Câmara, futuro arcebispo de Olinda e Recife . &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c) Essas “especializações” estavam organizadas em nível nacional, com equipes articuladoras e “assistentes”. Ao mesmo tempo em que existiam estas articulações, explodiam diversas tentativas de “guerrilha” no Brasil e o “Maio de 1968”; os hippies protestavam contra a guerra do Vietnam; era morto (na Bolívia) o guerrilheiro Che Guevara, dava-se o assassinato de Luther King e se realizava, em Medellín, a Conferência Episcopal Latino-Americana procurando traduzir, para a América Latina, os resultados do Concílio Vaticano II, chamando a juventude como “força de pressão social”. No nordeste brasileiro o educador Paulo Freire valia-se da contribuição de jovens provindos da JUC e da JEC. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;d) Os jovens católicos movidos por uma pedagogia que incentivava o compromisso social acompanhavam as realidades e os debates políticos do momento. Os universitários católicos chegaram a sistematizar uma “forma de governo” chamado por eles de “solidarismo”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e) Na dimensão religiosa é importante acentuar que foi nesse contexto dramático e politicamente opressor (não só no Brasil) que surgiram, em substituição à Ação Católica, diferentes “movimentos” ou “encontros” de jovens católicos, a maioria ligada a algumas Congregações Religiosas ou, então, a algumas lideranças eclesiásticas. O primeiro deles foi o EMAÚS, seguindo a metodologia do Cursilho de Cristandade, sistematizado pelo Padre Calazans, em São Paulo. Outro tipo de encontro de fim-de-semana, foi o TLC (Treinamento de Liderança Cristã), criação de Haroldo Rahm e que se difundiu por muitos cantos do Brasil . Além deles, surgiram, em muitos lugares, experiências semelhantes, analisados teológica e pastoralmente por João Batista Libânio . Na sua quase totalidade distinguiam-se, estes “movimentos”, por fazerem encontros de impacto de final de semana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surgiram nesta época, igualmente, figuras como a do Padre José Fernandes de Oliveira,  falando e cantando para os jovens como antes não se cantava . Muitos jovens redescobriram a Igreja e o cristianismo através dele e dos “movimentos de encontro” coordenados por adultos, visando problemas pessoais e respostas às aspirações de libertação interior do jovem, acentuando a dimensão sacramental, trabalhando com grupos grandes, apresentando uma Igreja atraente e acolhedora, trabalhando o sentido de pertença à Igreja e evitando falar de política ou de problemas sociais. Um dos resultados destas e de outras iniciativas semelhantes foi o surgimento, em muitas paróquias, de milhares de “grupos de jovens”. Apesar de, na Conferência Episcopal Latino-Americana e na Conferência dos Bispos do Brasil, ter surgido o “Setor Juventude”, procurando acompanhar essa realidade e ajudar estes grupos a viver um processo de formação na fé com uma pedagogia reconhecida, não se conseguia, até 1983, articular essas experiências. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, principalmente a partir de 1970, se espalharam pela América Latina movimentos internacionais como o Movimento dos Focolares, o Movimento Carismático, o movimento Comunhão e Libertação e outros que trabalhavam e trabalham com jovens. Pela proibição que vigorava de os jovens se encontrarem e se organizarem nos Grêmios e nos Diretórios, um local de encontro deles eram as paróquias. Impulsionada pela urgência de um trabalho mais coordenado junto aos jovens, 1979 foi o ano, em que se deu, na Conferência Episcopal de Puebla (México), por parte da Igreja Católica, num contexto onde era muito forte a pressão por um trabalho com os oprimidos, a opção preferencial pelos pobres e pelos jovens.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;f) Quem foi à luta, por um trabalho mais articulado dos jovens católicos foram diversas Conferências Nacionais de Bispos Católicos. . Sentindo a falta de alguém que os assessorasse neste campo de evangelização, a Conferência dos Bispos do Brasil foi pedir, por exemplo, a ajuda do Instituto de Pastoral de Juventude de Porto Alegre, há pouco fundado (1980) e que tinha como finalidade a formação, a assessoria e a pesquisa no campo desta evangelização, trabalhando com jovens e adultos empenhados no acompanhamento a grupos de jovens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta Pastoral passou por diversas fases: a fase da busca de uma articulação e de uma identidade comum, tendo em vista os milhares de grupos que foram aparecendo (1974-1983); a fase da sistematização e implementação de uma proposta de ação evangelizadora junto à juventude (1984-1989), a fase do amadurecimento e, ao mesmo tempo, da crise interna da proposta (1990-1993), a fase da missão conjunta (1994-1998); e a fase tanto da retomada da proposta inicial como caminho de resistência como de uma sistemática tentativa de desarticulação da experiência por parte da estrutura (1999 aos nossos dias). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;g) Contribuíram, no surgimento da fase da “sistematização e implementação da proposta de uma ação evangelizadora junto à juventude” cinco fatores importantes: a) a opção preferencial pelos jovens e pelos pobres, assumida pelos bispos da América Latina em Puebla em 1979; b) a escolha (por parte das Conferências Episcopais) de um assessor nacional; c) a escolha dos jovens como “destaque” nas atividades das Conferências Episcopais; d) a visitação à realidade dos países visando a evangelização da juventude; e)  além do nascimento dos milhares de grupos paroquiais, o surgimento de várias articulações específicas de jovens, sejam eles universitárias, do ensino médio, do meio popular ou dos jovens da roça. No Brasil, por exemplo, começara, em 1978, a articulação da Pastoral da Juventude do Meio Popular (principalmente no Nordeste) e, em 1979, a articulação da Pastoral Universitária, acompanhada de perto pelo MIEC-JECI. Em 1982 seguiam o mesmo passo os estudantes “secundaristas”, também alimentados pela memória da JEC. Os jovens da roça começariam sua articulação expressando seu vigor num Encontrão de Jovens realizado em Passo Fundo (RS), em 1985. Junto com o México, o Chile, o Uruguai e o Brasil ia-se amadurecendo uma articulação mais ampla movida por uma proposta comum, segundo o processo que a Igreja Latino-Americana estava vivenciando. É uma fase essencialmente pedagógica, acentuando uma formação integral, e metodológica, pautada no Ver-Julgar-Agir, enriquecido aos poucos com o Revisar e o Celebrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após visitas a diferentes países, o ambiente se tornava propício para a realização de um primeiro encontro de responsáveis nacionais da Pastoral da Juventude (1984). Havia grupos e articulações nacionais, mas não se sabia o que os unia nem para onde desejavam caminhar como um todo. O grande tema dos primeiros encontros foi, por isso, a pedagogia a ser usada pelos grupos e a forma de organização. Um dos temas preferidos foi o esclarecimento e o aprofundamento da inserção da Pastoral da Juventude nos organismos intermediários da sociedade civil, típica herança dos tempos da Ação Católica Especializada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao lado de muitas atividades, em diferentes níveis, aconteciam, principalmente no Brasil e no México, Seminários Nacionais de Assessores  e Militantes, girando em torno de algum tema atual para a Igreja, a juventude e a sociedade. Destacam-se as análises de conjuntura, a vivência eclesial adaptada à realidade juvenil, as dimensões da formação (principalmente afetiva e litúrgica), bem como o estudo mais específico dos marxismos e do planejamento. Referenciais para esta iniciativa foram o P. Jorge Boran (Brasil), o P. Horácio Penengo (Uruguai), Tere Lanzagorta (México) e César González (Chile), animados por uma proposta comum de articulação e evangelização. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;h) A Pastoral da Juventude, com sua elaboração teórica bastante avançada , iniciaria, em 1989, outro conjunto de temáticas. Começou a manifestar-se uma crise interna revestida de luta pelo poder hegemônico, ocasionada pela compreensão discordante do que seria, de fato, uma articulação e uma organização de jovens no plano da fé. 1989 tornou-se um ano emblemático onde a queda do socialismo real visualizado pela queda do muro de Berlim, teria repercussões profundas, também no campo da evangelização juvenil, principalmente pelas conseqüências que teria a mudança de uma visão de mundo “apolínea” para um modo de ser “dionisíaco”, aflorando pujante a questão da sexualidade e o cultivo do corpo e do prazer .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fala-se, por isso, de outra fase desta Pastoral: a fase do amadurecimento e da crise interna. Isso se evidenciou na realização do 1° Congresso Latino-Americano da Pastoral da Juventude em Cochabamba (1991/1992), com 800 delegados jovens. Nem todos, na organização desta Pastoral, pensavam a mesma coisa e ficavam claras duas propostas que não encontravam um jeito de caminhar em harmonia . O equilíbrio da vivência entre fé e política era criticada dizendo-se que lhe faltava a dimensão da “mística” quando, de fato, o que estava em jogo era a vivência de um cenário de igreja. De uma leitura sócio-econômica, fundada nas estruturas da realidade, passava-se para uma leitura onde os aspectos conjunturais eram apresentados numa dimensão mais “cultural”, insistindo – como aconteceu na Conferência Episcopal de Santo Domingo (1992) – na questão da inculturação. Uma “inculturação” servindo, de alguma forma, de desculpa para deixar de lado, na vivência da fé, a força do econômico. Isso se verificava – na prática - nos mais variados níveis, mas não era absorvido pelas lideranças. No campo da evangelização da juventude pressionava-se para que houvesse mudanças pedagógicas. Recorde-se que o tema do Encontro Latino-Americano de Responsáveis, de 1990, foi “Pastoral da Juventude e Cultura”. Não estava em jogo somente a questão da “cultura”; queria-se questionar, especialmente, a questão do método que partia da realidade. A Igreja Latino-Americana, no seu todo, era pressionada, por Roma, em abandonar o método do Ver-Julgar-Agir para dar mais importância à questão da cultura e à centralidade a Jesus, retirando aspectos como do “Reino de Deus” e a tradição de partir da realidade do povo. Tornava-se, processualmente, mais importante a aparência, inclusive o corpo, e não o compromisso com a realidade sócio-econômica e, em nossa perspectiva, o contexto do jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuavam, no entanto, embora com menos vibração, a realização de Seminários Nacionais, especialmente de assessores/as e “militantes”. Os tempos prosseguiam sendo de crise (interna e externa), em vários lugares e de diversas formas. Uma realidade comum eram as discussões teóricas distanciadas das necessidades dos grupos de jovens, clamando por apoio. Repercutiu, por isso, entre a juventude católica latino-americana, o fato de a Igreja Católica do Brasil, na realização da Campanha da Fraternidade de 1992, ter escolhido a juventude como tema a ser rezado e discutido pelas comunidades. Foi uma época (1991 e 1992) em que apareceram muitos escritos expressando a sua avaliação com relação à caminhada da Pastoral, principalmente com relação a sua melhor organicidade, sabendo-se que era uma questão séria, mas não a mais radical. No Brasil, por exemplo, esse espírito desembocou na Assembléia desta Pastoral, em Vitória (ES) festejando 10 anos de luta e esperança. Assim como significou a expressão da beleza da proposta, reclamava a necessidade de uma “renovação”. Ao mesmo tempo em que era uma crise “interna”, a crise era provocada por forças “externas”, insatisfeitas pela caminhada autônoma dessa Pastoral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;i)  É muito estranho perceber, por isso que, em 1994, o ambiente, na Pastoral da Juventude era de “missão”, isto é, de ir ao encontro da realidade juvenil. O tema do encontro latino-americano de responsáveis, em São Paulo, foi espiritualidade e missão da Pastoral da Juventude. O que seria, contudo, este “ir ao encontro da realidade” quando tantas forças convidavam a fazer o movimento oposto, insistindo numa caminhada mais “espiritual”?  Pela primeira vez lançou-se, no Brasil, um “Projeto de Missão” da Pastoral da Juventude, destacando-se a preocupação com a cidadania. No campo da espiritualidade a proposta era a realização de Escolas de Liturgia e de Bíblia para jovens. Os jovens da Pastoral da Juventude do Cone Sul amadureceram, inclusive, um “gesto comum” com a mesma temática. 1995 foi o ano em que se discutiu, através da Rede dos Centros e Institutos de Pastoral da Juventude, a realização de um Curso de Pós-Graduação sobre Juventude, voltado para um amadurecimento de agentes que trabalham com jovens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;j) Muitas realizações aconteceram nessa época. Destacaríamos quatro: 1) em nível latino-americano, uma nova sistematização da proposta da Pastoral da Juventude com “Civilização do Amor: Tarefa e Esperança”; 2) em nível de Brasil, os jovens da roça assumindo, com convicção, seu envolvimento com a terra; 3) os estudantes secundaristas, organizados na Pastoral da Juventude Estudantil, lançando a descrição de sua utopia através do seu Marco Referencial intitulado “Quem somos? A que viemos?”; 4) a articulação latino-americana dos militantes da Pastoral da Juventude através da “Rede Minka”, reunindo, de modo especial, pessoas que passaram nessa Pastoral, envolvidas em atividades políticas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verificou-se, no geral, uma retomada em todas as frentes. Além do Dia Nacional, outro dia que se instituiu oficialmente foi a “Semana da Cidadania”. Além da amplitude do tema cabe recordar a escolha e a nomeação, por indicação das bases, no México, na Venezuela e no Brasil de mulheres leigas, para assumirem o ministério da assessoria nacional, reconhecidas pelas respectivas Conferências Nacionais dos Bispos. Estes fatos não deixavam de ser um sintoma do tipo de caminhada que a Pastoral da Juventude fazia, assumindo atitudes novas na estrutura eclesial. Foi em 1998 que se realizou, igualmente, o 2º Congresso Latino-Americano da Pastoral da Juventude, em Punta de Tralca (Chile), com delegações das Pastorais de Juventude de todos os países da América Latina. É importante recordar, contudo, que nos mesmos dias acontecia, em Santiago do Chile, organizado com o apoio de Roma, o Encontro Continental de Jovens reunindo mais de 1 milhão de jovens . Ao mesmo tempo em que poderia significar um “reforço” do que sucedia no Congresso, significava igualmente a oposição visível de duas visões na pedagogia da evangelização da juventude: uma, que acredita numa “pastoral de eventos massivos” (Encontro Continental de Jovens de Santiago) e a outra, que aposta numa “pastoral de processo”, investindo sistematicamente na formação de pequenos grupos (Congresso de Punta de Tralca), assumindo a bandeira do protagonismo juvenil.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A caminhada, depois disso, prossegue dentro de uma conjuntura eclesial hegemônica que não prioriza a necessidade de partir da realidade, mas aposta na força evangelizadora dos eventos massivos, tomando como ponto central a figura de Jesus encarada como o Cristo da fé, deixando de lado o Cristo da história. Uma manifestação significativa e que, de alguma forma, contrastava com o vento eclesial que se vivia, foram os Encontros Latino-Americanos de Buenos Aires e Quito, onde a juventude insistia na retomada dos Processos de Educação na Fé, na importância das opções pedagógicas e na importância pedagógica da elaboração do Projeto de Vida. O resultado foi a publicação de “Projeto de Vida: Caminho Vocacional da Pastoral da Juventude” (2003). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Rede de Centros e Institutos de Juventude&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para se ter uma visão conjunta das articulações religiosas juvenis da América Latina é indispensável ter ciência, igualmente, das “estruturas de apoio” com as quais estas Pastorais da Juventude contam, principalmente, no campo da assessoria e da produção de subsídios para os milhares de grupos. Embora se assegure, como princípio orientador, o protagonismo juvenil, a Pastoral da Juventude sempre foi uma caminhada conjunta de adultos e jovens. Assim como os jovens fazem e decidem sua caminhada, eles desejam a companhia de estruturas que caminhem com eles. Por isso, para uma compreensão mais integral da caminhada destas Pastorais, é preciso falar dos Centros e Institutos de Juventude. Eles estão espalhados por diversos países e, a partir de 1991, começaram a encontrar-se, considerando que a “missão” de todos era a mesma: acompanhar as Pastorais de Juventude. Formaram-se, assim, duas “Redes”: a Rede Latino-Americana de Centros e Institutos de Juventude (à qual o Brasil também pertence) e a Rede Brasileira de Centros e Institutos de Juventude com seus encontros específicos. Em 2007 estiveram presentes, no encontro desta Rede, 23 Centros, espalhados pelo Brasil (14), Uruguai, Argentina, Chile, Peru, Colômbia (2), Venezuela, México, República Dominicana, Estados Unidos (participa um Instituto que trabalha com jovens hispanos), Paraguai e El Salvador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.1 Os “pioneiros”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os diversos “Centros” – reunidos em “Rede” - destacamos os que podem ser chamados de “pioneiros”: o Instituto de Pastoral Juvenil da América Latina (Bogotá, Colômbia), o Instituto Superior de Pastoral Juvenil (Santiago, Chile) e o Instituto de Pastoral de Juventude (Porto Alegre, Brasil). Os Centros posteriores, cada qual com suas características, serão apresentados de forma mais sintética, considerando a caminhada conjunta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) O Instituto de Pastoral Juvenil Latino-Americano e a “Casa da Juventude” (Bogotá)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Instituto de Pastoral Juvenil Latino-Americano (IPLAJ) é o Instituto mais antigo na América Latina dedicado à evangelização da juventude. Seu idealizador foi o P. Jesús Andrés Vela S.J. que o situava como resultado do impulso nascido da Conferência Episcopal Latino-Americana de Medellin (1968). Havia, na época, na Igreja Latino-Americana, instigados pelo espírito do Concílio Vaticano II, vários “Institutos” que aprofundavam temas específicos. O IPLAJ (dirigido para a Pastoral da Juventude) iniciou como uma organização autônoma, dependendo de três Congregações (salesianos, jesuítas e irmãs dominicanas da apresentação) e o decano da Faculdade de Educação da Universidade Javeriana (Bogotá). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objetivo era formar educadores para a educação da fé. Funcionou de 1970 a 1977, com três preocupações básicas: definir o que seria “Pastoral da Juventude”, definir o tipo de formação que se queria proporcionar e as características que deveria ter o IPLAJ. Optou-se por uma pedagogia personalizante, comunitária, de mudança e compromisso social e vocacional. Um campo onde se investiu foi na formação de assessores/as, orientadores em educação na fé que pudessem assumir este trabalho em nível de estrutura eclesial. Propunha-se ter uma linha pastoral onde os participantes fossem sujeitos de sua própria personalização, tendo como pressupostos a opção pelos pobres e jovens, a linha libertadora, a educação para a transformação e a capacitação para trabalhar nos diferentes espaços da juventude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da Conferência de Puebla (1979) o IPLAJ partiu para a forma de “Seminários de Planejamento Pastoral”, tentando superar certo “cursismo”, como se expressa o P. Vela. O Seminário tinha e tem como base o aprofundamento da práxis pastoral dos participantes, a organização e a percepção da experiência pastoral, o aprofundamento das bases teóricas da ação e a elaboração de um Marco Teórico da Ação. Era e é um Seminário “experiencial”. Quem assumiu esta nova proposta, a partir de 1979, foi a “Casa de la Juventud” que já funcionava desde 1973 e se especializara na linha da prática pastoral (Pastoral Juvenil, Semanas da Juventude, Páscoas Jovens, Encontros de Acampamento-Missão, Cursos para Animadores Juvenis, centrando-se no acompanhamento às Comunidades de Vida Cristã). As linhas de ação assumidas pela “Casa” eram o Planejamento, a Formação, o Acompanhamento, os Grupos de Jovens, a pesquisa e a publicação , a Espiritualidade e a Pastoral Vocacional. Em proporções mais modestas, mas influenciada por esta iniciativa, surgiram, na época, em diversos países, várias “Casas da Juventude”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) O Instituto Superior de Pastoral Juvenil (Chile)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo centro mais antigo dos Centros e Institutos de Juventude, na América Latina, foi o Instituto Superior de Pastoral Juvenil (ISPAJ), do Chile – patrocinado primeiramente pela Conferência dos Religiosos do Chile. Ao longo de sua história, manteve-se fiel ao que o presidente da Conferência dos Religiosos do Chile, Padre Egidio Vigañó, dizia na inauguração do Instituto, no dia 21 de maio de 1971: “Vivimos una hora exigente de la historia, de la patria y del continente. En ella la juventud está llamada a desempeñar un papel de especial importancia. A su servicio y para su orientación y formación ha dado el Señor una misión a la Iglesia y ha suscitado en ella carismas de especialización. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objetivo do Instituto era um serviço técnico e formativo dos agentes que têm vocação para trabalhar com a juventude. Além de preparar agentes estudava a realidade juvenil com outras instituições de pesquisa. A história do ISPAJ pode ser vista em quatro momentos: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; a) de 1970 – 1980, como um momento fundacional e de afirmação de seu caráter institucional. Entre as atividades deste “momento” destaca-se o Seminário Interamericano sobre a problemática juvenil e o curso, de um ano, para assessores/as de jovens. Desde a criação o Instituto colaborava com a Comissão Nacional da Pastoral da Juventude passando a ser uma iniciativa da Conferência Episcopal Chilena.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; b) de 1981 a 1990 como um “momento” de aprofundamento da Pastoral Juvenil. Um esforço importante desta década de ditadura militar de Pinochet foi o estudo de como os jovens enfrentavam a questão afetiva e a participação social e política, ajudando o episcopado a elaborar as orientações para uma Pastoral Juvenil Orgânica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; c) de 1991- 2000 como um momento “novo” e de uma “nova evangelização”, como então se falava. Tratou-se de aprofundar cada etapa da vida juvenil e os diversos ambientes específicos Destacou-se o surgimento do “Talita Kum”, um curso direcionado ao trabalho com adolescentes e ao amadurecimento de uma Pastoral Juvenil em chave vocacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; d) de 2001 até 2008 o ISPAJ investiu fortemente na preparação de agentes, com intercâmbio especial com a Universidade Salesiana de Roma e cultivando um relacionamento mais significativo com o Instituto Nacional da Juventude, tomando mais a peito estudos sobre os jovens em risco social. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Movidos por várias dificuldades e alguns questionamentos, o episcopado chileno decidiu encerrar os trabalhos deste Instituto em março de 2008, no dia do assassinato de Dom Romero, em El Salvador (1980). A medida não deixava de mostrar uma postura por outro modelo de atuação junto aos jovens, não acreditando no valor de “partir da realidade”. Agradecimentos especiais, expressados pelos responsáveis no encerramento do Instituto, foram dirigidos ao Padre Derry, ao Padre Francisco O´Leary (ex-diretor do Instituto, falecido em 1992)  e a Dom Fernando Ariztía, falecido em 2006. Foi, evidentemente, um acontecimento que ecoou, com estranheza, não somente no Chile.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c) O Instituto de Pastoral da Juventude (Porto Alegre)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por iniciativa de cinco Congregações Religiosas (Maristas, Jesuítas, Salesianos, Irmãs da Divina Providência e Filhas do Coração de Jesus) fundava-se, em 18 de janeiro de 1980, outro Centro de Juventude: o Instituto de Pastoral de Juventude, em Porto Alegre. Os objetivos eram a Formação (de Assessores/as e Jovens), a Assessoria e a Pesquisa. Numa análise desse Instituto com um espaço invejável, uma biblioteca especializada sobre juventude, um banco de dados sobre juventude e uma infinidade de iniciativas de formação e articulação e outras características, apresentamos conclusões que uma monografia sobre esta obra apresenta . Raquel Pulita, em sua análise, se refere aos avanços e desconstruções. Quanto aos trunfos da caminhada, Pulita desenvolve cinco itens :&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; a) A Intercongregacionalidade. Considerando a importância do desafio, algumas Congregações (cinco, no início) uniram-se em torno da evangelização da juventude, expressa na Pastoral da Juventude. Discutiram o assunto, ofereceram seu projeto aos Bispos do Regional Sul 3 (Rio Grande do Sul), liberaram pessoas envolvidas nesse ministério, confiaram na criatividade dessas pessoas e iniciaram sua caminhada. Formou-se, até, uma comunidade de religiosos/as envolvidas nessa causa e formaram o que se tornou conhecido como “Equipe Executiva” do IPJ. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; b) A proposta.  O IPJ encarnou, desde o início, uma proposta pedagógica, teológica e pastoral de fronteira com relação ao trabalho de evangelização da juventude. Nem tudo era válido e não se aceitavam críticas sem fundamento. A proposta se expressava no “Marco Referencial” do Instituto e em muitas outras atividades. Dentre elas podem ser citadas: os Cursos de Assessores de Jovens, a efetivação anual do Plano de Atividades do Instituto, a montagem de um banco de dados sobre juventude e pastoral da juventude, a realização habitual da Revisão de Vida da “Equipe Executiva”, a coordenação democrática e rotativa da própria “Equipe”, a inserção na pastoral orgânica, o acompanhamento aos movimentos sociais, o espírito de acolhida da Casa etc. A proposta sofreu influências da Casa da Juventude (Bogotá); de teólogos como J.Batista Libânio e Leonardo Boff; sociólogos como Ricardo Antoncich, José Ivo Follmann, Alberto Atalíbio e José Odelso Schneider; pedagogos como Paulo Freire, Jorge Boran, Cláudio Rockenbach, Hugo Bersch, Enedina Pierdoná e Florisvaldo Saurim; psicólogos como José Hess, Antônio Baldan, e muitos outros . A própria sistematização da proposta pedagógica da Pastoral da Juventude brasileira e latino-americana era acompanhada de modo envolvente . O IPJ não era somente uma proposta que se hospedava  na Casa Padre Jorge; a própria Casa era uma proposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; c) A vida da Equipe, isto é, a forma como a Equipe Executiva do IPJ conseguiu viver, existencial e pedagogicamente. A casa era procurada por jovens e assessores porque tinham certeza que encontrariam aí pessoas para conversar sobre o trabalho com a juventude e a vida. O que se viveu foi um intenso trabalho de equipe, com funções definidas, “trabalhos especializados” para todos, realizados em espírito de complementaridade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; d) Ser referência. Impressionante como essa estrutura de apoio ao trabalho de evangelização da juventude foi adquirindo projeção. Uma realidade pensada a serviço de um “Regional”, teve que dobrar-se aos apelos de outros. Era referente porque marcava presença. Muitas vezes não era ele (o Instituto) que fazia, mas estava presente. Entre alguns eventos podem ser citados os 45.000 jovens reunidos em Passo Fundo, em 1985; o encontro de 60.000 jovens em Santa Cruz do Sul, em 1998; o “encontrão” de mais de 40 mil jovens em Santa Maria, em 2001.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; e) A pedagogia. Outro trunfo que garantiu a caminhada do IPJ refere-se à pedagogia que o orientou. Tratava-se de uma pedagogia participativa, envolvendo a obra no seu todo, não somente nos Cursos que oferecia. A pedagogia estava na forma como se usava a casa, na forma como se tratavam os funcionários, na forma como se recebiam as pessoas que procuravam a Casa, no modo de ser da Equipe, na maneira como se trabalhava com os “cursistas”, no envolvimento que o IPJ demonstrava na sua vivência social e eclesial. Não é por acaso que o IPJ se envolveu com os movimentos sociais, transformando-se em refúgio de perseguidos políticos e sendo apoio para as Comunidades Eclesiais de Base. Um cenário mais conservador da Igreja sempre tinha suas reservas ao IPJ. As organizações políticas de esquerda encontravam, no IPJ um lugar para fazer seus planejamentos etc. Estava em jogo uma postura teológica, pastoral e política. É o caso de recordar, também, as parcerias com o “Mundo Jovem” e a produção de subsídios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta instituição sofreu, em 2006, uma intervenção relacionada ao uso do espaço, cedido em comodato pela Província Meridional dos Jesuítas do Brasil, desde o início da obra. Assim como teve que ir à busca de outro espaço, as condições de trabalho foram fragilizadas. Está numa fase de recomeço, num outro município, mantendo seus objetivos. Vive de uma memória bonita, tendo que reiniciar sem poder contar com a força fundacional que a caracterizava. Não fica claro se a intervenção foi motivada por discordância com a orientação pedagógica reinante ou pela retomada de um espaço privilegiado (no lugar funciona, agora, uma Escola de Design). De qualquer forma, não deixa de ser um sintoma das dificuldades que enfrentam as instituições eclesiásticas e sociais quando realizam trabalhos de educação informal junto à juventude. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.2. A realidade de uma “Rede”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na caminhada das Pastorais de Juventude do continente latino-americano vigorava e vigora a convicção que o jovem e o adulto precisam caminhar juntos, respeitando o papel protagônico da juventude. Na década de 80 surgiram vários Centros e Institutos semelhantes aos que apelidamos de “pioneiros”: Pablo VI, em Montevidéu; a Casa da Juventude, em Goiânia ; o IPJ Leste II,  em Belo Horizonte; o Aiaká, em Manaus e cerca de 15 outros, em diferentes lugares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro encontro desta Rede Latina (1991) estavam presentes 11 Institutos: a Casa da Juventude, de Goiânia, a Casa de la Juventud, de  Bogotá; o Centro de Capacitação da Juventude, de São Paulo; o Centro de Promoción Integral, do México; o Anchietanum, de São Paulo; o Instituto Arquidiocesano de Pastoral Juvenil, de Asunción; o Instituto Pablo VI, de Montevidéu; o  Instituto de Pastoral da Juventude de Belo Horizonte, o  Instituto de Pastoral da Juventude de Porto Alegre, o  Instituto Superior de Pastoral da Juventude, de Santiago e os Servicios de Capacitación, do México (SERAJ e CEJUV). O tema foi “A Integração entre os Institutos, a realidade Latino Americana e questões de interesses comuns. Dois anos depois (1993), em Santiago/Chile, movido pela Conferência de Santo Domingo, dava-se o 2º encontro com o tema “A cultura juvenil e a formação de Assessores/as, com 12 Centros e Institutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos foram sendo aceitos, na Rede Latina, outros Centros como o Servicio de Pastoral Juvenil, da Colômbia, em 1995 e o Instituto Fé y Vida, da Califórnia/ EUA trabalhando com jovens hispanos. Em 1997 começou a participar da Rede o “Instituto de Pastoral y Desarrollo Juvenil”, de Lima; em 1999 o “Instituto Pastoral Juvenil”, de Caracas; em 2001 o Centro Marista de Pastoral Juvenil, de Caracas, o Centro Pastoral Santa Fé de São Paulo, os Centros Maristas de Montes Claros (MG), Palmas (TO), Natal (RN) e Colatina (ES), o Instituto de Formação Juvenil, de São Luis/Maranhão, o Instituto Cardeal Eduardo Pironio, de Buenos Aires. e o SEJUVE, de San Salvador/ El Salvador . &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a década de 1980 esteve banhada pelos esforços da Igreja Latino-Americana em concretizar os sonhos de Medellín e Puebla optando pelos pobres e pelos jovens e confirmando a metodologia que parte da realidade. Em muitos países os jovens estiveram em destaque e a organização e a articulação de uma Pastoral Juvenil, nos países e no continente, receberam a atenção, o cuidado e o apoio por parte da hierarquia e de Congregações religiosas com opção pelos jovens e por uma vida mais inserida junto aos pobres. &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Os termômetros indicavam, por isso, um tempo favorável para uma articulação dos serviços prestados à juventude. As Pastorais da Juventude, em sua organização, tanto nos países como em nível de continente, começaram a viver um momento maduro de organização e fortalecimento. O clima gerado pelo Congresso Latino Americano em Cochabamba/Bolívia (1991-1992), visualizava esse esforço de todas as Conferências. Crescia o esforço de organizar serviços de formação, assessoria e pesquisa para o acompanhamento da juventude e sua pastoral resultando no surgimento de “Centros” com características distintas, mas prestando serviços comuns. Tudo isso aquecia o coração e fazia brotar desejos de encontros e de troca de experiências. Jorge Boran (Brasil) e Tere Lanzagorta (México) são os leitores destes desejos e, em 1990, “dialogaron sobre la necesidad de realizar un encuentro con representantes de institutos de trabajan al servicio de la Pastoral Juvenil y/o de los jóvenes (directamente) y juntos convocaron a un primer encuentro instituciones que ellos conocían y otras que fueron propuestas por aquellas” .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haviam começado a realizar-se, também (1984), os Encontros dos Responsáveis Nacionais da Pastoral da Juventude (ELARNPJ), tratando de diferentes temas: “Elementos para la Propuesta e la Civilización del Amor” (1983), em Fusagasuga/Colombia e, em Zipaquirá/ Colombia (1985); “Proyecto de Directorio de Pastoral Juvenil” (1986), “Redacción del Directorio de Pastoral Juvenil” (1987) e “Pastoral Juvenil, Sí a la Civilización del Amor” (1988), todos em Bogotá; “Opción Pedagógica y Etapas de Nucleación e Iniciación en los Procesos de Educación en la Fe de los Jóvenes”, em Caracas/Venezuela (1989); “Etapa de Militancia en los Procesos de Educación en la Fe de los Jóvenes”, em Quito/Ecuador  (1990) e “Pastoral Juvenil y Cultura”, em San José/Costa Rica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O 3º Encontro da Rede foi no México (1995), tendo como tema o aprofundamento de duas experiências: o Seminário de Planificação, da Casa da Juventude de Bogotá, e Projetos dos Centros Juvenis de bairros, do México. Por outro lado, no 4º Encontro, em Lima/Peru (1997) o tema foi  Fundamentos da metodologia da Pastoral Juvenil. Importante dar-nos conta que, um pouco antes,  se lançava o livro Civilização do Amor: Tarefa e esperança – orientações para a Pastoral da Juventude Latino-americana, uma retomada do livro Pastoral da Juventude - sim a Civilização do Amor, de 1987. Embora em espaços diferentes, a caminhada se dava em conjunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O 5º Encontro (1999), em Cupertino (EUA), retomava o tema “Fé e Culturas Juvenis”. Haviam-se realizado (em 1998), no continente, dois eventos significativos: o Encontro Continental de Jovens, em Santiago/Chile, com mais de um milhão de participantes e o II Congresso da PJ Latino-americana. O Congresso teve como tema: “Protagonismo e compromisso dos jovens como profetas da vida e da esperança na América Latina, a partir das mudanças culturais, das realidades de pobreza, no inicio do terceiro milênio” e seu objetivo geral era “formular nuevas líneas de acción y compromiso de la Pastoral Juvenil, del Continente hacia el III Milenio, a partir de la valoración del camino recorrido, los cambios culturales y la situación de pobreza, en orden a contribuir en la construcción de una nueva América Latina, expresión de la Civilización del Amor”. A situação juvenil se apresentava desafiante e exigia uma união de esforços tanto nos aspectos internos da Igreja como da academia. O desafio dos Centros e Institutos se expressava na vontade de motivar e formar assessores adultos, dispostos a acompanhar os processos dos jovens e capacitá-los para responderem à problemática que se apresentava.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Talvez por causa disso o 6º encontro da Rede (2001), em São/Brasil teve como tema “O emotivo, o simbólico e o espiritual em uma Pastoral da Juventude libertadora. Assim como o “Jubileu dos Jovens”, em Roma, reunia 2 milhões incentivando “encontros massivos” como os da Jornada Mundial, começava a se evidenciar a política de desarticulação de uma Pastoral da Juventude que priorizava o protagonismo juvenil. Na América Latina o ELARNPJ de 2001, em Buenos Aires/Argentina, retomava o Processo de Educação da Fé, direcionado para a elaboração do Projeto de Vida. Interessante verificar, por isso, que o 7º Encontro da Rede (2003) em Caracas/Venezuela teve como tema “O projeto de vida no contexto da juventude empobrecida na América Latina” e, dois anos depois, no encontro de 2005 (Buenos Aires) “O Acompanhamento para a maturidade da fé do jovem em um contexto latino-americano”. No encontro de 2007, em Belo Horizonte/Brasil, o tema foi “Processos de acompanhamento do Protagonismo Juvenil: discípulos no exercício da cidadania”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo em conta essa caminhada geral, tanto das Pastorais de Juventude como da Rede de Centros e Institutos, toma um sentido novo o fato de a  Vª. Conferência Episcopal Latino-Americana, em Aparecida retome a opção pela juventude, reconhecendo a o processo vivido pelas Pastorais de Juventude, especialmente os processos de educação da fé por elas sistematizados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONCLUSÃO&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;As três experiências nos apontam para uma visão ampla sobre a presença juvenil, católica, na sociedade latino-americana. Recordam, primeiramente, que a Igreja Católica, como instituição milenar, só iniciou a ter, no seio dela, experiências juvenis, respeitosas do protagonismo juvenil, na primeira metade do século XX. Neste sentido a Ação Católica Especializada teve um papel preponderante, com todos os conflitos que teve que enfrentar, dentro e fora da Igreja Católica. Tratava-se, no entanto, de uma realidade mais ampla do que a da Igreja Católica. A sociedade adulta, como um todo, sempre resistiu em crer na “novidade”, assim como ainda resiste em aceitar, por exemplo, o “feminismo” ou a questão de “gênero”. Neste sentido a experiência do Secretariado Latino-Americano, com todos os seus limites, carrega um significado enorme. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assistimos, nas experiências visualizadas, “processos” que vão amadurecendo na forma de encarar a “boa notícia” para a juventude. Verifica-se, por exemplo, o caminho de um dinamismo que vai alternando o social e o pessoal. Mesmo de forma superficial, percebe-se, na caminhada dos Encontros Latino-Americanos de Responsáveis da Pastoral da Juventude, que há tempos em que o “social”, encarado com o auxílio de um método que parte de uma visão científica da realidade, parece hegemônico. Surgem, contudo, outros momentos em que as questões internas e os problemas emocionais, do louvor e das multidões, com duração momentânea, vai tomando conta, novamente. Ficou visível que a caminhada das “Pastorais”, como expressão da instituição-igreja, é marcada por diversos conflitos. Assim como é uma luta conquistar seu espaço na sociedade e na própria Igreja, acrescenta-se outro capítulo essencialmente juvenil: a eterna busca da identidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo vivido pela Rede como Rede é, ainda, difícil de delinear com mais clareza. Fica evidente, contudo, a vivência conjunta com a realidade das Pastorais de Juventude e da juventude como tal, mantendo-se sólida, por exemplo, na opção por uma metodologia definida, tanto nas assessorias como na elaboração de materiais pedagógicos bem como na permanência decidida em algumas opções como é a opção pelos empobrecidos. O mesmo se pode dizer do avanço e da compreensão de outros campos de trabalho, como o atendimento direto aos jovens, o aprofundamento do estudo da realidade juvenil, a defesa da vida e dos direitos da juventude, a resistência a um modelo de Igreja que tem dificuldade em reconhecer o protagonismo dos/as leigos/as e jovens na construção do Reino de Deus, a valorização pedagógica e teológica de espaços para a atuação de cristãos/ãs vivendo o ministério da assessoria e do acompanhamento aos jovens e seus grupos. Fica evidente, também, que dentro e fora das igrejas o trabalho com a juventude se caracteriza no cultivo da necessidade, para uma sociedade justa, das iniciativas que se situam na geografia do “desvio social” porque a juventude não deixa de encarnar o “novo” e o imprevisível. &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Na preparação do encontro da Rede, em 2007, um estudo afirmava que se assistia a uma alteração na metodologia e no modo de viver a Evangelização na América Latina. A proposta das Pastorais de Juventude, apesar do pronunciamento da Conferência Episcopal de Aparecida e apesar de um documento significativo como é “Evangelização da Juventude – Desafios e Perspectivas Pastorais” (2007) o trabalho com a juventude, além de carregar só por si enormes desafios, continuará a ser alvo de críticas e rejeições. Ao mesmo tempo em que vemos instituições procurando fugir do marasmo, a juventude se vê vocacionada a dizer que a novidade deve ser sempre real, até no corpo em que vive. Socializando a caminhada das articulações juvenis, católicas, na América Latina não estamos frente a um processo simples de ser percebido. Além dos limites geográficos e das escolhas que fizemos para perceber uma realidade, muitas outras realidades foram aparecendo, provas da riqueza que estas articulações significam para dentro e para fora de uma caminhada eclesial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CACCIA-BAVA, Augusto; PÀMPOLS, Carles Feixa; CANGAS, Yanko González (org.). “Jovens na América Latina”. São Paulo: Escrituras e CEBRIJ, 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CELAM. “Civilización del Amor – Tarea y Esperanza: orientaciones  para una Pastoral Juvenil Latinoamericana”. Santafe de Bogotá: editada em vários países da América Latina, inclusive no Brasil (“Civilização do Amor: Tarefa e Esperança”. São Paulo, Paulinas, 1997).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CNBB. “Evangelização da Juventude – Desafios e Perspectivas Pastorais”. Brasília: Publicações da CNBB nº. 3, 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DICK, Hilário. O fenômeno da evangelização juvenil através da história. In: Revista Medellín, Bogotá: vol. XXIX, nº. 113, março de 2003, p. 63-84.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DICK, Hilário. Pastoral da Juventude do Brasil – um diagnóstico em final de 2004. In: Revista PJ A CAMINHO, Porto Alegre: nº. 96, março a maio de 2005, p.17-36.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DICK, Hilário. “Juventude faz História – Pastoral da Juventude no Rio Grande do Sul 1983-1993”. Porto Alegre: Evangraf, 1995.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DICK, Hilário. Presença questionante e questionadora – A juventude na história brasileira. In: “Gritos silenciados, mas evidentes. Jovens construindo juventude na história”. São Paulo: Loyola, 2003, p. 257-298.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DICK, Hilário. “O caminho se faz. História da Pastoral da Juventude do Brasil”. Porto Alegre: Evangraf, 1999.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DICK, Hilário. “JEC no Brasil. Uma proposta que não morreu”. São Paulo: Centro de Capacitação da Juventude, 1992.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DICK, Hilário. “Los estudiantes siendo Iglesia en América Latina. La historia de la JEC”. Quito: Secretariado Latinoamericano do MIEC-JECI, 1994.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ISPAJ. O Instituto Superior de Juventude de Santiago – Chile. In: Revista PJ A CAMINHO, Porto Alegre: nº. 80, maio a junho de 2000, p. 62-67.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PENENGO, Horacio. Pastoral Juvenil – una propuesta desde América Latina. In: Revista Medellín, Bogotá: vol. XXIV, nº. 94, Junho de 1998, p. 365-385.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PETRELLI, Evangelina. Instituto Cardeal Pirônio – Para la Fomación en Pastoral de Juventud. In: Revista PJ A CAMINHO, Porto Alegre: nº. 92, junho a agosto de 2003, p. 71-73.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PIERDONÁ, Enedina (org.). “História da PJ no Brasil”. Porto Alegre: Evangraf, 1990. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PIRES, Geraldo Paulo. Caminhada de Formação e Articulação dos Assessores da Pastoral da Juventude no Brasil. In: Revista PJ A CAMINHO, Porto Alegre: nº. 99, novembro a dezembro de 2005, p. 48-61.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PULITA, Raquel. “As lições de uma fonte – análise da caminhada do Instituto de Pastoral de Juventude de Porto Alegre”. São Leopoldo: Monografia apresentada no Curso de Pós-Graduação  Especialização em Juventude, na UNISINOS. 2004.&lt;br /&gt;REDE BRASILEIRA. Rede Brasileira de Centros e Institutos de Juventude. Resgate Histórico.Polígrafo de 2007.&lt;br /&gt;RODRIGUES DA SILVA, Lourival. Casa da Juventude Padre Burnier – Goiânia. In: Revista PJ A CAMINHO, Porto Alegre: nº. 74, outubro a dezembro de 1998, p. 33-44.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TEIXEIRA, Carmen Lúcia. Contemplando o caminho andado. Polígrafo do Encontro da Rede de 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VELA, Jesús Andrés. Una experiencia múltiple de trabajo en Pastoral Juvenil a través de 25 años. In: Revista Medellín, Bogotá: vol. XXIV, nº. 94, Junho de 1998, p. 207-246.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-3149647267447264408?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/3149647267447264408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=3149647267447264408&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/3149647267447264408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/3149647267447264408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2010/03/articulacoes-juvenis-catolicas-da.html' title='ARTICULAÇÕES JUVENIS, CATÓLICAS, DA AMÉRICA LATINA'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-7333869597305399091</id><published>2010-03-11T23:47:00.001-03:00</published><updated>2010-03-11T23:50:32.339-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos Hilário Dick'/><title type='text'>A DERROTA DE DOM QUIXOTE POR DOIS JOVENS</title><content type='html'>A força do encantamento e do enfrentamento&lt;br /&gt;                                              &lt;br /&gt;                                                        Hilário Dick&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Se as figuras da “periferia”, em “Dom Quixote de la Mancha” , são secundárias, elas são, de diferentes maneiras, uma remota ameaça para Quixote; as figuras do “cotidiano da vida” entram na história como motivos de entretenimento, dando azo para rir da forma como os jovens enfrentam diversas situações de vivências amorosas. Existem, no entanto, duas figuras que são inimigas mortais para Quixote, levando-o a, no final, considerar-se vencido. São elas Dorotéia, atacando pelo lado do encantamento e da magia – mundo próximo ao qual Quixote navegava - e Sansão Carrasco, centrando fogo, também pelo disfarce, no enfrentamento. Na história de Quixote são estes dois jovens que vão fazê-lo “mudar de vida”, levando-o a o ser primitivo Alonso Quijano do qual Quixote fugia de todas as formas. Importante, por isso, que olhemos mais de perto essas duas figuras juvenis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poder do encantamento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Dorotéia  é aquela moça abandonada por Dom Fernando que, depois de ter aceitado dormir com ele, vai ser a responsável em convencer a Dom Quixote de sair dos encantos de Serra Morena para voltar para sua casa, pela segunda vez. Ela aparece ao cura, ao barbeiro e a Sancho como mancebo entrajado à lavradora, provocando profunda admiração, chegando Cardênio a chamá-la de “divina”, por sua beleza. Contando a sua história, Dorotéia narra que teria dito a Dom Fernando que ela se considerava vassalo, mas não escrava dele e que a situação de pobre não lhe dava direito a Dom Fernando a desonrar a humildade dela e que o fato de ela ser vilã e lavradora não faz que ela seja menos que ele. Quando Dom Fernando aparece levando Lucinda para sua casa, depois de seqüestrá-la do convento para o qual fugira, após a fala de Dorotéia considera-se vencido dizendo “venceste, formosa Dorotéia, porque não é possível haver ânimo para negar tantas verdades juntas”, aceitando-a como a verdadeira mulher de sua vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O cura e o barbeiro, encontrando-se com Sancho que deveria ter ido em busca de Dulcinéia, imaginam uma simulação com o intuito de penetrar, de forma disfarçada, no mundo imaginário de Quixote e, a partir de dentro dele mesmo, obrigá-lo a retornar para sua vida de aldeão, com a ajuda de Dorotéia. Na verdade a pretensão deles é reduzir o personagem a uma prisão mais estreita, fazendo-o voltar para sua aldeia e para sua identidade de fidalgo. O  cura  é o urdidor da drama e Dorotéia a atriz. Dorotéia fá-lo-á encarnando, de forma excepcional, a personagem Micomicona, declarando auxílio urgentíssimo e vital de Quixote. Versada na leitura de páginas cavaleiresca, estava bem apta para exercer esta função. Vai levar Quixote do engano para a verdade, da paixão para a ação através da máscara de seu disfarce. Como antítese do cavaleiro (Dom Quixote) e verdadeira contra-figura quixotesca, Dorotéia segue os passos de Alonso Quijano, reproduzindo seus procedimentos porém invertendo seu significado para fazer do mundo transformado um mundo fingido. Fá-lo-á mascarando-se de homem e encarnando-se como símbolo de uma situação de abandono amoroso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Enfim, sem entrarmos na complexidade psicológica dessa personagem de Cervantes nem nas outras tradições de figuras semelhantes da literatura , o que importa é que Dorotéia se propõe arrancar Dom Quixote de sua prova suprema como cavaleiro enamorado, fazendo penitência na Serra Morena. É através de Micomicona (representada por Dorotéia) que ela (Dorotéia) – muito ajudada pela cumplicidade do cura - conseguirá que Dom Quixote se ponha a caminho, prisioneiro, amarrado numa carreta de bois, voltando para sua origem, apesar de dizer “seja quem for, cumprirei o que sou obrigado e o que me dita a consciência, segundo o que professado tenho”. Mais adiante se dá por vencido, afirmando “vamo-nos daqui em nome de Deus a favorecer esta grande senhora”, isto é Dorotéia disfarçada de Micomicona. Antítese de Dom Quixote, Dorotéia utiliza o que sabe dos livros de cavaleiros para acabar com a aventura do cavaleiro, declarando-se necessitada de socorro afetivo. Decidem, por isso, que o cura e o barbeiro poderiam levar Dom Quixote para a sua terra, e ali guarecê-lo de suas loucuras, sem ser necessário que Dorotéia e Dom Fernando o acompanhassem à aldeia (I, 46, 459 ).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Se Quixote, na primeira vez, voltava por vontade própria, na segunda volta como alguém convencido de que precisa voltar para sua casa a fim de ser curado, mas não para deixar seu sonho de cavalaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poder do enfrentamento - a figura Sansão Carrasco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A figura de Sansão Carrasco aparece em diversos momentos. Era “filho de Bartolomeu Carrasco, que vem de estudar em Salamanca e feito bacharel” (II, 2, 31). Quem o apresenta a Quixote é Sancho porque ouvira dele que já lera, publicadas, as histórias de Quixote.  Quixote espera-o ansiosamente. “...teria seus vinte e quatro anos, cara redonda, nariz chato e boca grande, tudo sinais de ser malicioso de condição, e amigo de donaires e de burlas” (II, 3, 33). Falam, primeiramente, da obra que Sansão teria lido. Ponderam, por isso, sobre as principais façanhas vividas por Quixote, inclusive criticando, por exemplo, a inclusão de “O Curioso Impertinente” e outros pormenores e, após uns poucos entendimentos, se despediram, pensando Quixote em ir para a direção de Saragoça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sansão também está presente quando Quixote está por ir-se, realmente, com grandes resistências da ama recordando como seu amo voltara depois da primeira e da segunda saída (II, 7, 56). Desesperada, a ama vê que Sansão aprova a saída de Quixote, combinando “coisas” com o cura. Os dois, no entanto, Quixote e Sancho, começam sua viagem para El Toboso. Neste caminhar querem passar a noite “ao pé de um sobreiro” (II, 12, 90) e, perto deles, dois homens a cavalo também pensam descansar e, depois de certo tempo, um deles inicia a tocar uma viola. Dizendo Sancho que deveria ser um cavaleiro enamorado, Quixote retruca firme que “não há nenhum dos cavaleiros andantes que o não seja” (II, 12, 91). O azarado (ao menos para Sancho) é que o tal “Cavaleiro da Selva”, além de cantar começa a falar de sua amada Cassildéia de Vandália, afirmando que é “a mais formosa do mundo”, também mais formosa que a mulher dos cavaleiros da Mancha  (II, 12,92). Quixote se incomoda e o outro, como a provocar, pergunta se está aflito. Dá-se, então, uma conversa entre os dois cavaleiros e os dois escudeiros, uns falando dos outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Memorável é o diálogo de Quixote e do Cavaleiro da Selva confessando-se apaixonado por Cassildéia de Vandália e tudo que já fez por ela, inclusive tendo rendido, “em combate singular, o famosíssimo cavaleiro Dom Quixote de la Mancha, e ter-lhe feito confessar que a minha Cassildéia é mais formosa do que a sua Dulcinéia” (II, 14, 100) e outras coisas.  Custou Quixote manifestar-se, mas o Cavaleiro da Selva insistia que teria vencido o Cavaleiro da Triste Figura. É então que Quixote resolve revelar-se quem era dizendo que “Quixote é o melhor amigo que tenho neste mundo, e tanto que posso dizer que é outro eu” (II, 14, 101). Conclusão: pelo “sim” e pelo “não”a verdade se decidiria por uma “sangrenta e singular batalha” (II, 14, 102) entre os dois e onde quem perdesse ficaria à mercê do vencedor (II, 14, 106). É no fim desta “batalha”, vencida por Quixote, que Quixote, espantado, reconhece que o tal cavaleiro era o Bacharel Sansão Carrasco e que o escudeiro dele era Tomé Cecial, vizinho e compadre de Sancho. (II, 14, 108). Mesmo desconfiado que Sansão não seja Sansão faz prometê-lo que era mentira tudo que dissera de sua amada com relação a Dulcinéia. “Tudo confesso, julgo e sinto, como vós acreditais, julgais e sentis” (II, 14, 106) disse o derrancado cavaleiro. E todos vão por seus caminhos, com Tomé Cecial fazendo uma consideração que dizia: “Dom Quixote é doido e nós somos ajuizados; ele vai-se indo, agora, quem é mais doido; quem o é porque não se conhece, ou quem o é por sua vontade?” (II, 15, 111).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Vindo-lhe ao encontro um outro senhor, Dom Diogo de Miranda, é na casa dele que Quixote e Sancho vão parar. Depois vai para a casa de um duque... ficando claro que Quixote, mais do que fazer o que desejava, era levado a fazer o que outros lhe haviam preparado, tendo em mira a cura do Cavaleiro da Mancha.  Quixote diria a Sancho que “a liberdade é um dos mais preciosos dons que os céus deram aos homens; com ela não pode igualar-se nem aos tesouros que a terra nem o mar encobre; pela liberdade, assim como pela honra, pode-se e deve-se aventurar a vida e, pelo contrário, o cativeiro é o maior mal que pode acudir aos homens” (II, 58, 401-402). Contudo, em vez de ir para Saragoça, o tropel levava Quixote para Barcelona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Certa manhã, andando Dom Quixote a passear pela praia de Barcelona, “com todas armas” (II, 64, 457), veio ao encontro dele, também armado, intitulando-se  disfarçadamente de “Cavaleiro da Branca Lua”, Sansão Carrasco provocando nosso cavaleiro e dizendo-lhe, logo de entrada, que sua dama “é sem comparação mais formosa do que a tua Dulcinéia del Toboso” (II, 64, 457) e se Quixote não confessasse isso seria morto. A única condição – em caso de ele sair vencedor na luta – seria deixar as armas “abstendo-te de procurar aventuras, te recolhas e te retires por espaço dum ano para a tua povoação, onde viverás sem pôr mão na espada, em paz tranqüila e em proveitoso sossego” (II, 64, 457). Caso contrário, “ficará à tua disposição a minha cabeça e serão teus os despojos das minhas armas e do meu cavalo” (idem). Quixote é derrubado e, estendido no chão, com voz debilitada e enferma, disse: “Dulcinéia del Toboso é a mais formosa mulher do mundo e eu o mais desditoso cavaleiro da Terra, e a minha fraqueza não pode nem deve defraudar esta verdade: carrega, cavaleiro, a lança, e tira-me a vida, já que me tiraste a honra” (II, 64, 459). O Cavaleiro só recorda, diante de todos, o que fora combinado antes da luta e desaparece, novamente, na cidade.  O vice-rei , Dom Antônio, Sancho e outros assistiram tudo isso sem proferir palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Querendo saber quem era o Cavaleiro da Branca Lua, Dom Antônio encontra Sansão Carrasco e chega a saber que é da terra de Dom Quixote “cuja loucura e sandice faz com que tenhamos pena dele todos os que o conhecemos, e um dos que mais se compadeceram fui eu” (II, 65, 460) contando o que já fizera em outro momento, sendo derrotado. Dom Antônio diz, então, que “Deus vos perdoe o agravo que fizestes a todo o mundo, querendo pôr em seu juízo o doido mais engraçado que existe” (II, 65,461), achando que tudo tinha sido mal feito. Sansão, no entanto, volta para a sua terra. Quixote foi tratado em seus ferimentos, resistindo aos consolos que Sancho procurava encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No dia da despedida de Barcelona, Quixote se dá conta do tamanho de sua derrota. Por isso diz que  “aqui foi Tróia, aqui a minha desgraça, e não a minha covardia, me tirou as glórias que eu alcançara; aqui usou a fortuna comigo das suas voltas; aqui se escureceram as minhas façanhas; aqui, enfim, caiu a minha ventura para nunca mais se levantar” (II, 66, 465). Enfim, Sancho e Quixote iniciam seu caminho de regresso, este ainda e sempre pensando que, “depois do noviciado”, iria recomeçar suas andanças de cavaleiro, mas sem dar muita atenção a tudo que vinha ao encontro deles. “Se muitos pensamentos fatigavam Dom Quixote antes de ser derribado, muitos mais o pungiam depois de caído” (II, 67, 470). Passando no lugar em que foram atropelados por touros, Quixote sonha em ser, ao menos por um ano, pastor, chamando-se de Quixotiz etc. dando nome a todas as pessoas da história. Sansão chamar-se-ia, por exemplo, de Sansonino ou de Carrascão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Aparecem, no entanto, alguns cavaleiros que, sem dó nem piedade, levam Sancho e Quixote presos para o mesmo castelo onde haviam passado, onde são bem tratados, considerando que Sansão lhes havia contado tudo que sucedera entre eles. Mas a volta prossegue... Chegando perto da aldeia de Alonso Quijano, “toparam à entrada do povo, rezando num campo, o cura e o bacharel Sansão Carrasco” (II,73, 503). Por fim, “rodeados de rapazes e novamente acompanhados pelo cura e pelo bacharel, entraram no povo e dirigiram-se à casa de Dom Quixote, a cuja porta encontraram a ama e a sobrinha, que já sabiam da sua vinda” (II, 73, 503). Encontrando o cura e Sansão, com toda a simplicidade, conta o que havia prometido em Barcelona, falando, igualmente, dos seus ideais pastoris. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quixote fica doente de uma febre que o teve seis dias de cama, visitado por todos os seus amigos. O médico “foi de parecer que o que dava cabo dele eram melancolias e desabrimentos” (II, 74, 507). Acordando após muitas horas de sono, Quixote chama a todos dizendo que não é mais Quixote mas Alonso Quijano e que tudo isso de cavalaria havia sido engano. No meio das despedidas e confissões de arrependimento, o cura e Sansão Carrasco tornam-se os testamenteiros de Alonso Quijano, ex Dom Quixote. Morrendo, uma das coisas que não se perdeu foi o epitáfio de Sansão Carrasco, que dizia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui jaz quem teve a sorte&lt;br /&gt;De ser tão valente e forte,&lt;br /&gt;Que o seu cantor alegou&lt;br /&gt;Que a morte não triunfou&lt;br /&gt;Da sua vida côa sua morte.&lt;br /&gt;Foi grande a sua bravura,&lt;br /&gt;Teve todo mundo em pouco,&lt;br /&gt;E na final conjuntura&lt;br /&gt;Morreu: vejam que ventura,&lt;br /&gt;Com siso, vivendo louco. (II, 74, 511-512).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O golpe definitivo foi dado em Quixote, portanto, depois de sua terceira saída. Quem assume essa responsabilidade é Sansão Carrasco, filho de Bartolomeu Carrasco, cujo itinerário acabamos de descrever, mas que é importante retomar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 1ª intervenção de Carrasco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quatro são as situações em que a figura desse bacharel está no primeiro plano, na Segunda Parte de Dom Quixote, havendo menções a ele em outros momentos secundários. O primeiro aparecimento se dá nos capítulos iniciais da Segunda Parte. Ambos (Quixote e Sansão) conversam sobre temas atinentes à condição cavaleiresca. A Segunda Parte, pelo informe de Sansão, teria sido escrita por um historiador mouro. Quixote, mesmo antes de encontrar-se com Sansão, mostra-se assombrado, pensando que ele deve ser um encantador, amigo e inimigo. Sansão, de fato, deixa transparecer, de imediato, seu caráter burlesco, malicioso e irônico. Confirma, que existe uma novela que conta a vida de Quixote, com mais de 12 mil livros impressos em diferentes lugares. Quixote sente-se orgulhoso, até perguntando pelas partes que são mais conhecidas e preferidas. Sansão responde, fazendo algumas análises pessoais.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tendo conquistado a confiança de Quixote, este lhe dá a conhecer que, dentro de alguns dias, sairá de novo a exercer a missão cavalheiresca e pede conselhos em como realizá-la. Sansão recomenda que vá participar de umas justas em Zaragoça. Quixote, contudo, pede-lhe segredo sobre estes seus intentos. Carrasco, por sua vez, torna estas intenções conhecidas para o cura e o barbeiro e decidem por um estratagema pelo qual obrigariam Quixote a voltar para casa. Carrasco se disfarçaria de cavaleiro andante, provocá-lo-ia para um duelo, vencê-lo-ia obrigando-o a cumprir a aposta de voltar para casa, ficando lá por um ano, sem exercer a função cavalheiresca. Por isso, apesar de a ama e a sobrinha lhe pedirem que convencesse a Quixote de não sair, incita-o e, até, se oferece como escudeiro com enorme preocupação de Sancho. É a primeira intervenção de Sansão Carrasco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 2ª intervenção (desastrosa) de Carrasco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O segundo momento em que Sansão exerce o papel de protagonista se dá quando Quixote e Sancho se encontram com o Cavaleiro da Selva, também acompanhado por um escudeiro, sem se darem conta que este Cavaleiro era Sansão Carrasco e que o escudeiro era o vizinho de Sancho, de nome Tomé Cecial, disfarçando-se com a ajuda de um enorme nariz. A forma que Sansão encontra para agredir, inicialmente, a Quixote, foi falar-lhe de sua amada Cassildéia de Vandália, “a mais crua e mais assada senhora que em todo o orbe se pode encontrar”. Sansão até lhe conta que, por amor a essa amada, teria rendido o famoso Dom Quixote de la Mancha e que, nesta vitória teria vencido a todos os cavalheiros do orbe.... Embora Quixote ouvisse tudo isso dominando seus impulsos, tudo acaba por combinarem um duelo, para provar que tudo isso era mentira (ou verdade). Quem saísse vencedor deveria obedecer às ordens do vencedor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Realiza-se o combate e, para surpresa de Quixote e Sancho, aparece ante seus olhos o rosto de Sansão Carrasco, assim como a realidade do vizinho de Sancho. Tudo lhes parece um encantamento e quem propõe que Quixote mate a Sansão é Sancho porque lhe parecia que era um dos seus encantadores inimigos. Quixote põe sua espada no rosto de Sansão e diz que ele estará morto 1) se não confessar que Dulcinéia del Toboso é bem mais bonita que Cassildéia de Vandália; 2) se ele não for à cidade Del Toboso prestar homenagem à Dulcinéia fazendo tudo que ela mandar, voltando para contar tudo o que passou com ele. Sansão, mesmo que de forma irônica, aceita todas as condições. Sansão tem que confessar, ainda, que aquele cavalheiro que ele teria vencido não era Quixote, mas outro, e Quixote confessa, por sua vez, que embora pareça Sansão Carrasco não era ele mas outro que se parecia com ele. Sansão aceita e volta, disposto a vingar-se, mas não deixando de perguntar-se a si e a Tomé Cecial sobre quem, afinal, seria o louco e quem seria o sadio nesta história. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 3ª intervenção (decisiva) de Carrasco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O 3º momento em que aparece Sansão Carrasco realiza-se, em Barcelona, encarnando a figura do Cavaleiro da Branca Lua, desafiando Quixote para um novo duelo. Se Quixote fosse vencido teria que confessar que Dulcinéia não é a mulher mais bonita do mundo e que ele deveria retirar-se, por um ano, de suas andanças cavalheirescas, cuidando de suas terras e da salvação de sua alma. Caso Quixote fosse vencedor, seriam dele os despojos de suas armas e de seu cavalo e seriam dele o resultado de todas as façanhas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O fato é que Quixote é vencido. Moído e atordoado, Quixote não deixa de dizer que Dulcinéia é a mais formosa mulher do mundo “e eu o mais desditoso cavaleiro da Terra, e a minha fraqueza não pode nem deve defraudar esta verdade: carrega, cavaleiro, a lança, e tira-me a vida, já que me tiraste a honra”. Como diz Cervantes, Quixote fala isso moído e aturdido, como se falasse de dentro de uma tumba, com voz debilitada e enferma. O estado de ânimo de Quixote é confirmado pela reação de Sancho “todo triste e pesaroso, não sabia o que havia de dizer, nem o que havia de fazer. Parecia-lhe tudo aquilo um sonho e cousa de encantamento” (II, 64, 459). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quando Antônio Moreno, hospedeiro de Quixote, chega a saber quem era Sansão bem como de suas intenções, diz-lhe, no final: “Deus vos perdoe o agravo que fizeste a todo o mundo, querendo pôr em seu juízo o doido mais engraçado que existe”. E Sansão desaparece...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Já contamos, rapidamente, como foi a despedida de Quixote de Barcelona. Uma derrota infinita porque, como o próprio Quixote diz, “aqui se escureceram as minhas façanhas; aqui, enfim, caiu a minha ventura, para nunca mais se levantar”.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; 4ª intervenção de Carrasco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Dom Quixote marcha, então, para seu destino final onde vão estar presentes, de novo, o cura e o bacharel Sansão Carrasco. Seguindo as orientações dele, Quixote propõe a Sancho e planeja passar o ano de reclusão, ingressando no mundo pastoril, o mesmo espaço em que transcorreu o episódio da fingida Arcádia descrita e vivida em II, 68 inventando, inclusive, o nome que todos teriam. Já de volta para a aldeia, numa confidência com Sansão, não deixa de falar-lhe dos mesmos planos, tendo aprovação dele porque via aí, segundo ele, a possibilidade de curar Quixote e, por isso, se compromete com o mesmo planejamento, envolvendo-se na vida desta Arcádia onde seria chamado, segundo Quixote, de Sansino. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Apesar de todas as suas imaginações, Quixote não sai de suas tristezas e fica doente. O médico que chamaram diz para eles atenderem à saúde de sua alma porque a do corpo corria perigo. Quixote dorme muito... Acordando confessa seu arrependimento da vida cavalheiresca que levou, assumindo-se como Alonso Quijano. Desconfiados de que Quixote entraria por outra loucura o cura, o bacharel e o barbeiro ficam preocupados, mas quem o adverte é Sansão animando-o a que não deixe de sonhar de ser pastor, deixando de lado a vida de ermitão que se lhe apresentava. Quixote pede um confessor para ficar bem com Deus e um escrivão para deixar ordenadas as coisas do mundo. O escrivão seria Carrasco.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; A inclusão de Sansão Carrasco na novela de Dom Quixote, portanto, é chave. Pode-se afirmar com absoluta certeza que, mediante sua figura, de forma representativa, se pode reconstruir todo o mundo quixotesco de 1615. Suas intervenções são fundamentais no andar quixotesco e constituem, junto com a atitude de Dorotéia, o verdadeiro motor da ação. Não falamos de Dulcinéia porque é uma criação utópica e, em nosso caso, seria muito difícil enquadrá-la no mundo juvenil que procuramos analisar. A conclusão que se pode tirar, portanto, é que são duas figuras juvenis que decidem o processo de retorno para a normalidade de um personagem que se havia deixado pelo mundo imaginário e louco de um cavaleiro andante. Quem dá o golpe mortal à cavalaria, por isso, são dois jovens: uma moça e um rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Entre as formas de descobrir a juventude na história, dizíamos no início, destaca-se o estudo que pode ser feito sobre as obras literárias na perspectiva juvenil, isto é, na leitura e estudo de romances (de todos os tipos), teatros e poesias (de todo tipo) e descobrir o lugar que a juventude tem nessas obras. Não se trata de ocupar-nos com as obras que, de forma explícita, falem de juventude ou que foram escritos tendo em vista o mundo juvenil, mas da obra como tal onde o autor/a, através dos enredos, histórias, criação de personagens – não pensando falar de juventude – revelam, na maioria das vezes sem querer - o lugar que aí tem a juventude. Não seria um estudo na perspectiva literária, sociológica, psicológica, cultural, antropológica etc. mas um estudo da realidade juvenil “Dom Quixote”, de Cervantes que, provavelmente deva ter presente todos estes aspectos ou paradigmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Escolhemos esse viés neste estudo, acrescentando-lhe outra especificidade: o protagonismo juvenil, isto é, perguntando-nos pelo papel que os jovens que aí aparecem, descritos de forma artística, exercem na história, isto é, na sociedade em que vivem. Eles são silenciados ou dá-se-lhes algum papel protagônico, decidindo alguma coisa? O enredo do romance, da tragédia ou da comédia depende da atitude desses jovens?  Qual o lugar que a juventude tem nessa obra, neste autor, nesta sociedade etc. Perguntamo-nos isso supondo que é nestas formas “inconscientes”, “não pensadas”, “naturais” que o jovem é reconhecido, ou não, naquilo que ele é e representa tanto para o autor/a como para a sociedade em que o autor/a vive. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Levou-nos para isso a curiosidade que temos com o tema “juventude na história” e, de modo especial, estudando a forma como Giovanni Levi e Jean-Claude Schmitt escreveram os dois volumes intitulados “História dos Jovens”. É verdade que eles não fazem isso, mas a forma como apresentam a imagem dos jovens na cidade grega, o mundo romano na perspectiva juvenil, os jovens na idade medieval etc. não deixam de apontar para essa forma de estudar a questão. Já fizemos a experiência em vários autores e pareceu-nos muito elucidativo, fazendo a juventude emergir, na história, de outra forma. É bem possível que Goethe, Shakespeare, Zola e os infindos literatos com os quais nos divertimos e formamos talvez nos digam que não era isso que haviam pensado, mas o que decide a questão é o que eles escreveram, o que inventaram, o que contaram, o que descreveram etc. Atrevemo-nos a ler, nesta perspectiva, “Dom Quixote de la Mancha”, de Miguel de Cervantes Saavedra. Mesmo de forma sintética, apresentamos o resultado da leitura de Cervantes nesta obra. Não nos preocupamos (nem teríamos condições para isso) com a obra de Cervantes como um todo. O que descobrimos, na perspectiva geral que assumimos, é o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 1. Cervantes, em “Dom Quixote”, não demonstra, em geral, grande apreço à juventude. Baseamo-nos nas figuras juvenis que acentuamos em nosso estudo. Tentamos caracterizar estas figuras em três níveis, desde o desprezo até a admiração. São secundários e desprezíveis, de modo especial os jovens pobres (que são poucos) e as prostitutas (que ele ridiculariza no linguajar e no modo de as considerar). Ao mesmo tempo, contudo, são estas figuras que recordam a Quixote a sua origem, tornando-se, por isso, para Quixote, até uma longínqua ameaça. Elas, de modo geral, são conscientes de sua situação e da loucura e dos “enganos” de Quixote. Constituem, por isso, mesmo de forma ligeira, uma ameaça para Quixote, deixando-o iinseguro. Valem como exemplo a sobrinha e o rapazito dos açoites. São uma ameaça, igualmente, Maritornes e a filha do vendeiro que, além de “tentá-lo” em seus princípios de fidelidade à Dulcinéia, põe-no a ridículo, amarrando-o na janela. Por outro lado, é muito contraditório o fato de Quixote aceitar que sejam duas prostitutas as que o invistam, junto com o dono de uma hospedagem, de cavaleiro. Assim como é uma forma de satirizar Quixote e os cavaleiros, é uma forma de dizer que as prostitutas são desprezíveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 2. Quando falamos das figuras juvenis encarnando o “cotidiano”, vemos que a grande maioria dos jovens em “Dom Quixote” se situa nesta caracterização, fica claro que os jovens estão aí para fazer o povo rir de seus dramas e desgraças. Os jovens, em “Dom Quixote” são os “bobos da corte” cuja grande finalidade é entreter a sociedade. Insistimos, por isso, no entretenimento. As histórias de amor – porque os jovens de “Dom Quixote” são levados a viver disso – é a forma que Cervantes usou para inventar uma longa história para Quixote. E ele, como Quixote, não é só Quixote: é a sociedade de seu tempo rindo-se deles e rindo de si mesma. Eles divertem, mesmo com seus dramas e suas fugas, seus sofrimentos e ingenuidades, uma sociedade que precisava disso para disfarçar que ela – a sociedade – está de bem com a vida. Podemos dizer, até, que o próprio Cervantes encontra nessas histórias juvenis, uma maneira de rir de sua própria vida e da vida de seus familiares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 3. Uma realidade que merece ser recordada, são as fugas que “Dom Quixote” encontra para as figuras juvenis. Falamos de três “espaços”: a morte (suicídio), a fuga para o campo e a fuga para o convento. Os três espaços carregam uma seriedade para a leitura da sociedade de Cervantes. Sabemos que a Espanha de Cervantes sofria de uma pauperização  alarmante, onde o desespero e a insegurança tomava conta de muita gente, assim como vimos na própria história de Cervantes. O suicídio, a fuga para o campo e o refúgio nos conventos não era um assunto que não penetrava no coração do povo, e também dos que não eram ricos. Aliás, quase todas as figuras juvenis que localizamos no “cotidiano da vida” não se situam no mundo dos pobres. Até os lavradores descritos são ricos. Para as mulheres a questão do “dote” não era, na época, um assunto superado. Muito menos o autoritarismo familiar na escolha dos futuros maridos e esposas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 4. Um ponto que merece destaque em “Dom Quixote” são algumas atitudes e alguns discursos das mulheres. Em meio à opressão afetiva são elas que saem a campo para defender seus direitos contra o domínio machista e paterno existente. Nesse sentido, as figuras que se destacam são Marcela, Dorotéia e, de forma menos significativa, Lucinda. Em geral, contudo, são descritos (moças e rapazes) dominados pela paixão amorosa, sem ter outra causa a lutar. Os jovens estão aí para a sociedade esquecer-se de seus problemas e ter motivos para rir e chorar. Dom Quixote, em grande parte da novela, é aquele que ouve, se emociona e não pode fazer coisa alguma. Talvez nem queira... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 5. Mesmo que não possamos negar que nessa situação juvenil, até agora descrita e analisada, exista um protagonismo juvenil, mesmo às avessas – porque é a juventude que desmascara mazelas profundas da sociedade – há duas figuras que foram olhadas de modo muito particular. Quem derruba e vence o superado cavalheirismo ainda em vigor na sociedade espanhola são dois jovens: Dorotéia e Sansão Carrasco. Conseguem-no através do encantamento envolvente de Dorotéia, representando magistralmente a figura de Micomicona, e através do encantamento agressivo de Sansão Carrasco, tendo que passar por um processo de descoberta e de estratégia para conseguir o seu intento. Quem faz Quixote entregar-se e voltar à realidade, quem faz os cavaleiros andantes serem motivo de riso e de algo que já passara, foram dois jovens. Nesse sentido, as figuras juvenis, em “Dom Quixote”, não são somente importantes, mas se tornam os grandes protagonistas daquilo que Cervantes sonhava descrever. Sem cair em exageros, na perspectiva juvenil, Cervantes confirma que – mesmo silenciados, mesmo encarados como desprezíveis ou como meros “bobos da corte” da sociedade, os jovens não deixam de revelar-se, de forma “inconsciente”, “não desejada”, “não admitida” como sendo protagonistas numa sociedade que não quer e não deixa que eles, os jovens, sejam importantes e influam no avanço sadio dela mesma. Descobrir isso numa obra como “Dom Quixote de la Mancha”  não deixa de ser um convite para a juventude, na história, ser estudada nas obras literárias no viés  do protagonismo juvenil que nunca deixou de ser real.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARCO Y GARAY, Ricardo del La sociedad española en las obras de Cervantes. Madrid: Patronato del IV  Centenario del Nacimiento de Cervantes, 1951. &lt;br /&gt;ARRABAL, Fernando  Un esclavo llamado Cervantes. 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Madrid: Taurus,&lt;br /&gt; 1991.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-7333869597305399091?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/7333869597305399091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=7333869597305399091&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/7333869597305399091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/7333869597305399091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2010/03/derrota-de-dom-quixote-por-dois-jovens.html' title='A DERROTA DE DOM QUIXOTE POR DOIS JOVENS'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-5568652483615937216</id><published>2010-03-11T23:37:00.002-03:00</published><updated>2010-03-11T23:46:35.669-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos Hilário Dick'/><title type='text'>1968 ECLESIÁSTICO</title><content type='html'>Quanto mais se lê sobre o “Maio de 1968” mais perguntas aparecem. Foi um ano louco e enigmático, provocado pela juventude. Até Sartre, que estava em Paris, naquele ano, confessava dois anos depois, que “ainda estava pensando no que havia acontecido e que não tinha compreendido bem. Não pude entender o que aqueles jovens queriam...” Dizem outros que 1968 foi um ano mítico, ponto de partida de transformações em muitos campos. Assim como foi uma espécie de orgasmo, foi igualmente um saco de decepções. Será que foi a frustração que suscitou o despertar das drogas, da violência, da guerrilha e do terrorismo urbano? De fato, foi isso que aconteceu. Será que a Guerra Fria foi, realmente, tão acachapante? Depois de 40 anos ainda perguntamos pelo que sucedeu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Com vontade de compreender “algo mais”, isto é, “perceber” o que aconteceu, vai essa crônica. De forma bem simples, procura ler o mesmo fato a partir de uma frágil vivência pessoal, tentando colocar entre os ingredientes da sopa alguns aspectos “eclesiásticos”. Talvez colaborem na ampliação do que então se viveu, para saboreá-lo melhor. Em 1968 eu estava em São Leopoldo, na Faculdade de Teologia Cristo Rei, um ano antes da ordenação sacerdotal, dando aulas de literatura brasileira e estudando teologia. Há dois anos deixara de vestir batina para andar de “clergymann”, assim como a maioria dos meus colegas. Eram, também, os primeiros anos em que podíamos participar da celebração eucarística em português, tocando violão e guitarra e cantando coisas do P. Zezinho...  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Paris estava longe de nossas preocupações, mas sei que não estávamos parados. Nas aulas de Teologia encontrávamos professores que tinham que assumir as novidades do Concílio Vaticano II, o que nem todos conseguiram. Alguns, além de “tomar água”, largaram o barco. Sei que éramos inquietos, críticos, querendo mudanças. Na visita que o Padre Geral da Companhia de Jesus – Padre Pedro Arrupe, um homem excepcional e no qual não sabíamos encontrar defeito – fez ao “teologado”, no encontro que os estudantes de Teologia tivemos com ele, ainda hoje me lembro como a autoridade dele não bastou para – com espanto dos superiores – segurar a nossa intranqüilidade. Havíamos redigido um calhamaço de setenta páginas de reflexões e reivindicações querendo Teologia e formação diferentes. Éramos estudantes de vários países e de várias regiões do Brasil. Além disso, uma das coisas pela qual batalhamos era por ter – dentro da disciplina de um teologado jesuítico – um Diretório Acadêmico articulado com outros Diretórios das Faculdades da cidade, formando a “Federação dos Estudantes Universitários do Rio dos Sinos”. Naquele Congresso azarado da UNE, em Ibiúna (SP), também tinha jesuítas... Incomodava-nos o fato de ser um teologado “reconhecido”,  e não termos uma revista de Teologia sob nossa responsabilidade. Já que os professores não tomavam a iniciativa, os estudantes fizeram nascer o que é, hoje, “Perspectiva Teológica” levado em frente pelos professores da Faculdade dos Jesuítas de Belo Horizonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Lá fora e lá dentro era 1968... Ano do Ato Institucional nº 5, ano das guerrilhas urbanas, ano de uma repressão miserável: professores demitidos e exilados, operários controlados e espancados; estudantes sem liberdade de se organizarem; o povo tendo que submeter-se à vigência de dois partidos (um a favor e o outro contra); com salas de aula infestados de “dedos duros” pagos para encontrar subversões. Lembro-me do dia em que os militares pularam pelas janelas do Teologado, procurando seminaristas subversivos. Frei Beto conseguira fugir, mas outros (estudantes e padres) foram levados prisioneiros para serem interrogados. Contudo, nem a Teologia da Libertação havia sido, ainda, sistematizada... É verdade que o então P. Hugo Assmann agitava os pensamentos de um grupo de padres fazendo um curso de reciclagem, falando coisas fora de costume. Estávamos, todos, no auge da moratória vital, mas vivíamos sem ter muita consciência. Nem de 1968. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Olhando, contudo, para além da janela eclesiástica, víamos – sem entender muito - que a JUC e a JEC eram declaradas extintas pela Conferência dos Bispos, tendo como cabeça de comando nosso cardeal D. Vicente Scherer, arcebispo de Porto Alegre, respeitado por todos, também pelas forças militares, embora o tenham deixado – certa noite – sem roupa, no bairro Medianeira de Porto Alegre. Era um horror. E eu me preparava para ser ordenado padre. Quando D. Ivo Lorscheider voltou da Conferência Episcopal Latino-Americana de Medellín trazia debaixo dos braços as conclusões do evento, disposto a publicá-las sem pedir muita licença para ninguém, muito menos para os militares. E foi o que fez. Era a tradução, para a América Latina, das conclusões do Concílio Vaticano II que terminara em 1965. Uma cópia dessas Conclusões guardo, ainda hoje, com reverência, entre os livros que procuro guardar. Entre as muitas novidades da Conferência, falava-se – talvez pela primeira vez – de juventude, referindo-se a ela “como força de pressão social”... Lembro-me que, na época de preparação dessa Conferência, fui levado a estudar o “Documento de Buga” (cidade da Colômbia), amadurecendo a reflexão sobre a juventude universitária. Por um lado desarticulava-se um movimento de jovens católicos traduzindo a fé dentro da realidade social, política e econômica, e, por outro, olhava-se esta juventude como sendo a expressão da novidade, reconhecendo nela uma “força social de pressão”. Estávamos em 1968. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Por um lado havia uma movimentação enorme de “Comunidades Eclesiais de Base”, de renovação litúrgica, de planejamento pastoral e, por outro, já em 1969, era morto, em Recife, o P. Antônio Pereira Neto, que trabalhava com estudantes. Quando era assassinado Martin Luther King, nos Estados Unidos, surgia em São Paulo um tipo estranho de evangelizar a juventude – especialmente universitária – através de um movimento chamado “Emaús”. Sua pedagogia de impacto movida por sentimentalismos aprendidos nos Cursilhos de Cristandade, era vendida para universitários proibidos de ser organizarem. Nascidos numa Espanha católica, nos encontros de Emaús era proibido falar de política. De estranhas raízes militares, foi um sucesso, conseguindo tornar aceita uma religião apresentada com uma finalidade inconfessada, isto é, de voltar a ter uma religião muito necessária para alguns: uma religião que fosse “ópio do povo”. Ao mesmo tempo recordo que, neste mesmo ano, aparecia no Rio Grande do Sul uma figura estranha de jesuíta, representando e apresentando uma articulação bem diferente de trabalho com a juventude. Falava-se, então, de uma “Pastoral da Juventude”, isto é, da ação organizada de jovens procurando ser Igreja. Esta figura poucos a conhecem, mas era uma novidade. Ela se chamava P. Jesús Andrés Vela, jesuíta. Como me lembro de um encontro com eles, em Gravataí, espalhando esperanças e propostas nascidas no seio de uma Igreja que sonhava ser comunhão e participação, encontrando pessoas – como eu – procurando saídas para a evangelização da juventude dentro de um contexto que imaginávamos fosse de libertação. Estava saindo do orgasmo da minha moratória vital...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 1968, em termos eclesiásticos, não brotou fora da realidade e não deixava de situar-se neste ambiente que misturava sofrimento e busca ansiosa. Além de muitas outras iniciativas (Renovação Litúrgica, Catequética, Pastoral..), o que me ocorre recordar é o movimento dos “Cristãos pelo Socialismo” e a organização dos “Padres do Terceiro Mundo”. Que coisa mais genial! Para muita juventude e muitos adultos a revolução socialista estava na esquina e era preciso assumi-la. Se a Conferência Episcopal de Medellín marcou a Igreja da América Latina é que ela foi a expressão de realidades que já vinham acontecendo. No Chile, a expressão da novidade era D. Manuel Larrain, antes da vitória e morte de Allende. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Se fizesse análises de conjuntura no ano que precedeu minha ordenação sacerdotal, estas coisas talvez ficassem mais claras, mas não se pensava nisso. Ao menos nós... Agora estou olhando para trás para dar-me conta que 1968 estava, também, dentro de mim. Quando eu tinha 27 anos dava-se o golpe militar no Brasil e, um pouco antes o mundo chorava o assassinato de Kennedy; quando eu tinha 34 anos dava-se o golpe militar na Bolívia; quando eu tinha 36 anos dava-se o golpe no Uruguai e se assassinava Allende no Chile; quando tinha 39 anos Videla castigava a Argentina com outro golpe... Um pouco antes, contudo, quando tinha 17 anos suicidava-se Getúlio, aos 18 caía Perón na Argentina, aos 22 anos caía Fulgêncio Batista em Cuba. Pelo lado eclesiástico, quando tinha 21 anos fundava-se a CLAR e aos 22 anos nascia em Quito o Centro de Informações da JOC e quando tinha 30 anos matava-se a Ação Católica Especializada. Sem deixar de falar, contudo, que quando eu nascia, a Juventude hitlerista reunia milhões, a juventude fascista era um sucesso e a juventude falangista incomodava a Espanha. Que mundo contraditório gira em nossas veias... Por isso, 1968 é esta pergunta enorme que a juventude gritou para o mundo, também dentro das Igrejas. Como seria agradável saber que entre os 9 milhões de franceses em greve de 18 de maio até 7 de junho de 1968 também estavam seminaristas que nem nós, sonhando novidades. Ou estariam eles entre aqueles que morriam de tédio por estarem fora dos acontecimentos que ocorriam ou iriam brotar mais além? Assim como a Primavera de Praga, as Brigadas Vermelhas, os Montoneros, os Tupamaros, os mortos na Praça de Tatlelolco e infindos outros lugares. Não foi por acaso que na Marcha dos Cem Mil, em 26 de junho de 1968, no Rio de Janeiro, a novidade foi a presença de padres, religiosos e freiras aderindo aos protestos porque 1968 também estava atrás dos muros eclesiásticos.&lt;br /&gt;                                                                      Hilário Dick&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-5568652483615937216?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/5568652483615937216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=5568652483615937216&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/5568652483615937216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/5568652483615937216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2010/03/1968-eclesiastico.html' title='1968 ECLESIÁSTICO'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-7850289126867211602</id><published>2010-03-04T11:15:00.001-03:00</published><updated>2010-03-04T11:18:53.478-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos Hilário Dick'/><title type='text'>A CAMPANHA  CONTRA O EXTERMÍNIO DA JUVENTUDE</title><content type='html'>A juventude costuma ter atitudes que nem sempre se entendem. As atitudes emergem, mas não são percebidas. No correr da história de todos os tempos, a juventude é invisível. Melhor, é invisibilisada. Se ela aparece é como a “boba da corte” ou, então, como aquela que consome ou merece a página policial. “Boba da corte” é, também, nas revistas que exploram seu corpo; não porque ela é linda, mas porque pode ser consumida. Vivendo a fase da aparência, isto é, com vontade e direito de “ser vista”, é invisibilisada na história. Por isso é tão perigoso falar de “protagonismo juvenil”. Na história oficial, o que existe é o mundo dos adultos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num contexto assim e num contexto em que a ONU proclama, de novo, o ano 2010 como o “Ano Internacional da Juventude”, em que a maior organização de jovens da América Latina vive preparando-se para o 3º Congresso Latino-Americano da Pastoral da Juventude em Los Teques (Venezuela) pensando em revitalização, num contexto em que a morte de jovens, especialmente negros, está chegando a ser intolerável, as Pastorais da Juventude do Brasil lançam uma primeira campanha nacional: a Campanha contra o Extermínio da Juventude. É uma campanha que não veio dos “adultos”, das “igrejas” ou dos “governos”. Ela brotou do chão daqueles que estão vivendo esta realidade e o grito que se ouve é “A juventude quer viver”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Campanha contra o Extermínio da Juventude é uma iniciativa acertada. Acertada porque é a vontade de levantar o tapete da realidade e dizer que o problema já foi escondido por tempo demais. Não é só a arma que mata; não é só o trânsito que mata; vivemos num sistema que mata sem a gente se dar conta. Se gostamos tanto de falar da violência da juventude, corremos o risco de não perceber que há muitos séculos a juventude é violentada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É triste ler nos dados estatísticos que as mulheres vão crescendo na percentagem das pesquisas. Não porque isso seja ruim, em si, mas porque é terrível que a causa seja a morte provocada especialmente no segmento masculino, jovem e negro. É uma iniciativa acertada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma iniciativa, também, urgente. Urgente para a juventude mas, especialmente, para uma sociedade convidada a estar encantada por ela mesma para ser mais justa e mais harmoniosa. A campanha solta um grito fundamental: “irmã, sociedade, ame-se a si mesma”. Não é matando a juventude que você demonstra o amor que tem a si mesma. Isso não é só uma necessidade; é uma urgência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Campanha tem outro aspecto fundamental: a de ser conscientizadora. A Campanha contra o Extermínio da Juventude é uma forma de dar-nos conta da filosofia que governa o planeta. Uma filosofia que, de forma muito sofisticada, é capaz de esconder sua tendência tanatófila. Diríamos que a Campanha se coloca na dimensão da importância não reconhecida ou não aceita do cuidado com o planeta através da ecologia. Preservar a juventude é preservar o planeta. O fato de o grito da “Campanha” brotar do mundo juvenil é uma esperança enorme e, ao mesmo tempo, de tristeza infinita. Está na hora de a juventude voltar a discutir com garra juvenil a própria realidade, mesmo que seja a partir da situação dela, sendo desmascarada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, a Campanha é inquietante. O discurso da juventude que mata (o que não deixa de ser parte da verdade) deve ser o da sociedade que precisa deixar de matar. Havia tempos em que a juventude era morta descaramente (olhe-se a história das guerras); hoje ela está sendo morta na surdina. Um dos tipos de violência do qual se deveria falar mais é o da violência simbólica, na qual os meios de comunicação nas mãos do poder econômico desgraçadamente é especialista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, bem-vinda esta Campanha. Claro que ela não está garantida em seu sucesso porque há muitas forças, muitos preconceitos, muitas cegueiras que desejam que isso seja, simplesmente, um grito a mais. Depende de todos nós que esse grito seja um grito de uma sociedade que ainda tem vontade de amar-se a si mesma porque se descobre feita para a vida e não para o extermínio de ninguém.&lt;br /&gt;                                                              Dr.Hilário Dick&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-7850289126867211602?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/7850289126867211602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=7850289126867211602&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/7850289126867211602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/7850289126867211602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2010/03/campanhacontra-o-exterminio-da.html' title='A CAMPANHA  CONTRA O EXTERMÍNIO DA JUVENTUDE'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-8094309605590007736</id><published>2010-03-01T20:34:00.002-03:00</published><updated>2010-08-27T08:54:09.291-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos Hilário Dick'/><title type='text'>08 de março: cem anos de luta pela libertação das mulheres</title><content type='html'>Ao longo das últimas décadas, a luta das mulheres garantiu grandes avanços sociais. O voto, o divórcio, as leis contra a discriminação, contra o assédio, contra o abuso e a violência sexuais, foram importantes direitos conquistados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, todas essas lutas ainda não foram suficientes para por fim à opressão sofrida pela mulher. Sem dúvida, são imensas as barreiras que elas precisam enfrentar diariamente para vencer os valores e a exploração impostos pelas classes dominantes há séculos no país e no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na maioria das famílias, por exemplo, a mulher permanece submetida à escravidão doméstica, assumindo sozinha a educação dos filhos e as desgastantes obrigações como lavar, passar e cozinhar, e, com o crescimento da exploração capitalista e o empobrecimento da população, vê-se obrigada cada vez mais a trabalhar fora de casa, e, com isso, assumir uma pesada dupla jornada de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em quase todos os países não são ofertadas condições que aliviem a mulher dos encargos domésticos e da educação dos filhos; faltam vagas nas creches, isso impede que a mãe trabalhe; faltam escolas; lavanderias coletivas; restaurantes públicos próximos à moradia ou ao local de trabalho; estes serviços estão restritos a uma minoria que pode pagar por eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soma-se a isto a situação de moradia das famílias, sejam em favelas, barracos, cortiços, pagando altos alugueis e o alto custo de vida. Todos estes entraves também influem em sua relação com o homem, fazendo com que a relação de amor e afeto, dê lugar às preocupações financeiras, familiares etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os grandes meios de comunicação falam que as mulheres têm conquistado cada vez mais espaço no meio político, nos estudos e no mercado de trabalho. Mas esquecem que essa é a realidade das classes mais favorecidas, pois a mulher que vive na periferia não tem acesso a uma educação de qualidade e ficam sempre com os piores e mais desgastantes empregos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, o capitalismo, ao levar a mulher para participar mais da produção, o fez com o intuito não de emancipá-la, mas de aumentar os lucros dos capitalistas, isto é, de explorá-la ainda mais do que explora os homens. Prova disso, é que até hoje elas continuam a receber salários mais baixos que os homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os números confirmam a desigualdade. Um estudo da Secretaria de Políticas para as Mulheres SPM, realizado em parceria com o IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística], o IPEA [Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada] e a OIT [Organização Internacional do Trabalho], no âmbito do Observatório do Brasil de Igualdade de Gênero, mostrou que enquanto os homens perderam 1,7% das ocupações, as mulheres perderam 3%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na indústria, a queda de postos ocupados pelas mulheres foi de 8,38%. Os números do desemprego masculino são maiores, mas em função de outro fenômeno provocado pela crise: as mulheres se retiraram do mercado de trabalho e voltaram para casa – passando a inativas, não figurando mais nas estatísticas daqueles que buscam emprego. Já no mercado formal, os homens perderam 580 mil postos e as mulheres, 5 mil. Mas por trás disso está a substituição de um trabalho mais caro por um mais barato. No período da crise, os salários de admissão das mulheres foram sempre menores do que os dos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior categoria do país, por exemplo, é a das trabalhadoras domésticas – mais de 8 milhões de profissionais, das quais 97% negras, sendo que apenas 20% têm emprego formal. Segundo pesquisa do IBGE de 2003, as negras e pardas recebiam salários 51% menores do que o rendimento médio das mulheres brancas. Ou seja, há uma dimensão racial em jogo que também aprofunda a desigualdade no mercado de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No contexto da crise, os setores que mais receberam incentivos para superá-la foram aqueles onde a presença masculina é mais forte, como o industrial. Mesmo nestes, as mulheres foram as primeiras a serem colocadas pra fora do mercado formal. Em outras palavras, o trabalho das mulheres ainda é visto como algo auxiliar, complementar, mesmo que mais de 30% das famílias sejam chefiadas por mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em defesa dos direitos das mulheres&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, no bojo da superação da crise, outra luta coloca-se para as mulheres, também para este ano de 2010: garantir a ratificação pelo Brasil da Convenção 156 da OIT, que garante a igualdade de oportunidades e de tratamento para os trabalhadores dos dois sexos, incluindo as responsabilidades familiares. Segundo pesquisa do Dieese [Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos] divulgada em março de 2009, a taxa de desemprego das mulheres que não possuem filhos é de 13,1%, menos do que as que possuem – 15,6%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A injusta divisão sexual do trabalho é um dos principais pilares que sustenta o patriarcado. Em média, a mulher trabalha 16 horas por dia. A maior parte é não remunerada, a outra, sub-remunerada. A expressão da dupla jornada de trabalho, já banalizada na sociedade capitalista. Enquanto existir, o patriarcado, as mulheres serão submetidas ao domínio masculino, isto é, enquanto pendurar um sistema econômico, onde coloca o papel das mulheres na sociedade, de forma secundária e desvalorizada, persistirá o machismo, o patriarcalismo, e todas as outras formas de exploração irá continuar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por esses motivos, a mulher trabalhadora, ou seja, a mulher explorada forja dia a dia uma força e uma garra surpreendentes para defender a si e sua família das injustiças e das dificuldades impostas pelo capitalismo. Não é à toa que elas estão na linha de frente do movimento sociais em todo o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história mostra que mesmo diante de toda a opressão que sofreu e sofre a mulher, a mais oprimida de todos os oprimidos, nunca ficou a margem dos grandes movimentos libertários. Ao contrario, a história da luta de libertação de todos os povos está repleta de heroínas. O próprio 8 de março é um exemplo, já que a data é uma homenagem as 129 operárias têxteis de Nova York que, em 8 de março de 1857, lutavam pela redução da jornada de trabalho e foram assassinadas pela polícia dos patrões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também no Brasil vários são os exemplos, como o das heroínas de Tejucupapo; a luta pela independência do país; contra a Ditadura Militar; e centenas de greves em todo o Brasil revelam que as mulheres sempre estiveram na linha de frente da luta do povo brasileiro pela democracia e por uma nova sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse ano comemorasse o centenário do dia internacional das mulheres (1910- 2010). Hoje, mais do que nunca, a organização e a luta das mulheres precisam se desenvolver, pois com o aprofundamento da crise do sistema capitalista, tem crescido em todo o mundo as tentativas de por fim a vários direitos e aumentar a exploração sobre a mulher e todo o povo. Vamos à luta pelos nossos direitos e por uma nova sociedade, onde prevaleça a igualdade, fraternidade e a justiça social.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.atefce.com.br/eventos/51-08-de-marco-cem-anos-de-luta-pela-libertacao-das-mulheres.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8132377327227901971-8094309605590007736?l=observatoriojuvenildovale.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/feeds/8094309605590007736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8132377327227901971&amp;postID=8094309605590007736&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/8094309605590007736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8132377327227901971/posts/default/8094309605590007736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://observatoriojuvenildovale.blogspot.com/2010/03/08-de-marco-cem-anos-de-luta-pela.html' title='08 de março: cem anos de luta pela libertação das mulheres'/><author><name>Observatório Juvenil do Vale</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8132377327227901971.post-4696317764810265011</id><published>2010-02-25T17:46:00.002-03:00</published><updated>2010-08-27T08:54:09.292-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Textos Hilário Dick'/><title type='text'>Na América Latina e Caribe há 7 milhões de jovens desempregados‏</title><content type='html'>A OIT faz um apelo para a geração de mais e melhores empregos  depois de uma crise que deixou mais de 600.000 desempregados entre 15 e 24 anos &lt;br /&gt;LIMA (Notícias da OIT) – Na América Latina e no Caribe os jovens foram as principais vítimas de uma crise de emprego que deixou um rastro de desemprego e informalidade, disse hoje a OIT ao mostrar a necessidade de que sejam tomadas medidas que ajudem a recuperação econômica e produzam novas oportunidades para as pessoas entre 15 e 24 anos.&lt;br /&gt;"O desemprego urbano da região afeta 7 milhões de pessoas jovens", disse o diretor regional da OIT para a América Latina e o Caribe, Jean Maninat, ao participar de um fórum da União Europeia - América Latina e Caribe sobre Coesão Social que ocorre em Lima, e é dedicado ao desafio de discutir o trabalho decente para a juventude. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maninat acrescentou que " tudo parece indicar que os jovens jovens foram mais afetados pela crise que acabamos de viver durante o ano passado." Segundo estimativas da OIT, como resultado da crise, cerca de 600.000 jovens somaram-se às filas de desemprego. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A OIT apresentou um documento de atualização sobre o relatório "Trabalho Decente e Juventude" (ver link abaixo) para a reunião a ser realizada na capital peruana, com a participação de Ministros do Trabalho e vice-ministros de ambos os continentes, e representantes de organizações internacionais e organizações sociais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O documento disse que a região tem 104 milhões de jovens, e que: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 34% dos jovens somente estudam  &lt;br /&gt; 33% dos jovens só trabalham &lt;br /&gt; 13% dos jovens estudam ou trabalham &lt;br /&gt; 20% dos jovens não estudam nem trabalham&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, o documento afirma que, segundo os dados disponíveis, entre aqueles que   trabalham apenas 10% têm um contrato estável, 35,1% têm seguro de saúde, e 32,5% estão matriculados em um sistema de pensões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Estes números são reveladores e preocupantes" , disse Maninat durante o Fórum e advertiu que as evidências do elevado desemprego e informalidade deixam claro que "o trabalho decente para a juventude é uma questão em aberto que já existia desde antes da crise." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Estamos enfrentando um desafio político",  acrescentou o representante da OIT, que considera particularmente preocupante a proporção de 20% dos jovens que não estudam nem trabalham. "Quando há desespero e frustração entre estes jovens isso não só compromete o futuro, mas se torna mais difícil a estabilidade de nossas sociedades e até mesmo a representatividade e a governabilidade democráticas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A OIT disse que o desemprego durante a crise poderia ter sido maior, mas a taxa foi contida, em parte, porque não houve um aumento na taxa de participação laboral, devido à decepção experimentada por muitos trabalhadores diante da impossibilidade de  encontrar emprego. "As principais vítimas do desalento foram os jovens", disse Maninat. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estudo da OIT disse que os dados recolhidos até agora indicam que na maior parte  da região diminuiu a taxa de participação dos jovens no mercado de trabalho, enquanto que a dos que tem mais de 25 anos geralmente se manteve estável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Após a crise, a situação é urgente. Agora, temos de investir na criação de emprego a mesma vontade política e engenho que foi usado para salvar o sistema financeiro ", disse o Diretor Regional da OIT. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele lembrou que a OIT tem disponibilizado para países um Pacto Global para o Emprego, aprovado por representantes de governos, empregadores e trabalhadores, que contém um conjunto de medidas para permitir a recuperação econômica capaz de  produzir mais e melhores empregos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quase todas as medidas preconizadas no Pacto Global tem uma influência significativa sobre a situação dos jovens", concluiu Maninat. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Fórum da UE - ALC sobre coesão social, que termina em Lima na quarta-feira, pretende promover o intercâmbio de experiências e gerar uma série de recomendações relacionadas com a promoção do trabalho decente para a juventude. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leia a atualização do documento Trabalho Decente e Juventude &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;http://www.oitbrasi l.org.br/ topic/youth_ employment/ news/news_ 135.php&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googl
